sábado, 28 de fevereiro de 2009

Março, o mês de Marte

Março no hemisfério sul é equivalente a Setembro no hemisfério norte.
Em Roma, onde o clima é Mediterrâneo, Março é o primeiro mês da primavera, um ponto lógico para o começo do ano bem como o começo da estação das campanhas militares.
Tradicionalmente, o calendário romano começava em 1º de Março. Entretanto, era em Janeiro quando os cônsules da Antiga Roma assumiam o governo.
Festas:
1º de Março:
Ano Novo Romano.
Matronalia em honra de Juno.
Matronalia (ou Matronales Feriae) era um festival celebrando a Deusa do Nascimento. Uma celebração da maternidade e da mulher em geral.
A data do festival era associada com a dedicação de um templo a Juno Lucina no monte Esquilino e possivelmente também uma comemoração da paz entre os Romanos e Sabinos.
Em casa, as mulheres recebiam presentes de seus maridos e filhas e os maridos romanos ofereciam orações por suas esposas. As mulheres preparavam uma refeição para os escravos domiciliares (a quem era dado um dia de folga), como os homens faziam na Saturnalia.
Feriae Marti em honra a Marte.
O Feriae Marti era celebrado durante todo o mês de Março, começando nas Calendas, com rituais repetidos em honra do Deus conduzido pelos Salii (os "sacerdotes saltitantes " ou os "sacerdotes dançantes ") até o dia 24 do mês. [abacus]
O fogo sagrado (de Vesta) de Roma era renovado.
Vesta era a Deusa Virgem do coração, da casa e família na mitologia romana. Ela tem um grande, porém misterioso, papel na religião romana. Pouco é conhecido sobre a Deusa uma vez que, ao contrário de outras divindades romanas, ela apareceu sem menções nos mitos. A presença de Vesta era simbolizada pelo fogo sagrado que queimava em seu coração e templos. O fogo de Vesta era guardado em seu templo por suas sacerdotisas, as vestais.
14 de Março – Segunda Equirria.
Dias sagrados de significado religioso e militar nas ultimas celebrações de ano novo para Marte. O Estado Romano fazia uma grande enfase na celebração do Deus da Guerra - para apoiar o exército e para aumentar a moral publica. Os sacerdotes conduziam rituais purificando o exército. Os celebrantes seguravam cavalos no Campius Martius (Campo de Marte) e soltava um bode espiatório para fora da cidade de Roma, expulsando o velho e trazendo o novo.
15 e 16 de Março – Bacchanalia, em honra a Bacchus.
A bacchanalia era originalmente celebrada em segredo e realizada por mulheres. Os festivais ocorriam na gruta de Simila próximo do monte Aventino. Depois, foi permitido aos homens participarem dos rituais e as celebrações ocorriam cinco vezes ao mês.
17 de Março - Agonalia em honra a Marte.
Na tradição religiosa de Roma Antiga, a Agonalia era um festival celebrado várias vezes ao ano em honra de várias divindades, como Janus e Agonius, os quais os Romanos costumavam evocar nos seus empreendimentos importantes.

19 a 23 de Março – Quinquatria, em honra a Minerva
A Quinquatria ou Quinquatrus era um festival consagrado a Minerva. Tinha esse nome porque era celebrado no quinto dia após o Ides.
Como esse festival era consagrado a Minerva, as mulheres costumavam consultar adivinhos neste dia.
23 de Março – Tubilustrium, em honra a Marte.
Na Roma Antiga o mês de Março era tradicionalmente o começo da estação das campanhas e o Tubilustrium era uma cerimônia para preparar o exército para a guerra.
A cerimônia ocorria em Roma em um edifício chamado Atrium Sutorium e envolviam o sacrificio de uma ovelha. Os Romanos lembravam da cerimônia ao ver os Salii (os "sacerdotes puladores" de Marte) dançando pelas ruas da cidade.
30 de Março – Festa de Salus
Salus (”salvação”) é a Deusa da saúde e prosperidade, tanto individual quanto coletiva. Como Salus Publica Populi Romani, ela tinha um templo no Quirinal, inaugurado em 302 AC. Depois ela se tornou mais uma protetora da saúde pessoal. Os atributos dela era uma serpente ou uma bacia e seus festivais eram celebrados em 30 de Março. Salus é comparada com a Deusa Grega Hygieia.[roman gods][wikipedia - edição e tradução da casa]

Hadaka Matsuri

Japoneses se reuniram nesta quarta feira para o Festival da Lama, que acontece no templo de Mimusubi, em Yotsukaido, a leste de Tóquio. De acordo com a agência Reuters, durante o evento, os homens usam tangas e faixas vermelhas na cabeça.
O festival é importante para os agricultores da região, que pedem por uma boa colheita. Além disso, os japoneses passam lama no corpo dos bebês, como forma de pedir boa saúde.

A natureza desse festival não é um problema no Japão. Em verdade, quando os participantes ficam nus, é considerado um ato saudável e sagrado, não indecente.
Infelizmente no Ocidente a Imprensa noticia algo tão belo e sagrado apenas quando ocorre uma tragédia (como na Festa da 1ª Lua Cheia na Coréia) ou para ficar ridicularizando as tradições folclóricas de outros povos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Cavalhada

Numa tradição de quase 170 anos, a cidade de Bonfim, na Região Central de Minas, a cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, se destaca pelo festivo carnaval a cavalo. Os moradores contam os dias para chegar e época momesca para assistir os desfiles de cavaleiros e amazonas, vestidos com elegantes roupas aveludadas. De acordo com o Clube Carnavalesco de Bonfim, a festa é única no Brasil durante o carnaval.
O evento surgiu por volta da década de 1840, após uma discussão entre os organizadores e o bispo da região, que proibiu a cavalhada, festa que relembra a guerra entre cristãos e mouros na idade média. Insatisfeitos com a decisão do religioso, os adeptos da cavalhada resolveram manter o desfile de cavaleiros, só que no período do carnaval. Com o passar do tempo, as espadas e cimitarras foram substituídas por guerra de serpentinas e confetes e as amazonas foram aceitas na brincadeira. Além disso, as fantasias seguem uma identidade visual, sem diferenças entre cavaleiros cristãos ou muculmanos.[UAI]
Tradicionalmente festejado há 169 anos (1840 – 2009), o Carnaval a Cavalo de Bonfim foi introduzido em na cidade por Pe. Chiquinho, que tencionava transformar a guerra entre mouros e cristãos em uma festa de cunho religioso.
O Carnaval a Cavalo é a maior festa da cidade, para orgulho e satisfação dos bonfinenses. São três dias, onde Cavaleiros e amazonas (essas conquistaram seu espaço mais ou menos a partir de 1940) desfilam na Praça da Matriz, vestidos em fantasias de veludo bordadas à mão, que assemelham-se a roupas de príncipes, montados em belos cavalos, e colocam sua bandeira em plena praça. Com confetes e serpentinas, “disputam” a atenção das pessoas e tentam conquistá-las e levá-las a participar com eles do Carnaval. No fim do terceiro dia, há a “batalha de confetes e serpentinas”, onde os cavaleiros desmontam, tiram seus dominós (máscaras que lhes encobrem o rosto em todos os dias) e brincam com o povo; essa brincadeira simboliza a conquista definitiva das pessoas. Após essa batalha, os cavaleiros montam novamente, recolhem sua bandeira e com lenços brancos, despedem-se do povo. É um dos momentos mais emocionantes do Carnaval a Cavalo, onde homem/cavalo/público se tornam um só ser, em busca da alegria! A cada ano que passa, o Carnaval a Cavalo vem se destacando em reportagens televisivas e em renomados jornais; disputando espaço com Rio, Salvador, Recife, Olinda e muitos outros carnavais famosos, porém com enredo e participação muito diferentes do nosso. O que jamais mudará em nosso carnaval é o clima de alegria e inocência que permeia o espírito de cada cavaleiro/amazona, de cada espectador, de cada turista, enfim, de cada bonfinense que se orgulha muito de ter como maior tradição o carnaval a cavalo e que faz e fará de tudo para que tal tradição nunca deixe de existir!!![Bonfim, MG]

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Romulo e Remo: da lenda ao fato

Arqueólogos romanos descobriram a gruta onde, segundo a lenda, os gêmeos que fundaram Roma teriam sido amamentados pela loba. Todos os anos, no dia 15 de fevereiro, acontecia uma festa no local.
O lugar se parece com uma caverna. A gruta de dimensões imponentes, 9 metros de diâmetro por 7 metros de altura, tem paredes decoradas com conchas e afrescos geométricos. No centro, uma grande pintura, uma águia branca sobre um fundo de céu azul. Descoberta em novembro passado, essa sala subterrânea que fica no coração do Germanum, a parte mais sagrada do monte Palatino, no centro de Roma, lembra os hipogeus egípcios que serviam de última residência para os nobres.Porém, não é um monumento funerário. Ao contrário. De acordo com os arqueólogos que a encontraram – encabeçados pelo professor Giorgio Croci – é a Lupercal, a gruta mítica onde os gêmeos Rômulo e Remo teriam sido amamentados por uma loba. A localização do sítio, sob o palácio de Augusto, coincide com um local de culto mencionado por Denis de Halicarnasso, historiador grego do século I antes de Cristo. Para o arqueólogo Andrea Carandini, a identificação dessa caverna com a Lupercal mencionada pelo autor antigo não dá margem a dúvidas. A águia branca pintada sobre um fundo de céu azul é o símbolo imperial. Prova de que o imperador incorporara a seu palácio esse lugar altamente simbólico da história romana.
Adota-se geralmente 753 a.C. como o ano da fundação de Roma. Essa data é comprovada pelas descobertas arqueológicas de 2005 que permitiram desenterrar, perto do Fórum, os vestígios de um palácio datado do século VIII antes de nossa era.
A descoberta, em novembro de 2007, da lendária gruta de Rômulo e Remo nos faz mergulhar na história fantástica da origem da mais importante cidade da Antigüidade. E, por inacreditável que pareça, ao menos o sítio lendário tornou-se realidade.
Fonte: História Viva
A lenda
Durante um banquete em sua homenagem, Enéias começa a contar as suas aventuras: a queda de Tróia, o estratagema do cavalo e a fuga com seu pai e seu filho. Depois de fugirem, se refugiaram sobre o monte Ida, onde permaneceram durante todo o inverno à espera de uma novas frota, de onde partiram para uma nova pátria.
Ao fim de sua narrativa, Dido estava apaixonada por Enéias, porque Vênus havia substituído o filho de Enéias por Cupido, que acertou Dido com uma de suas flechas. Dido pede a Enéias que permaneça com ela e reine em Cartago. Enéia e seus companheiros, depois de ficarem um ano em Cartago por ordem de Júpiter, partiram para o Lácio. Dido, vendo ao longe os navios de Enéias, maldiz a estirpe troiana e se suicida.
Depois de várias peregrinações no Mediterrâneo, Enéias aporta no Lácio, como havia sido dito por sua mãe, que depois de uma previsão lhe havia dito que fundaria uma cidade na pátria de Dardano (seu antepassado que segundo a lenda era o fundador de Tróia). No Lácio, Enéias foi amavelmente acolhido pelo rei Latino, que o apresenta à sua filha Lavínia. Enéias se apaixona perdidamente por ela mas vem a saber que latino já a havia prometido a Turno, rei dos rutulianos. O pai de Lavínia sabe da intenção de Enéias, mas temendo uma vingança por parte de Turno se opõe ao seu desejo. A disputa pela mão da jovem torna-se uma verdadeira guerra, da qual participam as várias populações itálicas, compreendendo etruscos e volscos. Enéias alia-se com algumas populações gregas provenientes de Argos e estabelecidas na cidade de Pallante, sobre o monte Palatino, reino do árcade Evandro e seu filho Pallente. A guerra é sangrenta e, para evitar mais vítimas, a disputa entre Enéias e Turno deverá resolver-se em um combate entre os dois comandantes e pretendentes. Enéias mata Turno, casa-se com Lavínia e funda a cidade de Lavínio (a atual Pratica di Mare).
Depois de trinta anos, Ascânio funda uma nova cidade, Alba Longa, sobre a qual reinaram seus descendentes. Muito tempo depois o filho e legítimo herdeiro do rei Proca de Alba Longa, Numitor, foi deposto pelo irmão Amúlio, que obriga a princesa Réia Sílvia a tornar-se Vestal (sacerdotisa virgem, consagrada à deusa Vesta) e a fazer voto de castidade. Porém o Deus Marte se enamora da jovem que engravida e tem dois gêmeos Rômulo e Remo. O rei Amúlio ordena que os gêmeos sejam mortos, mas o servo encarregado da tarefa não tem coragem de fazê-lo e os abandona na corrente do rio Tibre. A cesta com os gêmeos vai por fim para nas margens do rio em Velabro, entre os montes Palatino e Capitolino, onde foram encontrados e cuidados por uma loba. Depois o pator Fáustulo os encontra e, com sua mulher, Aca Larência os cria como filhos. Uma vez adultos e conhecida sua origem, Rômulo e Remo retornam a Alba Longa, matam Amúlio e repõem no trono seu avô Numitor.
Rômulo e Remo obtêm então permissão para fundar uma nova cidade, no local onde haviam crescido. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la sobre o Palatino, enquanto Remo a quer batizá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino.

É o próprio Tito Lívio quem se refere às duas mais críveis versões dos fatos:
"Como eram gêmeos e o respeito à progenitura não podia funcionar como critério eletivo, cabia aos que protegiam aqueles lugares indicar, através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Assim, para interpretar os auspícios, Rômulo escolhe o Palatino e Remo escolhe o Aventino. O primeiro presságio teria cabido a Remo. Do momento que Rômulo estava afastado quando o presságio fora anunciado, os respectivos grupos haviam proclamado como rei um e outro ao mesmo tempo. Uns sustentavam que tinham direito ao poder com base à prioridade no tempo, outros com base no número de pássaros vistos. Nasceu assim uma discussão e da raivosa luta de palavras se passou ao sangue: Remo, golpeado na cabeça, cai por terra. É mais notável a versão segundo a qual Remo, para surpreender o irmão, teria escalado os muros recém construídos (provavelmente o Pomério), e Rômulo com raiva teria ameaçado com estas palavras: ‘Assim, de agora em diante, morra quem escalar os meus muros’. Deste modo, Rômulo se apossou sozinho do poder e a cidade fundada tomou o nome do fundador." [Lívio]
Assim a cidade foi fundada sobre o Palatino e Rômulo tornou-se o primeiro Rei de Roma.
Fonte: wikipedia

Maracatu

Ao som dos tambores de 600 batuqueiros de 14 nações de maracatu, a capital pernambucana abriu, na noite de ontem (20), o carnaval deste ano. Regidos pelo percussionista Naná Vasconcelos, os batuqueiros lembraram as culturas africana e afro-brasileira em uma apresentação no centro da cidade, no chamado Marco Zero, para uma platéia estimada em cerca de 100 mil pessoas.
O maracatu, da forma hoje conhecida, tem suas origens na instituição dos Reis Negros, já conhecida na França e em Espanha, no século XV, e em Portugal, no século XVI. Em Pernambuco, documentos sobre as coroações de soberanos do Congo e de Angola, na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Vila de Santo Antônio do Recife, são conhecidos a partir de 1674. No Recife a denominação maracatu servia para denominar um ajuntamento de negros. Os cortejos das nações em homenagem aos Reis do Congo passaram a acontecer no carnaval, e eram chamados de maracatus quando era dada uma conotação pejorativa. São figuras do maracatu nação rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, dama-de-honra do ministro, ministro, dama-de-honra do embaixador, embaixador, duque, duquesa, conde, condessa, quatro vassalos, quatro vassalas, três calungas (Dom Luiz, Dona Leopoldina, Dona Emília), três damas-do-paço (responsáveis pelas calungas durante o desfile), porta-estandarte, escravo, figuras do tigre e do elefante, guarda coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros (treze meninos), brasabundo, batuqueiros (quinze músicos), vinte caboclos, vinte baianas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Conferência "Renascimento das Antigas Tradições e Culturas"

Realizou-se na Índia, em Nagpur, de 31 de Janeiro a 5 de Fevereiro, a terceira conferência internacional de um grupo de sábios sobre a espiritualidade para além da Religião, tendo a deste ano sido intitulada "Renascimento das Antigas Tradições e Culturas: Desafios e Soluções", organizada pelo Centro Internacional de Estudos Culturais (CEIC), pelo Congresso Mundial de Religiões Étnicas (CMRE), pelo Conselho Nacional de Sábios dos Maias, dos Incas e dos Garifuna da Guatemala.
Cerca de trezentos delegados de cinquenta países participaram na conferência de seis dias. Orações universais de tradições de todo o mundo foram proferidas na cerimónia inaugural.
O primeiro-ministro do governo em-exílio tibetano Sam Dong Rinpoche assim discursou, na abertura do evento: "O aumento da violência é devido à degradação das tradições. As tradições e culturas estão agora ameaçadas pela modernidade. A preservação das tradições preserva as culturas. As tradições são eternas, universais e sagradas. Sem tradição, a humanidade não poderá sobreviver. A diversidade é a verdadeira beleza da tradição e da cultura. Precisamos de toda a espécie de diversidade. Um mundo sem cultura e sem tradição será nada mais do que uma multidão sem raízes, onde a coexistência não será possível. A cultura e a tradição distinguem os seres humanos neste planeta. A preservação de antigas tradições e culturas é a necessidade da presente hora. Devemos todos juntar-nos numa só plataforma para levar a cabo esta tarefa."
O "Manifesto Nagpur", adoptado unanimemente pelos participantes, versa assim: "Nós os participantes da Terceira Conferência Internacional e Reunião dos Sábios de Antigas Tradições e Culturas, acreditamos firmemente que, sendo os filhos da Mãe Terra, somos todos um só; interrelacionados, interligados, partilhamos o mesmo espírito de unidade sem prejuízo da nossa identidade individual única. Cremos que a renascença não é apenas o reviver da Antiguidade mas também uma aplicação a uma nova vida em novos modos. Irá levar a uma vida elevada de compreensão mútua, partilha, tolerância e respeito. (...) Proclamamos que temos todos o direito de seguir as nossas próprias tradições, rituais e filosofias, que são benéficas para o bem-estar da sociedade."
Fonte: Gladius

Eutanásia na antiguidade grega e romana

A morte da italiana Eluana Englaro, que estava em coma havia 17 anos, na última segunda-feira (9/2), levantou mais uma vez a antiga polêmica sobre a eutanásia -a prática de auxiliar na morte de algum paciente que está sofrendo em estado terminal.
O procedimento tem forte oposição da Igreja Católica e é proibido na maioria dos países. Mas na Antiguidade, antes do surgimento do cristianismo, ajudar alguém a ter uma 'morte boa' era algo permitido e até corriqueiro.
A maioria dos médicos da Antiguidade era relutante em tratar casos ‘incuráveis’, deixando para os pacientes terminais poucas opções que não a eutanásia. Muitos filósofos da Grécia e Roma antigas consideravam o suicídio uma ‘morte boa’, como resposta apropriada e racional a diversos males.
Mas, apesar dessa permissividade, o juramento de Hipócrates, feito entre os séculos 5 a 3 antes de Cristo, condena a eutanásia. Segundo Ian Dowbiggin, historiador e autor de "A Concise History of Euthanasia", em entrevista ao G1 por telefone, isso provavelmente ocorreu como uma forma de protesto contra grande número de casos. "Os seguidores de Hipócrates proibiam os médicos de tirar a vida de um paciente. Mas na Roma e Grécia antiga no geral havia uma tolerância grande sobre a autanásia e o suicídio. Geralmente os médicos da época abandonavam o leito quando percebiam que um paciente estava quase morrendo."

A atitude dos gregos e romanos antigos a favor da morte assistida encontrou resistência nos primeiros séculos de nossa era: o judaísmo e a emergência do cristianismo criticaram fortemente a morte que não fosse natural. Mais tarde, um grande porta-voz dessa moral foi Santo Agostinho, que, em seu livro “Cidade de Deus” (de 428), argumentou que o suicídio era simplesmente outra forma de homicídio e que, portanto, também era proibido. Os reformistas eram tão ou mais contrários à eutanásia do que os católicos.

Foi apenas na Europa Moderna que o tema do suicídio e da dúvida sobre viver ou não começou a ser discutido em livros, peças de teatro e entre os intelectuais da época. A crença romana e grega que a eutanásia era uma vitória teve um pequeno ressuscitamento. Mas, apesar do intenso debate, o apoio ao suicídio como afirmação da autonomia individual e protesto contra a convenção moralista da Igreja ainda era pequeno no final do século XVIII.
Filósofos do iluminismo como Charles de Montesquieu, David Hume e Voltaire não apenas descreviam o suicídio como socialmente desejável e uma questão de opção pessoal, como também citavam a teoria de que eram fatores materiais que levariam uma pessoa a cometê-lo. A consequência a longo prazo desses escritos e debates foi o repúdio e posterior abolição de leis que criminalizavam o suicídio.

Outra mudança que ocorreu ao longo dos séculos XVIII e XIX foi a posição dos médicos em relação aos pacientes terminais. Se, nos séculos anteriores, saíam do lado do enfermo quando ficava claro que não havia mais forma de salvá-lo, no século XIX uma nova ética era formada e os médicos começaram a se preocupar mais com o bem-estar dos enfermos.
Segundo Shai Joshua Lavi escreve no livro "The Modern Art of Dying" ("A Moderna arte de morrer", inédito em português), "a palavra eutanásia passa a não mais significar apenas ‘boa morte’, mas sim o que os médicos poderiam fazer para assegurar uma boa morte. [...] A lei do leito de morte mudou da religião para a medicina”.
De acordo com André Mota, coordenador do Museu Histórico da Faculdade de Medicina da USP, foi "através do desenvolvimento tecnológico da medicina, já no século XX, que se desenvolveram tecnologias capazes de atenuar o sofrimento dos pacientes terminais. Precisamos compreender que o médico moderno surgirá no século XVIII, com uma nova concepção do hospital e da presença do médico privandamente na casa das pessoas."
Os médicos não deveriam apenas ajudar o paciente a ter uma boa morte, mas deveriam evitá-la e postergá-la. E, à medida que leis foram criadas, morrer passou a ser um problema social, e não apenas um sofrimento individual.

O desenvolvimento de uma tecnologia que permite mater alguém vivo, embora sem consciência, aprimorou o debate. "A introdução de novas tecnologias mudou a atitude em relação à eutanásia. Hoje há um apoio maior em relação a opção de escolher entre viver entubado e em coma ou morrer simplesmente", explica o historiador Dowbiggin. Segundo ele, há universidades nos EUA e no Canadá que já não obrigam seus alunos formandos a proferir o juramento de Hipócrates, que condena a eutanásia.
Nos Estados Unidos, os estados de Oregon e Washington permitem a prática. Bélgica, Holanda e Suiça também legalizaram o procedimento.

Fonte: G1

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A pessoa na Roma Antiga

Classificação das Pessoas Físicas em Roma:
Na sociedade romana existiam: os livres, os semilivres; os escravos; os ingênuos; os libertos; os libertinos; os in mancipio e os colonos.
Na casa romana (comunidade doméstica):
Paterfamilias --chefe supremo, quase sacerdote.
Demais pessoas – subordinadas ao paterfamilia através: do potestas, da manus, do mancipium, do dominium.
Capitis Deminutio (Mudança de Estado):
Era a mudança de estado na sociedade romana, ocasionada pela perda do status libertatis, civitatis ou pela mudança do status familae.

Tipos:
Mínima: (familiae).

Para pior (de sui juris a alieni juris).
No mesmo nível (de alieni juris a aliene juris).
Para melhor (de alieni juris a sui juris).
Média: (civitatis)

De não cidadão a cidadão.
Máxima: (libertas)
De escravo a livre.
Cidadão Romano (civilis):
Era todo homem que tinha o Direito de Cidade, adquirido por nascimento ou por fatos posteriores ao nascimento.
Por nascimento: (filhos de cidadãos romanos eram cidadãos romanos)
Por fatos posteriores ao nascimento:
Por transferência de domicílio para Roma.

Por lei.
Por prestação do Serviço Militar.
Quem não era romano, nem estrangeiro, era latino. Os estrangeiros eram denominados: peregrinos (possuíam alguns direitos).

Status Familae:
O paterfamlias tinha o dominium in domo, a potestas. Era o dominus, o senhor, a quem estava confiada a domus. Esta tem tríplice aspecto: religioso (sacerdote), econômico (dirigente) e jurídico-político (magistrado).
A família romana era bem mais extensa do que o modelo de família atual; o casamento não delimitava o início de uma família, assim como também aqueles que casavam não eram desmembrados da família de origem.
Na família romana existiam além dos membros propriamente ditos, outros membros que não eram parentes e que recebiam o nome de clientes que eram admitidos em espécie de proteção, com obrigação recíproca de dar e receber assistência. Os cliente não assumiam relações jurídicas com a família e nem eram ligados a ela como patrícios; porém, eram livres (não eram servos) mas sem autonomia, sendo garantidos economicamente pela família e gozando de situação privilegiada em relação a plebe. A família tinha interesse em receber clientes, porque esses representavam votos a mais.

Fonte: Sergio, Moacir. Apostila de Direito Romano - Pessoa e Família [online]

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A festa da 1ª lua cheia

Pouco depois do Dua do Ano Novo Lunar, os Coreanos clebram o "Jeongwol Daeboreum", a primeira lua cheia, correspondente a 9 de Fevereiro. "Jeongwol" significa priemrio mês e "Daeboreum" grande lua cheia.
De acordo com as crenças da filosofia do Ying e do Yiang da Coréia, a luz da primeira lua cheia do ano traz consigo prosperidade e boa sorte.
Entre os costumes folclóricos tradicionais do Jeongwol Daeboreum se contam o "jisinbapgi", "jwibulnori" e "daljiptae-wugi". O jisinbapgi é um ritual que basicamente os agricultores realizam no dia de Jeongwol Daeboreum para afastar a má sorte da família e trazer boa sorte. O jwibulnori consiste em queimar pasto seco entre as valas dos arrozais, quando as crianças fazem girar latas que contém carvão em braza. O "daljiptae-wugi" consiste em queimar uma "casa da lua" feita de palha para propiciar uma boa colheita.
A primeira coisa que os Coreanos fazem na manhã do dia da primeira lua cheia é "bureom", descascar nozes de casca dura usando os dentes. Se descascam tantas nozes quanto os anos que a pessoa tenha. Se acredita que o ruido que produzem as nozes afujentará aos espíritos malfazejos e prevenirá durante todo o ano as enfermidades da pele.
No dia da primeira lua cheria, as palavras que mais se escuta se dizer entre os Coreanos são: "Nae deowi sara". Isto significa "compre ou leve meu calor"; uma conjuração para afastar o calor do próximo verão.
Fonte: Coreia Hoje [traduzido da versão em espanhol]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Irmãos Grimm: Jacob e Wilhelm

Inseridos num contexto histórico alemão de resistência às conquistas napoleônicas; os Irmãos Grimm recolhem, diretamente da memória popular, as antigas narrativas, lendas ou sagas germânicas, conservadas por tradição oral. Buscando encontrar as origens da realidade histórica germânica, os pesquisadores encontram a fantasia, o fantástico, o mítico em temas comuns da época medieval. Então uma grande Literatura Infantil surge para encantar crianças de todo o mundo.
Tinham dois objetivos básicos com a pesquisa:
levantamento de elementos lingüísticos para fundamentação dos estudos filológicos da língua alemã; fixação dos textos do folclore literário germânico, expressão autêntica do espírito da raça.
O primeiro manuscrito da compilação de histórias data de 1810 e apresentava 51 narrativas.
Na tradição oral, as histórias compiladas não eram destinadas ao público infantil e sim aos adultos. Foram os Irmãos Grimm que dedicaram-nas às crianças por sua temática mágica e maravilhosa. Fundiram, assim, esses dois universos: o popular e o infantil. Alguns temas considerados mais cruéis ou imorais foram descartados do manuscrito de 1810.
O Romantismo trouxe ao mundo um sentido mais humanitário. Assim, a violência cede lugar a um humanismo, onde se destaca o sentido do maravilhoso da vida. Perpassam pelas histórias, de forma suave, duas temáticas em especial: a solidariedade e o amor ao próximo. A despeito dos aspectos negativos que continuam presentes nessas estórias, o que predomina, sempre, é a esperança e a confiança na vida.
Vários críticos afirmam serem as histórias dos Grimm incentivadoras do conformismo e da submissão. Ainda assim, a permanência dessas narrativas, oriundas da tradição oral, justificam o destaque conferido a estes autores alemães.
Nos Contos de Grimm não há, propriamente, contos-de-fadas, distribuem-se em:
contos-de-encantamento (estórias que apresentam metamorfoses, ou transformações, por encantamento, a maioria);
contos maravilhosos (estórias que apresentam o elemento mágico, sobrenatural, integrado naturalmente nas situações apresentadas);
fábulas (estórias vividas por animais, algumas);
lendas (estórias ligadas ao princípio dos tempos, ou da comunidade, e onde o mágico aparece como "milagre" ligado a uma divindade);
contos de enigma ou mistério (estórias que têm como eixo um enigma a ser desvendado);
contos jocosos (humorísticos ou divertidos).
A característica básica de tais narrativas é a de apresentar uma problemática simples: um só núcleo dramático.
A repetição, ou reiteração, juntamente com a simplicidade de problemática e da estrutura narrativa, é outro elemento constitutivo básico dos contos populares. Da mesma forma que a elementaridade, ou simplicidade da mente popular, ou da infantil, repudia as estruturas narrativas complexas, também se desinteressam da matéria literária que apresente excessiva variedade, ou novidades que alterem continuamente as estruturas básicas já conhecidas.
Essa reiteração dos mesmos esquemas, na literatura popular-infantil, vai, pois, ao encontro da exigência interior de seus leitores: apreciarem a repetição das "situações conhecidas", porque isso permite o prazer de conhecer, por antecipação, tudo o que vai acontecer na estória. E mais, dominando, a priori, a marcha dos acontecimentos, o leitor sente-se seguro interiormente. é como se pudesse dominar a vida que flui e lhe escapa.
Fonte: CRISTIANE MADANÊLO DE OLIVEIRA. "IRMÃOS GRIMM: JACOB E WILHELM (ENTRE 1785 E 1863)" [online] Disponível na internet via WWW URL:
http://www.graudez.com.br/litinf/autores/grimm/grimm.htm Capturado em 14/2/2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O mito das nações

Os mitos que envolvem a fundação e perpetuação do Brasil, da descoberta de Cabral à integração pacífica das três raças (índio, negro e branco) são apenas invenções. Invenções que permitem que os habitantes deste território possam se distinguir dos demais povos latino-americanos. O processo de construção do nacionalismo brasileiro não difere muito do que deu origem às modernas nações européias. É justamente por isto que é oportuno o estudo da obra de O MITO DAS NAÇÕES, de Patrick J. Geary, editado no Brasil pela Conrad Livros.
Logo de cara o autor choca o leitor. Afirma que os “...Estados-nações de base étnica dos dias de hoje foram descritos como ‘comunidades imaginadas’, geradas pelos esforços criativos dos intelectuais e políticos do século XIX, que transformaram antigas tradições românticas e nacionalistas em programas políticos.” A nacionalidade e o nacionalismo, portanto, não são dados naturais. São fenômenos culturais e, como tal, construídos com um determinado propósito e sempre em benefício de alguém. A quem beneficiou a construção do nacionalismo brasileiro?
“O processo específico pelo qual o nacionalismo emergiu como uma forte ideologia política variou de acordo com a região, tanto na Europa como em outras partes. Em regiões carentes de organização política, como na Alemanha, o nacionalismo estabeleceu uma ideologia com o fim de criar e intensificar o poder do Estado. Em Estados fortes, como França e Grã-Bretanha, governos e ideólogos suprimiram impiedosamente línguas minoritárias, tradições culturais e memórias variantes do passado em prol de uma história nacional unificada e língua e cultura homogêneas, que supostamente se estendiam a um passado longínquo. Em impérios multiétnicos, como o dos otomanos ou o dos Habsburgo, indivíduos que se identificavam como membros de minorias oprimidas lançavam mão do nacionalismo para reivindicar o direito não apenas à independência cultural, mas também, como conseqüência, à autonomia política.”
No caso específico do Brasil, o processo de construção da nacionalidade passou necessariamente pela destruição das culturas, mitologias memórias e línguas de centenas de povos que habitavam esta terra antes dos portugueses iniciarem a colonização. Alguns séculos depois, os africanos de diversas etnias que aqui chegaram também foram literalmente coagidos a esquecer suas mitologias, memórias e línguas. É claro que o processo de integração foi dinâmico e que alguns fragmentos das culturas indígenas e africanas foram preservadas. Mas estes fragmentos são tão insignificantes que em todo território nacional prevaleceu soberana a língua portuguesa, a religião do conquistador e a memória registrada pelos portugueses.
Você já se perguntou porque os jesuítas aprenderam e descreveram o tupi-guarani mas não ensinaram os índios a registrar por escrito suas próprias histórias? Ou ainda porque os negros não aprenderam a escrever na sua própria língua ou na língua que deveriam utilizar no trato com seus donos? Não existem registros indígenas da colonização, nem registros produzidos por escravos da escravatura. Não foi a toa que os portugueses monopolizaram o direito de registrar a memória do novo mundo. A língua escrita sempre foi uma poderosa ferramenta de dominação e da construção do nacionalismo.
As relações entre língua e nacionalismo são tão grandes, que Patrick refere-se à importância da filologia na construção do nacionalismo europeu. Afirma ele que “... a filologia, já estabelecida como ferramenta essencial dos estudos clássicos, tornou-se a principal ferramenta no estudo da história medieval, utilizada para desvendar a pire-história do nacionalismo alemão.” E mais, o “... estudo da história e o nacionalismo se fundiram em um único elemento.” Mas no Brasil a falta de registros escritos impede a construção de histórias alternativas que adotem a perspectiva do índio e do negro. Não há dúvidas, portanto, que o nacionalismo brasileiro consolidou-se destruindo qualquer possibilidade da preservação de nacionalismos concorrentes dentro do território nacional.
O método filológico foi largamente usado na Europa. Mas ele não é isento de isento de problemas. Como afirma o autor da obra resenhada, em “...toda Europa, os efeitos perniciosos do método filológico de identificar um povo pela língua foram incontáveis. Primeiro as ilimitadas variações de amplos grupos lingüísticos no continente foram fragmentadas por regras científicas e transformadas em línguas distintas. Como as realidades lingüísticas (na fala e na escrita) não correspondiam exatamente a essas regras artificiais, formas ‘oficiais’ - geralmente versões sistematizadas de um dialeto específico, quase sempre de um grupo politicamente poderoso ou de alguma cidade importante - eram criadas e impostas por sistemas educacionais financiados pelos Estados. Como resultado, as fronteiras lingüísticas se tornaram muito mais rígidas, e as tradições orais (e em alguns casos até mesmo as escritas) desapareceram virtualmente sob a pressão do uso ‘padrão’. Esse processo simplesmente resultou na ‘invenção’ de línguas, incluindo não apenas casos óbvios como o ucraniano, o búlgaro, o sérvio, o croata, o esloveno, o letão, o hebraico, o norueguês, o irlandês, o holandês e o romeno, mas também, de formas mais sutis, o alemão e o italiano”.
A conclusão óbvia do autor é que as “...instituições educacionais se tornaram o lócus da criação do Estado-nação, tanto com a imposição da ideologia nacionalista como, de forma mais sutil, com a disseminação da língua nacional, na qual estava implícita essa ideologia.”
Um pouco mais adiante o autor faz um inventário das conseqüências do emprego do método filológico. “A herança da filologia e da arqueologia nacionalista continua pesando bastante na geografia das nações européias. Elas estabeleceram ‘cientificamente’ os elementos essenciais que constituem uma nação: língua, território e cultura distinta em um passado remoto. Muitos acreditavam que, por meio da prova histórica e da filologia, seria possível estabelecer unidades comuns, estimular antigas injustiças e legitimar velhas reivindicações.” E mais “...apesar do apelo emocional dessas reivindicações de base histórico-lingüística, nada na história se justifica. A congruência entre os ‘povos’ da Alta Idade Média e os contemporâneos é um mito. Os argumentos lingüísticos e históricos vão abaixo rapidamente quando aplicados às questões contemporâneas de diferenças étnicas, e são ainda menos apropriados para a distinção dos ‘povos’ europeus da Alta Idade Média.”
No Brasil o processo de construção da nacionalidade depende muito do mito da integração racial das três matrizes (indígena, africana e européia). As tensões raciais dentro do imenso território brasileiro foram suprimidas por meio da força bruta e repressão cultural. O pouco que restou das culturas indígenas e negras na cultura brasileira é incapaz de ajudar a construir consciências nacionais distintas brasileira.
Apesar de sua extensão territorial o Brasil não apresenta fragmentação cultural, lingüística ou étnica. Entretanto, os donos do Estado e da riqueza econômica se mantém absolutamente apartados da grande massa populacional resultante da miscigenação cultural e étnica. O risco de guerra civil e fragmentação territorial existem, mas estão relacionados à brutal exclusão econômica de dezenas de milhões de brasileiros.
A construção das atuais nacionalidades européias não foi muito diferente. Violência e repressão cultural foram utilizadas pelos conquistadores romanos e depois da queda do império pelos bárbaros. “Nos séculos IV e V, a sociedade era basicamente dividida em romanos e bárbaros, uma perspectiva dicotômica do mundo aceita por ambos os grupos, assim como por indivíduos cuja própria vida revelava a falta de correspondência entre essa classificação simplista e a realidade. Embora na Antigüidade clássica o termo bárbaro fosse depreciativo, os exércitos federados do final da Antigüidade aceitavam o termo e o consideravam uma designação neutra, ou até mesmo positiva, de sua identidade não romana, uma identidade coletiva muito mais estável do que a miríade de nomes ‘tribais’ que geralmente eram vinculados a suas famílias e seus exércitos. Por volta do início do século VII, essa distinção não significava mais nada. A cidadania romana era insignificante.”
Ao ler atentamente a obra é impossível deixar de notar a riqueza do processo desencadeado pelos romanos. Apesar de ser etnicamente heterogênea Roma substituiu paulatinamente a diversidade cultural e lingüística pela cultura romana. Ao designar todos os povos não romanizados como “bárbaros” os historiadores romanos forjaram uma unidade que na verdade não existia. Durante o esfacelamento do império, o termo “bárbaro” ajudou a centralizar as perspectivas políticas daqueles que não eram romanos.
Com o fim do Império Romano, a fragmentação política acabou acarretando o ressurgimento da fragmentação cultural. Entretanto, os cristãos e pagãos que habitavam o imenso território dominado por Roma já não eram nem romanos, nem bárbaros. A ligação cultural que mantinham com aqueles povos que habitavam a Europa antes das legiões de Roma chegarem era mais tênue do que eles desejavam. Mesmo assim, os cientistas franceses do século XIX se apropriaram de elementos da Antigüidade para construir sua nacionalidade. Os cientistas alemães fizeram o mesmo, afirmando que existe continuidade lingüística e cultural entre os alemães modernos e os germanos conquistados pelos romanos.
Este processo dinâmico nunca foi interrompido e não acabou. Segundo o autor da obra resenhada, na Europa “...há indícios de que o antigo modelo de diversidade lingüística e cultural estratificada está ressurgindo. Isso se torna particularmente evidente nas grandes cidades da Europa, onde a diversidade lingüística e cultural está voltando a diferenciar os extremos sociais da população. No topo, grandes corporações multinacionais e instituições científicas quase sempre (ou sempre) fazem uso do inglês, deixando de lado as tradições lingüísticas locais. Já na base da pirâmide, há um aumento considerável do número de pessoas de origens árabe, turca, norte-africana, indiana e de outras partes da Ásia. Esses imigrantes continuam falando árabe, turco e outras línguas muito diferentes das faladas pela classe média européia. Essa mudança, recebida com hostilidade e medo, e vista como uma novidade, é na verdade um retorno a um modelo mais antigo de diversidade étnica. De fato, a Europa está começando a parecer com seu passado.”
O livro de Patrick J. Geary é primoroso, cativante e sobretudo importante. Além das questões que foram aqui rapidamente cogitadas, O MITO DAS NAÇÕES trata detalhadamente dos povos imaginados na antiguidade, da etnografia romana e a construção da identidade dos bárbaros, dos bárbaros e romanos que emergiram do fim do Império Romano. Por fim, o autor compara a construção dos nacionalismos europeus à dos zulus na África do Sul.
Ao final, ressalta o autor que a “... história do povo europeu não terminou, e nunca terminará. O empenho dos românticos, políticos e cientistas sociais não pode conservar para sempre a alma de um povo ou de uma nação, nem garantir que as nações, grupos étnicos e comunidades atuais continuarão existindo no futuro. O passado pode ter estabelecido os parâmetros a partir dos quais podemos construir o futuro, mas ele não pode determinar o que o futuro deve ser. Os povos da Europa, assim como os da África, da América e da Ásia, são elementos formados e constantemente reformulados pelo processo histórico, e não estruturas atômicas da própria história. Heráclito estava certo: não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio.Os rios que são os povos continuam vivos, mas as águas do presente não são as do passado e nem serão as do futuro.”
As palavras de Patrick J. Geary merecem ser profundamente consideradas pelos habitantes deste continente que se dizem brasileiros. Se dizem brasileiros e não sabem exatamente por que nem em proveito de quem. Por quanto tempo a cultura brasileira será preservada ninguém sabe, mas é certo que o abismo social entre ricos e pobres conspira contra sua preservação, bem como contra a integração política deste imenso território.
Autor:
Fábio de Oliveira Ribeiro
Nota: Enquanto isso, na Europa, tem surgido diversos grupos reinvindicando em nome do mito da nação por privilégios de território (xenofobia) e étnicos (racismo) completamente sem sentido ou bases históricas e antropológicas.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Notas sobre os desafios enfrentados

Desde sua introdução - ou reintrodução, se preferir - na sociedade moderna algumas décadas atrás, o Neopaganismo em suas múltiplas formas se tornou um fenômeno global florescente e se tornou uma alternativa espiritual bem vinda para centenas de milhares de pessoas pelo mundo inteiro. Nós assistimos com alegria enquanto nossas crenças gradualmente se movem do tolerável para algo pertencente ao sistema e nós aplaudimos enquanto governos reconheceram e aceitaram nossas práticas. Novos livros são publicados todo ano sobre as muitas formas de Neopaganismo e praticantes de todo lugar estão contribuindo para seu desenvolvimento com novas visões.
Entretanto, nem tudo vai bem. Nós chegamos bem longe nas ultimas décadas, mas nós não podemos descansar sobre os louros. Existem muitos desafios que devemos enfrentar para preparar o caminho à frente. O propósito deste artigo é oferecer algumas sugestões quanto à natureza destes desafios e uma forma de começar a resolvê-los.
Resista ao fascínio das teorias de conspiração.
Queira ou não alguém se importar em ser levado a sério pelo publico em geral, o cultivo das teorias de conspiração como parte fundamental da narrativa coletiva eventualmente irá levar um grupo a autodestruição, isolado e incapaz de ser parte de qualquer realidade conjuntural. A atitude de "nós contra todos" não conduz a qualquer tipo de crescimento produtivo. Nós estamos todos sabendo dos milhares que foram torturados e queimados, enforcados ou esmagados pelas autoridades cristãs no passado, mas é de mal gosto ao extremo tentar se apropriar da miséria de outros povos para reprimir as crenças de outras pessoas.

Nós sabemos também que existem diversas facções na sociedade atual que vêem o Neopaganismo é uma forma de conspiração satânica mundial, mas como podemos combater essas teorias de conspiração com mais teorias de conspiração? O que precisamos é distribuir informação realista.
As teorias de conspiração podem agir como um fator de unificação quando elas são usadas para conjurar imagens de um poderoso inimigo, irresistível e enganador, contra quem o grupo deve se proteger. Os Cristãos tem usado esse tipo de imagem e esse é o método que devemos emprestar deles? Existem diversas formas de Neopaganismo, mas nós não podemos achar uma forma mais construtiva e sóbria de estabelecer o tipo de unidade que nós gostaríamos de ver?
O que é comumente esquecido é que o uso das teorias de conspiração não está limitada a pessoas de bom coração que genuinamente sente forças malignas agindo nos bastidores. O Terceiro Reich foi igualmente fundado em teorias de conspiração. As teorias de conspiração são brinquedos perigosos quando caem nas mãos erradas. Não devemos nunca colocar teorias de conspiração acima de nossa compaixão pela humanidade.
Não torne-se aquilo que condena.
Claro como um dia que há muitas pessoas que gostariam de ver o Neopaganismo ter um fim explosivo. Também tem muitos que tomam como sua missão especial na vida interferir com as vidas religiosas dos outros e tentam converter todo mundo para sua visão particular. Se os Neopagãos atraem a atenção da imprensa, nós somos muito frequentemente descritos como peões iludidos ou como capangas de Satan. Cristãos fundamentalistas de direita parecem ser os oponentes mais estridentes ao Neopaganismo.
Nós devemos resistir à tentação em combater a estes ataques com os mesmos métodos usados por estas pessoas. Nós não precisamos levantar barricadas e nos colocar como representantes do divino. Nós não precisamos cultivar nossos próprios dogmas de ferro para reprimir os heréticos e infiéis de nossas fileiras e mostrar uma fachada sólida. Quando falarmos contra os ataques deles, o façamos de uma forma sóbria e bem informada.
Conheça sua história.
Neopaganismo é isso mesmo: novo. Nos sentimos em casa em praticas antigas e visões mundiais e queremos ressuscitá-las como genuínas, caminhos religiosos praticáveis para o mundo atual.

Entretanto, nós sabemos que não podemos reviver tudo que nossos ancestrais faziam e nós temos que preencher as lacunas por nós mesmos. Ao fazê-lo torna nossa crença parecer falsa na visão de alguns, este é um sentimento razoável. Nós vivemos em uma sociedade que valoriza a autenticidade acima de tudo. No pensamento moderno, a autenticidade é igual à realidade em si mesma e qualquer coisa que não é autêntica não pode ser real e portanto deve ser uma mentira.
Tudo tem um começo, inclusive a religião. Nossos ancestrais experimentaram a mudança e a inovação em suas práticas religiosas. Este é um processo natural e desejável e é bem melhor incentivar novas idéias brilhantes do que estagnarem algo velho simplesmente por ser velho. Mesmo o velho e o tradicional provavelmente começou como uma brilhante nova idéia.
A forma mais destrutiva de tentar ganhar autenticidade é inventar uma história. Nós podemos inventar novas práticas religiosas para a atualidade, baseadas em velhos valores, mas nós nunca devemos torcer ou reinventar a história para esta se ajustar às nossas necessidades.

Com esse conhecimento, nós podemos claramente ver aonde precisamos fazer esforços para preencher as lacunas em nossas crenças. Algumas práticas ancestrais precisarão ser descartadas.
Encare o presente.
Mesmo que sejamos capazes de saber tudo sobre antigas práticas religiosas e levarmos nossa crença exatamente igual como nossos ancestrais, tal tipo de crença não faz muito sentido nos dias atuais.

Nós não entenderemos as dificuldades e as ameaças que nossos antepassados enfrentaram. Pelo fato que nos tornamos Neopagãos é algo que devemos a ancestrais mais recentes e nossos próprios esforços, estes esforços são algo que devemos guardar e celebrar.
Nascimento, envelhecimento, amor romântico e sensual, paternidade, morte e luto permanecem constantes e provavelmente ainda evocam as mesmas emoções que provocaram em nossos ancestrais.
Ao traduzir antigas divindades na linguagem moderna da crença, nós devemos pensar como os antigos atributos se relacionam com a nossa realidade. Reduzir uma Deusa ou um Deus em um símbolo que sejam aceitáveis em um contexto moderno nos separam dos poderes da vida ou da morte que os Deuses parecem ter ou representar no mundo antigo.
Em essência, a experiência humana permanece intocável, mas circunstancias e valores não. Nós devemos encontrar uma forma prática para celebrar e expressar esta experiência básica humana em nossa vida religiosa.
A reintrodução do paganismo no palco mundial é um trabalho em progresso, não algo gravado em pedra. Nós queremos deixar um exemplo de pensamento critico, criativo e original diante das adversidades para nossas crianças e gerações futuras, que irão eventualmente olhar nosso esforços e aproveitá-los de acordo com suas próprias necessidades e padrões.

Autor: N.V. Andersen
Fonte: Mos Maiorum

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Japão reconhece oficialmente o povo Ainu

O Parlamento japonês reconheceu o povo indígena AAinu, milenar no arquipélago, mas privado de existência legal até hoje. A resolução, aprovada por unanimidade, afirma pela primeira vez que os Ainus "são um povo indígena com sua própria língua, religião e cultura".
O texto pede que o governo adote medidas imediatas para ajudar os Ainus, que estão entre os habitantes mais pobres do Japão. Apesar do caráter principalmente simbólico, o reconhecimento deve resultar em ajudas em termos de educação e emprego. Apenas 17% dos Ainus conseguem diplomas universitários, ou seja, duas vezes menos que a média nacional.
O reconhecimento acontece pouco antes da reunião de cúpula do G8, que o Japão organiza de 7 a 9 de julho na ilha de Hokkaido (norte), onde vive a maior parte dos 70 mil ainus do país.
Povo animista que vive tradicionalmente da caça e da pesca, os ainus se viram obrigados a abrir mão de suas terras, língua e modo de vida pela "lei sobre os antigos aborígenes de Hokkaido", aprovada em 1899 em Tóquio.
Abolida em 1997, a lei foi substituída por outra que defendia a proteção das tradições Ainus, mas que no entanto não reconhecia este povo como indígena.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Imbolc 2009

Em Tara, Irlanda, comemorou-se no dia 1º de Fevereiro, uma celebração pública de Imbolc.
Imbolc é uma festa de purificação levada a cabo no fim do Inverno. É também uma altura do ano marcada pela fertilidade, em especial pelo nascimento dos cordeiros.
A presidir o Imbolc está Brigit, ou Brígida, Divindade feminina apresentada muitas vezes sob forma tríplice. Na Irlanda, Brigit é considerada como mãe dos poetas, dos ferreiros e dos médicos, o que indica o Seu carácter como Senhora das Artes. Por conseguinte, é certamente Dela que Júlio César fala quando na obra "A Guerra das Gálias" refere Minerva como uma das cinco principais Divindades gaulesas (interpretação romana). Tal era a Sua relevância e a força do Seu culto na Irlanda pagã, que os cristãos evangelizadores da verde Erin resolveram "adoptá-La", criando a figura de Santa Brígida (sabiam-la toda, os missionários...), uma das padroeiras dessa nação céltica.
F. Le Roux e C.-J. Guyonvarc'h aduzem (em "A Civilização Celta") um dado que me parece digno de menção: segundo eles, BRÍGIDA é ao mesmo tempo filha do grande Deus dos druidas (DAGDA), e também mãe dos Deuses primordiais (entre os quais se conta DAGDA), bem como esposa e irmã de todos Eles. Esta genealogia aparentemente contraditória e absurda tem um valor meramente simbólico, pois que, no caso da natureza dos Deuses Imortais, só serve, no dizer dos autores «para situar os Deuses em relação uns aos outros».
Cena de moderno ritual de Imbolc
Enquanto isso, no seio da Romanidade prestava-se culto, no dia dois, a Juno Februra, Deusa Celestial da Paixão e dos Prazeres, e a Ceres, Deusa do Crescimento e da Fertilidade.

Fonte: Gladius
Nota: Nos países do hemisfério sul, os Pagãos comemoraram Lughnasadh ou Lammas neste mesmo dia.
Este festival céltico homenageia ao Deus Lugh (ou Lugus para os Celtas), o Deus das colheitas, do Fogo, da luz e do Sol. Ele foi o Rei dos Tuatha Dé Danann e consorte de Dana (Danu), a primeira Grande Mãe da Irlanda. Dana, como a rainha de Lugh e a Deusa Mãe, também é honrada nesse Sabá.
A morte sacrificial e o renascimento de Lugh, assim como a colheita dos grãos, simbolizam que o Deus sempre morrerá para renascer novamente através da benevolência da Deusa. Outros aspectos associados ao Sabá de Lughnasadh são crescimento, nascimento, honra e agradecimento à Deusa pelo seu ventre que cultivou as sementes e a Lugh pelas bênçãos e fertilização do ventre da Deusa com seu calor e luz.
[Queen of Elements]