terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O paradoxo de Epicuro

Causa-me risos ver Cristãos tentando [inútilmente] refutar os pensadores antigos, especialmente quando o pensamento desafia a doutrina limitada do Cristianismo.
O paradoxo de Epicuro diz:
Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente.
É capaz, mas não deseja? Então é malevolente.
É capaz e deseja? Então por que o mal existe?
Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?
Então, um cristão [católico], cita parcialmente a coluna de Hélio Schwartsman que diz:
Com efeito, a contradição entre a ideia de um bem absoluto e o mal visível é conhecida desde a Antiguidade. Atribui-se a Epicuro o seguinte dilema: Se Deus é bom e onipotente, não poderia haver mal sobre a Terra; havendo, ou Deus não quer acabar com o mal --e não é benevolente-- ou não pode fazê-lo --e não é onipotente. (Poderíamos, é verdade, reduzir o dilema a um problema de linguagem e, portanto, a um falso paradoxo: a questão é insolúvel porque foi mal formulada; não posso exigir nem de um Ser Supremo que aja contraditoriamente. Mas, com essa interpretação, perderíamos toda a graça do debate metafísico).
Helio Schwartsman não deve ter entendido o paradoxo de Epicuro, pois um paradoxo não é um dilema e a questão não é de linguagem, mas de ética. Mas como o paradoxo incomoda aos Cristãos, tenta-se desviar do paradoxo, reduzindo-o à uma questão mal formulada e, portanto, insolúvel. Não procuram responder porque sabem que isto os levaria a questionar a base ética do Deus Cristão e é insolúvel porque o Deus Cristão é amoral.
E o cristão [católico] comemora uma falsa vitória:
[O texto de Schwartsman] Só queria apontar que (a) Epicuro é um falso paradoxo, como o próprio articulista comenta; (b) o mal não é uma “aparência”, e sim uma ausência; e (c) é interessantíssimo que o articulista reconheça que o acaso, “a ausência de propósito”, são insuportáveis ao ser humano.
Que foi derrubada com um único comentário:
A despeito do esforço do articulista, o paradoxo de Epicuro resiste.
Se o problema do mal é ausência, permanece o paradoxo, pois se teu Deus é onipotente e onipresente, como pode haver ausência?
O paradoxo de Epicuro é um desafio aos teístas, não porque questiona o problema do mal - fato, ação, circunstãncia - mas porque questiona a presunção das crenças humanas ao atribuir a um (ou mais) Deus(es) a Bondade, a Justiça, a Onipotência, a Onipresença e a Onisciência. Este era o cerne da questão quando Epicuro escreveu seus pensamentos, uma época em que as cidades-estado da Grécia Antiga concentravam o poder político, econômico e religioso; uma época quando o Politeísmo começava a se transformar em Monoteísmo; uma época onde começava a ter uma religião de Estado, uma religião nacional.
Nesta Era dos Impérios, uma transformação se operava no espírito humano, mas ainda assim se buscava um respaldo, uma base, uma consagração na Religião Antiga. Uma vez consolidada a transformação, a organização social e política na Idade Antiga foi determinada pela religião de Estado, pela religião nacional, pela religião do Império.
Com o colapso do Império Romano, a organização política ficou com os Bárbaros e a estrutura religiosa do Império ficou com a Igreja. Assim como os reis bárbaros haviam assimilado a cultura romana, os sacerdotes cristãos haviam assimilado a filosofia grega. Assim como os reis bárbaros usaram o poder militar dos romanos, os sacerdotes cristãos usaram o poder da retórica grega.
A Idade Média foi uma época de estagnação na filosofia. Mesmo os pensadores apologéticos, como Santo Agostinho e Tomás de Aquino, não se aprofundaram nas questões filosóficas, apenas repetiam ou citavam os pensamentos de Aristóteles. A Igreja nunca consegui refutar completamente os trabalhos de Epicuro, Celsus, Juliano e outros.
O paradoxo deixa de ser um desafio simplesmente refutando a premissa de que um (ou mais) Deus(es) deve(m) ser bom(ns), justo(s), onipotente(s), onipresente(s) e onisciente(s). Na concepção dos povos antigos, conservada nos mitos, os Deuses demonstravam ter um comportamento assombrosamente humano. Mesmo os Deuses seguiam determinados padrões de ética e moral.
Nos dias atuais, a humanidade vê sacerdotes de uma religião majoritária dar mais importância às doutrinas de suas crenças do que aos valores humanos. Diante disso, é necessário retomar os questionamentos, contestar, resistir e, por fim, apostatar. Está na hora da humanidade acabar com a tirania da Igreja. Está na hora do ser humano retomar o domínio de sua vida.

O fim da picada

Na Bahia, um padrasto foi detido por ter colocadi diversas agulhas em seu enteado. A Polícia e a Imprensa Abutre denunciaram o caso como sendo um "ritual de magia negra", prato que os cristãos fundamentalistas comeram que se empapuçaram.
No Haiti, o cônsul George Samuel Antoine e o pastor Pat Robertson declararam que o terremoto foi um "castigo de Deus", por causa da "idolatria" e da bruxaria [Voudun] praticado pelos haitianos, embora o país seja considerado majoritáriamente católico.
A conexão entre estas notícias, aparentemente distintas, está no preconceitoe na intolerância contra os povos e as crenças oriundos da diáspora africana. Infelizmente, a calúnia e a difamação contra eles não é uma exclusividade dos Cristãos, mas também de alguns Pagãos que esposam ideais racistas.
Nós, Pagãos, que lutamos tanto contra o preconceito, a intolerância, a difamação, a calúnia, não podemos criticar os povos e as crenças oriundas da diáspora africana. Os afro-descendentes tem o mesmo direito que os euro-descendentes de resgatar suas crenças e raízes.
As práticas dessas crenças podem desagradar, em especial a alguns Pagãos que encampam o Direito dos Animais, mas as crenças antigas que existiam, tanto na Europa quanto no Mediterrâneo, também sacrificavam animais. Até mesmo na Época Clássica, quando Gregos e Romanos se consideravam mais "cultos" e "civilizados" do que os bárbaros.
Não cabe aos Pagãos ensejarem esse discurso arrogante do "culto" contra o "selvagem", pois colocaríamos em risco as legítimas crenças dos povos aborígenes. Não cabe aos Pagãos "autorizar" ou "permitir" as práticas e crenças dos afro-descendentes, pois colocariamos em risco nossa luta pela liberdade religiosa. Não cabe aos Pagãos denegrir tais práticas e crenças por motivos raciais, pois há apenas uma espécie: a humana.
As crenças oriundas da diáspora africana devem ser respeitadas, estudadas e compreendidas. Quem as critica, colocando-se comodamente na posição de "civilizado", de "culto", de "superior", se escondendo em um falso senso de "estirpe", não conhece e nem compreende o conceito das Gens das religiões antigas.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sexualidade e fidelidade

Texto interessante e curioso, se considerarmos que foi publicado na comunidade orkut "Sociedade Wicca", comunidade onde é comum textos condenando a "heteronormatividade", da qual eu fui banido em 2006 (?) por causa de minha postura tradicionalista.
O sexo para um pagão jamais deve ser visto como pecado, um mal necessário, ou apenas uma forma de procriação, mas sim vivenciado em toda a sua plenitude pois trata-se de um dos mais importantes sacramentos da vida de qualquer ser humano. É a expressão fisica e humana do prazer dos Deuses e reprimir este prazer, consiste em um dos maiores atos de desrespeito à grande mãe e seu consorte.
Desde os tempos mais remotos, o êxtase sexual e espiritualidade estão ligados de forma indissolúvel. Pinturas antigas encontradas em caversas deixam claro que as antigas civilizações usavam o ato sexual em suas celebrações ritualisticas e testemunham a veneralidade à fertilidade feminina e sua capacidade de gerar a vida!
O sexo além de ser um ato sagrado, é tão natural quanto nossas outras necessidades. Comemos quando sentimos fome, bebemos quando sentimos sede, dormimos quando sentimos sono, então, por que não fazer amor quando sentimos vontade e com quem sentimos vontade? Só por que alguém no passado, nos primórdios do sistema patriarcalista disse que é errado, que é pecado? Mas por que um ato tão bonito, e que nos faz sentir tão bem seria errado, seria pecado? Se quando atingimos um orgasmo sexual, vivenciamos um êxtase fisico e mental completo que nos deixa plenos e nos faz tão bem, que sentido há manchar algo tão puro com pecados e erros?
Nas civilizações antigas, a necessidade de fertilidade era primordial para evitar a mortalidade não só de suas tribos como de seus rebanhos. Mulheres férteis com seios fartos e quadris largos eram consideradas o retrato humano da grande Deusa Mãe. Era considerada a representante da Deusa na terra, as sacerdotiza da Deusa e enquanto essa mulher fosse capaz de gerar filhos, tinha alto poder dentro da tribo. Quando passava sua fertilidade, seu posto era transferido para umamulher mais jovem que pudesse gerar filhos e a mulher mais velha assumia a condição de sábia da tribo.
Era costume que os melhores caçadores da tribo usassem os chifres e pele dos animais que foram por eles abatidos, para adquirirem sua força e fertilidade. O macho que possuiam os maiores chifres eram os machos mais férteis, por isso, eram os mais visados pelos caçadores.
Assim, praticar sexo após uma caçada, era uma forma ritualistica de transferir a força e a fertilidade do animal abatido para a criança que iria nascer, por meio do rito sexual, onde herdava esses poderes e enrriqueceria a tribo. Outra crença era a de que o animal sacrificado em prol da tribo seria recompensado com o renascimento na forma humana.
Todas essas colocações que não chegam nem a metade de sua totalidade, foram usadas para frizar o importancia que o sexo tem não só no cliclo de fertilidade como nas relações em geral e que sexo e religião sempre caminharam juntos, pois a partir do sexo que muitos rituais foram formados.
A famosa idéia falsa de fidelidade e respeito. Respeito ao parceiro não consiste em se reprimir ou reprimir o parceiro sexualmente, e sim, liberta-lo para a plenitude do amor e da sexualidade! Devemos entender que se alguem está do nosso lado, está por que existe em nós qualidades que o agradam, mas ao reprimir o parceiro de sua liberdade, tanto de vida como sexual, leva a uma falta de cumplicidade, fundamental num bom relacionamento, gerando um afastamento posterior, quando não gera procuras por parceiros diversos às escondidas gerando assim uma teia de mentiras e consequentemente uma traição. Traição é isso! MENTIRAS, pois vc acaba por iludir o seu companheiro e a outra pessoa envolvida com historias irreais. Tudo por causa da repressão sexual patriarcal, camuflada numa frase que diz ser "coisa minha" quando na verdade é coisa de outros que foram incutidos na sua cabeça desde a sua infância!
Se somos conscientes de que somos filhos da grande mãe, que somos livres e o paganismo nos liberta de dogmas repressivos e se queremos vivenciar o paganismo em toda a sua totalidade e plenitude, devemos primeiro nos desvencilhar, nos libertar por completo dos dogmas repressivos e aprisionantes do patriarcalismo judaico-cristão e vivenciar o sexo como ele realmente é......UM ATO SAGRADO QUE JAMAIS PODERÁ SER REPRIMIDO!
Por mais que vc pense que reprimindo o seu parceiro sexualmente, crendo que isso é fidelidade e respeito, saiba que o seu parceiro NUNCA deixará de fazer amor com a pessoa que ele deseja, mesmo que seja somente por mentalização, o seu parceiro vai fazer amor com pessoas que ele deseja e que definitivamente NÃO será vc!
Portanto.....libertem-se das algemas patriarcalistas sexuais e repressivas, vivam sua plenitude sexual e sejam plenamente felizes, pois se reprimimos uma parte de nós, o que teremos é uma falsa ideia de felicidade.
O pudor consiste em não vulgarizarmos um ato que fazemos, e não em deixar de levar concientimente à nossa cama aqueles que desejamos e que merecem tal honraria.
Autora: Angel Bruxa Aisha Sad.

Recomendação médica

Esta vai para os que, como eu, chegou na fase dos "enta", cheio de preocupações com colesterol, pressão alta e a saúde do coração. Você certamente deve ter ouvido que é preciso manter uma dieta saudável e praticar exercício.
Pois bem, eis que descobriram uma forma interessante para manter a sua [a nossa] saúde cardiovascular:
Fazer sexo regularmente é bom para a saúde cardiovascular.
Homens que fazem sexo com menos frequência apresentam maior risco de doença cardiovascular, segundo estudo publicado este mês no American Journal of Cardiology. Acompanhando, por 16 anos, mais de mil homens com média de idade de 50 anos e sem histórico de doença cardiovascular no início do estudo, pesquisadores americanos descobriram que, comparados àqueles que disseram fazer sexo de duas a três vezes por semana, os voluntários que tinham relações sexuais apenas uma vez por mês ou menos tinham 45% maior risco de doença cardiovascular no período.
De acordo com os autores, esses resultados ocorriam também considerando fatores como idade e disfunção erétil – no princípio da pesquisa, 213 participantes apresentavam a impotência sexual. “Nossos resultados sugerem que uma baixa frequência de atividade sexual prediz (doença cardiovascular) independentemente de disfunção erétil, e que a triagem para atividade sexual pode ser clinicamente útil”, ressaltaram os autores na publicação.
Os pesquisadores avaliaram também o papel do desejo sexual e a capacidade para atividade sexual como possíveis fatores de risco cardíaco. E observaram que “homens que são sexualmente ativos provavelmente têm libido e capacidade para atividades físicas; então, a capacidade de fazer sexo poderia ser um marcador de saúde geral”. Além disso, a pesquisadora Susan Hall destaca que aqueles com atividade sexual regular têm maior probabilidade de estar em um relacionamento íntimo com um parceiro regular, o que poderia melhorar a saúde através do apoio social e da redução do estresse.
Baseados nos resultados, os especialistas apontam que os médicos podem ter pistas sobre a condição cardiovascular de um paciente perguntando a ele questões sobre sua vida sexual. “A mensagem para os homens é que a saúde sexual pode predizer a saúde cardiovascular, e os homens devem se consultar com seu médico se experimentarem disfunção erétil ou dificuldades sexuais”, concluiu a especialista.
Fonte: GazetaWeb

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Festival da Colheita na India

A capacidade da Imprensa local pelo sensacionalismo divulgou que na India uma rinha de passarinho fazia parte de um festival da colheita e mais nada. Para contrastar com essa Imprensa Abutre, eu recorro mais uma vez ao oráculo virtual [Google] para saber mais sobre os Festivais da Colheita na India.
A India deu as boas vindas à nova colheita na quinta em diversas formas culturais do Makar Sankranti, Pongal e Bhogali Bihu enquanto milhares fazem um mergulho sagrado no Ganges para marcar o fim do inverno pelo calendário hindu.
No Makar Sankranti, o dia começa com os devotos mergulhando nos rios sagrados em lugares como Haridwar no norte, Sagar no leste e Prayag no centro para adorarem o Deus Sol
Em Haridwar, milhões de hindus se reunem para dar seu mergulho sagrado no Ganges, marcando o começo do Maha Kumbh.
Milhares fazem a peregrinação anual ao monte do rio sagrado para se banharem neste dia considerado auspicioso e orarem no templo onde o sábio védico Kapil supostamente meditou.
Chamado de Makar Sankranti no nordeste da India, o festival é conhecido como Bhogali Bihu em Assam e Pongal no Tamil Nadu. Ele marca a transição do Sol em Makar (Capricornio) em seu caminho celestial.
No nordeste da india, o dia é marcado pelo banquete com pratos tradicionais de rapadura, semente de sésamo e chidwa (arroz achatado), yougurte e khichri (cozido com arroz recentemente colhido).
Empinar pipa é outro ritual importante que marca o dia. Em Gujarat, é celebrado como o começo de Uttarayan, quando as pessoas se reunem em seus terraços para empinarem pipas.
Pongal é celebrado pelos Tameis de uma forma grandiosa. Durante os quatro dias de festivais, diferentes variedades de rangoli [pintura com areia-NT] são desenhadas na frente das casas de manhã cedo.
A palavra Pongal, que literalmente significa "ferver", se refere ao arroz cozido em leite e rapadura. As duas variedades de Pongal - a salgada conhecida como "ven pongal" e a doce conhecida como "sarkkarai pongal" - são preparadas no segundo dia. Além da preparação do Pongal ou do arroz doce especial, o festival de Pongal é também o tempo para preparar algumas das delicias saborosas Tameis como Sakkarai Pongal, Payasam, Aval Payasam, Dal Payasam e Murukku.
Bhogali Bihu marca o fim da estação de colheita em Assam.
“Algumas das delícias suculentas servidas durante o Bihu são bolos de arroz, Til Pitha, Ghila Pitha, Xutuli Pitha, Sunga Pitha e Tekeli Pitha, lanches doces como Tilor Laru, Narikolor Laru e lanches de arroz Bora Saul, Komal Saul, Chira, Muri e Akhoi servidos com coalhada e rapadura”, disse Sarmistha Dutta, um nativo de Assam.
“De manhã cedo os membros da família e amigos se reunem próximo ao Meji - uma estrutura tradicional em forma de V feita de grama dos campos da colheita. Eles queimam e oferecem suas orações ao fogo para marcarem o fim da estação da colheita”, Dutta acrescentou.
O dia é marcado pela preparação do arroz recentemente colhido no este de Bengala e Orissa também - com as pessoas procurando por doces como Puli Pitha e Patishapta.[Thaindia News]

O culto de Helena

O local do culto de Helena pelas virgens espartanas era, certamente, uma ilhota no rio Eurotas. Localizada próximo ao santuário de Artemis Ortia, essa zona pantanosa, lugar de divisão era chamada de Platanistas, por causa  das árvores de plátano que, antigamente, a sombreavam.[pg 104]
Os rituais deviam ser intensos, frenéticos, palpitantes de energia juvenil. Dançavam duarnte as horas de escuridão, faziam uma pausa e voltavam pouco antes da aurora para prosseguir. Havia luzes de tochas, bebidas e banquetes suntuosos.[pg 104]
Esses ritos de orgia exclusivamente femininos foram imortalizados pelo poeta espartano Alcman. No século VII AC Alcman escreveu as Partênia, odes corais que grupos de meninas praticavam em segredo e depois cantavam nas competições de coros ou de ginástica. Essas Partênia eram parte central da educação das jovens espartanas, aprendidas e executadas pelas sucessivas gerações.[pg 105]
No século III AC, os greco-macedônios Ptolomeus, que controlavam a efervescente corte em Alexandria, patrocinavam numerosos poetas. Um deles, Teócrito, escreveu com ternura sobre a rainha espartana. Em seu Epitalâmio para Helena ele descreve as moças espartanas, prestes a atingir a maturidade sexual, reproduzindo o momento em que a jovem Helena se casou. Essas canções nupciais passaram a ser, por sua vez, cantadas pelas jovens espartanas nas vésperas de seus próprios casamentos.[pg 137]
No prosseguimento do poema, as virgens encharcam de azeite de oliva o solo em torno de uma árvore sagrada e gravam em sua casca o nome de Helena.[pg 138]
A idéia de epifania, literalmente a "revelação" de um espírito divino, é a essência da prática religiosa tanto em Creta quanto no continente. Na Grécia micenense, os espíritos divinos ferquentemente preferiam "revelar-se" às mulheres das classes elevadas.[pg 165-166]
Quando as mulheres de Micenas dançavam, ou sacudiam as árvores, ou deixavam-se cair sobre os altares, as divindades se materializavam no céu em forma de pombas ou estrelas cadentes.[pg 166]
Entalhes de marfim, afrescos e anéis de ouro mostram que, pelo menos em ocasiões especiais, como comemorações cívicas ou rituais religiosos, as mulheres da ristocracia tinham os seios nus ou cobertos com um tecido muito fino de seda ou linho e não há motivo para imaginar que uma rainha espartana se vestisse de maneira diferente.[pg 173]
Fossem ou não sexualizados, os seios femininos eram com certeza idolatrados na Idade do Bronze. As mulheres da fase tardia aparecem com os seios nus durante os rituais que envolviam árvores e plantas, numa clara associação da figura feminina madura com a celebração da fertilidade e da procriação.[pg 173]
Os indícios materiais sobre a religião na pré-história são limitados e qualquer descrição genérica do culto terá de conter uma parte de análise e duas de especulação.[pg 433]
O problema é que quando o contexto arqueológico é relativamente escasso, os indícios podem ser manipulados para sustentar praticamente qualquer teoria.[pg 444]
Mas, na verdade, há tantas maneiras diferentes de interpretar as figuras quantas são as formas de seus corpos. Embora esse erro tenha sido cometido no passado, seria demasiadamente simplista presumir que tenham um significado constante e uniforme.[pg 444]
Quando vejo a amplitude das figuras femininas e a variedade dos contextos em que foram encontradas, o que me impressiona não são somente suas semelhanças, mas suas diferenças. Não vejo uma uma Mulher-Deusa onipotente, a equivalente pré-histórica de Allah ou Yahveh, como única titular da devoção da Idade da Pedra. Para mim é um erro projetar no passado distante nossa visão monoteísta do mundo.[pg 448]
Grande parte do mundo do Mediterrâneo oriental na Idade do Bronze era animista, acreditava na existência de uma abundância de animae, de forças vitais, em forma de espírito.[pg 449]
No mundo antigo, a linguagem usada para designar a abundância da natureza era altamente passional e abertamente sexualizada. Acreditava-se que a agricultura fosse filha do amor do hiero gamos, a sagrada união entre o céu e a terra. O desejo de fertilidade e o desejo sexual estavam intimamente ligados. Grande parte da adoração tributada a Helena é adequada ao culto de algum tipo de divindade da natureza. A iconografia da Idade do Bronze sugere que a alta sacerdotisa e seus acólitos tinham o dever de convocar todos os recursos a fim de manter a terra fecunda e produtiva.[pg 449]
Trechos coletados e montados a partir do livro "Helena de Tróia", de Bettany Hughes.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Recursos políticos

Eu comecei os tópicos deste ano falando de que este ano é ano eleitoral. Pois bem, no México, a preocupação dos políticos locais com o poder os levou a usar de um recurso politico interessante.
Alguns presidentes mexicanos e atuais dirigentes políticos como Beatriz Paredes, o governador de Veracruz, Fidel Herrera, e o ministro de Segurança, Genaro García Luna, recorrem à magia e aos bruxos para conquistar poder político, disse neste sábado à Agência Efe o escritor e jornalista José Gil Olmos.
Em seu novo Livro "Los brujos del poder 2", pela editora Random House, Gil revelou os costumes dos políticos que apelam ao esoterismo e as forças sobrenaturais para retirar de seu caminho adversários e inimigos, assim como conseguir suas metas pessoais "custe o que custe".
Em seu primeiro livro "Los brujos del poder 1", Gil descreveu as andanças e peripécias com bruxos, feiticeiros e apózemas de Marta Sahagún, mulher do ex-presidente Vicente Fox, assim como de Elba Esther Gordillo, líder vitalícia do sindicato de professores do México, a maior sindicalista latino-americana.
Gil contou que neste segundo livro relata como a atual presidente do Partido Revolucionário Institucional (PRI), Beatriz Paredes, recorreu ao bruxo Wenceslao Flores Xala, conhecido como "El Gato Negro", para que com um feitiço pudesse superar "as más vibrações" e recuperar o poder político.
O autor contou como o bruxo que atendeu a Paredes a levou a um "lugar sagrado" em uma floresta próxima a Catemaco, no estado de Veracruz, no Golfo do México, onde realizou um feitiço de magia negra e invocou aos "espíritos dos grandes homens" para que a ajudassem a alcançar o poder que tanto desejava.
Além disso, Xala afirmou ao autor que rezou à Santa Morte para reforçar os planos políticos da atual líder nacional do PRI.
"Levei-a ao meu templo e aí realizamos o rito, sacrifiquei uma galinha preta e fiz as invocações necessárias", disse o bruxo a José Gil.
O feiticeiro explicou que as invocações duraram nove dias consecutivos para que Beatriz Paredes tivesse poder e sabedoria para enfrentar seus inimigos.
O bruxo considerou que o cargo atual e o poder que ostenta Paredes é resultado da intervenção de sua magia.
Gil destaca que o livro mostra que a classe política "é muito inculta e em momentos de crise como o atual cresce o misticismo e esoterismo".
Entre os outros personagens que desfilam pelo livro está o atual ministro da Segurança Pública federal, Genaro García Luna, quem, afirmou Gil, cada vez que sai de alguma missão faz uma encomenda ao "Ángel da morte", uma figura que, segundo o autor, tem em um altar instalado em seu escritório junto com outra da Santa Morte.
Um personagem que desponta como forte adversário para as eleições presidenciais de 2012 é o atual governador do estado do México, Enrique Peña Nieto, quem, segundo o autor, confia em uma profecia de uma vidente que previu há décadas que um membro do povoado de Atlacomulco, ao qual ele pertence, se transformaria em presidente.
Entre os obstinados fiéis no ocultismo e nos bruxos está o governador de Oaxaca, Ulises Ruíz, quem foi assessorado por dois bruxos durante a crise política em seu estado em 2006 pelo movimento da Associação Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), que manteve cercado o centro da capital durante quase seis meses.
Uma das povoações mais conhecidas como sede é Catemaco, no estado de Veracruz, lugar por onde passaram a maioria dos políticos e funcionários de diversas posições ideológicas como Carlos Salinas de Gortari, José Córdoba Montoya, Pedro Aspe, Beatriz Paredes, Cuauhtémoc Cárdenas e Andrés Manuel López Obrador.[EFE]

sábado, 9 de janeiro de 2010

As Janeiras

As Janeiras ou cantar as Janeiras é uma tradição em Portugal que consiste na reunião de grupos que se passeiam pelas ruas no início do ano, cantando de porta em porta e desejando às pessoas um feliz ano novo.
Realizam-se em Janeiro. Este mês era consagrado a Jano, o Deus das Portas e das Passagens. Era o Porteiro dos Céus e por isso muito importante para os Romanos que esperavam a Sua protecção. Era-Lhe pedido que afastasse das casas os espiritos maus, sendo especialmente invocado no Seu mês, o primeiro.
Era tradição que os Romanos se saudassem em Sua honra no começar de um novo ano e daí derivam as Janeiras.
O Dicionário da Porto Editora (4ª Edição) define Janeiras como “Cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”.
Assim sendo, não podemos deixar de relacioná-las com Janeiro, o primeiro mês do ano, assim chamado em honra do Deus Jano (de janua = porta, entrada). Este Deus ocupa um lugar muito importante na mitologia romana, sendo o Seu nome invocado antes de Júpiter. Jano é o Porteiro Celestial, e, consequentemente, o Deus das Portas, que as abria e fechava, esperando-se a Sua protecção na partida e no regresso. Considerado um Deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos e não podia deixar de ser invocado no mês de Janeiro, começo do novo ano. Em Sua honra aproveitariam os Romanos para se saudarem uns aos outros. Parece, portanto, que as Janeiras têm origem nesses cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e que se foram transmitindo de geração em geração.
A tradição geral e mais acentuada, é que grupos de amigos ou vizinhos se juntem, com ou sem instrumentos (no caso de os haver, são mais comuns os folclóricos: pandeireta, bombo, flauta, viola, etc.). Depois do grupo feito, e de destribuídas as letras e os instrumentos, vão cantar de porta em porta pela vizinhança.
Terminada a canção numa casa, espera-se que os donos tragam as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, chouriço, morcela, etc. Por comodidade, é hoje costume dar-se chocolates e dinheiro, embora não seja essa a tradição).
No fim da caminhada, o grupo reúne-se e divide o resultado, ou então, comem todos juntos aquilo que receberam.
As músicas utilizadas, são por norma já conhecidas, embora a letra seja diferente em cada terra.
Copiado do Gladius, que citou do wikipédia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

2010 é passado

Todo ano que inicia mostra, em seus primeiros dias, sua personalidade e 2010 começou com chuvas fortes, alagamentos, enchurradas, desmoronamento, tragédia.
Em todos os anos, os dezembros foram todos iguais. Se desejam Feliz natal, se compram presentes, em uma semana distribuímos o amor e o carinho sonegado no resto do ano. Se desejam Feliz Ano Novo, se faz um balanço do que se prometeu e do que se realizou, em uma semana refazemos os sonhos, os planos e as esperanças. Como se amor e carinho fossem medidos por presentes. Como se sonhos e planos fossem garantidos por comemorações.
Por isso vou adiantando aos brasileiros que o ano de 2010 é um ano que nasceu velho, será igual aos anos anteriores. Passaremos o ano todo nos iludindo que dessa vez nossos planos e esperanças vão vingar, mas tudo que veremos será uma retrospectiva. Continuaremos pasmos diante do desfile dos políticos, corruptos, oportunistas, omissos e negligentes. Continuaremos fazendo de conta que isso não é problema nosso [e estamos em ano eleitoral!] e que os nossos políticos são um reflexo de nossa sociedade. Continuaremos nos movendo de escândalo a escândalo, de tragédia em tragédia, de conformismo a conformismo, de comodismo a comodismo. Continuaremos cegos, surdos e mudos diante da miséria, da fome e da morte de milhares de inocentes. Continuaremos a nos dobrar sob o jugo da Igreja que não segue o que prega. Continuaremos a alijar parte da humanidade por questões de gênero, etnia, origem, religião, sexualidade.
Passados 50 anos da Contracultura, pouco ou nada mudou e rumamos feito gado ao mundo da economia globalizada, onde o poder financeiro será o único poder. Passados 50 anos da Revolução Sexual e ainda discutimos coisas básicas, como educação sexual, planejamento familiar, métodos contraceptivos, identidade de gênero e preferências sexuais. Passados tantos anos depois do colapso da Igreja, do aparecimento do movimento Protestante, do enorme avanço da ciência e da tecnologia, mas o fundamentalismo e o fanatismo estão cada vez maiores e mais presentes, os Cristãos continuam a se deixar guiar por grupos que disputam o poder de um sistema religioso decadente.
Caro concidadão brasileiro, se você está vendo alguma luz no fim do túnel, cuidado, pois é o trem vindo em sua direção.