sábado, 30 de agosto de 2008

O Ressurgir do Paganismo

O que se move em ti quando ouve a palavra Paganismo? Este é um termo genérico. Ademais, a força de repeti-lo ficou de certa forma atrofiado; mas também, digamos, blindado. Protegido, por exemplo, dos desenvolvimentos da sacralidade a partir da Revolução de 1789, da efervescência de novas religiões sem fundamento algum, da confusão da estética com a ética e da ética com a estupidez. Falar de Paganismo como novo jeito de reformar e reformarmo-nos no mundo não é tentar entrar em um novo grupinho ou coletividade, senão sinceramente reconhecermo-nos como seres humanos cuja capacidade transcendente (ainda que seja a transcendência do imanente), depositários de um legado cuja diminuição é constante por parte dos poderes públicos (e de quem se acha acima dos públicos) e, sobretudo, sabedores de que só a partir de um crédito com verdades essenciais e pretéritas podemos encaixar em um território inóspito, a Europa de hoje.
Eu desejo desenvolver estes três pontos no presente texto, pois para que o Paganismo volte a ser a religião européia majoritária (e, se os Deuses concederem, a única) não valem, em primeira instância, as convocações à filiação a pequenas seitas nem à voz de um Papa. Baseamo-nos ainda, apesar do tempo transcorrido desde as nossas origens e de uma continuidade em muito poucos instantes interrompida (se a referência é a totalidade de tradições pagãs), em um momento de ronronar imperceptível, mas constante, rumor cujos ecos começam a ressoar entre os outeiros, as clareiras dos bosques, diante da beira do mar. O 'algo se move' tão usual em todas as previsões de uma revolta não tem coisa alguma a ver com experiências extrasensoriais ou profecias. Tão pouco com invasões ou verdades. O paganismo (os pagãos) não vêm de fora conquistar-nos; bem ao contrário, estão nos devolvendo a todo instante a outra face do nosso espelho: veja aqui tua tradição, dinheiro, segue-a se te sentes movido a isso; e se não te sentes, segue-a também, pois é a tua e não encontrará coisa alguma que seja igual. O Paganismo, além do mais, se encarna em uma tendência generalizada que busca nas raízes arrancadas pelas religiões do medo a semente através da qual se reconstruir, alheio a globalizações, internacionalizações ou economicismos.

Caráter comunitário do Paganismo
Uma das principais características do Paganismo é seu caráter comunitário. Sempre foi assim. E até mais: a não separação de espaço sagrado e profano no viver cotidiano das pessoas é a maior característica se atentarmos não apenas à tradição Romana, mas também à Germânica, à Céltica ou a qualquer outra. Os rituais eram diários e mesmo que existissem diversas figuras sacerdotais, qualquer pessoa era livre para invocar, adorar ou sacrificar a quem quisesse, improvisando a oração ou repetindo alguma das estipuladas. Com efeito, os dias nefastos eram aqueles onde não haviam festividade alguma e não correspondiam à mesma existência de vínculo comunitário e cultural de todos os festivais. Eu ponho como maior exemplo a religião Romana porque é onde vemos mais semelhanças entre muitos de nossos rituais e em certas formas religiosas atuais. A maravilhosa continuidade em nome de Deuses e Deusas, em procissões travestidas com roupas medievais, em lugares de peregrinação que nos sobrevivem de então ou de muito antes. A continuar até chegar ao paradoxo de poder reivindicar uma descristianização do Paganismo para voltar a começar a vivê-lo. De certa forma, o Cristianismo só seria Paganismo folclórico, teologia roubada do neoplatonismo e alguns temperos semitas na maior parte, na hora de estimar a espiritualidade da maioria cristã permitida. Ou até ainda pior: terríveis, por serem o germe de uma beatice insossa e de um pacifismo insosso que nega ao homem a sua força e seu impulso de ser mais.

Reivindicação pagã
Aqui entra o segundo dos traços mencionados acima nesta reapropriação, pois afinal de contas proclamar-se Pagão não é um elixir, senão despossuir as amostras socioreligiosas atuais de todo o acessório com o nome de Cristo, limpando-as. Assim, reivindicar o Paganismo é assumir também os vínculos filosóficos para muitos talvez ignorados (essa ligação que une Platão, Plotino, Proclo e Damásio) onde se escora toda a teologia cristã aprendida nos colégios ou reinventada pelos sacerdotes e cuja originalidade vem dos últimos representantes da Hélade, dos pensadores de Roma, que foram copiados e manipulados selvagemente por depredadores sem tradição, sem bases filosóficas e sem cultura: os Patriarcas das Igrejas cristãs.
O Paganismo dos povos de línguas neolatinas deveria aprofundar os seus fundamentos em Grécia e Roma, pois o quanto sabemos das etapas pagãs mais antigas da Europa nos chegou, justamente, da nossa civilização.
Outras tradições são também valiosas, mas o nosso conhecimento delas ou é predominantemente medieval ou se remonta mediante observadores alheios a essa cultura.
Em outras comunidades européias também há vestígios e prolongações mais ou menos válidas e contrastantes, mas, repito, em nenhuma depararemos com a massa de saber e arte cujo início está em Homero e Hesíodo e prolonga-se por mais de mil anos sem solução de continuidade. E, isto é o triste, tal patrimônio encontra-se em perigo de se perder para sempre. Reivindicá-lo seria a primeira postura na aceitação de uma ordem cultural e social imprescindível para que ninguém nos roube o canto que nos pertence. Neste sentido, os planos de estudo onde a história da Grécia e Roma é relegada a quatro frases, o latim é voluntário e o grego clássico inexistente, onde, até nas faculdades de Filosofia Plotino é nota de rodapé e de Proclo ou da última Escola de Atenas nem se faz menção, onde o ressurgir do paganismo graças a Jorge Gemisto Pleton na Grécia do século XIII quiçá se preza a mantê-la, devido à sua influências na civilização renascentista, onde a história se restringe a disparates políticos, a direitos humanos e a arroubos patrióticos? Estes planos de estudo não vão ajudar senão a consumirmo-nos na ambigüidade e preparar ao desaparecimento. Estes são sinais apreciáveis em todas as decadências: se despreza-se o intrinsecamente próprio, nada pode se opor a quem realmente manipula e quer que esqueçamos. Pois a verdade é essa: alguém, na atualidade, está anulando a força de nossa tradição, o vigor de nossa história, a verdade nacional mais além dos Estados.
O paganismo europeu, religião de massas
Este seria o terceiro ponto acima mencionado: nos arraigar ao nosso chão é nos arraigar à Europa, sem medo algum, sem complexos sobrepostos, sem desculpas. Revitalizar o Paganismo acha-se inexoravelmente ligado a um conceito imperial da Europa não como lugar de uma soma indiscriminada ou de pactualismos interessados tão somente no poder do capital, senão controlado.
Esqueçamos já o termo continente para as terras européias, pois nega toda especificidade e todo o ímpeto, subverte o processo de união que se há de estabelecer entre todos os seus povos e deixa de fixar contornos absolutamente precisos nos seus limites. Nessa Europa, dessa Europa, o Paganismo entendido como processo socializador, como religião de massas, como alta filosofía, haveria de ser o vetor. E, repito, não há necessidade de se converter a coisa alguma, pois já é cidadão europeu e, na Antiga Roma, pertencer ao Estado era pertencer à religião do Estado; o batismo não faria ingressar em uma nova religião, mas separar de outra, justamente da própria.
Na Europa, e até na Magna Europa há um crescimento do Paganismo entre a população. Sendo países anglo-saxões, buscam no odinismo ou na tradição saxã mais ou menos adulterada os seus pontos de ancoragem. Nas terras de Hispânia, é também Wicca, junto a Asatru e as irmandades druídicas, a que mais adeptos vêm recebendo.
Qualquer via é boa se de verdade persegue-se esse objetivo de se aprofundar nas raízes européias. Ao mesmo tempo, há que se estar prevenido. A via pagã na Europa é uma via religiosa, mas para redescobrir de verdade, em todos os sentidos, como estabelecer bases sociais fundamentadas de novo na comunidade, a oração e o orgulho de formar parte de um povo determinado, há de se começar desde onde alguém possa, inclusive prostrando-se diante de uma pedra se esta representa o ponto primordial da matéria. No entanto, jamais há de se deixar de ser consciente de qual é a nossa tradição e que a ela, acima de qualquer outra, somos devedores. O Panteão olímpico será sempre o lugar do nosso refúgio e casa aonde tenderão os nossos desejos. E temos que começar sem demora.
Nesta festividade do Solstício de Verão, vá ao mar ou aos rios, dispa-se, salte as fogueiras, mergulhe nas águas, invoque a Poseidon e a Afrodite, beba até embriargar-se e quando Helios for visto de novo no horizonte, honre-o com um cântico, faça amor e reinvente a vida, pois tu és desta terra, para esta terra. Estarás sendo pagão, sem culpa, sem pecado, sem temor. E este só será o início do caminho. Que os Deuses nos sejam propícios.
Autor: Josep Carles Laínez
Fonte: Gladius

Nemorália - Festival de Diana

Dia 13 de Agosto é marcado pela celebração da Nemorália (também conhecido como "Festival das Tochas"), mais tarde adoptado pelos católicos como Festa da Assunção.
Este festival é realizado ou no dia 13 ou no dia 15 de Agosto ou na Lua Cheia de Agosto, em honra de Diana.Neste dia, colocavam-se cornos de vaca - simbolismo de Hércules - na parte da frente do templo da Deusa.
Ovídio (século I AC ou VI AC) descreve esta celebração do seguinte modo:
"No vale Ariciano,
Há um lago rodeado de florestas com sombra,
Consideradas sagradas por uma religião dos tempos antigos...
Numa longa cerca, pendem muitas peças de novelos feitos de fios de linho entrelaçados,
E muitas tábuas estão lá colocadas
Como ofertas de gratidão à Deusa.
Muitas vezes, uma mulher cujas preces foram por Diana respondidas,
Com uma grinalda de flores coroando-lhe a cabeça,
Vai a pé desde Roma carregando uma tocha ardente...
Lá, uma corrente flui, sussurando, do seu leito rochoso..."
Durante a celebração, os adoradores formavam uma luminosa procissão de tochas e velas à volta das escuras águas do Lago Nemi, ao qual se chamava «Espelho de Diana». As luzes das suas velas juntavam-se às luzes da Lua, dançando, reflectindo-se sobre a superfície da água.
O festival é levado a cabo à maneira grega, isto é, Grecu Ritu.
Centenas juntavam-se junto ao lago, usando grinaldas de flores.
De acordo com Plutarco, parte do ritual (antes da procissão em torno do lago) consiste na lavagem do cabelo e na sua decoração com flores.
É um dia de descanso para mulheres e para escravos. Os cães também são honrados e adornados com flores. Os viajantes entre os bancos do norte e do sul do lago são transportados em pequenos barcos iluminados por lanternas. Candeias similares eram usadas pelas vestais e foram encontradas imagens da Deusa em Nemi, por isso Diana e Vesta são por isso, algumas vezes, consideradas como sendo a mesma Deusa.
Um poeta do primeiro século DC, Propertius, que não foi ao festival mas que o observou de fora, disse, a alguém que amava:
"Ah, se tu ao menos pudesses andar por lá nas tuas horas de ócio.
Mas não nos podemos encontrar hoje,
Pois que te vejo exaltada com uma tocha ardente
Em direcção ao bosque de Nemi foste tu
Levando uma luz em honra da Deusa Diana"
Pedidos e ofertas a Diana podem incluir:
- pequenas mensagens escritas em laços atados ao altar ou a uma árvore;
- pequenas estatuetas feitas de barro cozido ou de pão, representando partes do corpo que precisem de cura; pequenas imagens de barro de mãe e filho;
- finas esculturas de veados; dança e canto;
- fruta, como, por exemplo, maçãs.
Oferendas de alho são feitas à Deusa da Lua Negra, Hécate, durante o festival.
É proibido matar ou caçar qualquer animal durante a Nemorália.
Importa agora saber Quem é Diana.
Diana é uma Deusa Itálica celestial e luminosa. O Seu nome parece provir da palavra "Dius", que expressa a ideia de brilho relacionado com o céu. Diana tem um carácter nocturno e lunar, não sendo no entanto o mesmo que a Lua, como mais tarde veio tantas vezes a ser identificada. Há também aqui uma relação etimológica com os teónimos Janus (Deus dos Inícios) e Anna Perena, outras Duas Deidades latinas. Esta última pode estar relacionada com um monte hindu de nome Anna Purna. "Anna Perena" significaria "Anna Que Fornece".
É possível que Anna e Diana, sendo teónimos de certo modo "pan-indo-europeus", fossem originalmente genéricos entre os Ítalos e agrupassem Deidades de distintos santuários como se Estas fossem aspectos diferentes da mesma Divindade, e aqui havia espaços para importações, sincretismos, etc..
É, desde cedo, uma Deidade protectora da virgindade e das meninas, embora também pudesse presidir aos partos, sob o nome de Diana Lucina, isto é, "Diana Que Faz Vir à Luz", tendo este epíteto, Lucina, em comum com Juno.
Diana pode ter sido em tempos a parceira de Júpiter; todavia, na época histórica conhecida a esposa deste Deus é Juno.
Apesar de, por ter sido considerada equivalente à helénica Ártemis, ter adquirido, na mente dos cultuadores, um aspecto florestal de caçadora, nunca perdeu o Seu carácter propriamente lunar, o qual a própria Ártemis também possui. Tal como Ártemis, tem uma faceta violenta e sanguinária, vingativa, embora Se notabilize pelo Seu lado mais pacífico e protector.
Os Seus santuários mais antigos ficavam em Cápua - onde é conhecida como Diana Tifatina, ou Diana de Tifata, montanha situada a norte de Cápua, e onde Lhe é consagrada uma corça, símbolo de longevidade, garante da existência da cidade, o que traz repentinamente à memória o facto de que o romano Sertório conseguiu a estima e a admiração dos Lusitanos ao afirmar que se comunicava com uma corça mágica, e é de notar que a Deusa Diana foi das Deidades mais adoradas na Lusitânia - e em Arícia, povoação vizinha de Roma. Nesta última localidade, o Seu templo estava situado mais precisamente no bosque de Nemus. O facto de este local de culto estar associado a escravos pode ter a ver com a total liberdade de que estes gozavam no dia 13 de Agosto.
Aqui, no bosque de Nemus, onde Lhe chamam Diana Nemorensis, o Seu aspecto florestal é talvez mais marcado, pois que "Nemus" significa "bosque" com sentido sagrado, o que parece especialmente interessante, se se tiver em conta que "Nem", nas línguas célticas, significa ao mesmo tempo "Sagrado" e "Céu" e está na raiz da palavra "Nemeton", a qual por sua vez significa precisamente "Bosque Sagrado". Esta semelhança etimológica não surpreende quando se sabe que o Latim e o Celta são da mesma origem: partem do grande ramo Celto-Italiota da família Indo-Europeia ocidental. Em território hoje português, pouco a norte do Douro, viveram os Nemetati. Na Galiza registou-se uma "Nemetóbriga" já nos tempos da Romanização. Na Ásia Menor, actual Turquia, existiu uma povoação com o nome de Drunemeton.
O santuário de Nemi, perto de Roma, de origem latina, teria sido, de acordo com a tradição romana, fundado por Egerius Baebius ou Laevius, ditador latino que representava várias povoações, tais como Aricia, Tusculum, Tibur e Lanuvium, entre outras. Outro possível fundador poderá ter sido Manius Egerius. Entretanto, uma tradição estrangeira atribuía o surgimento do santuário ao herói helénico Orestes, o qual, depois de matar o rei Thoas do Queroneso Táurico (Crimeia), fugira com a sua irmã para Itália, trazendo consigo o culto de Diana Táurica. Em Nemi havia uma outra Deidade, associada a Diana, que era Vírbio – e Vírbio tinha com Diana uma relação similar à de Hipólito e Ártemis: um Deus jovem e moribundo e uma Deusa Mãe telúrica que O ressuscita, esquema assaz conhecido e divulgado no Mediterrâneo Oriental, classicamente representado pelo mito de Cíbele e Átis, Osíris e Ísis, Afrodite e Adónis…Aparentemente, os Romanos achavam que Vírbio era o mesmo que Hipólito.
Segundo Estrabão e Ovídio, vivia nos montes da floresta de Nemi um sacerdote-rei (Rex Nemorensis) que, em determinadas circunstâncias, tinha de lutar com quem o desafiasse, isto porque quem quisesse ocupar o lugar deste monarca tinha de o matar, golpeando-o com um ramo arrancado de certa árvore. Pode haver aqui uma semelhança com mitos célticos.
O templo de Diana mais importante foi o do monte Aventino, edificado antes de 509 AC ou 244 AC pelos Romanos com o intuito de colocar a confederação das cidades do Lácio sob a protecção da Deusa.
A igreja tentou abafar o Seu culto com a instituição da Assunção de Maria, no dia 15 deste mês - mas Diana permaneceu viva nas tradições populares dos povos meridionais onde a Romanidade deixou vestígios.
Nas colónias ou províncias imperiais, o culto de Diana assumiu diferentes formas.
Na obra "Guia Arqueológica de España", pode ler-se:
"Os Romanos conquistaram a povoação e chamaram-lhe Saltus Dianae, ou Santuário de Diana, mas na escavação arqueológica do local não se encontrou até ao momento nenhum templo, apenas inscrições e moedas romanas."
É possível que o topónimo Font Janina (em Catalão) ou Ribagorza Fonchanina (em Castelhano), seja o vestígio da Deusa, visto que se encontra nessa zona uma montanha com silhueta de mulher.
E que dizer do caso português?
Para começar, a Crónica Geral de Espanha, texto medieval, dá a conhecer um mito segundo o qual o nome "Lusitânia" deriva do facto de Hércules ter por aqui passado e resolvido dedicar jogos à Deusa Diana (Ludi + Diana = Lusitânia).
Entretanto, o templo de Évora é popularmente conhecido como o "templo de Diana", apesar de provavelmente ter sido local de culto imperial. Porque se estabeleceu então a ideia de que o templo era de Diana?
Voltando agora ao concreto e sabido, registam-se em várias da Europa Meridional algumas palavras que derivam de Diana, não apenas em etimologia, mas também, de certo modo, em significado:
Janas: espécie de espíritos femininos da Floresta, usualmente referidos no plural (diz-se "Jãs" no Algarve); Ja: bruxa, em Português (cai o n entre as vogais, tal como sucede em manu>mão, característica tipicamente galaico-portuguesa); Xanas: o mesmo que Janas, mas nas Astúrias e estando aí ligadas às fontes e nascentes, como as Camenas latinas, que eram também adoradas em Roma no dia XIII de Agosto; Jana: pesadelo, em Occitano (língua do sul de França); Yana: bruxa, en Sardo logudorês (língua da Sardenha); Zâna: fada, em Romeno; Zanë: fada, em Albanês; é também uma personagem mitológica albanesa que protege os heróis e, tal como Diana e Ártemis, tem um animal acompanhante, que, no caso, é uma javali ou uma cabra.
É de lembrar que na Antiguidade tardia ou nos primórdios da Idade Média, um certo evangelizador denunciava o culto das Dianas...
Fonte: Gladius

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O berço bizantino

Uma fonte para encontrar as raízes da Bruxaria que foi praticada na Europa, desde a Idade Média até os dias atuais, está na história do Império Bizantino. Paradoxalmente e contraditóriamente, o Império que deu forma à Igreja Cristã Ortodoxa tinha em sua cultura práticas populares (chamadas de superstições, fetiçarias, crendices e magia) que eram resultado da herança cultural popular greco-romana.
No início os Gregos tinham uma palavra para magia e esta palavra era "mageia" , a capacidade especial dos "magoi", que eram originalmente uma tribo ou povo nas terras dos Medos e Persas. Subsequentemente, tanto Gregos como Romanos usaram a palavra para se referir a qualquer coisa extrangeira ou subversiva ou repreensível que usa forças ocultas ou sobrenaturais e portanto fica além da compreensão das pessoas ordinárias.
Para os bizantinos literários, o mundo da magia e misticismo helênicos eram parte de sua herança cultural e eles sentiam obrigados a perceber suas existências, de qualquer jeito.
No contexto do pensamento bizantino, a magia é vista como uma forma particular de religião e atividade que difere do doutrináriamente definido Cristianismo Ortodoxo dominante; era, essencialmente, associado com demônios e/ou com a noção de controle automático de resultados desejados ou reação.
Está claro que as pessoas acreditavam ou ao menos não viam algo particularmente errado em crer que poderes espirituais ou mesmo humanos têm poder para agir independentemente do controle divino. Aqui magia é simplesmente uma via alternativa, vista algumas vezes como sendo mais eficiente, outras como sendo menos eficiente, de fazer as coisas acontecerem por meios religiosos; as forças usadas na magia eram essencialmente irrelevantes, como eram os julgamentos morais de seus resultados.
Dentro das práticas e crenças mágicas bizantinas, feitiçaria é deixada de fora e tem a intenção de ser distinguida da bruxaria, no sentido que isto opera através de crenças e rituais aprendidos ao invés do inato poder oculto associado ao primeiro; práticas e crenças que eram ensinadas ou oralmente ou transmitido por livros e papéis. Quando se referiam às suas práticas em geral eles usavam termos mais vagos como a Arte ou a Prática [Ofício].
Como a magia era contrária às práticas e crenças aprovadas da sociedade bizantina, muitas referências na literatura sobrevivente eram feitas apenas para ignorar, ridicularizar, refutar ou advertir. Em muitos casos, essas tradições indubitavelente representa as práticas e crenças populares, como opostas às cultas e portanto eram preservadas por pessoas que, simplesmente por seu analfabetismo, não eram capazes de registrá-las, mesmo que quisessem. A magia, entretanto, não estava confinada às camadas baixas da sociedade, pessoas da alta sociedade tomavam a magia altamente a sério ou queriam praticar, pessoas que poderiam registrar se quisessem, mas tinham razões persuasivas para não fazê-lo, uma vez que era considerado ilegal e associar-se à magia poderia trazer consequências desastrosas, senão fatais. Mesmo se pudéssemos ler os textos existe pouca chance de termos uma idéia verdadeira da extensão ou da profundidade dessa tradição registrada, uma vez que são textos isolados e individuais, qualquer estudo interpretativo da transmissão ou integridade textual é impossível.
A atitude dos patriarcas da Igreja [Ortodoxa] diante da magia refletia em parte a hostilidade das autoridades civis romanas que a considerava uma força socialmente disruptiva, em parte o ceticismo encontrado em circulos de pagãos cultos sobre a possibilidade de uma pessoa ser capaz de por de lado as leis da natureza e em parte o sentimento de que pessoa dotadas com abilidades sobrehumanas é contrário às doutrinas Cristãs.
A posição que tinham deve-se mais aos pressupostos que compartilhavam com pagãos cultos sobre a natureza humana e sua capacidade do que à autoridade das Escrituras. Não foi apenas os pressupostos pagãos que deram forma à atitude dos Patriarcas, mas as discussões filosóficas pagãs afetaram profundamente a forma como eles a concebiam.
Estudantes de magia antiga confiam exclusivamente nos textos dos encantos, nas instruções de seus efeitos em papiros e no que sobreviveu dos verdadeiros instrumentos empregados para fazer magia.
Uma questão vexatória é que a excessiva confiança dos modernos acadêmicos nos textos escritos dá uma impressão distorcida das práticas mágicas as quais, como as sociedades contemporâneas são levadas, provavelmente requerem pouca se alguma literatura da parte daqueles que as praticam.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ensaio de história

Este ensaio não é uma tentativa de estabelecer uma "prova" histórica da existência da Bruxaria, mas serve para indicar os indícios de que existiam certas crenças e práticas que precederam a histeria da Caça às Bruxas, a Inquisição, bem como o ceticismo acadêmico posterior quanto a existência desse fenômeno.
O primeiro indício vem das Capitulares de Carlos Magno à Saxônia:
6. Se alguma pessoa iludida pelo Diabo acreditou, como nos modos pagãos, que qualquer homem ou mulher é um(a) bruxo(a) e come homens [gente] e por essa crença queimou tal pessoa, ou deu a carne dessa pessoa para outros comerem ou tenha comido, que seja punido por morte.
9. Se alguma pessoa sacrifificar um homem aos demônios, que seja punio por morte.
21. Se alguma pessoa fez um juramento nas nascentes ou árvores ou pomares, ou tenha feito qualquer oferenda pelos modos do pagão e tomou parte de uma refeição em honra aos demônios, se for um nobre 60 solidi[moeda corrente], se um liberto 30, se um servo 15.

Mesmo a Igreja, antes da histeria, tinha canons que visavam a proibição das práticas originais dos povos europeus, como o Concílio de Elvira (306 DC):
1. Um adulto batizado que comete o crime capital de sacrificar a ídolos não deve receber a comunhão mesmo quando a morte se aproximar.
6. Se alguma pessoa mata outra por feitiçaria ou magia, essa pessoa não deve receber a comunhão, mesmo na morte, pois esta ação é uma forma de idolatria.
34. Velas não devem ser acesas no cemitério durante o dia. Esta prática está relacionada com o Paganismo e é prejudicial aos Cristãos. Aqueles que fazem isso devem ser negados a comunhão da igreja.
35. Mulheres não devem permanecer no cemitério durante a noite. Algumas ocupam-se no pecado ao invés de orações.
40. Senhores [de terras] não devem receber como aluguel coisa alguma que tenha sido anteriormente oferecido a ídolos. Se o fizerem, eles serão excluídos da comunhão por cinco anos.
59. Um Cristão não deve ir à capital e ver os Pagãos oferecer seus sacrifícios. Se um Cristão o fizer, ele ou ela é culpado do mesmo pecado e não deve comungar antes de completar dez anos de penitência.

Ou o Concílio de Ancyra (314 DC):
Canon VII.
Em relação aqueles que tomaram parte nas festas pagãs em um local apontado por pagãos, mas os que trouxe e comeu suas próprias refeições, decreta-se que estes serão recebidos após terem se prostrado por dois anos; mas se com oferta, todo bispo deve determinar que faça um exame pelo resto da vida.

Canon XXIV.
Aqueles que praticam adivinhação e seguem os costumes dos pagãos, ou que levam aos homens para suas casas para as invençoes da feitiçaria, ou para purificações, caem sob o canon de cinco anos.

Ou o Concílio de Trullo (692 DC):
Canon LXI.
Aqueles que dão-se a videntes ou aqueles que são chamados de hecatontarcas ou a qualquer outro que, no sentido que eles pordem aprender deles que coisas eles desejam que lhe sejam reveladas, sejam todos estes, de acordo com os decretos feitos pelos Patriarcas a respeito deles, sejam sujeitos ao canon de seis anos. E a esta pena eles também estarão sujeitos [...] tanto quanto os que predizem fortunas ou fatalidades e genealogia e uma multidão de palavras desse tipo de absurdo de decepção e impostura. Também aos que são chamados expulsadores de nuvens, encantadores, doadores de amuletos e videntes.

Canon LXII.
As ditas Calendas [...] e a assembléia que acontece em primeiro de Março, nós desejamos abolir da vida do fiel. E também as danças públicas das mulheres, que podem fazer muito dano e rebeldia. Além disso nós afastamos da vida dos Cristãos as danças dadas em nome dos falsamente chamados deuses pelos Gregos, sejam homens ou mulheres, as quais são feitas de uma forma antiga e não-cristã; [...] nem deve os homens invocar o nome do execrável de Baco quando eles espremem o vinho nos tonéis; nem quando derramar o vinho em jarras [para causar riso], praticando em ignorância e vaidade as coisas que procedem da fraude da insanidade.

Canon LXV.
Os fogos que são acesos nas luas novas por alguns na frente de suas lojas e casas, sobre os quais (de acordo com certo costume antigo) eles estão acostumados tolamente e loucamente a pular, nós ordenamos de agora em diante que cesse. Em vista disso, aquele que fizer tal coisa, se for um clérigo, que seja deposto; se for um leigo, que seja banido.

Canon XCIV.
O canon sujeita a penalidades aqueles que fazem juramentos pagãos e nós lhes decretamos a excomunhão.

Não houve senão no período do Iluminismo a preocupação em pesquisar fontes históricas e antropológicas a respeito da Bruxaria, ou seja, não existiram profissionais que fossem a campo para registrar de forma imparcial como era a crença popular na Europa antes do Cristianismo. Assim, os acadêmicos só tinham como fonte de referência os processos que o poder secular e sacerdotal conduziu, tanto contra hereges quanto contra as bruxas, a ponto das bruxas serem confundidas como outra forma de heresia. De concreto, eu considero possível que a histeria tenha tido uma influência no fenômeno e que este contribuiu para alimentar ainda mais o medo, a violência, o preconceito. A despeito do poder e das leis, a crença popular e a Bruxaria conseguiram sobreviver clandestinamente, como muitos outros grupos sobreviveram à tirania, como os Cristãos diante do Império Romano, como os Judeus diante do III Reich. Não será dificil de sobreviver à tirania acadêmica, mas evoco aos Deuses Antigos que a Arte sobreviva aos golpes dos farsantes que se infiltraram nela.

domingo, 24 de agosto de 2008

Intervalo autocrítico

O ressurgimento romântico
Mesmo quando a sabedoria popular finalmente rejeitava a crença em bruxaria, já surgiam indícios de um novo ponto de vista entre os intelectuais no começo do século XX. Em 1828, Karl Ernst Jarcke argumentou que a bruxaria era uma religião natural que se mantivera ao longo de toda a Idade Média até o presente. Era a antiga religião do povo germânico, a qual a Igreja havia falsamente decarado como culto ao Diabo. Tal posição proveio de um romantismo que glorificava o passado e de um nacionalismo que glorificava a Alemanha. Em 1820, Lamothe Langon publicou vários documentos referentes à bruxaria no século XIV, que ele afirmava ter transcrito de registros da Inquisição que ulteriormente haviam sido destruídos. O efeito da falsificação foi estabelecer o que parecia ser algo como um culto organizado de bruxas já no século XIV e assim conferir mais crédito à idéia de que a bruxaria poderia ter sido uma religião antiga que subsistiu durante a Idade Média.
O romantismo contribuiu para o ressurgimento da idéia de bruxaria tanto na Inglaterra quanto na Alemanha. Em 1830, Sir Walter Scott publicou suas Letters on Demonology and Witchcraft, as quais, em virtude da popularidade e prestígio de Scott, tiveram grande efeito no reaparecimento do interesse pela bruxaria. Nenhum desses novos escritores argumentou que a bruxaria era um culto diabólico ou que os julgamentos de bruxas deveriam ser restabelecidos. Ao contrário, acreditavam que as pretensas bruxas tinham sido mal compreendidas e maltratadas. Em 1839, Franz Josef Mone alegou ter a bruxaria derivado de um culto clandestino pré-cristão do mundo greco-romano, um culto relacionado com Dionísio e Hécate e praticado pelas camadas mais baixas da sociedade. O argumento de Mone teve grande impacto em um mundo assustado com os excessos revolucionários e com medo de sociedades secretas. Em 1862, Jules Michelet aproveitou o argumento de Mone e deu-lhe sustentação histórica. A bruxaria originou-se nos estratos sociais inferiores, mas isso era admirável: a bruxaria era uma manifestação primitiva do espírito democrático. Desenvolveu-se entre os camponeses oprimidos da Idade Média, que adotaram os remanescentes de um antigo culto da fertilidade em protesto contra a opressão da Igreja e da aristocracia feudal. A tese de Michelet de que a bruxaria foi uma forma de protesto foi adaptada mais tarde pelos marxistas; seu argumento de que a bruxaria se baseou no culto da fertilidade foi adotado pelos antropólogos do começo do século XX, influenciando obras como O Ramo de Ouro, de Sir James George Frazer; From Ritual to Romance, de James Watson e O Culto das Bruxas na Europa Ocidental, de Margaret Murray.
O interesse pelo ocultismo aumentou no entediado mundo do final do século XIX. As sociedades secretas estavam adquirindo prestígio. A Ordem Hermética da Aurora Dourada deleitava-se na criação de chistes e imposturas literárias e ocultistas, traduziu livros cabalísticos e grimoires, inventou sistemas criativos de numerologia, sortilégios e afrodisíacos. Os elementos de magia cerimonial que atualmente aparecem na bruxaria moderna podem ter sua origem na influência de Crowley sobre Gerald Gardner, o fundador da bruxaria moderna e a devoção de Crowley a Pan também ajudou Gardner a desenvolver o neopaganismo.
Fonte: "História da Bruxaria", pg.137-142, de Jeffrey Russel e Brooks Alexander, ed Aleph.[com permissão]

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Erotismo e sexualidade sagrados

Um dos princípios mais difíceis de serem entendidos pelas pessoas comuns na Arte, na Wica, na Bruxaria e no Neopaganismo é a noção de que o corpo é sagrado e o prazer é uma via de iluminação.
A base do princípio está sustentado no conceito de que os Deuses são imanentes, ou seja, toda a natureza, incluindo nossa espécie e nosso corpo, são extensões dos Deuses. O que não exclui as noções científicas como a teoria da evolução, mas são explicações racionalizadas das funções naturais.
A natureza passou de seres simples, unicelulares e indistintas para seres complexos, sexualizados e específicos, porque este mundo material reflete a realidade divina. Nosso domínio sobre outras espécies não foi igualmente acidental, nós fomos gerados, evoluídos, de espécies mais brutas para espécies mais sofisticadas, nossa capacidade racional é um reflexo da capacidade dos Deuses.
Quando nossos ancestrais começaram a retratar os Deuses, os elementos naturais foram usados, estes mesmos foram inclusive confundidos como sendo os Deuses. Figurações de árvores, dos animais e do corpo humano tiveram lugar na representação dos Deuses, como as famosas Vênus de Willendorf. Portanto não é estranho que existam estátuas votivas em forma de falo ou vagina; o primeiro chamado de Lingam, o segundo chamado de Yoni.
O Lingam é o símbolo da energia criadora masculina, viril, e sua definição é a de ser "fixo", "imóvel", "forma fundamental". É o pênis enrijecido, pleno de vida, desejoso de penetração. Este símbolo, na forma de um Falo de pedra, pode ser encontrado já no período Neolítico da civilização do Indo. O Lingam está associado ao fogo, e sua natureza é a mesma do ÁXIS MUNDI, assim com pode ser considerado o Raio.
A Yoni é a Terra, abriga a energia potencial e a vivifica numa união não apenas divina, mas supra - divina. É o receptáculo, o Altar - Mor da Criação, do Ovo do Mundo, onde ele é gestado e ao mesmo tempo honrado. Desse modo, o Lingam - Raio penetra e fertiliza Yoni - Altar. A Yoni é a vagina molhada e sedenta por ser penetrada, é o Yantra ou Pitha da Deusa.

O mesmo simbolismo do Lingam apareceu na Grécia Antiga como Priapo e Yoni apareceu na Europa como Sheila na Gig, evidenciando ainda mais que as nossas funções erótica, sexual e reprodutora eram sagradas. Tanto que originalmente se dizia que depois de Beltane (1° de Maio - Maypole) não existiam mais donzelas, pois isso e a cópula com o solo de plantio eram necessários para estimular a fertilidade e garantir a colheita.
Eu comentei em outros tópicos a relação entre monoteísmo e repressão sexual, então eu apenas vou reforçar o simples fato de que a sociedade cristã é sexualmente doente pelas consequências visíveis, como as diversas formas de violência e desvios sexuais. No caso desse blog, será explorado o conhecimento histórico-antropológico. Todas as formas de sexualidade humana eram consideradas normais nas sociedades politeístas, haviam relações homossexuais nos exércitos e existiam os prostíbulos sagrados.
Depois de muitos anos sofrendo com a opressão, tanto da Igreja quanto do Estado, na década de 1960 (século XX) aconteceu a Contracultura e o mundo conheceu a Revolução Sexual que produziu o Amor Livre, a Amizade Colorida e ajudou a formar condições sociais para a manifestação do feminismo e da homossexualidade. A opção sexual se tornou uma bandeira para a contestação social e política. Essa tendência acabou sendo misturada e enfatizada nos muitos grupos de neopaganismo, bruxaria moderna e wicca eclética que surgiram, muitos disassociados dos princípios da Wica ou de qualquer sentido de tradição. A Antiga Religião resgatada/renovada, depois de tantos golpes sofridos, é esfaqueada por aqueles que alegam segui-la, ao ser distorcida para atender a agendas e vaidades pessoais.
Na cerimônia wiccana nós dizemos: "todos os atos de amor e prazer são meus rituais", uma afirmação e um estatuto, recebidos e celebrados de diversas formas, em diversas tradições, cujo conceito não é bem compreendido e faz com que pareçamos promíscuos às pessoas comuns e aos cristãos fundamentalistas. Tanto para estes quanto para os puritanos infiltrados na Arte é mister dizer que, para cada caso, para cada cerimônia, existem intenções diferentes. Ou seja, na ótica dos Deuses, nossa opção sexual é um assunto que interessa apenas a nós, mas a intenção que será realizada pela cerimônia tem consequências diferentes. O Grande Rito real, executado na cerimônia wiccana tradicional, com um ato sexual entre o Alto Sacerdote e a Alta Sacerdotisa tem por intenção religar o corpo ao seu sentido sagrado e recriar o mundo. Em outros grupos neopagãos e wiccanos, o Grande Rito é executado de forma simbólica por causas evidentes (traumas, tabus, recalques), mas a intenção é a mesma. Em outras formas de neopaganismo e bruxaria moderna, existem cerimônias homossexuais cuja intenção é o de alcançar o caráter extático e produzir vínculos, mas mesmo nesses casos há um contexto sagrado, ou seja, não se usa a opção sexual como desculpa para violência, abusos ou para "se dar bem".
Qualquer forma de preconceito à essas formas de cerimônias ou à outras formas de sexualidade sagrada, seja contra a homossexualidade, seja contra a heterossexualidade, são resquícios do mesmo puritanismo e opressão que muitos que vêm à Arte trazem de suas crenças anteriores. Pior que isso são os pseudo-sacerdotes que misturam suas vaidades e agendas pessoais, distorcem os princípios da Wica, impingem uma hegemonia contra a diversidade, apenas para dar à sua opção sexual um embasamento sagrado, mas cometem de forma contrária o mesmo tipo de "sexismo" que criticam na Wica.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Origem das Fadas

A palavra provem etimologicamente do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo). As fadas são de origem característica dos povos célticos, anglo-saxões, germânicos, nórdicos e pertencem a área dos mitos. Elas ocupam um lugar central na estrutura dos mitos e contos populares, pois detêm o poder de tornar possível a realização dos sonhos e/ou ideais inerentes à condição humana. Esses seres fantásticos ou imaginários são dotados de grande beleza e se apresentam sob a forma feminina.
A primeira resposta que surge a esta questão é a do animismo. Os povos primitivos costumam atribuir aos efeitos naturais uma causa sobrenatural e, ao mesmo tempo, julgam que todo o universo é habitado por almas ou espíritos que se incumbem de proteger um determinado objecto, um certo lugar etc. Deste modo, para esses povos, há espíritos que exercem sua ação protetora sobre os lagos, os rios, os bosques, as árvores e, até mesmo a humilde plantinha que cresce na sombra de um poderoso carvalho, pode ter seu espírito protetor.
Deste ponto de vista (ponto de vista animistas) as fadas são, como os deuses e outros espíritos da natureza, produtos da imaginação popular que a tradição conserva e enriquece através da acção dos bardos e dos contadores de histórias em geral.
A literatura da Idade Média e os contos infantis maravilhosos nos ensinam que as fadas são seres femininos dotados de poderes sobrenaturais. Fisicamente, aparecem sempre com traços de uma jovem dama de beleza excepcional, ricamente vestida com trajes cujas cores dominantes são o branco, o ouro, o azul e sobre tudo o verde. Sua varinha mágica com uma estrela na ponta é símbolo de seus poderes mágicos. Está ainda dotada de uma sedução a qual mortal nenhum pode resistir. As crianças a adoram como sua mãe; os jovens se apaixonam perdidamente por ela e lhe consagram corpo e alma. A fada é o ideal feminino, símbolo do "anima", que encarna a virgem, a irmã, a esposa e a mãe. É a mulher por excelência, perfeita e inacessível. É também um agente da Providência, que distribuiu riqueza, fecundidade e felicidade, ajudando os heróis em perigo e servindo de inspiração para artistas e poetas. A fada é ainda, uma fiandeira do destino, como as Parcas romanas e as Moiras gregas. São elas que tecem o fio da vida e assistem o nascimento das crianças humanas para presenteá-los com dons. São elas também, quem rompe esse fio e anunciam a morte dos seres humanos, antes de levá-los a seus palácios encantados, no País das Fadas. Mas a fada é por último, uma divindade da natureza, associada especialmente as árvores, aos bosques, as águas das fontes e das flores dos jardins.
Popularmente, se crê que as fadas e o resto do Povo Pequeno remontam dos tempos mais antigos da Terra, quando ainda estavam em formação os montes e os oceanos e não havia ainda surgido o primeiro "homo sapiens". Viviam em um lugar determinado do planeta, mas não tardaram a se estenderem por regiões mais longínquas, ao mesmo tempo que se iam formando as montanhas, os mares e os rios, e aparecia o homem primitivo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Olimpíadas gregas eram disputa ‘espiritual’

Se você achou a abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim uma festa exótica, imagine as seguintes cenas: cem bois são degolados a sangue frio e transformados em churrasco no Estádio Ninho de Pássaro; diante do resultado positivo de um exame de doping, um corredor canadense é forçado a ir de joelhos de Montreal até Aparecida do Norte, como penitência; pais carregam seus filhos paraplégicos ou cegos até uma estátua de Michael Phelps, o genial nadador americano, na esperança de que os “poderes olímpicos” do atleta os curem.
Insanidade completa? Não se ainda estivéssemos disputando as Olimpíadas no formato que elas tinham na Grécia Antiga. Para os gregos, a expressão “devotos do esporte” não era só uma metáfora, já que os Jogos Olímpicos funcionavam, antes de mais nada, como um festival religioso. Ou, para usar uma comparação mais prosaica, uma espécie de superquermesse, cujo “santo padroeiro” era ninguém menos que o rei dos deuses gregos, Zeus, senhor do relâmpago.
Comecemos com a mortandade pública de bovinos, que certamente deixaria os defensores dos direitos dos animais em polvorosa caso tivesse acontecido em Pequim neste ano. “Em Olímpia [cidade-sede perpétua das Olimpíadas gregas], assim como nos outros santuários principais de Zeus, o deus era conhecido como hekatombaios, ou seja, merecedor de cem bois”, escreve o historiador Nigel Spivey, professor de arqueologia e arte clássica da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e autor do livro “The Ancient Olympics”. “Os bois eram massacrados diante de uma multidão de fiéis, e os recintos sagrados ficavam cheios do sangue deles. Ao longo dos séculos [as Olimpíadas gregas duraram de 776 a.C. a 392 d.C.], os ossos, cinzas e entranhas bovinas foram formando uma pirâmide”, conta Spivey.
Origens misteriosas
É indiscutível, portanto, que Olímpia, no Peloponeso (a península ao sul da Grécia), só se tornou um centro poliesportivo porque era um importante santuário de Zeus. Como e quando exatamente isso aconteceu ainda é motivo de debate entre os arqueólogos, mas o certo é que a região já recebia oferendas (em geral representadas por estatuetas de bronze, ofertadas a templos do deus) no começo do século 8 a.C., o que parece casar com a data tradicional de 776 a.C. para o início dos jogos.
Outro possível elemento religioso das origens olímpicas são os chamados jogos funerários, uma prática descrita até pelo célebre Homero na Ilíada, sua obra-prima sobre a guerra de Tróia. Os jogos funerários parecem ter sido uma espécie de ritual em honra de grandes heróis mortos - personagens que, segundo a mitologia grega, em geral eram o fruto da união entre deuses e mortais e acabavam sendo divinizados após a morte. (É possível pensar nos heróis como uma espécie de categoria intermediária entre as divindades e os seres humanos - uma comparação possível, embora imperfeita, é com os anjos e santos da tradição cristã.) De um jeito ou de outro, as competições atléticas em Olímpia (que começaram com uma simples corrida, mais ou menos equivalente aos nossos 200 metros rasos, e passaram a incorporar modalidades como o boxe e a luta livre) logo se tornaram uma das formas mais apreciadas de honrar Zeus e os outros deuses gregos. Ao atrair competidores de todas as cidades de cultura grega, de uma região que ia da atual França à Geórgia, as Olimpíadas viraram o festival religioso mais importante do mundo antigo. E até para treinar era preciso buscar a proteção dos céus: cada cidade-Estado grega tinha, em seu(s) ginásio(s), o deus padroeiro dos atletas.

Milagreiros
Tanto a vitória quanto a derrota nos Jogos Olímpicos eram consideradas manifestações da vontade divina, e os participantes eram obrigados a fazer um juramento sagrado de ter participado de uma rotina devota de treinamentos e de não trapacear. (Os que fossem pegos tentando passar a perna nos adversários eram obrigados a financiar uma série de estátuas de Zeus, as chamadas Zanes, que eram colocadas no recinto sagrado de Olímpia.)
Quem fosse vitorioso, no entanto, muitas vezes já ficava a meio caminho de virar “santo” - ou herói, para ser mais exato. Suas estátuas, como as dos deuses, eram erigidas e expostas no santuário. A modalidade que mais conferia capacidades divinas ao vencedor, segundo a crença grega, era o chamado pankration, uma forma brutal de luta vagamente parecida com o nosso vale-tudo. “Algumas estátuas de campeões do pankration eram veneradas como talismãs mágicos, capazes de conferir força e com poderes de cura”, afirma Spivey. Uma história sobre Teágenes, “medalhista de ouro” tanto no pankration quanto no boxe, mostra como os gregos acreditavam nesses poderes. Conta-se que, após a morte de Teágenes, um inimigo do campeão costumava chicotear sua estátua todas as noites, querendo se vingar postumamente do desafeto. Certa madrugada, a estátua caiu sobre o invejoso, matando-o. Os moradores de Tasos, terra de Teágenes, “julgaram” e “condenaram” a estátua a ser jogada no mar. Só que as colheitas da cidade ficaram muito ruins depois disso. Os moradores de Tasos consultaram um oráculo e foram instruídos a recuperar a estátua. Deu certo: as colheitas voltaram ao normal.
Autor: Reinaldo José Lopes, do G1, em São Paulo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Aspectos da cerimônia wiccana

Considerando que existem textos e livros falando sobre a Wicca, eu acho que não cometo nenhuma quebra de voto ao analisar o simbolismo da cerimônia wiccana, desde que me mantenha nos textos e livros disponíveis.
As bruxas eventualmente faziam convenções, assembléias e reuniões, mas certamente não podemos ter certeza de como eram, sobretudo se considerarmos que os documentos que existem sobre as sarabandes são os processos que ocorreram durante a Caça às Bruxas. Entretanto podemos dizer que algumas práticas foram preservadas na religião Wicca, a começar pela marcação do círculo. A única diferença é que magos costumavam ficar fora do círculo para evocar as entidades, enquanto as bruxas costumavam a fazer suas celebrações dentro do círculo, em uma comunhão com a energia (magia) que forma nosso mundo.
Antigamente, tanto um sacerdote quanto uma sacerdotisa evocavam espíritos e entidades e invocavam Deuses para as celebrações sagradas, de acordo com a prática de cada credo. Na Europa, as bruxas evocavam gênios locais e invocavam um ou mais Deuses, conforme a região.
Na cerimônia wiccana, os celebrantes ficam no centro de onde ficará o círculo, tanto para adorar o Casal Divino quanto para os trabalhos a serem realizados no sabat ou esbat. Para traçar o círculo - que é um símbolo da Deusa, se usa uma espada (ou athame, ou cajado, ou vara) - que é um símbolo do Deus. Quem está lançando o círculo não parece ser determinante, mas sim invocar desde a abertura da celebração a ambos, o Deus e a Deusa. O círculo serve para estabelecer o templo, o espaço consagrado, sendo desnecessário aumentar seu significado místico.
Em seguida, evocam-se os Guardiões dos Quadrantes que são os responsáveis pela abertura do véu entre os mundos e preparam aos celebrantes para a chegada do Casal Divino. Cada quadrante é consagrado com objetos que tenham correspondência com o elemento que cada quadrante representa e a posição de cada um, de acordo com as direções Norte-Oeste-Sul-Leste, irá variar conforme as características do local onde se realiza a cerimônia.
O próximo passo é invocar o Deus e a Deusa. Primeiro o sacerdote pede à Deusa que esteja presente na celebração por intermédio da sacerdotisa, para depois a sacerdotisa pedir ao Deus que esteja presente na cerimônia por intermédio do sacerdote. Chamam a isso de "Ritual da Descida da Lua" e "Ritual da Descida do Sol". Em algumas tradições neopagãs, o sacerdote 'recebe' a Deusa e a sacerdotisa 'recebe' o Deus. Em suma, no Neopaganismo e na Wicca não há o preconceito tão comum contra a homossexualidade, não é preciso inventar mitos nem distorcer os princípios das muitas religiões neopagãs. Ao contrário do Deus do Monoteísmo, nossa sexualidade é um assunto e uma opção nossa que não impede nem influi em nossa relação espiritual com Eles.
Dependendo das circunstâncias, se houver algum neófito pronto para ser iniciado, se for ele, sua entrada e condução ao altar será pelas mãos de uma sacerdotisa; se for ela, será um sacerdote. Eu não me delongarei sobre a iniciação, uma vez que fiz um voto de não mais me pronunciar a respeito, basta que os visitantes lembrem que a iniciação não é necessário nem fundamental para sua caminhada espiritual.
Na sequência, pedidos são feitos, problemas são resolvidos, trabalhos são executados. Existem diversas técnicas e práticas empregadas, isso varia conforme o grupo e a tradição.
O que vem depois é mais melindroso, pois é o momento do Grande Rito que, dependendo da tradição e da intenção, pode ser simbólico; mas quando é feito carnalmente, é feito por um sacerdote e por uma sacerdotisa que praticamente vivem como um casal.
Depois se compartilha uma taça de vinho e se distribui bolos entre os celebrantes, é o momento da confrarreatio. Os celebrantes conversam, cantam, dançam, fazem música e casais fazem amor.
O encerramento da cerimônia é feito pelo sacerdote e pela sacerdotisa, agradecendo e se despedindo do Casal Divino, dos Guardiões dos Quadrantes e de todos os espíritos e entidades que compareceram à cerimônia. Ou seja, o equilíbrio entre gêneros e a polaridade sagrada estão presentes ao longo de toda a cerimônia. Se houvesse a preferência ou foco apenas no Deus ou na Deusa, estaríamos sendo Monoteístas.
Existem diversos tipos de Neopaganismo, existem diversos tipos de Bruxaria Moderna, existem diversas tradições de Wicca. Caso o visitante esteja interessado, se informe, escolha seu caminho, seja honesto e sincero em sua peregrinação, não confunda nem distorça os princípios da religião que você escolheu por comodismo ou vaidade nem dê atenção a pseudo-sacerdotes cheios de arrogância e prepotência. Seja consciente e responsável pela forma como você está se relacionando com a Realidade Divina.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Acessórios de bruxa - cálice e correlatos

Eu comentei sobre como as bruxas usavam utensílios simples de cozinha para a prática do Ofício e certamente não ficariam de fora esses objetos aparentemente frugais como o cálice, o caldeirão e a garrafa. Objetos que têm como característica comum o armazenamento de líquido, mas podemos alinhar o almofariz, o prato e o pentagrama.
Muito embora o cálice pareça ser muito sofisticado, as bruxas tinham o seu, de vários materiais, de chifre até prata. Nos tempos difíceis, com os costumeiros envenenamentos entre a nobreza feudal européia, a bruxa e o cálice eram comumentemente acusados de tais feitos. No Ofício, o cálice é reservado para ministrar líquidos para curar doenças ou para induzir o êxtase. Na cerimônia wiccana, serve tanto para beber coletivamente o vinho quanto para realizar o Grande Rito simbolicamente.
O caldeirão, por outro lado, pertence ao imaginário popular como característica da bruxa. Usualmente o caldeirão é de ferro e era colocado sobre brasas ou uma fogueira, sendo segurado por um suporte. No caldeirão a bruxa faz seu sortilégio, sua beberragem, que pode visar uma cura, ou evocar uma entidade, bem como preparar o repasto que será servido na sarabande.
Menos conhecido e mais potente para determinado Ofício é a garrafa da bruxa [foto]. Colocado próximo da pessoa visada ou enterrada no campo a ser influenciado, a belarmine pode salvar uma lavoura ou trazer de volta a fertilidade do campo ou a virilidade de seu dono.
O almofariz serve para preparar as ervas, cereais ou sementes que serão usadas no Ofício, para serem ou servidos no cálice, ou cozidos no caldeirão ou enterrados na garrafa, podendo ser de madeira, cerâmica ou ferro.
O prato é mais usado em cerimônias wiccanas, para servir os bolos nos sabats e esbats.
O pentagrama, quando a bruxa usava algum, era feito de cera de abelha. Nos dias atuais, o pentagrama pode ser gravado em um prato de cobre ou ser engastado em um bloco de pedra para ser usado como altar.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Assessório de bruxa - vassoura e correlatos

As bruxas na Idade Média faziam o uso de uma vara ou cajado [ou forquilha-NB] no lugar de um punhal ou espada por serem mais discretos, mais acessíveis, mais fáceis de encravar e disfarçar em caso de urgência. Em casa, a vara e o cajado viravam um pilão para bater manteiga e uma vassoura.
A vara, dizem, serviria para evocar elementais durante os trabalhos e cerimônias no lugar da faca ou punhal porque estes entes são 'alérgicos' ao ferro. O cajado, nesse caso, tomaria o lugar da espada para desenhar o círculo bem como os símbolos de evocação.
Nas cerimônias, a fertilidade dos campos era 'estimulada' pela dança das bruxas em cima dos cajados, pulando sobre a fogueira, na altura que se espera que as colheitas chegassem. O cajado deu lugar à vassoura quando passsou a ser necessário esconder os objetos do Ofício e logo a vassoura passou a participar da iconografia da bruxa no imaginário popular propagado pela Igreja.
Menos conhecido e menos comentado entre wiccanos puritanos é o açoite, por sua carga evidentemente erótica. Junto com a vara [que na cerimônia é um símbolo da autoridade do/a sacertote/isa], o açoite é usado nas cerimônias tradicionais wiccanas para lembrar da severidade e para ajudar na indução do êxtase.
Curiosamente, wiccanos ecléticos assimilaram a vassoura completamente fora de seu contexto simbólico dentro do Ofício como uma ferramenta para 'purificar' o círculo, o que certamente causa confusão entre as pessoas comuns. Igualmente assimilaram a vara como uma bijouteria - da mesma forma que o pentagrama - usando varas feitas de metal e cristais, como os antigos magos cerimoniais faziam.

domingo, 3 de agosto de 2008

Ritual pagão em igreja católica

A cidade de Cucculo, nas montanhas da região de Abruzzo, na Itália, é palco de um festival de cobras, os moradores cobrem uma estátua de São Dominique (ou São Domênico) com serpentes num ritual para se proteger de picadas.
O ritual ocorre todos os anos sempre na primeira quinta-feira de maio. Ano passado, o dito ritual foi noticiado pelo G1; neste ano a BBC Brasil veiculou um vídeo com a notícia. Os fiéis acreditam que santo Domênico salvou a vida de muitos homens picados por cobras.
Fato é que a origem desse festival são ritos antigos (pagãos) de um povo da Itália conhecido como os Marsi, habitantes da antiga cidade de Anxa (italiano: Angizia) que hoje em dia seria uma zona da região de Abruzzo, podemos encontrar testemunhos desde a Idade do Bronze, honravam uma deusa pré-romana chamada Angizia - que deu nome à cidade – a qual acreditava viver numa gruta às margens da lagoa Fucino; hoje em dia seu templo encontra-se em Luco dei Marsi.
Essas pessoas, que hoje em dia são chamadas de “serpari”, antes da época cristã cultuavam os répteis, pois honravam essa poderosa deusa das serpentes que foi dedicado um Bosque Sagrado, o Lucus Angitiae.
Referida deusa, então considerada uma espécie de ‘maga’, teria ensinado à dito povo o uso de ervas, o adestramento de serpentes, bem como o uso dos venenos e antíodotos, conhecendo o segredo de tornar inócuas as serpentes por meio do uso do som do chifre (o Kerallos), possuiria ela também o poder em matar as serpentes com um só toque de dedo.

Em Roma, lendas surgiram associando Angizia à Circe, uma antiga feiticeira grega; hoje Angizia foi substituída por Santo Domênico, protetor de pessoas picadas por cobras.
Referido ‘Santo’ foi primeiramente associado com um milagre ligado ao crescimento de feijões. Ambos, as favas de feijão e as cobras são intimamente ligadas no paganismo italiano com temas de aparecimento do mundo inferior.

sábado, 2 de agosto de 2008

Acessórios de bruxa - faca e correlatos

Dentro dos acessórios usados com frequência no Ofício, a faca (alguns dizem que tem o cabo branco) certamente foi um dos mais utilizados. Menor e mais discreta do que uma foice ou uma boline e certamente menos suspeita do que um athame ou uma espada. Versátil, era usado mais para cortar (ervas ou animais) os materiais necessários ao Ofício, mas também podia ser utilizado para riscar os círculos evocatórios ou para as cerimônias aos Deuses Antigos.
Mais específicos e mais comercializados entre os bruxos modernos, o athame e a boline dificilmente era encontrado entre as bruxas por causa do vínculo evidente dessas ferramentas com as práticas do Ofício, sobretudo pelas marcas e sinais de consagração que usualmente os marcavam.
O athame é um punhal, obrigatoriamente de cabo preto e dois gumes, usado na Wicca e em algumas linhas de bruxaria. Ele é utilizado para traçar o Círculo Mágico ou emblemas mágicos no ar, para direcionar a energia e para controlar e banir espíritos.
Em qualquer um dos casos, há manuscritos datados do século XI que abordam o uso de facas rituais na Magia. O uso de uma faca sagrada em ritos pagãos é bastante antigo. Há um desenho de um vaso grego datado de aproximadamente 200 A.C. que mostra duas mulheres tentando invocar os poderes da Lua para a sua magia. Uma delas está segurando uma varinha e a outra segura uma pequena espada.
O Athame atualmente também é utilizado para representar o aspecto masculino da divindade e como um símbolo da vontade.
Em uma jóia da Roma Antiga, há a figura de Hécate na forma tripla, onde seus três pares de braços seguram os símbolos de uma tocha acesa, um açoite e uma adaga mágica.
Uma xilogravura mostra uma bruxa controlando alguns fantasmas, brandindo um athame em uma mão e um punhado de ervas mágicas na outra.
O athame também é usado na confecção de varinhas. Para isso, é necessario um athame de cabo branco (boline).

O athame é um punhal ritualístico de fio duplo sem corte, utilizado para absorver, potencializar e direcionar energias em rituais. Normalmente usado para traçar o círculo mágico e desse modo afastar qualquer tipo de energia ou ser espiritual que possa atrapalhar o ritual. [Há uma confusão e uma controvérsia entre os bruxos se é correto afirmar que há alguma forma de 'banimento' ou 'purificação', devido ao preconceito e à carga pejorativa que isto suscita entre as pessoas comuns-NB]
O athame, quando não usado para direcionar energias em um ritual, é um instrumento decorativo que serve como símbolo do poder masculino no altar, já que representa um falo, enquanto que o cálice representa um útero. Ele simboliza o Deus no altar e só é retirado do mesmo, para traçar o círculo ou para efetuar a simbologia do Grande Rito [para realizar o GR de forma simbólica-NB], onde a união do athame e do cálice simbolizam a união do Deus com a Deusa.
[wikipédia]
A boline é, simplesmente, uma faca prática, do trabalho dos wiccanos, ao contrário da puramente ritualística athame.
Também pode ser usada uma foice de cabo branco, pois a lâmina curva (formato de uma lua crescente) pode ser ritualisticamente usada para simbolizar a Deusa, em contraposição ao athame, símbolo do Deus.
Usada em cortes e inscrições, no geral, de plantas, cordas, abóbora de Halloween, velas, madeira, cera, argila e diversos outros itens utilizados nos rituais da religião Wicca.
A cor branca do cabo é apenas uma tradição, visto que assim poderia ser diferenciado do athame, que, segundo a tradição, tem o cabo negro. Entretanto, como não existe uma lei rígida nesse ponto, pode-se usar athames e bolines de cabos de qualquer cor, desde que não se misturem.
[wikipédia]
A espada cerimonial, em certas tradições wiccanas, é usada no lugar do athame pela Alta Sacerdotisa de um coven, para traçar e apagar o círculo. A espada cerimonial, como o punhal, pode também ser usada para controlar e banir espíritos elementais e para guardar e direcionar a energia durante os rituais mágicos. Muitas pessoas não gostam de utilizá-la porque dizem que quem usa espada é mago. Creio eu que a espada entrou na wicca no tempo da inquisição onde os bruxos precisavam se defender dos ataques dos inquisidores.[Blog da Artemis Caçadora]

O uso de espadas pertence mais à Magia Cerimonial, mas seu uso não pode ser totalmente descartado do Ofício ou nas cerimônias wiccanas, tanto para evocações quanto para cerimônias. Entretanto, na Idade Média, o porte e o custo de uma espada certamente estavam proibitivos para as bruxas, sobretudo se esta tinha símbolos encravados como é de hábito no Ofício.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Assessório de bruxa - o chapéu

O chapéu pontudo que frequentemente é visto como parte da indumentária de uma bruxa, assim como outros ítens, pode ter origem não em tradições milenares, mas por um desenvolvimento cultural que ocorreu na Idade Média. Em algum momento, chapeús pontudos foram moda nas cidades, mas ao chegarem no campo se tornaram cafonas, contudo o hábito foi mantido pelo mesmo motivo que se usa chapéu nos campos até os dias de hoje.
Como na Idade Média herbalistas e fazendeiros usavam esse chapéu, esse logo foi associado a todos que viviam nos campos e entendiam a natureza, mais especificamente a bruxa. Curiosamente a Igreja distorceu a origem e o significado do chapéu, associando-o com os chifres do Diabo, depois que chapeús pontudos deixaram de ser usados pelos nobres.
Mas para quem cultiva certo romantismo desprovido de visão analítica verá em qualquer evidência uma prova de que isso vêm de uma tradição antiga, como as moedas etruscas onde um dos lados contém uma cabeça vestindo algo parecido a um chapéu cônico.

Diversos adornos na cabeça, como chapéus, são usados por pessoas em posições de destaque como a coroa para o rei, a mitra do bispo, o elmo do cavaleiro, o barrete do mago. A provavel intenção do chapéu, como um símbolo fálico, é de mostrar que a pessoa que o usa está em contínua união com a Rainha do Firmamento.