domingo, 23 de dezembro de 2007

O arcano da roda da fortuna


A roda da fortuna é vista mais como a impermanência das coisas, dos caprichos do destino, do que pelo seu lado ligado ao caminho iniciático que é a Roda do Ano.
Os wiccanos não vêem a roda da fortuna por esse lado moralista capenga e brochante, como bons bruxos nós sabemos que padrões morais mudam conforme a época, a cultura e o povo. A roda da fortuna é vista como a Roda do Ano, o ciclo das estações, o movimento natural de nascimento - crescimento - morte - renascimento.
Uma carta que acompanha a roda da fortuna no caminho iniciático é a carta da carruagem, mostrando que o destino é resultado de muitos fatores externos, mas que nós somos e temos que ser responsáveis pela condução de nossas vidas. Um bruxo que se preza não aceita ser vítima das circunstâncias nem se deixa levar por opiniões de terceiros.
O wiccano, em sua vida sacerdotal, saberá perceber como se comporta a roda da fortuna sem se deixar levar pelo torvelinho da Vida, mas sabendo tirar da decadência a força para se reerguer.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O arcano da alta sacerdotisa

A carta da alta sacerdotisa representa com excelência o estado que se alcança quando o/a iniciado/a recebe o 3º de um/a Alto/a Sacerdote/Isa mais antigo de um coven da Wica.
A carta mostra claramente os pilares Jacim e Boaz, a tiara contendo o disco lunar, o pergaminho simbolizando o Livro das Sombras.
O mais interessante são as frutas de romã abertas, atrás da alta sacerdotisa e entre os pilares. O que parece ser uma cruz no peito da alta sacerdotisa é, na verdade, uma referência aos quadrantes evocados na cerimônia Wica.
A carta mostra uma lua aos pés da alta sacerdotisa que veste uma túnica azul celeste para reforçar que ela é a representação da Deusa, da mesma forma que o alto sacerdote representa o Deus.

Esta é a maior honraria que o/a iniciado/a pode receber em seu trabalho sacerdotal. A ele/ela cabe conduzir o coven, inspecionar o treinamento e resolver pendências dentro do coven.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O arcano do mago

Depois do treinamento vem a habilidade, o domínio do Ofício, onde o/a novo/a iniciado/a irá começar a atender aos círculos, esbats, sabats e às necessidades da comunidade.
A carta do mago mostra as ferramentas de uso na cerimônia Wica bem como a auto-confiança necessária para que o novo iniciado possa prosseguir em seu caminho sacerdotal.
Existem outras variantes dessa carta, na qual o símbolo do infinito acima da cabeça do mago está disfarçada de chapéu e não há uma exposição tão explícita das ferramentas ou mesmo a presença do ambiente mais fundamental para o wiccano que é a Natureza.
Na mão direita do mago está o bastão, feito de madeira e com algum cristal incrustado na ponta.
O mago nessa carta tem a fronte cingida com uma tiara. Na cerimônia Wica, o celebrante veste ou uma coroa com chifres (se homem) ou uma tiara com o símbolo das três luas (se mulher).
O mago está com um cordão parecido com uma serpente, um símbolo de revitalização amarrado na cintura.
Na mesa, estão dispostos o pentáculo, o cálice, a espada e um cajado. A espada pode muito bem simbolizar o athame também e o cajado pode simbolizar o açoite. Pequenos entalhes na lateral da mesa lembra que esta está simbolizando o altar e as runas que se inscrevem nele.
A mão direita está em linha diagonal com a mão esquerda, em uma posição que lembra muito a posição de baphomet, indicando mais uma vez a posição de equilíbrio e harmonia necessária para o sacerdote wiccano.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O arcano dos amantes

A iniciação é o primeiro passo que faz toda a diferença entre um buscador, um neófito e um wiccano, mas não é a meta nem o ápice da vida de um sacerdote dos Deuses Antigos. Por causa da importância da iniciação, as pessoas buscam desesperadamente por alternativas e acabam embarcando na ilusão da auto-iniciação.
Após a iniciação ainda há muito o que aprender e trabalhar e isto é feito dentro de um coven, com um/a parceiro/a, com quem nós teremos uma relação de amizade, cumplicidade, intimidade e amor além de qualquer definição.
A carta dos amantes mostram três pessoas, um número muito comum em miniaturas flamengas que mostram alguma atividade ou encontro de bruxas.
O cupido acima do casal pode muito bem indicar a gravidade dos votos proferidos na iniciação.
O homem mais velho indica uma postura de tutor, de testemunha ou de oficiante, o que em todos os casos se encaixam as funções do Alto Sacerdote e da Alta Sacerdotisa no coven.
Os jovens que parecem jurar amor um pelo outro dão-se as mãos, o jovem segura com a mão direita a mão esquerda da moça. O jovem indica que age pela razão, atributo da mente, ligado ao Deus. A moça indica que age pela intuição, atributo do subconsciente, ligada à Deusa.
A carta dos amantes mostra como é importante o princípio da Polaridade Sagrada e do trabalho em conjunto.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O arcano do enforcado

Assim como Odin ou Wodan, o buscador para alcançar a iluminação deve passar por um teste, uma prova, administrada por outros iniciados e, por isso, o teste se torna a inciação.
Como Odin que teve que ser pendurado de cabeça para baixo na Yggdrasil para poder vislumbrar os mistérios da existência, o neófito terá suas convicções e preconceitos remexidos para superar seu estado de ignorancia (o louco) para o estado de vigília.

O pendurado está apenas com a perna esquerda presa na trave, a mesma perna que estava sendo atacada pelo cão na carta do louco, mas a perna direita está livre, indicando que o pendurado começa a superar suas limitações.
O pendurado está entre dois troncos, uma clara alusão aos pilares que marcam a entrada do portal do mundo astral - Jacim e Boaz - e também uma alusão à Polaridade Sagrada.

O pendurado está com as mãos por trás das costas, provavelmente amarradas, como é feito ao neófito na cerimônia de iniciação. Apesar da posição e da condição dele, seu semblante está sereno e confiante.
Curiosamente a perna direita que está livre cruza por detrás da perna esquerda, formando o número quatro, possivelmente indicando que ele reconhece os Quadrantes.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O arcano do louco

O tarô é uma ferramenta para entender o caminho iniciático e eu escolhi começar pela carta do louco porque esta carta indica a condição do buscador, no início de sua jornada.
A sociedade vê o louco com enorme preconceito, considera-se como louco a pessoa que está isolada do meio social, mas muitas vezes tal isolamento é fruto da rejeição.
O louco representa a ruptura das convenções, dos padrões socialmente estabelecidos e, nesse sentido, o louco e a loucura são saudáveis porque induzem às mudanças necessárias no indivíduo e na sociedade.
O louco veste o chapéu do bufão exatamente para indicar sua condição avessa à estrutura social, sua irreverência diante da autoridade e sua independência da hierarquia. Como o buscador no início de sua jornada, carrega apenas uma pequena bagagem na mão esquerda, que ele apóia no ombro direito, indicando que a bagagem pode se tornar um incômodo ou um fator de desorientação.
O louco olha para trás, por cima do ombro direito, na direção da bagagem e do cão que lhe ataca indicando que ele ainda está atado ao seu passado, às coisas materiais e ao instinto animal. No entanto, seus pés indicam uma firme determinação de continuar adiante e o bastão de andarilho na mão direita mostra que ele está disposto a seguir a longa jornada em direção ao Caminho do Sábio.
No Caminho do Bosque Sagrado, a meta não é negar nosso passado nem nossa natureza material e animal, mas o de superar a barreira que nós criamos entre o mundo carnal e o mundo espiritual.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O self, a sombra e o ego

O self é um termo usado para designar a existência individual, também chamado de alma, espírito ou consciência. O self é eterno, mas passa por sucessivas encarnações para crescer, se desenvolver e evoluir.
Quando o self encarna, ele passa por uma adequação cultural, social e temporal para que possa interagir com o ambiente, a sociedade e outros indivíduos, formando para isso o ego. Como consequência, muitas partes do self são reprimidos ou condicionados, formando com isso a sombra, que é a parte subconsciente do indivíduo.
O caminho entre o bosque sagrado, a Wica, é um retorno para casa e a reintegração do self, não pela morte do ego, mas por sua superação e assimilação. O ego não ocupa, na Wica, a função do Trapaceiro, a figura fundamental nas religiões monoteístas, nem a exarcebação do ego ocupa o lugar da doutrina do pecado que é igualmente fundamental nas religiões monoteístas.
Para que essa volta para casa e reitegração do self ocorra, a Wica possui um conhecimento transmitido através dos Mistérios Antigos, que só podem ser compreendidos em seu real significado após uma iniciação, de um iniciado ao neófito, somente após ter estabelecidos os laços com os Guardiões dos Quadrantes, conhecido os nomes dos Deuses e as palavras de poder.
O conhecimento tradicional habilita ao bruxo usar a principal ferramenta de seu Ofício, que é ele mesmo, pela Arte da Magia, trabalhando com o subconsciente e a sombra, através de símbolos e imagens que ativam esse laço do self com o mundo astral. Esse tipo de ação não pode ser alcançado por aventureiros ou curiosos, pois a sombra formada pela supressão do self em benefício do ego forma um ambiente inóspito para a consciência e a saúde mental do indivíduo que ousa trilhar ali. Não é mera coincidência ou casualidade aparecerem casos de pessoas que se tornaram loucas ou mentalmente perturbadas por mexerem com Bruxaria.
Infelizmente, a tônica do discurso sobre Bruxaria e Wica não se preocupa com a superação e absorção do ego, mas vem exatamente exarcebando o ego, pelo estímulo do culto à personalidade, pela imposição de tendências culturais e pela adoção de textos alegadamente inspirados divinamente. A Wica é uma religião e, como tal, possui princípios que negam qualquer autoridade central, nega qualquer livro sagrado e sobretudo nega a doutrinação humana.
Toda e qualquer pretensão, de ditos sacerdotes, falar ou determinar por visões pessoais, de práticas ou princípios estranhos à Tradição, é mais uma tentativa do ego de se preservar.
Não tenha medo do pavão só porque ele é vistoso ou porque arrepia as penas, a força dele está no rabo. Esse é o seu caminho, só a você cabe trilha-lo e conhece-lo, liberte-se.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O menino na bolha

Esse é um caso médico real, mas por motivos óbvios não entrarei em detalhes médicos, apenas relatarei o caso que aconteceu que existiu um menino que tinha que viver dentro de uma bolha devido à sua condição delicada, qualquer contato com o mundo seria fatal para ele.
Ele passou anos de sua vida isolado de tudo e de todos, até mesmo dos carinhos de seus pais. Toda comida era esterilizada antes de entrar na bolha, qualquer objeto era minuciosamente inspecionado para que não tivesse aparas ou pontas que pudessem feri-lo.
O menino cresceu e seus professores o educaram através de vídeos, explicando as matérias ou lendo literatura para ele. Muito tempo se passou e o menino se tornou um adolescente e envelheceu sem ter uma namorada.
Ele chegou até os quarenta anos quando, enfim, os médicos conseguiram desenvolver uma terapia que talvez pudesse desenvolver nele a resistência necessária para viver fora da bolha. Evidentemente, havia inúmeros riscos, mas como ele havia atingido a idade adulta, ele assinou o termo de responsabilidade e recebeu a terapia. Foram semanas, meses e anos de algum sofrimento até que algum resultado fosse conseguido, mas por fim, aos 45 anos, os médicos finalmente chegaram ao consenso de que ele podia sair da bolha.
Houve uma enorme comoção e muitos criticaram a decisão, mas o menino que se tornara um senhor saiu da bolha e chorou de emoção por poder respirar o mesmo ar que respiramos e sentir a sensação do toque das coisas. Ele teve que aprender a sentir, experimentar a sensação do sabor, até de coisas simples como sujeira, sabão, água. Ele se feriu, ficou doente como todo mundo, tomou remédio como todo mundo, se apaixonou, casou, divorciou, casou mais uma vez, criou os filhos e netos, morreu de velhice como muitos.
Eu fico curioso e assombrado ao ver tanta gente que quer alguma coisa para fugir dos problemas e dos sofrimentos. Eu não sei quanto aos outros, mas eu não quero ser um menino na bolha. Eu quero problemas para que eu possa aprender, superar e crescer. Eu quero sofrimentos para que eu saiba valorizar a saúde e a minha família. Eu quero Vida em toda sua plenitude e isto o Paganismo, em particular a Wica, é a religião que propicia este êxtase.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Sinais do além

Nossa espécie surgiu nesse mundo em circunstâncias no mínimo curiosas e faz parte de nosso desenvolvimento imaginarmos se há algum motivo místico por trás desse mistério.
Pelas condições de nosso surgimento e pelos meios que percebíamos nossa existência surgiu o maravilhamento, o assombro, o medo. Desse amalgama de sensações e sentimentos nós percebemos alguns sinais que entendemos como de origem espiritual e, da mesma forma como tentamos estabelecer relações com o meio natural e social, nós temos tentado estabelecer uma relação com o mundo espiritual.
Esta busca constante foi se desenvolvendo e se manifestando em diversas formas até se estruturarem como religião e conseqüentemente a ideologia da religião afetou as manifestações e as formas de perceber os sinais do além.
O sinal mais comum de perceber a existência desse além é a comunicação com os espíritos de pessoas falecidas.
Um provinciano ri da simpatia do camponês que coloca moedas nos olhos do falecido sem perceber que a missa de sétimo dia contém o mesmo mecanismo fetichista debaixo de toda a aparente sofisticação cerimonial. Um cético ri da mesma forma das evidências da existência da vida pós-morte, mas as explicações dadas aos fenômenos são confusas e contraditórias. Um ateu diz que tal empenho é desnecessário, não há comunicação porque não há nada com o que se comunicar.
O primeiro indício de comunicação com os mortos foi tanto acidental como casual, as experiências foram sendo registradas de forma amadora e, em sua maior parte, em eventos que ocorreram de forma voluntária, sem que fossem possíveis de mensuração ou repetição.
Seguiram-se então tentativas de estabelecer de forma técnica e científica a comunicação, o que foi conseguido e relatado no que é conhecido como Experimento Scole.
Eu ainda não li algum artigo da comunidade científica ou análise de céticos e ateus quanto a esse relatório supostamente científico de comunicação com o mundo espiritual, mas eu fico intrigado com os resultados, se forem confiáveis. Mais ainda, eu fico cismado com a presença da doutrina kardecista na interpretação das evidências resultantes dessa comunicação.
Considerando que nosso mundo seja apenas uma parcela de uma realidade mais ampla, é de estranhar que as manifestações dos espíritos contenham ou manifestem apenas a doutrina kardecista, sem discordâncias, sem divergências. Entre tantas pessoas que morreram, não houve nenhuma manifestação na língua, no pensamento ou na religião da época ou do local que o finado pertencia. Eu considero perturbador imaginar que o mundo espiritual tenha um pensamento homogêneo, nós lutamos tanto nesse mundo contra a tirania e a massificação para irmos a um outro mundo que mais parece uma utopia orwelliana?
Eu espero, como pagão e humano, que o mundo espiritual seja mais divinamente diversificado que este mundo, com pessoas com pensamentos, opiniões e idéias diferentes. Eu espero que o mundo espiritual não seja um clube de campo exclusivo de uma religião, mas que tenha espaço para todos e que cada um tenha um lugar adequado para descansar, conforme suas crenças.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Culto à personalidade

Eu estou me preparando com paciência extra para agüentar o próximo ano, época de eleições no Brasil. Desde meus 18 anos que eu vejo as mesmas figuras aparecendo nesse jogo de cartas marcadas chamado processo eleitoral. Passam os anos, passam os mandatos, muda a legenda, mas não houve mudanças positivas, apenas medidas paliativas para remendar os buracos.
A finalidade aqui é falar de Paganismo, Witchcraft e Wica, então eu não irei entrar no tema da Política, ainda que eventualmente eu tenha de usar termos e conceitos políticos para analisar e criticar um péssimo hábito que eu tenho observado entre pagãos, bruxos e wiccanos: o culto à personalidade.
O culto à personalidade é um fenômeno que ocorre em pessoas inseguras consigo mesmas, seja de suas opiniões ou de suas convicções e por isso recorrem, com freqüência, em embasar estas opiniões e convicções com a assimilação, agregação ou imitação das opiniões e convicções provindas de alguma personalidade respeitável em um campo.
Ninguém nasce uma personalidade, nem ganha respeito em um campo por acaso. Uma pessoa pode se tornar uma celebridade graças ou à sua capacidade, competência, experiência ou conhecimento.
Uma vez que cada um de nós tem sua própria habilidade, capacidade e competência, não é isto que torna uma personalidade melhor do que nós.
Uma vez que o conhecimento pode ser adquirido e não pertence à pessoa que o acumulou, não é isto que torna uma personalidade melhor que nós.
O que nos distingue são as diferentes experiências que temos, mas nem isso torna pessoa alguma melhor que a outra, pois a boa experiência é a que pode ser compartilhada.
Dessa forma, essas personalidades devem ser uma referência de algo que todos nós podemos alcançar, mas independentemente da autoridade, posição ou experiência que essa personalidade pareça ter, ele ou ela continua sendo tão humano como você, sujeito a erros e enganos como qualquer mortal.
Então não ceda ao discurso da autoridade nem se ajoelhe diante da ostentação da experiência, ouse questionar o discurso de um sacerdote ou de uma sacerdotisa, duvide da análise do especialista. Aqueles que nos antecederam no caminho entre os bosques sagrados merecem nosso respeito, não nossa reverência.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Limpeza de primavera

Uma vez ao ano, na primavera, eu faço uma limpeza total na minha casa, eu reservo este dia para curtir o meu lar e caprichar na limpeza, não só da sujeira material, mas também da espiritual.
Uma casa acumula muita coisa em um ano e como é um espaço amplo, nós conseguimos reparar no que precisa ser jogado fora. Nós também acumulamos muita coisa em um ano, mas não é tão fácil perceber e muito menos escolher o que jogar fora.
Imagina você tendo que se desfazer de algo que você estima muito, que você ganhou em um momento especial, de uma pessoa especial. Para quem não te conhece, nem conhece a história do objeto, será apenas mais uma coisa, não conterá nenhuma carga emocional, será visto apenas o valor de mercado.
Imagine então como deve ser difícil reavaliar coisas menos tangentes como memórias, sentimentos, preconceitos e sonhos! Passamos a metade de nossas vidas construindo a nossa personalidade e identidade, precisaríamos de mais outra metade da vida para tentar renovar ou substituir idéias, opiniões e pensamentos.
Assim como objetos se tornam, depois de algum tempo, um transtorno para nós e não vemos mais lugar para aquilo em nossa vida presente e futura, muito mais tais idéias, opiniões e pensamentos são pesados para nosso desenvolvimento atual e futuro.
Não se trata de discriminar essas coisas dentro de um pensamento maniqueísta, mesmo essa divisão de valores entre bem e mal se demonstrou suficientemente pernicioso para a nossa espécie. O problema é que essas idéias, opiniões e pensamentos se tornam obsoletos e limitam nossa percepção, por causa disto deixamos de aproveitar todas as nossas potencialidades.
O processo é demorado, mas vale a pena. Começando por mudar pequenos hábitos ou pensamentos simples, essas pequenas alterações produzem efeitos sensíveis e nos dão coragem e estimulo para continuar. Hábitos mais arraigados e pensamentos mais complexos costumam ser grandes conglomerados de idéias fossilizadas, mas como estão ligados ou associados a pequenos hábitos e pensamentos simples, resolvendo uns fica melhor para solucionar outros.
Como a limpeza de uma casa necessita de atenção e trabalho, a limpeza interna também é resultado de muita atenção e trabalho. Como a limpeza da primavera é uma cerimônia simples e eficiente, uma cerimônia semelhante para a limpeza interna é bem vinda. Como curtimos nossa casa, devemos curtir aquilo que somos, valorizar nossas fundações, agregar novos valores e sempre deixar uma janela aberta para ventilar.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O poder da palavra

Historiadores e antropólogos estão incertos de quando, onde e porque nossa espécie desenvolveu esse sistema complexo de comunicação conhecido por linguagem. O que se pode afirmar é que foi o resultado de um processo e que a habilidade foi passada e aperfeiçoada através das gerações.
No tempo de nossos ancestrais, o conhecimento era transmitido via oral, ou pelos mais velhos, ou pelos xamãns. A palavra falada ganhava entonações que lhe conferia densidade, textura e intensidade que tornavam a narrativa mais dramática e assustadora.
Posteriormente, o som das palavras foi sendo codificado em seqüências de símbolos coerentes, até formarem os primeiros alfabetos silábicos, que depois se desenvolveram e resultaram nos sistemas de letras, mas fáceis de memorizar. Com isso, o conhecimento passou a ser registrada e transmitida via literal, por textos escritos.
Entretanto, o conhecimento da escrita ainda pertencia a poucos, as pessoas que exerciam a profissão de escriba eram tão sagradas quanto os sacerdotes e o ofício era passado de pai para filho. Por causa dessa condição, era muito comum o escriba ser empregado nos templos e ser muito solicitado para a construção dos mesmos.
Não foi por acaso que a primeira religião monoteísta, o Zoroastrismo, procurou registrar por escrito os pensamentos e as doutrinas instituídas por Zaratustra como sendo a verdadeira religião de Deus, chamado então de Ormuz. Mas antes, uma breve explicação sobre mecanismos psicológicos.
Para nós, muitos objetos são mais do que coisas, eles tem um significado emocional ou simbolizam algo mais. Esse significado dado a objetos se chama fetichismo e é um princípio muito usado na magia. Em certo sentido, a palavra escrita também é um objeto, ainda que expresse uma idéia. Assim, enquanto objeto, a palavra também carrega sua dose de fetichismo exatamente quando quem a lê reproduz e recria, como na magia, o momento sagrado quando Deus se revelou aos homens.
Com isso, fica fácil entender o motivo pelo qual as religiões monoteístas são caracterizadas por serem fundamentadas por um livro sagrado. O Zend Avesta, a Torah, os Evangelhos, o Corão não são apenas obras humanas que registram uma experiência espiritual dentro de um contexto histórico e social, mas são efetivamente as palavras de Deus que exprimem e determina de forma universal o jeito correto de se relacionar com Deus.
Na Wica existe o Livro das Sombras, mas este é usado para consulta e orientação prática, nós não temos livros sagrados, a revelação dos Deuses vem pela experiência direta com a natureza e a magia; nós usamos palavras de poder, mas este vem de nós, não das palavras.
Para o pagão é muito difícil aceitar uma religião revelada por escrituras, pois uma religião assim não adora a um Deus, mas ao poder da palavra.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A ladeira da juventude

Um dos sinais que nossa sociedade está doente e precisa de mudanças urgentemente é o aumento progressivo da presença de crianças e adolescentes na prática de crimes. Com muita facilidade se cai na generalização, explicações e soluções simplistas surgem co os velhos clichês de sempre.
Mas será que é somente falta de educação e disciplina? Será que é apenas a influência dos amigos? Será que tem gente que nasce ruim? Existe algum plano mundial secreto para aliciar a juventude? E o desfile de insanidades vindas da paranóia e da neurose não tem fim, nem mesmo autoridades e especialistas estão imunes de escorregar na ladeira da juventude.
O caso mais recente que envolveu vários menores, jogos de RPG, Vampirismo, Bruxaria e Wica, como se tudo fosse um pacotão das seitas satânicas, é o caso do suspeito Vandeir Máximo da Silva, em Presidente Prudente.
Eu sou tachado de chato e radical, mas livros de bruxaria não devem ser vendidos para menores de 18 anos, bem como toda e qualquer revista que use ou fale do nome da Wica. Vandeir e seus seguidores são um bom exemplo disso, esses jovens leram textos muito fortes e complexos em uma idade em que a personalidade ainda está em formação, a mente é muito influenciável, o pouco ou nenhum conhecimento dá margem a muitas contestações e dúvidas.
Deixando meu lado científico falar, eu lembro que nos termos da psicologia, nós passamos por uma fase de mudança a partir da pré-adolescência. O nosso ponto de referência deixa de ser a unidade familiar, nossos pais, para buscar outras referências em nossos núcleos grupais, nossos amigos.
Nós buscamos avidamente em formar e firmar nossa própria identidade pessoal, muitas vezes nos rebelando contra os padrões ensinados. Se essa nova referência puder assustar ou chocar nossos pais, tanto melhor, é o mecanismo infantil para mostrar uma suposta independência e maturidade.
Nós queremos porque queremos andar com nossas próprias pernas, berramos por uma liberdade que sempre existiu, construímos com os escombros da juventude anterior o novo castelo da juventude atual, nos entregamos ao turbilhão dos hormônios e das ilusões juvenis, seguimos altivos e orgulhosos na passarela da juventude, sem nos dar conta de que é muito fácil cair ladeira abaixo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As manifestações do Deus

Na parede da caverna, uma pintura rupestre mostra um sacerdote em estado de êxtase, incorporando o Deus Antigo, o mesmo Deus cultuado pelas bruxas modernas, mas que vem sendo diminuído ou negado por algumas vertentes que tentam transformar a Wica em um monoteísmo matrifocal, como se não bastasse termos que combater o monoteísmo patriarcal, cujas religiões vivem difamando o Paganismo, a Bruxaria e a Wica.
Isso acontece por causa da falta de informação ou da excessiva exposição da visão diânica ou da visão eclética. Por causa dos traumas causados pela Igreja, as pessoas se tornaram refratárias às estruturas religiosas, elas procuram por qualquer coisa que alimente a ilusão da liberdade e, ao mesmo tempo, forneça soluções fáceis, simples e imediatas.
A tradição vem dos ciclos da natureza, da fertilidade do solo, do crescimento das plantações, sem o que nós morreríamos. O mito do Deus reflete esse ciclo em oito sabás, no qual celebramos o nascimento, maturidade, morte e renascimento do Deus. Partindo desse ponto, eu descreverei as formas que o Deus se manifesta.
O Deus como o Senhor dos Mortos
Na época do Sanhaim, o Deus está no Submundo como Osíris, Hades e Plutão. Ele abre a porta entre os mundos, permitindo que os que desencarnaram possam seguir sua jornada, tal como Anúbis, Janus e Caronte. Sem essa ajuda, as sementes não dão lugar ao broto, nessa época se celebra tudo aquilo que abriu a mão de sua existência para que a vida continue.
O Deus como o Senhor do Inverno
Na época do Yule, novas sementes e almas vão se maturando para nascerem, mas a terra está fria e estéril. Nesse momento, aprendemos o quanto a vida é preciosa e frágil, do quanto precisamos usar com sabedoria para preservar, da importância da vida comunitária e do compartilhar alimento. Com o Deus no Submundo, a Deusa deve descer, reverenciá-lo, amá-lo. O Deus escolhe renascer através da Deusa, após fertilizá-la, para ensinar aos deuses e aos homens o mistério da existência.
O Deus como o Senhor da Fertilidade
Na época de Ostara, o campo está propício para as sementes eclodirem e para os animais acasalarem. Assim como os brotos, o Deus ressurge renovado da Deusa e ele nos convida a nos juntarmos à festa, fazendo música e amor. Ele também traz a chuva que irá garantir o vigor e a produção dos novos brotos. Ele se manifesta como a Criança da Promessa, para nos ensinar a cuidar de nossos descendentes.
O Deus como Senhor da Fartura
Em Beltane, a plantação está crescida e surgem as flores, indicando os frutos que serão colhidos. Ele se manifesta como o sol e é representado pelo Rei Carvalho, vencendo seu gêmeo, o Rei Azevinho, na competição pela Deusa no mito poético. Este é um momento para agradecer pela abundância que os Deuses nos dão, nos preparando para a colheita e a estocagem.
O Deus como o Senhor do Ágape
Em Litha, celebra-se a colheita, onde o Deus se manifesta como o Homem Verde, o Senhor da Ceifa, nos lembrando que morte e vida estão interligadas. Ele é também o Senhor das Feras, o Senhor da Caça e se manifestando como o corço sagrado para nos lembrar do sacrifício que deve ser feito anualmente.
O Deus como o Senhor da Providência
Em Lammas, começa-se a estocar os alimentos e a limpar o terreno de raízes e troncos. O sol fica mais distante, chega o outono e a terra se cobre de folhas mortas. Aqui e ali, o Deus fornece raízes, sementes, ervas e cogumelos para manter seu povo durante a estiagem.
O Deus como o Senhor da Severidade
Em Mabon, não há quase mais caça, todas as plantações secaram. O pouco que é colhido ou caçado é preservado em compotas ou salgado. As carnes mais gordurosas são defumadas para usar a banha como calefação e combustível para as casas.
A natureza é a base dos mitos e os mitos são a base da religião, transmitidos pela tradição oral. Mantenha a Wica tradicional.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Politeísmo vs Monoteísmo

Efeitos sociais e políticos do Politeísmo baseado em gêneros versos Monoteísmo Patriarcal.
Autor: Frederic Lamond.
Tradução e comentários: Roberto Quintas.
Um texto apresentado na Conferencia CESNUR 2003, Vilnius, Lituânia em 12 de Abril de 2003. Até 3500 anos atras, todas as religiões eram panteístas e politeístas como o Hinduismo, Taoismo, Shintoismo e muitas religiões tradicionais africanas ainda são. Eles respeitavam as religiões de outras tribos e culturas, reconhecendo no culto delas as mesmas energias divinas que eles tinham, ainda que sob nomes diferentes. Por que então as religiões monoteístas patriarcais apareceram na Ásia Central há 3500 anos atrás e então espalhou-se primeiro no Oriente Médio e então em suas formas cristãs através da Europa e então os europeus colonizaram territórios além mares pelos últimos 1500 anos, culminando com a Reforma Protestante há 500 anos atrás, a qual jogou fora os últimos indícios de um politeísmo virtual de seus cultos: a Virgem Maria e os santos?[1] Por que estas religiões monoteístas lutaram tão vigorosamente para erradicar o culto à Natureza nas terras que eles controlavam? Por que o Cristianismo promove um antagonismo dualista entre o Espirito e a Carne, somente com o conceito formado no "imagem de Deus"?[2] Por que foi tão fanático em seu ódio pelo prazer sexual e na degradação social da mulher?
Eu estava ponderando sobre estas questões pouco antes de minha iniciação na Wicca em Fevereiro de 1957. Pouco tempo depois a resposta veio a mim em um repentino clarão de iluminação, como muitas teoria cientificas apareceram aos seus descobridores. Eu tratei a idéia como uma teoria a ser testada contra a história da humanidade. Panteísmo Dialético: Uma Teoria A evolução do Universo e especialmente a vida na Terra tem sido o produto de um antagonismo dialético entre duas forças cósmicas: O altamente conservador poder do Amor, o qual procura manter todas as espécies vivas e equilíbrio ecológico como eles são, em qualquer momento e é imanente nos instintos herdados geneticamente em todos os seres vivos, incluindo a humanidade.[3] Este poder é geralmente representado por uma ou mais Deusas e Deuses da fertilidade nas religiões que antropormofisam as energias cósmicas e terrenas. Seu conceito de tempo é circular, baseado no ciclo anual das estações e uma crença geral em um ciclo de reencarnações. Círculos de pedra no campo são suas formas mais antigas de locais de culto.
Uma força de Criação Destrutiva, o qual procura sempre transformar o equilíbrio existente em ordem para forçar ao menos a uma das espécies existentes a tornar-se mais evoluída para sobreviver. Em um Universo no qual o total de energia somada é constante e não pode ser adicionada nem subtraída – ainda que possa ser convertida em matéria e revertida – nem deus nem homem pode criar coisa alguma sem antes destruir outra coisa. Este é o poder que os Judeus chamam de YHVH; os Cristãos, de Deus Pai; Muçulmanos, Allah e Hindus, Shiva. Seu conceito de tempo é linear apontando para cima. Altos templos ou catedrais terminando com um alto pináculo apontando para cima são seus locais de culto. Ambas as forças são aspectos do todo, a Realidade Última (um principio conhecido como "monismo", o qual não pode ser confundido com "monoteísmo"): nem é maligno nem indesejável, ainda que um desequilíbrio entre as duas forças freqüentemente seja.
Se apenas a força do Amor existisse, o Universo nunca teria saído de seu estado original de Caos indiferenciado. Seria como a imutável superfície lunar onde nada acontece. Significativamente as Deusas Lunares presidem sobre o amor humano em muitos panteões politeístas. Mas se apenas a força da Criação Destrutiva existisse, todo o Universo seria como o sol: uma interminável serie de explosões termonucleares criando novos elementos, mas que durariam apenas microsegundos antes de serem dissolvidos novamente na fornalha ígnea. O sol tem um papel importante em muitas religiões que adoram o poder da Criação, as quais são então definidas como religiões solares. Na Terra, por outro lado, existe um balanço delicado entre estas duas forças cósmicas antagônicas. O resultado tem sido o lento processo de Evolução na Terra na qual continentes, montanhas, plantas e animais tem aparecido lentamente e plantas e animais individuais vivem ativamente tempo suficiente para experimentar suas existências, mas dentro de espécies que também podem evoluir lentamente após sucessivas gerações.
Até ao menos 150 mil anos atras a força Criativa Destrutiva agiu principalmente fora da Terra através de impactos de asteróides, ou manchas e tempestades solares que alteraram o clima da Terra, destruindo aquelas espécies menos aptas e dando oportunidade a outras. Isto justifica para alguns a estender a visão teológica cristã de que o Criador é um poder transcendente, separado de Sua Criação. Mas estes são métodos cruéis dos quais a força Criativa Destrutiva se cansou. Então ‘ele’ entrou no lado esquerdo do cérebro humano e procurou usar a humanidade como seu instrumento de criação e transformação na Terra, um evento descrito no Antigo Testamento no momento que Eva e Adão comeram o fruto da Árvore do Conhecimento, o qual ocorreu na história quando a humanidade aprendeu a manusear o fogo – o grande elemento destrutivo e transformador – ao invés de apenas temê-lo como os outros animais. Mas os seres humanos, como toda espécie, ainda está limitada ao equilíbrio existente por nossos poderosos instintos; o poder da Criação então teve que lutar cada polegada para ampliar seu poder sobre a mente humana e alienar a humanidade de suas tendências instintivas essencialmente conservadoras.
A luta cósmica dialética então entrou na mente humana, onde então tornou-se um microcosmo do Universo, expresso nessa velha frase sábia: "se você quer entender a alma humana, estude o Universo; se você quer entender o Universo, estude a alma humana". Os sacerdotes das antigas civilizações neolíticas estavam conscientes destas duas forças dentro da mente humana e procuravam preservar a liberdade de ação humana pela manutenção delas em equilíbrio com panteões politeístas, nos quais deuses engenhosos e guerreiros estavam equilibrados por deuses e deusas da fertilidade. Os primeiros podiam ser invocados em tempos de guerra ou para ordenar o meio social, os segundos em tempos de paz para garantir a fertilidade das plantações e animais.
Entretanto, por volta de 3500 anos atras, a mudança climática tornou mais difícil para algumas tribos nômades continuar com suas vidas pastoris nos planaltos da Ásia Central. Alguns de seus sacerdotes e xamãns propuseram um culto exclusivo de seus deuses guerreiros para torna-los mais eficientes na guerra do que as civilizações agrarias que apenas cultuavam os deuses guerreiros intermitentemente. Então os Arianos desceram e conquistaram a fértil Índia, os Medos o que hoje é o Irã, os Aqueus e depois os Dórios o que hoje é a Grécia e Ásia Menor, os cultuadores dos Aesir liderados por Odin a Germânia e a Escandinávia e as tribos de Israel a Palestina. Ao invés de fazerem suas leis serem aceitas pelos povos conquistados, de quem eles dependiam para se alimentarem, os conquistadores permitiram que estes mantivessem seus cultos às divindades da fertilidade, o que os tornaram proficientes na agricultura. Em seu curso, mitologias sincréticas apareceram na Índia, Mesopotâmia, Grécia e Norte da Europa, nas quais os deuses dos conquistadores casaram ou se tronaram pais ou irmãos de suas deusas da fertilidade subjugadas.
Apenas os Medos e os Persas permaneceram realmente monoteístas patriarcais sob a influencia de Zaratrustra e eles em troca influenciaram os sacerdotes Judeus após a conquista da Babilônia por Ciro. Quando eles retornaram à Judéia, eles atribuíram os mandamentos do monoteísmo a Moisés, o líder que conduziu as 12 tribos para fora do Egito, 600 anos antes. Talvez ele tenha promulgado primeiramente os Dez Mandamentos – historiadores estão divididos se ele sequer era real ou uma figura mitológica – mas se fez houve um monte de recaídas no politeísmo pelos Judeus após sua conquista de Canaã e no tempo de Jeremias, YHVH tinha uma noiva: a deusa cananita da fertilidade Asherah. Ela sobreviveu no esotérico Zohar e na Shekinah com quem o Matrimônio Sagrado com YHVH os Judeus ortodoxos celebram toda noite no início do Shabbat. Quando o Cristianismo monoteísta tornou-se a religião oficial do Império Romano e então espalhou-se para o Norte, para a Germânia e Escandinávia, bispos e missionários cristãos fizeram outra tentativa de erradicar o culto à Natureza e outros deuses e deusas que não YHVH, os declarando falsos deuses ou mesmo demônios.[4] Na Germânia, o missionário Bonifácio teve a intenção de derrubar todas as árvores que simbolizavam a Árvore Sagrada do Mundo, Yggdrasil, dos Germanos, onde quer que ele fosse. Mas diante da resistência popular a Igreja foi novamente forçada a comprometer e sincretizar.
A Deusa Ísis, que absorveu todas as deusas do Império Romano nEla, foi originalmente chamada de demônio pela Igreja e seus templos fechados, mas diante da necessidade popular de um objeto feminino de culto, a Igreja Católica promoveu a Virgem Maria a "Mãe de Deus e Rainha dos Céus", enquanto as igrejas ortodoxas tem Santa Sophia, o Espirito da Sabedoria, que corresponde à Judaica Shekinah e à Hindu Sarasvati. Bem abaixo na hierarquia, os gênios locais, que guardavam poços sagrados onde as pessoas podiam ser curadas, tornaram-se os santos dos Católicos e Ortodoxos.
Então outra "purificação" de culto monoteísta teve inicio e esta foi a mensagem de Mohamed aos Árabes, que então espalhou-se em todos os países que eles conquistaram nos séculos 7 e 8. O Corão os fez respeitar os outros cultos monoteístas, dos Cristãos e Judeus, mas não aos politeístas cultuadores da Natureza. Há 500 anos atrás a Reforma Protestante expulsou Maria e todos os santos de seus cultos, o que então os tornou totalmente patriarcal e monoteísta. Eles dominaram o Norte da Europa, Bretanha e os territórios que falam inglês, na América do Norte e Austrália. Finalmente, durante o século 18 filósofos lançaram dúvida se havia algum Deus Pai pessoal e afirmavam por outro lado numa força da Razão impessoal, como filósofos ateístas, como Richard Dawkis fazem até hoje.
As Razões da Intolerância do Deus Criador
Por que uma força cósmica da Criação procuraria se tornar o único deus da humanidade e se regozijaria em ver seus adoradores destruírem todas as formas de culto à Natureza, onde quer que eles tinham poder para fazê-lo? Porque esta força queria usar o Homem como seu instrumento de auto-compreensão e criatividade em transformar seu meio ambiente conforme os planos que esta força o ajudou a formular em sua mente. Mas o culto à Natureza age como um poderoso freio na vontade humana em mudar seu meio ambiente. Não se pode construir casas, templos ou pontes de madeira sem cortar um grande número de árvores vivas: isto é mais difícil quando os seres humanos as reconhecem como seres vivos, filhas amigas da Grande Mãe Terra, habitadas por espíritos elementais. Não se pode construir escritórios, pontes ou estradas de ferro ou aço sem pilhar muito do solo para minerar o carvão e o ferro debaixo dele.
Então, alienando os seres humanos de seu meio ambiente, os fazendo olhar para os demais seres vivos mais como "coisas" e matéria prima do que irmãos e irmãs, era um pré-requisito essencial para fazê-los servos laboriais da força da Criação.
Desenvolvendo as classes e os negócios modernos, estendendo essa atitude a seus colaboradores que são chamados de "grupos de trabalho", apenas um fator de muitos na produção. Identidade e Guerra Seres humanos podem ser alienados de seu meio ambiente através de um forte senso de identidade individual e tribal centrados em seus cérebros, entre e atras de seus olhos. Nada fomenta e fortalece este senso de identidade separada mais do que a guerra, quando você precisa matar antes que te matem e você somente pode fazer isso sendo fortemente centrado em seu próprio corpo, tempo e espaço.
Então o Deus da Criação é também o Eterno Senhor dos Exércitos. A maior parte dos povos monoteístas foram mais bem sucedidos sendo militarmente agressivos. Fomentadores de guerras também tem em todas culturas uma grande vontade em adaptar e aceitar novas invenções para sobreviver, com isso contribuindo para acelerar a evolução tecnológica humana que a força da Criação Destrutiva promove. Tribos e nações só podem ser vencedores na guerras se seus homens estiverem prontos para morrer por sua tribo ou nação e podem então serem treinados a obedecer seus reis e comandantes sem questionamento. O mesmo vale para as grandes obras da humanidade – como as pirâmides, templos, catedrais – as quais exigem muito trabalho doméstico duro, por um grande número de trabalhadores.
Sociedades criativas monoteístas são então fortemente hierarquizadas e autoritárias.

Degradando a Mulher e a Satisfação Sexual
É muito mais difícil alienar a Mulher de seus sentimentos instintivos, uma vez que elas carregam crianças em seus ventres por nove meses e então os criam por anos até que eles estejam fortes o suficiente para reagirem por si mesmos. Nem seria desejável, uma vez que a descendência exige o amor de suas mães para crescerem saudáveis e fortes. Mas os homens, cujo papel no processo reprodutivo é muito restrita, pode ser alienado mais facilmente e efetivamente, se eles são feitos para cuidarem da mulher e seus sentimentos subjetivos. Por isso os cultuadores da força da Criação são fortemente patriarcais e reservam toda atividade política para os homens. Uma vez que a Natureza programou todos os seres vivos para serem fortemente atraídos pelo sexo oposto[5] e fez a união sexual altamente prazerosa, os homens tiveram que ser ensinados para lembrar este prazer como pecaminoso e vergonhoso. Por isso a forte tendência anti-erótica do Cristianismo e a prática da mutilação do clitóris em muitos países africanos muçulmanos para evitar que as mulheres encontrem qualquer prazer no intercurso sexual.
Frustração Sexual e Agressão Masculina
Entre nossos ancestrais primatas o macho mais forte da tribo reservava todas as fêmeas férteis para ele. A frustração sexual resultante dos outros machos da tribo provocava sentimentos agressivo neles até que um deles estivesse preparado para desafiar e matar o macho alfa para tomar seu lugar. Em sociedades humanas, a frustração sexual resultante dos machos pode ser sublimada em agressões coletivas contra países estrangeiros ou na agressão mais refinada das empresas contra o meio ambiente e concorrentes.[6]
Testando a Teoria
Então esta é a teoria do Panteísmo Dialético. Vamos testar contra a história humana e observação social contemporânea. Não podemos colocar seres humanos em provetas ou garrafas, mas se olharmos para a cultura humana como um todo, perceberemos as diferenças individuais na educação e temperamentos presentes que todos os membros daquela cultura tem em comum, o que depende em nossa amostra pode ser a nacionalidade, língua ou religião. Não conhecemos uma sociedade pura de culto matriarcal à Deusa na história, mas existem religiões politeístas mais ou menos equilibradas tanto com deuses quanto com deusas ou espíritos protetores, mesmo quando os posteriores estavam em posição subordinada.
Entre estes eu poderia incluir o Catolicismo Romano e o Cristianismo Ortodoxo porque eles conhecem o aspecto feminino divino nas pessoas da Virgem Maria, Santa Sophia e muitas santas. É verdade que estritamente de acordo com a teologia Católica, Maria é a "Mãe de Deus e Rainha dos Céus", mas não uma Deusa. Católicos podem reverenciar, mas não adorar e pedir a ela para intervir em beneficio deles com o Filho dela, Jesus Cristo, mas não pedir diretamente em nome dela por milagres. Mas tente explicar estas diferenças a fazendeiros do Mediterrâneo ou os habitantes dos Alpes austríacos, onde existem santuários para ela em quase toda a encruzilhada. Como uma teóloga católica admitiu em um seminário: "teologicamente, Maria é apenas a mãe humana de Jesus, mas psicologicamente ela preenche o mesmo papel que a Deus Nuit tinha no antigo Egito".
As únicas religiões puramente patriarcais monoteístas no mundo hoje são o Zoroastrismo, Islamismo, Cristianismo Protestante em suas várias formas e Judaísmo Reformado e Liberal. Se a teoria do Politeísmo Dialético está correta, então sociedades patriarcais monoteístas seriam mais bem sucedidas sendo mais agressivas militarmente, mas também mais curiosas cientificamente e inventivas tecnologicamente do que as sociedades politeístas mais equilibradas. Estes, por outro lado, puderam produzir as melhores artes e musicas, as quais tem tradicionalmente sido promovidas pelas Musas.
As sociedades politeístas mais equilibradas também foram mais permissivas sexualmente e colocaram uma grande ênfase na alegria de viver. Teria isto de fato sido o caso?
Agressão
Há 300 até 3500 anos atras, os patriarcas Arianos conquistaram os politeístas Dravidianos, os patriarcais Medos a Pérsia e depois a Mesopotâmia, os patriarcais Aqueus e Dorianos a Grécia e a Ásia Menor, os patriarcas cultuadores dos Aesir a Germânia e a Escandinávia. Então eles foram mais militarmente agressivos e bem sucedidos do que as civilizações agrárias politeístas equilibradas que eles conquistaram. De acordo com a Torah Judaica, que é o Antigo Testamento Cristão, as 12 tribos de Israel conquistaram a fértil Canaã politeísta e todas as outras tribos nômades hostis enquanto eles permaneciam fielmente monoteístas a YHVH, mas eles foram conquistados pelos Assírios e depois Babilônicos quando eles começaram a adotar mais o politeísmo cananeu.
Nos séculos 7 e 8 DC, os Árabes monoteístas conquistaram todo o Oriente Médio, Norte da África e mesmo a Espanha dos Católicos e Ortodoxos Cristãos mais equilibrados, os quais o sincretismo incluiu muitos elementos pagãos residuais. No séculos 5 e 16, os Portugueses e Espanhóis Católicos conquistaram a América[7], muitas partes da África e Indonésia, todas habitadas por politeístas. Mas mais tarde, os mais exclusivamente monoteístas da Inglaterra Protestante arrancaram a América do Norte dos Franceses e Espanhóis Católicos e conquistaram a Índia politeísta e a Alemanha Protestante arrancou a Indonésia dos Portugueses. E o colonialismo Protestante foi muito mais implacável. Aonde os conquistadores Católicos e Portugueses da América Central e da América do Sul forçosamente converteram seus povos conquistados ao Catolicismo, os colonizadores Protestantes da América do Norte e Austrália mataram a maior parte dos habitantes originais para preparar o terreno para colonos de sua própria raça.
Nos EUA contemporâneo, a Direita Cristã, chefiada principalmente pela Igreja Batista, é proeminente em suas campanhas contra o aborto e em favor da abstinência sexual antes do casamento e monogamia. Seus membros são também os advogados fomentadores de uma política externa militarmente agressiva. Nas décadas recentes, a Igreja Pentecostal Americana enviou missionários para a América Central e Brasil Católicos e tem feito muitas conversões entre a população carente das favelas.[8] Estes convertidos então começaram a trabalhar mais duro e tronaram-se social e economicamente mais independentes que seus vizinhos que permaneceram praticantes do Catolicismo e Umbanda.
O único exemplo contrário foi a reconquista da Espanha dos Governantes Muçulmanos monoteístas pelos nobres Visigodos Católicos e a guerra de libertação do século 19 dos Gregos, Sérvios e Búlgaros Ortodoxos dos Turcos Otomanos Muçulmanos. Muito, por uma agressão bem sucedida. Mas e quanto a curiosidade cientifica e inventividade tecnológica?
A conquista dos Árabes Muçulmanos do Oriente Médio, Norte da África e Espanha foi seguida de um grande despertar do conhecimento cientifico e literatura, como foi a conquista Mongol da Índia. Foi apenas nos últimos dois séculos que o Islão tornou-se fossilizado no dogmatismo literário. Mas o maior despertar da descoberta cientifica, inventividade tecnológica e investimento capitalista em indústrias para explora-las teve lugar nos últimos três séculos em países dominantemente Protestantes do Norte da Europa e América do Norte, com contribuições importantes da Diáspora Judaica em seu meio.
Música e Artes
Todos os países e colônias européias produziram igualmente boa literatura. Mas as maiores estórias de amor originaram na Itália e Franca Católicas: do romance de Tristão e Isolda até Abelardo e Heloísa, Romeu e Julieta, Manon Lescaut e Des Grieux[9], a Dama das Camélias e A Vida Boêmia. A maior parte dos países e colônias européias produziram grandes compositores[10], mas a musica clássica, canto e dança tem florescido primariamente em países dominantemente Católicos e Ortodoxos. Não há equivalente no Norte da Europa Protestante a tradição Andaluzia da dança flamenga ou a cantoria napolitana. A ópera no Norte da Europa é um nicho para uma elite intelectual e musical, mas na Itália é parte da cultura popular, como é a opereta vienense na Áustria. Muitos compositores que nasceram em países protestantes então foram viver no Sul Católico: Brahms por exemplo. Também é nos países dominantemente Católicos que a culinária é melhor e que há uma grande apreciação da alegria de viver. Ninguém pode provar uma teoria cientifica, apenas pode contestar diante de fatos contrários.
A história religiosa dos últimos 3500 anos não contestou a teoria do Panteísmo Dialético até agora.
A Retirada do Monoteísmo Patriarcal
Se o monoteísmo patriarcal foi tão bem sucedido militarmente, tecnologicamente e economicamente, por que tem então tido uma retirada de seus valores nos últimos 50 anos, especialmente no Oeste europeu, onde apenas 11% da população vão a cultos em Igrejas Cristãs? Os últimos 50 anos teve um crescente movimento contra cultural através do Oeste para aumentar o status social da mulher e ressacralizar o corpo humano e a paixão sexual. O vestuário de praia tem coberto cada vez menos o corpo humano durante o século 20 e nudez completa tem se tornado mais freqüente, especialmente em países de língua alemã. A expressão sexual de amor mútuo é agora aceito tanto antes quanto dentro e fora do casamento e existem manuais para ajuda aos casais para se darem tanto prazer mútuo quanto possível. Por que? Porque a Europa passou por duas devastadoras guerras mundiais no século 20, as quais os europeus não querem repetir e nós sentimos consciente ou inconscientemente que elas foram os produtos irracionais da agressividade alimentado pela repressão sexual dos séculos 19 e 20 promovidos pelo monoteísmo patriarcal.
Mas as guerras não são mais a principal ameaça à sobrevivência humana na Terra: muito mais perigoso é a destruição das florestas tropicais e inúmeras espécies de animais e a crescente poluição da Terra produzida pelas industrias. Ainda: a curiosidade científica e inventividade tecnológica estão ficando fora do controle em nossos laboratórios, com safras geneticamente modificadas, cujos efeitos no meio ambiente e saúde humana são desconhecidas, propostas para gerar computadores heurísticos auto-duplicantes cujo conhecimento e versatilidade pode em seu curso exceder aqueles de seus criadores humanos e os tornando supérfluos para a força Criativa Destrutiva. Mais e mais europeus e africanos então sentem que é tempo de hesitar: uma vez que cresce o movimento ecológico e partidos políticos Verdes – em uma minoria que vem aumentando – um resgate dos valores pagãos equilibrados e um interesse no politeísmo Hindu e religiões do Neolítico da Grande Mãe Terra, Deusa da Lua e Amor da antigüidade.
O Deus Criador Ainda Está Forte
O efeito desse declínio do culto cristão não deve ser exagerado. Nós sabemos que a força da Criação Destrutiva não se importa sequer se é chamada de Shiva, YHVH, Deus Pai ou Allah, nem se é chamada de: Razão (com R maiúsculo, como teologistas iluminados e filósofos ateístas fazem), História (com H maiúsculo, como os marxistas fizeram) ou o Mercado. Poucas, se alguma catedral, são construídas no Oeste europeu e América do Norte contemporâneos, mas vários arranha-céus comerciais, como as catedrais medievais procuravam pelo céu e longe da terra desprezada. Enquanto homens e mulheres trabalham cinco dias por semana e mais de 10 horas por dia[11] em pesquisas científicas, plataformas de extração de petróleo, fábricas, comércio ou administração, a força Criadora Destrutiva que eles servem não se importa se eles não vão à sinagoga no Sábado ou a igreja no Domingo.
Mas nos EUA, onde 70% das pessoas ainda vão regularmente à igreja, sinagoga ou mesquita, é mito mais dinâmico economicamente e muito mais agressivo militarmente do que a Europa vastamente descristianizada. E o Mercado (a forma atual da força Criativa Destruidora) está reagindo. Ele tenta cooptar o movimento feminista direcionando-o para lutar por direitos iguais para as mulheres, para torna-las tão alienadas da Natureza quanto os homens, para trabalhar com eles em pesquisas científicas e estimula-las em carreiras executivas, ao invés de lutar por igualdade ou maior dignidade na criação das famílias. Ele então desencoraja as mulheres com melhor educação e liberais de terem filhos, então deixando o crescimento e educação de futuras gerações para fundamentalistas Protestantes e Muçulmanos e aos pobres ignorantes.
O Mercado está também tentando resgatar a tradição monoteísta de vergonha e desgosto pela paixão sexual, pela promoção de publicações pornográficas de formas ainda mais degradadas de desvios sexuais. Esta reação do Mercado é mais forte nos EUA onde a Direita Cristã defende os valores do monoteísmo patriarcal em uma moda descompromissada. Significativamente 70% dos americanos ainda vão à igreja nos Domingos , filmes e programas de tevê são muito mais reticentes do que na Europa em mostrar cenas de nudez, mas muito mais voluntarioso em glorificar a violência. O Presidente Metodista Renascido Bush apoia a caridade religiosa que prega a abstinência sexual, opõe-se a qualquer limite estatutário ao consumo americano dos escassos recursos minerais e na poluição do meio ambiente e está mantendo a política externa mais agressiva do que de qualquer outro Presidente americano. As seitas mais extremistas milenaristas da Direita Cristã até procuram avançar para o fim da vida psíquica humana na terra, o que poderia limpar o terreno para a força Criadora Destrutiva começar um novo ciclo da Evolução em uma direção diferente[12].
Implicações Para o Movimento Pagão
Muitas vertentes do Movimento Pagão tem ignorado o Deus Judaico-Cristão da Criação durante os últimos 50 anos e o tratou como um "falso deus", uma forma-pensamento humana criada por Moisés e reforçada pelo profetas subsequentes, da mesma forma que a Igreja Cristã tratou os deuses pagãos. Cultos baseados na polaridade como a Wicca tem preferido dar à nossa Deusa Mãe Terra o Deus de Chifres do Neolítico como Filho e Consorte. Mas enquanto o Deus de Chifres pode nos ajudar a nos tornar amantes e pais sensíveis, Ele não pode nos ajudar a dar sentido aos nossos trabalhos em uma crescente sociedade tecnologicamente complexa. Por isso a tendência de muitos pagãos de deixarem seus trabalhos em indústrias ou comércio e com isso se reduzem a uma riqueza e política irrelevantes. Está no tempo de nós reconhecermos que a força Criadora Destrutiva é imanente no lado esquerdo de nosso cérebro, como é nos Judeus, Cristãos e Ateus. Nós devemos lutar para entender e dar uso pleno de seus poderes de criatividade tecnológica e ambição em nossas vidas profissionais, mas nós deveremos então usar estes poderes para defender o equilíbrio ecológico na Terra ao invés de destrui-lo e subordinar a força Criadora Destrutiva dentro de nós para a Deusa do Amor e Conservação em um sincero Matrimônio Sagrado.
[1] Apesar da tolerância da Igreja Católica à veneração popular da Virgem Maria e santos, teologicamente eram diminuídos a meros ajudantes da Santíssima Trindade.
[2] Essa visão antagonista vem principalmente dos textos de autoria atribuída a Paulo de Tarso. [3] A memória genética estaria no mesmo princípio.
[4] Essa violação de cultura e religião local ainda continua nos campos missionários, perpetuados por grupos evangélicos em vários países.
[5] Evidentemente, animais cuja evolução resultou em uma diferenciação entre os gêneros.
[6] No Brasil, a forma mais usual de compensação e sublimação dessa frustração sexual vem de eventos catárquicos, como partidas de futebol e cultos evangélicos.
[7] América Central e América do Sul.
[8] A presença de grupos pentecostais ou neo-pentecostais nas favelas é diretamente proporcional ao baixo nível econômico e educacional dessa população.
[9] Opera de Puccini.
[10] Existe, ao menos no Brasil, uma indústria crescente de música "gospel".
[11] A realidade trabalhista do brasileiro é bem pior que isto.
[12] Isto pode ser claramente percebido nas mensagens escatológicas de fundamentalistas pentecostais, todas sempre se referindo a "um fogo abrasador que irá purificar toda a Terra".

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Do sexo à divindade - As religiões e seus mistérios

Introdução
O homem é o único ser moral no universo suscetível de progresso. Tudo foi criado para atendê-lo.
Sendo assim, em todo o universo a finalidade maior é o progresso, e o homem torna-se o agente mais poderoso de todo esse processo; o rei da criação, o universo em miniatura, microcosmos.
De todos os seres animados que cumprem as etapas da vida, o homem distingue-se dos demais animais pela sua consciência. O animal, por sua vez, obedece a seu instinto (já que é irreflexivo).
A consciência humana é a condição primordial ao progresso e supõe liberdade para ser exercida. Essa tal liberdade atrai para si uma dose de responsabilidade para que o homem não se desvie do caminho do progresso.
As religiões e a educação têm por objetivo lembrar a humanidade de controlar suas inclinações perversas, estimuladas pelo instinto egoísta, e desenvolver a consciência necessária à sua evolução.
Desenvolvimento
A origem das religiões pode ser explicada por duas escolas. A primeira, denominada Mitologia Comparada, afirma que as religiões se originaram da ignorância de muitos e que certos homens se destacaram por sua sabedoria em dominarem os ignorantes. A segunda, denominada Religiões Comparadas, afirma que as religiões tiveram origem nos ensinamentos de homens divinos.
No entanto, as religiões existem para apressar a evolução da humanidade. Foram dadas a todos os povos e deveriam satisfazer as necessidades de cada um, porém receberam várias interpretações de acordo com o grau de evolução de cada grupo.
A religião foi feita para o homem e não o homem para a religião. O homem deverá tornar-se ele próprio religião para que volte a ser uno.
O homem passou a buscar a realização de seus desejos através de líderes religiosos deixando assim de sentir a Chama Sagrada Íntima e passando a adorar os símbolos.
A Religião Fálica
A religião fálica é a base, é o fundamento, é o corpo, é o coração de todas as religiões antigas e modernas.
A religião fálica adorava o mistério da vida, da criação ou reprodução: era a devoção ao Poder Criador Onipotente. Ensina até hoje que, ao orar, o homem invoca Deus; mas, ao unir-se sexualmente à sua mulher, se compreender o que está fazendo, se converte em Deus.
A adoração do sexo, ou culto fálico, existe até hoje na Índia e entre os Nusaireth do Líbano; e conta com adeptos em todo o mundo.
O sexo é a força mais poderosa da natureza. É o princípio, a imortalidade, é a divinização, ou seja, o mais alto dom de Deus outorgado ao homem. Sem ele não haveria geração e conseqüentemente nada para regenerar. Contudo, sua ação mal dirigida pode aniquilar e destruir a alma, e sua imagem se tornar denegrida e suja.
O sexo tem a raiz na Divindade, o Fogo do sexo é o Fogo da santidade. Sem sexo não há amor e sem amor não há religião. O sexo deve ser amor, mas o amor não deve ser sexo, pois há sexualidade carnal e sexualidade espiritual.
Toda união (carnal) é motivo de criação ou expressão. O mal não está no ato, e sim nos pensamentos; por isso a castidade afastada do sexo não tem valor algum, só se torna verdadeira quando se mantém na pureza da santidade do sexo.
Religiões antigas em Moldes Modernos
Aquele que encontra o fogo sagrado pode conhecer a Deus dentro de si mesmo, do próprio corpo, que é o Templo do Deus vivo. A religião deve manter o fogo sagrado ardendo, sendo assim, muitas religiões antigas se deixaram moldar pelas modernas.
As religiões modernas mantiveram a adoração do feminino como indispensável à conservação da vida, da saúde e da felicidade. E algumas datas religiosas foram mantidas, porém com outras conotações.
Rasgando Véus
Esta união se refere à Sagrada União Sexual, realizada entre homem e mulher, a fim de cumprir a vontade divina.
O Poder do Criador foi exaltado e cultuado. Através do falo, o Criador se transporta ao feminino a fim de gerar para regenerar. A adoração do Fogo Divino se dá dentro do templo-corpo.
Conclusão

Toda religião tem seu credo. Cada qual reserva seus mistérios em lendas e até mesmo em verdades nuas.
O homem deve ter seu credo interno e acreditar ser Deus; partir em busca da verdade e desvendar o Grande Mistério. Mistério esse que se baseia em uma trindade de verdades:

1ª “É a divindade do homem, o homem é Deus”.
2ª “Deus se fez homem”.
3ª “O homem se faz Deus por meio da força sexual”.

Ritos e mistérios nas religiões tradicionais

Desde que o ser humano percebeu a existência de seres transcendentes que podiam influenciar, positiva ou negativamente, sua vida, começou a criar cerimônias para cultuá-los ou esconjurá-los e neutralizar seus possíveis efeitos negativos. Além de orações criou rituais e encontrou símbolos com características próprias do povo que, ao longo dos séculos, foram se modificando e se fixando até se tornarem cerimônias que podemos definir como verdadeiras liturgias populares. A finalidade desses rituais varia muito, dependendo da cultura e tradição locais, mas também dos momentos da vida a que se refere, por isso, encontramos oferendas das primícias das colheitas (entre os povos agricultores) ou da caças (povo caçadores), muitas formas de purificação, danças e até sacrifícios cruentos, como flagelações, circuncisões e assassínios rituais. Tais celebrações podem assustar um desavisado espectador, que não pertença àquela cultura, e também, não se justificam mais no dia de hoje, mas são atos que se originaram do conceito que cada cultura tem das suas divindades e constituem o patrimônio cultural e religioso de cada povo.
Rituais nas religiões tradicionais
Nas religiões tradicionais, erroneamente chamadas "primitivas", e naquelas que se baseiam nos ciclos lunares, solares ou cósmicos, existe uma forte preocupação com a passagem desses ciclos, porque o homem percebeu, por sua secular experiência, o quanto é importante o fluxo normal e regular desse fenômenos para gozar de tranqüilidade e felicidade na vida cotidiana. Para conseguir essa segurança, os primitivos deram grande valor aos ritos de propiciação da fertilidade humana, animal e da terra, estabelecendo rituais que podem ser oferendas, libações, purificações corporais ou do lugar, sacrifícios de animais e, até pouco tempo atrás, de pessoas (assassínio ritual). Entre os peles-vermelhas, por exemplo, ofereciam-se cavalos; em algumas tribos dos esquimós, renas, além de se pronunciar uma oração de oferenda ao Grande Espírito para que devolvesse, em abundância, o que lhe era oferecido.

Em quase todas as culturas tradicionais, essas celebrações são realizadas com muitas danças, às vezes reservadas somente aos adultos de um ou outro sexo, ou que simulam combates simbólicos, em que, ao final, vence sempre quem representa o bem, a força da natureza. Citamos como exemplo o ritual dos swazi, difundidos em toda a África Central, no qual se simula uma rebelião contra o rei ou chefe da tribo que é desautorizado e humilhado mas seus defensores acabam vencendo e ele é recolocado triunfalmente no trono. Simbolicamente, a ordem foi restaurada e o povo pode confiar na benevolência dos espíritos para as próximas colheitas.
Nesses rituais, o homem tribal revela a alegria de viver, a certeza da manutenção de sua vida na abundância e sob a proteção do céu. Em toda as suas manifestações, é perceptível a noção de que vida ou morte, riqueza e sofrimento, luz e trevas dependem não dele, mas dos seres superiores; os ritos tornam-se, então, uma maneira de comunicar com esses seres e de participar da vida deles. Não é um simples folclore, mas uma genuína expressão da religiosidade que permeia toda a vida dessas pessoas. Os ritos da purificação não são somente para as pessoas, mas também para os lugares onde se vive e podem ser realizados através da água e do fogo. Sua finalidade é livrar-se dos espíritos maus e de suas ações nefastas, invocando a proteção dos espíritos bons para ter colheitas e caça abundantes.
Os grandes rituais da vida
Essas culturas, pelo envolvimento existencial com a natureza, não conseguem separar o aspecto religioso da vida social e, portanto, têm rituais mais marcantes para os grandes acontecimentos da vida: o nascimento, a iniciação para a vida adulta e social, o matrimônio e a morte.

Para eles, a vida é um grande mistério. Por exemplo, devido às situações precárias de higiene ou pelo uso tradicional de remédios inadequados, existe sério perigo de morte para o nascituro e para a mãe, daí a felicidade de o filho nascer vivo e a mãe sobreviver ao parto e a preocupação de pedir a proteção divina para eles. A mãe, antes de dar à luz, deve cumprir cerimônias para escapar da morte e ter a alegria de criar uma nova vida. Em certas tribos, como as dos índios da Amazônia, o marido também pratica um ritual de acompanhamento do parto, simulando as dores da esposa durante o nascimento do filho, como se fosse ele quem estivesse parindo e confundir os espíritos maus. Em outras tribos, as mulheres devem ficar segregadas numa cabana escura, uns dias após o parto, não somente por normas higiênicas, mas também para impedir que os espíritos maus as descubram. Superstições? Não: rituais antigos que provêm de uma secular experiência.
A cerimônia de iniciação, (quase sempre para os adolescentes de sexo masculino, embora em algumas culturas, também para as meninas) acontece num ritual complexo: geralmente, os adolescentes são isolados na floresta ou em cabanas à margem da aldeia, onde mulheres não podem entrar, e aí são preparados para a vida adulta da aldeia, recebendo ensinamentos sobre as tradições locais. Normalmente, a cerimônia se conclui com a circuncisão ritual do prepúcio, fato dolorido que pode causar a morte por infecção generalizada. Naquele momento, o adolescente, tendo superado as provas e demonstrado coragem, torna-se adulto e guerreiro. Em certas tribo, o rito da iniciação é comparado à morte (simbólica) da criança, que ressurge como adulta, portanto, ela deve dar prova dessa maturidade, vencendo a dor. Os nossos índios são obrigados a superar provas dolorosas, como a cerimônia da tucandeira. Outros rituais complexos e ricos de símbolos religiosos e sociais celebram o casamento e a morte.
A dança: participação na natureza
Para esses povos, viver significa participar da natureza, estar em contato com os espíritos bons e maus, com os antepassados, procurando sempre a harmonia com todo esse universo mágico.

Nesse contexto a dança tem um papel importante: serve para criar o ambiente emocional que estabelece a comunicação de todo o seu corpo - através de movimentos, música e cantos - com o universo. Considerar, portanto, as danças tribais e seus cantos, simplesmente como algo folclórico e sensual, significa não entender uma expressão fundamental da existência social e religiosa do homem, que vibra com o universo.
fonte:http://www.pime.org.br/mundoemissao/atualidritosmist.htm

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O que foram as religiões de mistério?

Diferente do judaísmo e do cristianismo, as religiões de mistério foram as mais influentes nos séculos que precederam o advento de Cristo. A razão de esses grupos ficarem conhecidos como "religiões de mistério" encontra resposta em suas cerimônias secretas, somente conhecidas por aqueles que se iniciavam em tais religiões.
Esses cultos não representavam, obviamente, as únicas manifestações do espírito religioso no Império Romano oriental. As pessoas daquela época também podiam optar por cultos públicos que não requeriam qualquer cerimônia de iniciação que envolvesse crenças e práticas secretas. A religião olímpica grega (?)e sua contraparte romana são exemplos desse tipo de culto menos místico.
Cada região mediterrânea produziu sua própria religião de mistério. Fora da Grécia, surgiram os cultos (que se desenvolveram posteriormente) tributados a Demeter e Dionísio, assim como a Orfeu. A Ásia Menor concebeu o culto a Cibele, a "Grande Mãe", e ao seu amado, um pastor chamado Átis. O culto às deusas Ísis e Osíris originou-se no Egito, enquanto a Síria e a Palestina viram a elevação do culto a Adonis. Finalmente, a Pérsia (atual Irã) foi o principal local para o culto de Mitra, que, devido ao seu uso habitual da imagem de guerra, proporcionou uma atração especial aos soldados romanos. As religiões de mistério gregas mais antigas foram religiões estatais,(?) na medida em que atingiram o estado de um culto público ou civil e serviram a uma função nacional ou pública. As religiões de mistério posteriores, não-gregas, eram pessoais, privadas e individualistas.(?)


Características básicas
Apesar da tendência eclética (?)assumida após o ano 300 d.C., cada uma das religiões de mistério estava separada e era distinta das demais durante o século que viu o nascimento da Igreja Cristã. Todas elas assumiram formas diferentes em contextos culturais distintos e sofreram mudanças significativas, especialmente depois do século 1° da Era cristã. Não obstante, é possível apontar cinco (que ficou em quatro) características comuns entre elas:
1. O cerne de cada religião era o emprego de um ciclo anual de vegetação, no qual a vida era renovada a cada primavera e terminava a cada outono. Os seguidores dos cultos de mistério imprimiram significações simbólicas complexas nos processos naturais de crescimento, morte, decadência e renascimento.
2. Faziam uso de cerimônias secretas, freqüentemente relacionadas a um rito de iniciação. Todas elas compartilhavam um "segredo" ao iniciado, que consistia basicamente em informações sobre a vida do deus ou deusa cultuado e como os humanos poderiam alcançar a unidade com aquela deidade. Esse "conhecimento" era sempre um conhecimento secreto, inacessível a qualquer pessoa fora do círculo do grupo.
3. Centravam o culto ao redor de um mito, no qual a deidade tinha, como característica principal, o retorno da morte à vida ou o triunfo sobre os inimigos do grupo. Era implícito nos mitos o tema da redenção, mas sob o aspecto terrestre e temporal. O significado secreto do culto e de seu mito era expresso por meio de uma "tragédia sacramental", o que aguçava os sentimentos e as emoções do iniciados. O êxtase religioso os levava a pensar que estavam experimentando o começo de uma nova vida.
4. Atribuíram pequena ou nenhuma atenção às doutrinas e à reivindicação de possuírem uma crença correta e verdadeira.(?) Estavam, principalmente, preocupadas com a vida emocional de seus seguidores. Os cultos aconteciam de muitas maneiras, sempre com o intuito de afetar as emoções e as imaginações dos iniciados: procissões, jejuns, dramaturgias, atos de purificação, luzes resplandecentes e liturgias esotéricas.(omitido)...as religiões de mistério eram ecumênicas e nada impedia o devoto de um culto de seguir outros mistérios.

Apesar dos muitos erros e passagens confusas, este texto é de autoria de um cristão, tentando refutar os indícios que o Cristianismo teve suas fundações firmemente alicerçadas no Paganismo.
Religião de mistério ou Mistérios é uma forma de religião com arcanos, ou um corpo de conhecimento secreto. Nela, há um conjunto central de crenças e práticas de natureza religiosa que são reveladas apenas aos iniciados em seus segredos. Os Mistérios eram, em todos os países nos quais eram praticados, uma série de representações dramáticas, onde a cosmogonia e a natureza oculta eram personificadas por sacerdotes e neófitos, desempenhando o papel de diferentes deuses e deusas, repetindo alegorias (cenas) de passagens de suas vidas. As encenações eram posteriormente explicadas aos candidatos em seu sentido oculto e incorporadas às doutrinas filosóficas e a vida cotidiana. Os iniciados recorriam a um conjunto de práticas como o jejum, a flagelação, o sacrifício de animais (como o touro ou os porcos) ou o rapar da cabeça. O sacerdócio que estava ligado aos Mistérios não tinha uma estrutura rígida, sendo na sua maioria constituído por mulheres.[wikipédia]

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Desfragmentando o ser humano

Recentemente surgiu a polêmica por causa de uma lei para combater a homofobia, principalmente devido às reações vindas dos setores mais reacionários do Cristianismo.
Para estes setores, qualquer coisa que se refira aos prazeres carnais e aos desejos humanos é visto com um misto de nojo, repulsa e medo. Na concepção destas pessoas, o homossexual é uma ameaça à sociedade, à família e aos valores cristãos. Para os mais paranóicos, a luta pelos direitos e pela tolerância a diferentes opções sexuais é parte de uma grande conspiração mundial para a dominação de Satan.
Tendo isso como referência, fica fácil entender porque tem tanto pastor atacando essa lei, como se esta fosse um ataque ao direito de liberdade de expressão, opinião e crença. Chega até a justificar inúmeros blogs com ataques e criticas, não somente à lei, mas por extensão aos homossexuais.
Dentro dos aspectos legais e jurídicos, eu acho que os direitos são para todos e o uso de um direito remete a um dever, uma responsabilidade. De forma alguma se pode evocar um direito para se justificar um crime.
Como a minha proposta neste blog é de escrever sobre Paganismo e Wica, não sobre Política, eu irei analisar essa estranha mania que nossa sociedade demonstra ao fragmentar uma pessoa.
Cada indivíduo se torna um número, uma fração, um dado estatístico, cuja avaliação qualitativa é uma função matemática.
Isso dá margem a interpretações e comportamentos estranhos. Por exemplo, ao dizer que o Brasil é um país Católico, isso é fácil de perceber socialmente, mas a Igreja Católica usa a estatística como recurso para reforçar que o Catolicismo é maioria e, portanto, é melhor.
Se em termos mundiais e sociais tal argumento soa um absurdo, a posição de considerar os homossexuais uma ‘minoria social’ também é. Os homossexuais não são uma minoria, mas são tratados como tal.
Ao invés de julgar uma pessoa por uma pequena parte de sua característica, por que não a avaliamos por inteiro? Por que não buscamos primeiro as qualidades do que os defeitos? Por que não procuramos perceber e consertar nosso próprios defeitos? Como podemos falar sobre e adorar um Deus de amor e ao mesmo tempo promover tanto ódio? Como podemos falar nos valores da sociedade se alijamos algumas pessoas do grupo social por causa de uma característica dela? Como podemos clamar pela liberdade de expressão, opinião e crença se negamos tais direitos a estas pessoas? Como podem querer que as pessoas se aproximem dos Deuses se as segregamos do convívio comunitário?
Enquanto está em pauta o cabimento de uma lei especifica contra a homofobia, socialmente isso pode não resultar em efeito algum, se não acabar o preconceito e isso só poderá se tornar realidade se houver fim na intolerância, no fundamentalismo, no fanatismo religioso.
Como essas questões mexem com o credo e o dogma de alguns cristãos, isso é algo que eles terão de resolver.
Como pagão, eu luto pela reintegração do ser humano como um indivíduo pleno. Através do Paganismo e da Wica, a humanidade pode ser desfragmentada.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Manifestações da Deusa

Nós percebemos a realidade através de imagens e símbolos, mesmo explicações científicas tem que usar imagens e símbolos para representar a realidade.
A forma mais evidente de perceber a manifestação da Deusa é a própria terra e suas estações e os movimentos das marés, rios e lagos.
A forma mais conhecida de perceber a manifestação da Deusa é a lua.
A ciência diz que a lua é a mesma, orbitando em torno da terra. As fases da lua são na verdade a sombra da terra sobre a lua, dando a ilusão de que a lua tem diversas faces.
Para o pagão, a lua é a manifestação da Deusa. Se as faces da lua fossem apenas um jogo de luz e sombra, as fases da lua não teriam efeito sobre as plantas e as mulheres.
Assim, a Deusa se manifesta nas quatro faces da lua: na crescente, como Donzela; na cheia, como Mãe; na minguante como Anciã e na lua nova a Deusa mostra seu lado mais terrível.
Uma manifestação pouco divulgada da Deusa é o planeta Vênus. Esse planeta completa, a cada oito anos, uma órbita que se parece muito com um pentagrama. As Olimpíadas surgiram como uma forma de marcar esse evento, por isso que nos dias de hoje se usam cinco anéis para representar a Olimpíada. O planeta Vênus é acompanhado com especial interesse pelos Sumérios, Egípcios, Caldeus e Babilônicos; ocupou lugar de destaque nos mitos e teologia dos Gregos, Romanos e Astecas. Quando o planeta Vênus é chamado de Estrela da Manhã, na mitologia Cristã ora ele é identificado com o Cristo, ora é identificado com Lúcifer. O interessante é que, para os Gnósticos, Cristo e Lúcifer são irmãos gêmeos como o Rei Carvalho e o Rei Azevinho.
Na mitologia pagã, a luta entre o Ano Velho, representado por um bode e o Ano Novo, representado por um carneiro, é a celebração do solstício de inverno e verão. Ainda que sejam celebrações solares, nestas épocas celebram-se a descida da Deusa ao Submundo e seu matrimônio com o Deus. Mesmo na rígida estrutura do Cristianismo, a Deusa continua sendo simbolizada no Espírito Santo que, na sua origem Judaica é conhecido por Shekinah, é disputada pelos gêmeos divinos, simbolizados pelo Pai e Filho.
A negação da existência e influência da Deusa pelas religiões monoteístas tem gerado muito ódio e violência, perseguição e intolerância. A falta de espaço para sacerdotisas e celebrações das estações tem distanciado a humanidade do meio mais tangível para desenvolver sua religiosidade. Caso o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo pretendam continuar a existir na próxima era, terão que abandonar o fundamentalismo e o fanatismo. Quando a humanidade recuperar a alegria de viver e o prazer em louvar ao Deus e à Deusa, poderemos enfim ser merecedores de sermos chamados de humanos.

sábado, 6 de outubro de 2007

Em busca da fonte

A Wica, no Brasil, começou bem tarde, lá por volta dos anos 70, do século XX. Quando a Wica 'desembarcou' em nossas terras, veio pelas mãos de pessoas interessadas em Ocultismo e Magia, trazendo para cá a vertente 'Americanizada' da Wica. Por isso que é comum ver indivíduos pavoneando seu conhecimento ou cargo na religião para 'vender' idéias e práticas que nada têm a ver com a Wica.
Mas, enfim, qual é a origem da Wica? Ao contrário do que se afirma por aí, a Wica é um resgate da Religião Antiga praticada na Europa, resgate feito graças ao trabalho de Gerald Gardner. Para esse resgate, Gerald Gardner reuniu diversas fontes da cultura Celta, mas isso não significa que a Wica seja uma 'religião Celta', nem tampouco uma 'religião que remonta desde o Neolítico', sequer que seja a 'religião das Bruxas' e muitíssimo menos a 'religião da Deusa'.
Uma pessoa pode dar um pulo aqui e pensar: 'ahá, então ele inventou a Wica'. Isso é uma simplificação e uma generalização monstruosa. Como todo conhecimento e credo humano, a Wica é formada por diversas fontes e reúne diversos recursos para constituir-se como uma estrutura religiosa. Todas as demais religiões devem muito a outras fontes culturais: o Judaísmo não seria o mesmo hoje sem ter assimilado a religião Persa; o Budismo não seria o mesmo hoje sem ter assimilado o Xamanismo; o Islamismo não teria sobrevivido se descartasse sua herança Caldéia e certamente o Cristianismo não seria um fenômeno mundial sem seu alicerce nos mitos Pagãos.
A Wica, por definição, é uma religião de revelação pela experiência, mas mesmo essa experimentação segue um modelo, uma metodologia, que requer o mesmo rigor que a metodologia científica. Esse modelo vem do que nos é ensinado por quem já experimentou e testou uma forma de magia, este modelo se chama Tradição e a sequência daqueles que nos precederam se chama Linhagem. Quando esse modelo não segue tais pré-requisitos, pode ser qualquer outra coisa que não Wica; infelizmente é o que acontece no Brasil e a Wica 'Progressiva' divulgada por auto-proclamados sacerdotes.
Aqui eu não quero avaliar ou censurar os caminhos optados, apenas concerne a cada um a validade de seu caminho. Quando eu critico certas opiniões, não critico a pessoa, mas a postura em divulgar práticas que esta pessoa defende como pertencentes à Wica, quando na verdade se tratam da opinião, opção, credo ou interpretação que esta pessoa tenha sobre a Wica.
Imaginem, por um momento, que cada um carrega consigo uma ânfora que deve ser levada até o altar dos Deuses. Tudo que nós temos é uma noção da direção e muita euforia. Em algum momento, nós podemos cruzar com outra pessoa que irá tentar colocar de sua água em nossa ânfora. Em algum momento, nós podemos cruzar com um grupo que irá tentar nos fazer carregar mais ânforas, cheias com as águas que estes nos deram. Em algum momento, nós podemos cruzar com quem tente trocar ou nos roubar a ânfora.
O que poderemos dizer, para nos justificar ou nos defender se, ao chegarmos no altar dos Deuses, formos impedidos de entrar? Nossos Deuses não são ciumentos, exclusivistas ou cruéis, mas nós não podemos entrar com uma ânfora estranha, nem com líquidos estranhos, ou com mais carga do que a necessária. Nós não poderemos dizer que fomos roubados, ludibriados ou usados por outros, a responsabilidade é sempre nossa.
Antes de ouvir e concordar, cândidamente, no que um alegado sacerdote ou escritor diz, lembre-se do princípio da Wica: 'se aquilo que tu almejas alcançar não está dentro de ti mesmo, não encontrarás fora de ti'.

sábado, 29 de setembro de 2007

Evocando os quadrantes

Muitos dos mitos comuns a muitos povos está no sentido de que o mundo está sustentado por quatro colunas. Em sentido mítico e místico, são estas colunas que se evoca na cerimônia Wica.
Cada quadrante não é apenas representado por um elemento vital para a constituição das coisas materiais desse mundo, mas também são controlados pelos Guardiões em suas Torres de Vigia.
Nos tempos da Babilônia, tais Torres existiam fisicamente e eram habitadas por um rei sacerdote que, nas épocas certas, criavam uma ponte entre este mundo e o astral. Cada Torre correspondia a um elemento: água, terra, fogo ou ar; cada Torre se ligava a constelações que os Caldeus separaram em signos zodiacais, em quatro grupos de três signos cada, regidos por tais elementos.
Nos tempos da Grécia, a natureza foi separada em quatro grupos de fenômenos que se combinavam binariamente para formar a matéria: seco e úmido, quente e frio. Cada elemento dos quadrantes reúne em si estes fenômenos: seco e quente = fogo, seco e frio = ar, úmido e quente = terra, úmido e frio = água. Cada Guardião reúne em si tais atributos e são por estes elementos simbolizados.
Nos tempos modernos, se descobriu que a matéria é formada por quatro partículas básicas: leptons, mesons, barions e quarks. Depois, se descobriu que a vida orgânica é formada pela ligação de quatro ácidos desoxirribunocleicos: adenina , timina , guanina , citosina.
Na cerimônia Wica, ao se evocar os quadrantes e seus Guardiões não se está evocando apenas os elementos da natureza, mas ativando a construção da matéria e da vida. Como cada quadrante é uma expressão da realidade mais imediata, a posição destes no círculo cerimonial depende da manifestação destes elementos naturais no local.
No original, que veio da Grã-Bretanha, o norte é consagrado ao elemento terra; o leste é consagrado ao elemento ar; o sul é consagrado ao elemento fogo e o oeste é consagrado ao elemento água porque esta era a posição que cada Guardião resguarda para formar este local.
Para um pagão ou wiccano brasileiro, o elemento água se posiciona dominantemente a leste; o elemento ar se posiciona dominantemente no sul; o elemento terra se posiciona dominantemente no oeste e elemento fogo se posiciona dominantemente no norte.
A pergunta mais pertinente vindo de um curioso é: se a posição dos quadrantes dependem da manifestação da natureza local, os pagãos e wiccanos brasileiros não deviam invocar um Deus e uma Deusa mais identificado com a natureza de nosso país?
A resposta mais óbvia é não. Os Deuses e Deusas dos aborígenes que vivem no Brasil pertencem a um conjunto religioso diferente, com mitos e cerimônias diferentes. Não basta que os Deuses e Deusas possuam símbolos ou manifestações parecidas, a base de toda religião e cerimônia é o mito.
A Wica é uma estrutura precisa e definida de práticas de uma forma de Paganismo originado da Europa. Com isso, não se procura desentronizar os Deuses e Deusas locais, ou em europeizar os credos locais, mas em celebrar nossa ligação com o sagrado, através da natureza, com um Deus e uma Deusa específica. Uma vez que os praticantes de Paganismo e Wica no Brasil são descendentes de Europeus, nossa adoração e ancestralidade está com o Deus e a Deusa da Wica.
Embora a estrutura do credo dos aborígenes brasileiros utilize da natureza para adorar os Deuses e Deusas de seus ancestrais, usar desses nomes ou de qualquer outro nome de Deuses e Deusas, de outras estruturas de credo, é inconveniente, devido à incompatibilidade cultural e mítica entre esses Deuses e Deusas.
A Wica é uma religião flexível, aberta e humana. Mas possui mitos, cerimônias, Guardiões e Deuses específicos, ainda que, na prática, a liturgia pareça moldável.
Evoe, Guardiões das Torres!

domingo, 23 de setembro de 2007

Confiança, caráter, honra

Atualmente é muito difícil haver confiança entre as pessoas e não é para menos, aqui no Brasil vale a máxima ‘cada um por si’ ou pior, o ‘levar vantagem em tudo’.
Nós não temos confiança sequer em nós mesmos, haja visto a aparente indiferença dos brasileiros quanto aos rumos desta nação. Um povo que não tem confiança na sua comunidade não devia ficar tão surpreso com as traições cometidas pelos políticos brasileiros.
Nossos antepassados tinham duas coisas que valiam mais que dinheiro. Uma é caráter, algo que demora para ser construído e mantido. Outra é honra, mas não essa honra idiota que alguns homens evocam para matar suas mulheres.
Antigamente, a palavra de uma pessoa valia muito por causa da honra e do caráter que a pessoa demonstrava ter. Se confiava nas pessoas porque havia efetivamente uma vida comunitária, as pessoas trocavam mercadorias e favores, sem pensar em tirar vantagem ou juntar mais moedas do que o necessário.
Dentro da comunidade, todos se conhecem, todos sabem que podem contar com a ajuda e auxílio de seu vizinho, mesmo viajantes podiam contar com a hospitalidade da vila. Cada habitante contribuía com trabalhos ou víveres pensando no bem comum. Anualmante todos se juntavam para celebrar a colheita, trazendo aquilo que de melhor havia produzido para compartilhar debaixo da lua. Anualmente todos de juntavam para resistir ao inverno, a estiagem e a escassez, dividindo os mantimentos entre todos.
Nessas rodas, os velhos podiam contar as lendas que reviviam a fundação do mundo e de seu povo, as pessoas experimentavam na pele sua convivência com seus Deuses e os sacerdotes buscavam orientar espiritualmente seu povo.
Nesse cenário, os reis e sacerdotes eram escolhidos pela comunidade não por sua riqueza ou prestígio social, mas pelo serviço e envolvimento com a comunidade. Os idosos eram respeitados porque eram portadores da herança e da memória. As crianças podiam crescer fortes, saudáveis e seguras.
Por não terem livros escritos, nossos antepassados foram vistos como primitivos, incultos. Curiosamente, aos poucos, esse preconceito acabou ao se achar a arte e as escrituras cerimoniais por toda a Europa e hoje nós podemos ler a beleza das antigas sagas e lendas orais de nossos antepassados e nos maravilhar como eles eram civilizados.
Em algum momento nós mudamos ou fomos levados a mudar. Nós deixamos de nos importar com nossas crianças, com os jovens, com os idosos. Abandonamos o cuidado com o ambiente, com a cidade, com o país. Nós estamos nos deixamos levar por sacerdotes mal intencionados ou por revelações interpretadas de livros.
Entretanto, apesar de tudo, eu ainda confio nas pessoas, eu ainda tenho esperanças que o brasileiro seja cidadão.