quarta-feira, 31 de março de 2010

A festa do coelho e do cordeiro

E por falar em feriado, como funcionário público e pagão, eu tenho que agradecer ao Governo por ignorar a constituição e me conceder um feriado prolongado a partir de amanhã [o feriado é chamado de "Endoenças"]. Então, antes da Sexta Santa [Paixão de Cristo], do Sábado de Aleluia [Malhação do Judas] e do Domingo de Páscoa [Ressurreição de Cristo], eu achei por bem explicar o que esse feriado religioso cristão tem a ver com coelhos, ovos, primavera, fertilidade.
Usando o oráculo virtual [Google] eis que eu encontro um texto excelente, vindo de um cristão fundamentalista!
De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Easter.
Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.
Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos.
Antes do nascimento de Jesus, alguns povos do norte da Europa cultuavam uma deusa chamada Eostre, a deusa de Fonte, Fertilidade e da Vida. Anualmente, a cada primavera eles promoviam um festival em honra a ela. Este festival comemorava a chegada da "nova vida" (entenda-se reencarnação) e se chamava Easter derivando de seu nome.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.
Trata-se do Sabbat do Equinócio da Primavera, também conhecido como Sabbat do Equinócio Vernal, Festival das Árvores, Alban Eilir, Ostara e Rito de Eostre, é o rito de fertilidade que celebra o nascimento da Primavera e o redespertar da vida na Terra. Nesse dia sagrado, os Bruxos acendem fogueiras novas ao nascer do sol, se rejubilam, tocam sinos e decoram ovos cozidos - um antigo costume pagão associado à Deusa da Fertilidade.
Como a maioria dos antigos festivais pagãos, o Equinócio da Primavera foi cristianizado pela Igreja na Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa (em inglês "Easter", nome derivado da deidade saxônica da fertilidade, Eostre) só recebeu oficialmente esse nome da Deusa após o fim da Idade Média.
Na realidade, tanto o ovo quanto a lebre de Páscoa são muito mais antigos que o cristianismo. Já os povos antigos consideravam o ovo como o portador da vida, como a célula misteriosa que dá origem a todos os seres vivos. O ovo era o símbolo da força vital e presenteá-lo era o mesmo que desejar a uma pessoa saúde e longa vida. E nesta sua própria natureza, de berço do nascimento e da procriação, encontramos, também, o elo de ligação que o prende na festa da Páscoa.
Nos povos germânicos antes do nascimento de Cristo se venerava "Ostera" ou "Ostara" como deusa da fertilidade e da fecundidade e a sua festa era na primavera do hemisfério norte, ou seja na estação em que a natureza, depois de um sono hibernal profundo e semelhante à própria morte, renasce com toda a força para uma nova vida. E nada parece mais natural do que ligar o uso de presentear ovos à festa daquela deusa, cuja razão e natureza tinham a mesma significação: de ser o símbolo da continuidade da vida pelo nascimento.
Os ovos, desde tempos antigos, são símbolos de fertilidade, sexo e vida nova (entenda-se reencarnação). Sempre foram elementos importantes nas celebrações da estação da primavera pagã.
Os ovos, que obviamente são símbolos da fertilidade e da reprodução, eram usados nos antigos ritos da fertilidade. Pintados com vários símbolos mágicos, eram lançados ao fogo ou enterrados como oferendas à deusa. Em certas partes do mundo pintavam-se os ovos do Equinócio da Primavera de amarelo ou dourado (cores solares sagradas), utilizando-os em rituais para honrar o deus Sol.
Ostera e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.
A pintura dos ovos com cores vivas simboliza as cores trazidas pelo Sol na Primavera. A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, levada pelos cruzados - era prática comum entre egípcios, persas, fenícios, gregos e romanos pintar ovos para oferecê-los como presente em seus festivais de Primavera.[Breve Ele virá]
Seja qual for o seu caso ou a sua preferência, caro leitor, Feliz Páscoa, Feliz Ostara, Feliz Primavera!

Feriado religioso é inconstitucional

Celebrar com feriado a Semana Santa é inconstitucional. Assim determina a Carta Magna de 1988, que define o Brasil como um Estado laico, sem religião oficial. Na prática, cumprir esse dispositivo torna-se extremamente difícil porque a cultura religiosa é muito arraigada no país, especialmente quando se trata do catolicismo.
Há incontáveis evidências de que as instituições brasileiras fecham os olhos para a Constituição ao privilegiar a Igreja Católica, Apostólica e Romana. Exemplo recente desse procedimento é a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Decreto Legislativo 698/2009, que estabelece o Acordo entre a República Federativa do Brasil e o Vaticano relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil.
Esse Acordo representa, à luz da Constituição, um atentado perpetrado contra o Estado laico, que, por definição, não pode ter preferência por nenhuma religião. Permite que a Igreja Católica meta-se na vida civil e privada dos brasileiros em geral, independente das opções religiosas individuais.
A Semana Santa, que culmina com a Páscoa, é uma celebração associada à religião católica e algumas outras religiões. Portanto, é inconstitucional a decretação de feriado nesse período. Trata-se de um precedente para que sejam oficializados feriados também para homenagear os Orixás, o budismo e as demais religiões.
A preferência do Estado pela Igreja Católica certamente causa incômodo a um comerciante protestante ou de qualquer outra religião que é obrigado a fechar seu estabelecimento em reverência à Semana Santa, à padroeira Nossa Senhora Aparecida ou a outros santos católicos. Da mesma maneira, sem dúvida seria desconfortável para um colégio católico ter de interromper suas atividades para render homenagens ao “Dia dos Orixás”, ao “Dia de Buda” ou ao “Dia de Chico Xavier”.
O Estado brasileiro permite que a Igreja Católica (a maior latifundiária do país) seja beneficiada não apenas com feriados, mas também com isenção e redução de impostos, entre outras regalias. Existe, em meio a tantas outras benesses, um dispositivo legal que trata do arcaico “laudêmio”, um estatuto medieval que favorece a Igreja como proprietária de terrenos e casas. É uma importante fonte de renda garantida pelo Estado à cúpula da religião católica.
Todas as manifestações religiosas devem ter os mesmos direitos, registra claramente a Carta Magna em alíneas e parágrafos de seu artigo 5º: “é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança”, bem como “criar distinções entre brasileiros e preferências entre si”.
Autor: Luiz Pompe
Fonte: Tudo Global

Inicia a florada da cerejeira

Quando chegar ao país, ligue a TV e verá: em qualquer canal há boletins diários pormenorizados sobre a frente de floração ou sakura zensen (uma vez que o desabrochar avança por regiões) que as pessoas seguem diária e atentamente.
Ainda que tudo na civilização nipónica seja de uma dosagem exacta e de uma precisão milimétrica, neste caso a minúcia da atenção é requisito crucial.
Trocando em miúdos: a delicadeza rosada e invulgar da sakura é tão bela quanto efémera. Dura nos galhos pouco mais de uma semana e por isso é fundamental estar no local certo, à hora certa, se quiser presenciar o espectáculo antes que as folhas irrompam no lugar dos botões.
Acerte o relógio com a Natureza
Como este Inverno as temperaturas desceram demasiado, as previsões da Agência Meteorológica do Japão garantem que as árvores da espécie someiyoshino, as mais comuns entre uma variedade que ultrapassa as 200, vão ficar carregadas um pouco mais tarde. O 'sakura' florescerá primeiro em Shizuoka, Kochi e Oita, ainda em Março. Uma semana depois será a vez da região de Tóquio. Nos locais mais frios, ao norte do arquipélago, as flores de cerejeira só começam a aparecer a 11 de Abril.
Céu em flor
A escolha do local ideal é mais fácil. As cerejeiras abundam no Japão e, regra geral, o espectáculo pode ser observado em qualquer campo, jardim, avenida ou praça, já que decoram todos os espaços públicos e fachadas.
Importante mesmo é acordar cedo e despachar-se, porque os japoneses saem massivamente de madrugada para guardar lugar e arrisca-se a não ter onde pôr um pé. A tradição recomenda uma manta para estender na relva.
Sucedem-se piqueniques ao ar livre e os Festivais Hanami. Predominam canções acentuadas na flauta de bambu e mercados de flores. Última dica: fique para a noite porque é costume iluminar as árvores.[Destak]
Festas e eventos estão sendo realizados no Japão para aproveitar a temporada de flores de cerejeira. Durante o curto período em que as flores aparecem, os japoneses lotam os parques e realizam festas sob as árvores.
As flores de cerejeira, chamadas de "sakura" no Japão, são associadas como recomeços, já que surgem no mesmo período do início das aulas e do ano fiscal japonês, no dia primeiro de abril.
Alguns japoneses dizem que a natureza efêmera e frágil dessas flores, que logo são arrancadas pelas chuvas da primavera, são uma importante lembrança de como a vida também é passageira.[Folha]

segunda-feira, 29 de março de 2010

Contra a Patrulha Gastronômica

Ainda bem que nenhum vegan ou pagão me convidou para fazer um texto em prol do "Dia Sem Carne". Sim, eu gosto de ser do contra e remar contra a maré. Eu detesto que me digam o que pensar, o que vestir, o que comer. E eu detesto ser doutrinado.
Mas se alguem me convidar para um churrasco em comemoração ao "Dia da Liberdade Gastronômica", aqui vai uma boa noticia aos onívoros e pessoas sensatas que não esqueceram que o consumo de carne foi um dos elementos que fez com que a nossa espécie fosse bem sucedida.
Pesquisador afirma que diminuir o consumo de carne e laticínios não traz impacto real no combate ao aquecimento global.
A conclusão foi apresentada no início da semana durante o 239º Encontro Nacional da Sociedade Americana de Química.
Apesar das alegações de que a criação de animais gera muitos gases causadores do efeito estufa, o perito em qualidade do ar, Dr. Frank Mitloehner, da Universidade da Califórnia-Davis, disse que culpar vacas e porcos é cientificamente errado e impede que a sociedade foque em soluções efetivas para combater o problema.
Para ele, cortar o consumo de leite e carne significaria apenas mais fome em países pobres – e não diminuição do aquecimento. O foco deveria ser em agricultura e pecuária inteligente, adotando praticas para produzir mais comida com menos emissões.[Info Abril]
Comer menos carne não reduzirá o aquecimento global, e aqueles que sustentam esta teoria desviam a atenção da sociedade sobre as verdadeiras causas das mudanças climáticas, afirmou nesta segunda-feira um especialista americano.
"É claro que podemos reduzir nossa produção de gases nocivos, mas não consumindo menos carne ou leite", afirma Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar da Universidade da Califórnia-Davis, durante uma conferência da American Chemical Society, na Califórnia.
No estudo, Mitloehner insiste em desmetir certos informes, incluindo um publicado em 2006 pelas Nações Unidas, que supervaloriza o papel dos animais no aquecimento global.
Recentemente, uma campanha europeia com forte apoio do ex-Beatle Paul McCartney, ativista vegetariano, defendia o slogan "Menos carne = menos aquecimento".
"McCartney e os demais têm boas intenções, mas não possuem bons conhecimentos nas complexas relações entre as atividades humanas, a digestão animal, a produção de alimentos e a química atmosférica", declarou Mitloehner.
Os países em desenvolvimento "teriam que adotar modos de lidar com o gado mais eficazes, ao estilo ocidental, para produzir mais alimentos com uma menor produção de gases de efeito estufa", acrescentou o cientista.
"Produzir menos carne e leite levará apenas mais fome aos países pobres", concluiu.[AFP]
And last but not least:
As razões apontadas para ter-se uma dieta isenta de carne beiram o fanatismo religioso. Em um mundo perfeito, onde as vaquinhas viverão em harmonia conosco, o meio-ambiente será preservado, a terra irá parar de aquecer e, provavelmente, o Sol irá manter seu estoque de Hidrogênio eternamente, não acabando com a vida, inclusive das vaquinhas, até Marte.
1.Carne tem gosto bom, só um masoquista para afirmar que prefere alface à uma boa picanha pingando sangue.
2.Você não vai reduzir o risco de adoecer comendo [vegetais], há milhares de doenças prontas para atacá-lo a qualquer momento.
3.Bob Marley era vegetariano e morreu de câncer, usando apenas métodos naturais de tratamento.[Fim da Várzea]
PS: Em vermelho, uma pequena correção no texto do blog Fim da Várzea, que eu achei necessário para fazer sentido.
PS²: Não posso deixar de recomendar o meu artigo "Fator Disney".

sábado, 27 de março de 2010

Rebelde vs domesticado

"Vivemos em um mundo onde precisamos nos esconder para fazer amor enquanto a violência é praticada em plena luz do dia". [John Lennon]
Pense: "Nossa Sociedade" não encontrou a fórmula da felicidade e muito menos de como devemos funcionar direito. Os ratos funcionam, os gatos, o sol, a lua, os cupins funcionam – tudo funciona, menos a "Sociedade". Os tigres, as formigas, as amebas, tudo funciona no universo menos a "sociedade" e suas regras reacionárias, retrógradas e autoritárias. O rebelde não permite nenhuma atitude autoritária em sua vida. Minha sugestão a fim de talvez funcionarmos direito seja despertar o rebelde de dentro de nós. Ser um absoluto rebelde dos valores dos pseudos dirigentes.O rebelde pode ser realizado por qualquer um na hora que quiser. Ele está aí dentro de ti pronto para ser despertado. Sua alma é rebelde. É livre. Para voltar a encontrar essa felicidade natural é necessário apenas rever os valores absurdos que a "Sociedade", junto com algumas crenças religiosas, os retrógrados em geral, os políticos, os criadores de leis anti éticas e estúpidas nos induziram a aceitar. A rebeldia é uma porta para transformar tudo isso.
O rebelde não aproveita quase nada de "Nossa Sociedade Velha" os velhos políticos, as velhas religiões, as velhas leis, as velhas constituições.
O rebelde não é um revolucionário, pois, o mesmo é um político, o rebelde é vivencial – só incorpora em sua vida aquilo que é belo, equilibrado, prazeiroso, lúdico (lembre-se do convite que só as crianças entrarão no reino de Deus).
O rebelde não aceitará líderes de partido algum e sim pessoas criativas, celebrativas, inteligentes e conscientes. – o rebelde não acredita em nada disso da sociedade – aliás ele nem acredita nessa palavra sociedade que é simplesmente um conjunto de leis que todos sabem que ninguém cumprirá e só punirá os pobres e humildes.
O rebelde é sua própria luz, ouve a voz do coração e não deixa entrar em seus ouvidos pregações. Hoje o mundo tem tantos pregadores e está cada vez pior. O rebelde aceita sua própria natureza – tem confiança em si mesmo – e não em crenças e dogmas do passado. O rebelde renuncia ao passado, renuncia a sociedade vivendo dentro dela - lutando, tendo idéias, criando comunidades – ele não é um escapista e sim alguém que vive no mundo sem pertencer a ele.
O rebelde busca a verdade e não segue ordens que considera absurda. O homem "comum", o "Zé Ninguém" transformou o homem na criatura mais feia, estúpida e infeliz do universo. O "Zé Ninguém" sofre tanto que nos últimos anos busca uma série de elementos para distrair a sua miséria: Festivais, Solidariedades, Religiões, Álcool, Drogas, Novelas, Futebol, Carreira Profissional, Pornografia, Internet, tudo isso para parecer que a vida miserável dessa pessoa valha a pena, mais tudo isso é uma mentira e o novo rebelde tem sua própria verdade.
A "Sociedade" ensina as pessoas a não pensarem no que é real, verdadeiro e as pessoas respeitam leis que muitas vezes só são benéficas para um monte de parasitas e endinheirados. Os alemães cumpriram ordens quando mataram milhões, os chineses cumpriram ordens quando mataram milhares de tibetanos, os americanos cumprem ordens quando fazem um embargo no Iraque que gera morte e fome entre crianças. No Brasil nós pagamos 50% de impostos quando compramos um carro e se não pagarmos aos parasitas do poder (mensalão, corrupção, ambulâncias,etc) somos severamente punidos.
O rebelde não vai aceitar mais isso e nem Zona Azul, Vereadores, Impostos Injustos, Leis que Proibem Ervas Naturais e permitem Bebidas alcoólicas (que presidentes de alguns países bebem) e nenhuma forma de poder que seja autoritária e reacionária.
O rebelde não é um robô que não pensa, ele não segue a massa, ele tem e busca sempre mais sua consciência e iluminação – ele não fica imitando ninguém e sua vida emerge do seu próprio interior. Ele tem as suas raízes na terra e os seus ramos no céu, ele não está preso a nenhuma filosofia teologia ou ideologia ele está em contato com sua própria Luz e livre de tudo que existe de podre.
Vamos viver nesse mundo de maneira mais solta, com liberdade e harmonia com elefantes, gorilas, cangurus, ratos, baleias, sapos, etc.
As vezes é bom observar que pode não haver nada de errado com você, com seu self (alma) mas sim com a cultura/sociedade que seguimos. Você várias vezes já se perguntou: "O que há de errado comigo?" Entenda que um dos objetivos desse artigo é lhe dar uma notícia Maravilhosa: O problema não está em você se você seguir seu coração e ser um Rebelde. Não há nada errado com você e sim com a sociedade dos "Zé Ninguém", dos engravatados, da revista Caras, dos Phd’s, das "Universidades", dos diplomas, das leis injustas, da justiça lenta e retrógrada, dos milionários, retrógrados e materialistas.
O rebelde é auto- suficiente, não é seguidor de nenhuma crença, portanto, não coloca a culpa de possíveis fracassos pessoais num mestre, guru ou messias.
O rebelde não imita ninguém – ele escolhe um modo de vida pulsante – com responsabilidade, mas com tesão e liberdade.
O rebelde não é o "Zé Ninguém" que fica preso a uma carreira que odeia, a uma família que o castra a relacionamentos afetivos cheios de ciúmes, posseção, autoritarismo e sem amor, a supostas "Seguranças Sociais".
A última lição ao rebelde é que se entenda que tudo em nossa vida é transitório, menos a morte, portanto não tenha medo de ser feliz, de ser você, de ser total é fazer tudo aquilo que é capaz – jogue o lixo de sua vida no lixo e aproveite o que te deixa feliz.
[Templo da Lua]
PS: O texto do John Lennon foi inserido por este pagão que vos escreve, após uma visita no blog da Musa [Nana Odara].

Mulher - a Grande Iniciadora do Amor

Por Chandra Veeresha & Anand Milan
Todas as tradições exotericas antigas, viam a mulher como a "protetora" do potencial criador; a personificação da sensualidade; uma Deusa que era reverenciada pela capacidade de "dar a Luz"; de trazer consigo o "renascimento".
Na atualidade, os homens tornaram-se "o centro das atenções", em quase todas as culturas do mundo, restando poucas, como o Tantra que ainda aceita a mulher como "A Grande Iniciadora do Amor".
Com os homens no Poder, muitas mulheres, ainda que inconscientemente (outras com total consciência de seus atos) tem tentado retomar seu espaço na sociedade, aderindo a movimentos feministas (totalmente agressivos), levantando bandeiras de certo ou errado e indo aos meios de comunicação defender seus idéias extremistas, quando na verdade, mal percebem que estão sendo influenciadas pela visão patriarcal predominante e perdendo sua feminilidade.
"A mulher é a Iniciadora, a que dá a luz, a evocadora do prazer para os 3 mundos, a amável e compassiva. Como objeto dos 5 sentidos, a mulher é dotada de forma Divina." ChandaMahaRosana Tantra
O Tantra chegou ao Ocidente justamente para devolver à mulher o seu Poder Pessoal, a sua passividade e a sua intuição.
Lutar, Guerrear e impor são atitudes machistas que devem ser evitadas, de todas as formas, pela mulher. Entenda que estamos falando de atitudes interiores relacionadas ao Masculino e Feminino e não do comportamento corporal do homem ou da mulher.
Diante da nossa criação cultural e religiosa, cheia de aprisionamentos e repressões, onde o "menino" é visto e criado com maior liberdade comportamental, a "menina" aprende a se manter submissa aos caprichos machistas e quando cresce essa submissão é vivenciada no ato sexual; um momento que deve ser usado como alavanca do corpo à consciência superior, mas que é facilmente desperdiçado.
Geralmente ela se vende em troca de carinhos, cheios de "segundas intenções", submetendo-se a todo tipo de tratamento.
Na busca por um relacionamento ideal e duradouro, muitas vezes são humilhadas pelos seus parceiros.
O comportamento machista, visa "receber prazer" a todo custo e uma grande parte dos homens esqueceram de que a mulher também necessita de prazer.
"Em todos os momentos, seja lavando os pés ou comendo, enxaguando a boca, esfregando as mãos ou guarnecendo os quadris com uma tanga, saindo, conversando, andando, ficando de pé, sentindo raiva, dando risada, o homem sábio deve sempre adorar e honrar a mulher." Hevajra Tantra
Quando o homem compreende que a mulher deve ser vista e reverenciada como uma Deusa, ele se eleva e desperta em si a energia Shakti; a própria energia feminina. E quando uma mulher compreende o seu papel de "Geradora da Vida" e "Iniciadora do Amor", ela também se eleva e leva consigo o seu amante.
"O Poder da Iniciação da mulher é enorme e baseia-se essencialmente na atitude mental, quanto ao misticismo sexual. Assumindo um papel ativo e explorando toda uma variedade de segredos sexuais em seus relacionamentos, a Mulher pode conceder poder transcedental ao parceiro. Este poder, a forma elevada de Shakti, é a expressão direta da intuição aberta; uma energia de sabedoria, espontânea e alegre que pode romper todas as barreiras. A mulher deve confiantemente, iniciar o seu parceiro na experiência mística. O sucesso depende da espontaneidade, da capacidade de confiar e render-se a ideais mais elevados e ao desejo sincero de dar algo especial ao seu amor". (Nick Douglas e Penny Slinger).
Dessa forma, sua Deusa interior dá a verdadeira iniciação ao Homem.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A lição dos ciclos

Apesar de banido da comunidade do orkut "Sociedade Wicca", eu acompanho os tópicos e me deparei com este, cujo título é "O verdadeiro desafio do sacerdócio":
Quando as pessoas buscam ingressar na Wicca estão preocupadas com uma coisa só: sua iniciação. Algumas de um ponto de vista menos esclarecido e mais superficial, se preocupam com iniciação porque é um requisito, do tipo que é ter diploma de alguma coisa para exercer uma profissão. Outras pessoas, mesmo quando mais esclarecidas, ainda assim estão focadas na iniciação, mas daí já tem uma idéia mais clara sobre a Iniciação ser um processo de transformação de vidas, o marco inicial de uma Vida Sacerdotal.
E as pessoas, mesmo as mais esclarecidas e que vão se tornando praticantes experientes, quando neófitas acham que o desafio maior é conseguir se iniciar.
Encaram mesmo o rito iniciático como uma colação de grau, algo que se esgota em si mesmo e da uma qualidade que a pessoa jamais perderá. Será verdade?
Claro que não: o enorme desafio do Sacerdócio se chama CONTINUIDADE, ou seja, você vai mesmo persistir por toda sua vida nessa escolha de ser uma Sacerdotisa ou um Sacerdote? Muita gente, muito entusiasmada nos primeiros anos, começa a perceber que o desafio é grande demais quando as Rodas começam a se acumular.
A primeira coisa que pesa é que SACERDÓCIO É SERVIÇO, contínuo e permanente aos Deuses, com todas as suas qualidades e o máximo de seus esforços. Nem sempre a Deusa exige isso todos os dias, mas muitas vezes exige sim, e por grandes períodos.
Pessoas que têm vocação sacerdotal sabem – ou deveriam saber - que sacerdócio se traduz em serviço. De muitos tipos e maneiras, mas sempre a inequivocamente SERVIÇO. Pode ser somente na sua cozinha ou em grandes ritos públicos, pode ser somente meditando ou tendo vocação para dar aulas... COMO o serviço é feito, somente a Deusa decide e isso muda de tempos em tempos.
Mas há algo que é comum a toda Sacerdotisa e Sacerdote: uma hora repetir os ritos toda lunação e sabbats, manter a roda girando, atender pessoas que nos procuram, servir o tempo todo pesa. A vida pessoal sofre, o laser é deixado de lado, o ócio é sacrificado, a convivência familiar diminui.
E não só o tempo que o Sacerdócio demanda é o problema. Há um problema maior: as vezes a gente desanima. O que antes dava muito prazer – armar altares, preparar feitiços , fazer meditações – não dá mais tanto prazer ou parece um fardo. Tudo fica sem graça, tudo parece difícil e não vemos resultados.
Isso não ocorre só com Dedicados, ocorre até comigo e com gente muito melhor e mais velha na bruxaria do que eu.
Sabem por que?
Porque “That ‘s Life”.
Porque a Roda da Vida tem CICLOS de desânimo e entusiasmo e nosso Sacerdócio, como TUDO que existe também tem. Uma hora estamos em cima, outra estamos embaixo. Como a Deusa me disse certa vez, não é difícil entendê-la, porque Ela na verdade tem uma só lição A LIÇÃO DOS CICLOS.
Então, quando estamos em baixa de entusiasmo, temos que compreender que é assim mesmo e persistir, porque a Roda vai girar e nos levará a outro ciclo de grande prazer com nosso sacerdócio. Basta esperar e aproveitar as lições e dadivas que o desânimo esconde e que somente ele pode nos revelar...
Isto é, SE E SOMENTE SE não esquecermos do porquê começamos tudo isso.
Lembra do Chamado? Lembra do dia em que você olhou a Lua e viu nossa Mãe? Quando olhou a árvore e viu o Green Man pela primeira vez? Olhou o Sol e viu o Senhor Chifrudo? Lembra?
O verdadeiro desafio do Sacerdócio é esse: seu amor à Deusa e ao Deus vencerá ano após ano os ciclos de desânimo, preguiça, problemas e medo? Você os compreenderá e aceitará serenamente ( mesmo reclamando, porque ninguém é perfeito) como parte de seu serviço e aprendizado?
Que cada um responda com sua vida.
Autora: Mavesper Cy Ceridwen.
Eu dei a este tópico o título de "A lição dos ciclos" porque a autora publica um texto primoroso em uma comunidade que defende a auto-iniciação, defende a mistura de panteões e omite ou ignora a existência do Deus. Algo está mudando. Eu espero que para melhor.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Feriados pagãos aprovados em escolas de New Jersey

Nesta manhã, a Secretaria de Educação de New Jersey aprovaram para sua lista de feriados religiosos. Pela primeira vez foi inlcuido os feriados pagãos e wiccanos, ou sabats. Isto marca que um Estado aprovou feriados pagãos no calendário estadual e dará um precedente para outros distritos e Estados pelo país.
Esta história começou com uma mãe enviando uma nota pedindo uma folga para sua filha para Yule em 2009. Quando Brianna voltou para casa naquele dia, foi com a lista dos feriados religiosos aprovados para as escolas de NJ e uma nota do subdiretor afirmando que eles dariam a Brianna autorização para faltar por causa do feriado religioso.
Noticiado no Examiner e citado no Gladius

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Acre no Altar

A revista Veja acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma base material, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingerido ayahuasca, levando-o a cometer o crime.
De forma irresponsável e leviana, a revista acusa o uso da ayahuasca como causa do crime e passa a agredir a história dos três líderes que, aqui no Acre, fundaram religiões amazônicas, de raízes indígenas: o mestre Raimundo Irineu Serra, o mestre Daniel Pereira de Matos e mestre Gabriel.

Na tentativa de dar base científica à reportagem, a revista Veja produz um Frankenstein de intolerância religiosa, de desinformação e de preconceito com religiões amazônicas e indígenas. Em nenhum momento cita um estudo científico, com suas fontes e suas provas acadêmicas.
Quando cita a Associação Brasileira de Psiquiatria, não apresenta nenhum especialista, nenhuma fonte demonstrativa ou qualquer prova do que escreve na reportagem. Apenas apresenta a caricatura de um "bacana" com transtorno psíquico, esquizofrênico, que fumava maconha, e que tinha uma mãe e uma tia-avó também esquizofrênicas.
Não apresenta outros casos semelhantes pelo Brasil afora. São mais de 200 centros, entre União do Vegetal e Santo Daime, com mais de 30 mil seguidores. Por que o caso Glauco deveria servir de regra para uma religião que já completou mais de meio século sem um único caso de violência ou morte entre aqueles que a praticam?
Aqui no Acre, entre as igrejas do Alto Santo, Barquinha e União do Vegetal, são milhares de seguidores gozando de elevada qualidade de vida, respeitados socialmente e livres das pragas do alcoolismo e do consumo de drogas.
Aqui no Acre, entre os seguidores do Santo Daime, da UDV e da Barquinha, há juízes e promotores, jornalistas renomados, deputados e prefeitos, médicos e economistas, empresários, professores de universidades, delegados, policiais, membros de academias e de instituições laicas e respeitadas.

Homens e mulheres que estudam, acessam as bibliotecas e estão informados sobre os avanços da ciência, as curvas da economia e da política e as reportagens fantasiosas, levianas, preconceituosas, anticientíficas e mentirosas de Veja.
Milhares de jovens escaparam das grades dos presídios e até da morte porque abraçaram a religião dos entes mágicos da floresta, das ancestrais aldeias indígenas e da fraternidade de viver como irmãos nos dias de louvor, sob a simplicidade de seus hinos e do consumo ritualístico da ayahuasca.
Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre os seguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião, entre milhares de seguidores.
A revista Veja deturpou tudo: a história e a resistência dos líderes religiosos, o papel espiritual e social que cumpre as igrejas ayahuasqueiras, a origem indígena milenar e a longa tradição de vida saudável de seus membros. A revista Veja só não esqueceu daquilo que está lhe ficando peculiar: escrever com preconceito e leviandade. Veja sequer respeitou a história.
A ayahuasca serviu como base para o estabelecimento de diferentes tradições espirituais por comunidades indígenas nos países amazônicos desde tempos imemoriais. Os povos indígenas utilizaram a ayahuasca como um elo imaterial com o divino que estava entre as árvores, os lagos silenciosos, os igarapés. É que, para eles, a natureza possuía alma e vontade própria.
Povos indígenas do Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, há quatro mil anos, utilizam a ayahuasca em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na Eucaristia e os indígenas bebem o peyote nas cerimônias sincréticas da Igreja Nativa Americana.
O uso ritualístico da ayahuasca é bem mais antigo que o consumo do saquê ou Ki, bebida sagrada do Xintoísmo, usada a partir de 300 a.C, feito do arroz e fermentado pela saliva feminina, sendo cuspida pelas jovens virgens em tachos.
As origens do uso da ayahuasca nos países amazônicos remontam à Pré-história. Há evidências arqueológicas através de potes e desenhos que nos levam a afirmar que o uso da ayahuasca ocorra desde 2 mil a.C.
A utilização da ayahuasca pelo homem branco é uma acolhida da espiritualidade das florestas tropicais, um banho de rio milenar e sentimental do tempo em que os povos amazônicos viviam em fraternidade econômica e religiosa.
Os ataques ao uso ritualístico-religioso da ayahuasca, como bebida sacramental, nos autoriza a afirmar que podem estar nascendo interesses menos inocentes e mais poderosos do que uma simples preocupação acadêmica com a utilização de substâncias psicoativas.
Nunca é bom esquecer que a ayahuasca é uma substância natural exclusiva das florestas tropicais dos países amazônicos e pode alimentar interesses econômicos relacionados a patentes e elevar a cobiça sobre a nossa inestimável biodiversidade.
Não custa nada ficar alerta para essa esquizofrenia da grande mídia em atacar o uso ritualístico-religioso da ayahuasca. É mais fácil roubar um pão numa padaria do que uma hóstia no altar, mesmo que os dois sejam feitos do mesmo trigo. Por que tanto interesse em dessacralizar o uso da ayahuasca?
A ayahuasca é uma combinação química simples e ao mesmo tempo complexa, que envolve um cipó e um arbusto endêmicos do imenso continente amazônico. Simples porque a sua primitiva química material da floresta é realizada por homens comuns, do pajé ao ayahuasqueiro dos templos amazônicos.
Complexa porque envolve a elevação de indicadores psico-sociais de qualidade de vida e ajuda a atingir estados ampliados de consciência dos usuários. Isso por si só já alça a ayahuasca a um patamar superior no plano do controle científico dessas duas ervas milenares.
Assim, a ayahuasca ganha contornos políticos por envolver recursos florísticos de inestimável valor psico-social e espiritual. Os seus usuários consideram o “vinho das almas” como um instrumento físico-espiritual que favorece a limpeza interior, a introspecção, o autoconhecimento e a meditação.
Utilizar ayahuasca aqui na Amazônia é beber do próprio poço de nossa ancestralidade e da magia que representa a nossa milenar resistência. Aqui na floresta, protegidos pelos entes fortes de nossa religião animista e natural, nossos ancestrais não precisaram “miscigenar” sua fé.
Não foi necessário fazer como os negros escravos, que deram nomes de santos católicos aos seus deuses africanos. Nossos ancestrais indígenas não precisaram batizar Iemanjá de Nossa Senhora ou Oxossi de São Sebastião para se protegerem da fé unilateral do dono da terra e das almas.
É que entre nós a terra era de todos e o único dono era o senhor da chuva, do orvalho e do sol. A beleza coletiva dos recursos naturais era compartilhada por toda a aldeia, do curumim ao sábio ancião.
A ayahuasca era a essência espiritual dessa convivência material fraterna e universal entre as árvores carinhosas, os riachos irmãos, os pássaros cantores, os peixes, as larvas, os insetos, as flores. A ayahuasca ancestral era o elo entre a terra e o espírito.
Se não fosse uma erva espiritual e mágica, trazida pelas mãos milenares dos povos indígenas amazônicos, ela não teria resistido ao tempo. Por isso é natural que a ayahuasca atraia cada vez mais o homem branco, esmagado pelo destrutivo modo de vida urbano, elitista, ocidental, capitalista.
A ayahuasca não é um chá que se consome como se bebe um líquido ácido qualquer. O seu uso é espiritual e envolve aqueles que o utilizam na mais límpida tradição de amar o próximo e reencontrar os valores que perdemos na caminhada do planeta que se dividiu em castas, cores, fronteiras e etnias.
Não entrarei no debate acadêmico sobre o uso de substâncias psicoativas por parte das religiões milenares, das eras pré-colombianas aos templos dos tempos atuais. Não tenho competência para debater os pontos de vista da medicina, da psicologia ou da etnofarmacologia. Ficarei apenas com os resultados do uso milenar da ayahuasca pelos povos indígenas.
A milenar história amazônica não registra casos de morte ou de seqüelas à saúde dos povos indígena por terem utilizado a ayahuasca. Nenhum índio, nesses séculos de consumo da ayahuasca, deu entrada no hospital dos brancos ou foi curado pelos pajés.
A ayahuasca não é "taliban", seus usuários não se constituem em nenhuma seita, eles não são fanáticos, não há um único caso de morte ou de castigo físico que tenha sido resultado do seu consumo ritualístico.
O uso ritualístico da ayahuasca não provoca transes místicos ou de possessão. Ela não age no organismo como a antiga bebida hindu, denominada soma, que se divinizou por afastar o sofrimento, embriagando e elevando as forças vitais.
Depois de 4 mil anos de uso sagrado e ritualístico da ayahuasca, os estudiosos da civilização ocidental erguem argumentos anêmicos e endêmicos de uma sociedade que tem medo do "contato" aberto do homem com a natureza. É que eles têm medo da relação amorosa entre o indivíduo e a natureza com os seus elementos poderosos e coletivos.
Os sábios e avançados incas utilizaram a ayahuasca para consolidar-se como povo, como nação e para ajudar no florescimento da cultura, da matemática, da agricultura e da astronomia. Não é qualquer planta ou cipó que faz um povo, uma história milenar, uma religião.
Só não puderam utilizar a sagrada ayahuasca para produzir metálicos fuzis, pois se assim fosse, não teriam sido dizimados pelos invasores espanhóis. Pizarro não consumiu o “cipó dos mortos”, por isso dizimou tantos guerreiros, mulheres índias, donzelas, pajés, curumins.
A ayahuasca resistiu, venceu os invasores e as suas crenças unilaterais, atravessou os séculos, os milênios, unificou as milenares gerações indígenas e suavizou a dor "civilizaria" das eras pós-colombianas.
A ayahuasca é a religião da terra para o céu, da matéria eterna e natural para o infinito do sonho humano, a religião natural. Uma verdadeira e única religião do Brasil, aliás, uma colossal e genuína religião amazônica e indígena.
Autor: Moisés Diniz. Fonte: Jornal Feira Hoje - O Acre no Altar

domingo, 21 de março de 2010

Feliz equinócio de outono/primavera!

Dependendo da fonte de notícia, hoje começa a primavera [hemisfério norte] ou o outono [hemisfério sul].
A primavera começa hoje no hemisfério Norte às 17:32 e vai prolongar-se até às 12:28 de 21 de junho, informa o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL).
A nova estação do ano terá assim uma duração de 92,75 dias: começa a contar desde a ocorrência do equinócio e dura até ao próximo Solstício, que anunciará o verão.
O equinócio é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. "A palavra, de origem latina, significa 'noite igual ao dia', pois nestas datas dia e noite têm igual duração”, explica o OAL.[Destak]
A chegada do outono será com sol e calor nos próximos dias. Conhecida como a estação que faz a transição do período quente e úmido do verão para o seco e frio do inverno, o outono - que começa oficialmente às 14h32 de hoje no horário de Brasília - deve começar a ser sentido mais para o meio do próximo mês.[Jornal Cruzeiro do Sul]
[O ano novo astrológico] sempre começa quando o sol entra no signo de Áries, no dia 20 de março. "O Sol é a representação da energia e centralização. Já Áries a constelação sinalizadora do começo, que estimula a coragem para novos desafios", afirma o astrólogo Sérgio Carmanhani.
A data também marca a chegada do outono, ou melhor, o equinócio de outono no Hemisfério Sul e o equinócio de primavera no Hemisfério Norte. Para entender melhor é preciso saber antes o significado de equinócio, palavra derivada do latim aequinoctium ("noite igual" em português), que se refere ao momento do ano em que a duração do dia é igual ao da noite sobre toda a Terra. "Astronomicamente isto se dá quando o Sol na sua caminhada (seu movimento anual) corta o Equador Celeste, apresentando declinação de 0º, iluminando igualmente as duas partes do globo terrestre, fazendo com que o dia e noite tenham a mesma extensão de tempo". Sérgio diz que na astrologia esse momento é chamado de "ponto venal", que marca a entrada do sol no signo de Áries.[Vila Astral]
O ano começa hoje, também, nos países da Ásia Central, onde é celebrado o Norouz.
Enquanto isso, Pagãos, Bruxos e Wiccanos celebram ora Ostara, ora Mabon.
Como eu sou pagão e brasileiro, prefiro simplesmente desejar a todos um feliz equinócio de outono.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Feliz "Dia das Cobras"

No dia 17 de Março a Irlanda comemorou o "Dia de São Patrício".
São Patrício é considerado o santo padroeiro da Irlanda.
Diz-se que São Patrício livrou a Irlanda das cobras. Cientistas descobriram que a Irlanda não tinham cobras. Qual seria, então, o significado dessa lenda?
Antes do Cristianismo se espalhar pela ilha, os Druidas eram os líderes religiosos na Irlanda. Um dos símbolos dos Druidas era uma cobra. No Cristianismo, a cobra simboliza o Diabo.
De acordo com a lenda, São Patrício bateu seu cajado no solo para livrar a Irlanda das cobras. As cobras que foram expulsas da ilha eram os Druidas.
Durante o século VII, a Igreja Cristã ensinou a seus missionários que se eles não pudesse converter aos nativos, que eles deveriam usar quaisquer meios necessários para converter aos incrédulos.
Os Druidas não estavam interessados em desistir de seus Caminhos Antigos e converterem-se ao Cristianismo. Diz-se que São Patrício conduziu o assassinato de quase 800 sacerdotes e sacerdotisas Druidas.
Se ele não conseguisse converter um Druida, ele bateria seu cajado e fugia. Seus seguidores então atacavam e assassinavam o incrédulo.[Associated Content]
Em lembrança a mais esse genocídio promovido pela Igreja, os Pagãos celebram no dia 17 de Março o Dia de Todas as Cobras.

terça-feira, 2 de março de 2010

Os frágeis alicerces da monogamia


Segundo o dicionário Houaiss, monogamia significa: regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher ter apenas um cônjuge, enquanto se mantiver vigente o seu casamento [ou qualquer tipo de relacionamento que envolva o desejo sexual].
O primeiro relato de monogamia que se tem na História remete ao antigo Egito, cerca de 900 a.C. Segundo os arqueólogos, naquela antiga civilização as uniões já eram instituições formais, como mostram diversas obras de arte daquele povo. Havia contratos de casamento, onde já eram estabelecidos os direitos da esposa em caso de divórcio ou viuvez. Segundo o professor de História Danilo José Figueiredo, "apesar de a monogamia ser a regra, o Faraó, e apenas ele, estava livre para se casar com quantas mulheres quisesse. Essas mulheres eram distribuídas em três categorias de importância: concubinas, Esposas Secundárias e a Grande Mulher do Rei. Qualquer mulher que o Faraó desejasse (...) poderia ser uma Concubina. Essas esposas terciárias habitavam o harém do Faraó e eram verdadeiras escravas sexuais do Semi-Deus. Estavam sempre bem limpas e cuidadas estando à disposição do Faraó para saciar seus impulsos sexuais".
Na antiga Grécia predominava um machismo não muito diferente. Mulheres, crianças e escravos eram propriedade dos homens. A importância da mulher na sociedade grega era tão insignificante que nem mesmo em seu noivado - quase sempre contra sua vontade - ela podia comparecer. E logo após o casamento, os homens, no intuito de evitar o adultério de suas esposas, adquiriam cães ferozes e/ou eunucos (homens castrados que tinham como única função vigiar a esposa de seu patrão). Em Esparta, na mesma época, a poligamia era uma prática comum e socialmente aceitável, onde homens podiam ter várias mulheres ou até mesmo dividirem uma única.
No Império Romano o casamento funcionava apenas como um meio para manutenção da família. A idéia era de que à esposa cabia apenas a função de procriadora. Assim, o prazer erótico (ou o desfrute sensual) ficava reservado às amantes, transformadas em concubinas e aceitas pela sociedade. A palavra matrimonium era usada para definir o papel da mulher casada, ou seja, o de ser mãe. Em contraposição, patrimonium estabelecia o papel que cabia ao homem, que era o de gerir os bens.
Percebe-se que, ao contrário do que se possa pensar, a monogamia não foi fruto do amor individual. Na obra A ideologia alemã, Marxs e Engels afirmam que "os gregos proclamavam abertamente que os únicos objetivos da monogamia eram a preponderância do homem na família e a procriação de filhos que só pudessem ser seus para deles herdarem. Quanto ao mais, o casamento era para eles uma carga, um dever para com os deuses, o Estado e seus antepassados, dever que estavam obrigados a cumprir". Os autores observam ainda que "a monogamia não aparece na história, portanto, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda, como forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravização de um sexo pelo outro, como proclamação de um conflito entre sexos".
No artigo intitulado Vos declaro marido e mulher, publicado pela revista Super Interessante (05/1996), os autores lembram ainda que, ao reconhecer o significado político do casamento, a Igreja instituiu, em meados do século IX, a cerimônia religiosa, a qual não vigorou de imediato. Até então ela não admitia que no casamento pudesse haver um bem positivo ou que o afeto entre o marido e a mulher fosse belo e desejável. Resultado: o casamento era visto como algo repugnante e poluído, definindo até mesmo como superior quem optava por não casar. Somente a partir de 1439, depois que o Concílio de Florença transformou o matrimônio no sétimo sacramento, o papa Eugênio IV conseguiu impor sua autoridade. O casamento tornou-se então indissolúvel - "o que Deus une, o homem não separa" -, e a poligamia e o concubinato, interditados. Regras que prevalecem até os dias atuais. Graças à consideração do casamento como sacramento e do adultério como pecado, a Igreja passava a assumir a responsabilidade pela criação do sentimento de culpa - no caso do rompimento do contrato de fidelidade - entre os cônjuges. A ela é igualmente lícito atribuir-se a intocabilidade deste mito, que é a monogamia.
Contrariando o que comumente se diz, a poligamia é consideravelmente mais presente do que a monogamia. Recentes pesquisas antropológicas, efetuadas em universidades americanas, indicam que numa lista dos 250 povos mais importantes, estudados no início do século passado, nada menos que 193 adotavam a poligamia. Considerando que o discurso predominante defende o contrato de fidelidade, a conclusão não menos óbvia é de que a monogamia é o discurso da hipocrisia.
Atualmente a monogamia pode ser a regra, mas não é a prática corrente - nem mesmo para os animais. Recorrendo à mesma tecnologia do DNA utilizada nos tribunais, os biólogos hoje são capazes de determinar com absoluta segurança a paternidade nos animais. Os resultados têm sido surpreendentes: mesmo entre as espécies anteriormente consideradas monogâmicas - a esmagadora minoria -, enganar o parceiro é uma prática comum, e para ambos os sexos. É o que dizem David P. Barash e Judith Eve Lipton, autores do livro O mito da monogamia: fidelidade e infidelidade em animais e pessoas. Segundo eles, novas pesquisas científicas permitiram alcançar respostas definitivas para algumas perguntas, fazendo concluir que, ao contrário do que se pensa, o desejo sexual por múltiplos parceiros é natural.
Do ponto de vista estritamente social, os pilares da monogamia surgem e se mantém a partir da idéia da importância da família, da sua manutenção como uma entidade íntegra e harmoniosa. Segundo Engels, a monogamia teria sido "a primeira forma de família que não se baseava em condições naturais, mas econômicas e, em concreto, no triunfo da propriedade privada sobre a propriedade comum primitiva, originada espontaneamente". Fato é que muitos casamentos já esgotados, com a data de validade vencida há muito tempo, ainda perduram por anos. Além do desejo de se manter a integridade familiar, ainda existe o fator econômico, com os seus imperativos e exigências peculiares. A psicóloga Regina Navarro Lins, em seu livro Na cabeceira da cama, ressalta que a idéia atual do casamento "até que a morte os separe" não possui nenhum fundamento, já que as pessoas até a Revolução Industrial, no final do século XVIII, moravam predominantemente no campo, o que as fazia sentir afetivamente amparadas. Nessa época, os casamentos aconteciam por razões econômicas e políticas, e por essa razão é que duravam a vida toda. A autora ainda lembra que não havendo romance nem expectativas de satisfação sexual, não havia decepções, e ninguém pensava em se separar.
Apesar de sua herança pouco ética e bastante discutível, a monogamia mantém-se alicerçada, até os tempos atuais, no sentimento de posse e seu sucedâneo mais comum e doloroso, o ciúme. Trata-se, sem dúvida, de um estado emocional bastante complexo, que leva um indivíduo a se sentir único e especial numa relação. Assim é definido o amor romântico, que, com mais de 800 anos, certamente é uma das propagandas mais bem difundida e sucedida da História. Seu carro-chefe, conhecido mundialmente, é a história de amor entre Romeu e Julieta, escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. No término da história, os dois protagonistas preferem morrer a viver um sem o outro. Para completar, a partir da década 40, o amor romântico é fortemente alimentado por Hollywood. "Existe uma campanha, incorporada por todos os meios de comunicação, que procura nos convencer de que só é possível ser feliz vivendo um romance, que traz a ilusão do amor verdadeiro. Tão grande quanto o desejo de vivê-lo. Por isso, poucos suportam ouvir que, apesar de toda a magia prometida, ele não passa de uma mentira. Sem contar que traz mais tristeza do que alegria, além de muito sofrimento", observa Regina Lins. Entre as características deste mito, ela questiona a veracidade de pontos como: só é possível amar uma pessoa de cada vez; quem ama não sente tesão por mais ninguém; o amado é a única fonte de interesse do outro; quem ama sente desejo sexual pela mesma pessoa a vida inteira; qualquer atividade só tem graça se a pessoa amada estiver presente; todos devem encontrar um dia a pessoa certa; o amor verdadeiro é completo e insubstituível.
Atrelado a este sentimento de posse, vem o medo de descobrir que não se é único e insubstituível. O webmaster do site Poliamor Brasil, Mario Mazzini, também médico e escritor, observa que "a monogamia é muito baseada no ciúme, que é (...) fruto da insegurança, do medo de perder um objeto afetivo que é visto como essencial à sobrevivência. Crianças sentem ciúme dos irmãos, do pai ou da mãe, porque são incapazes de viver sem o apoio dos pais. Adultos autônomos não teriam porque ter esse sentimento, a menos que mantenham uma insegurança de nível infantil. A idéia de uma relação monogâmica exclusiva é uma forma de satisfazer o desejo infantil de ser o dono exclusivo(...), e assim evitar o medo da perda gerado pela insegurança".
Tal insegurança, representada como defesa na prática da monogamia, visa também diminuir as chances de comparações, constatações e perdas que supostamente viessem a ocorrer caso o contrato de fidelidade não existisse, e, por conseqüência, houvesse liberdade e espaço para a poligamia. A respeito desse eventual aumento das chances de perda do parceiro, caso ele não seja adepto da monogamia, Mazzini lembra que "o risco está presente sempre em qualquer relação, mesmo que não estejamos conscientes dele. O fato de alguém ter liberdade para ter relações extraconjugais não aumenta necessariamente este risco, podendo até mesmo diminuí-lo. Uma das causas da deterioração das relações conjugais é justamente a sensação de garantia de sua manutenção; em função disso os cônjuges acabam por não se esforçar muito para manter o interesse do outro na relação". Ele ressalta ainda um ponto interessante e comumente bastante deturpado, quando o assunto é abordado: "Já vimos através de opiniões de outras pessoas - inclusive através de artigos e pesquisas sobre a motivação dos casos extraconjugais - que, muito freqüentemente, o que motiva as pessoas a terem casos extraconjugais é a insatisfação com o atual cônjuge. Ou seja, a insatisfação com o cônjuge nesses casos não se instala a partir da relação extraconjugal, mas a precede". E finalmente conclui que "o fato de os cônjuges se permitirem ter relações extraconjugais, enquanto as coisas ainda estão bem entre eles, na verdade favorece o auto-conhecimento e o conhecimento do outro, (...) mas se acontecer de uma das partes preferir terminar a relação atual e partir para uma outra relação, é porque esta relação já não era suficientemente satisfatória. E, se assim for, isto ocorreria de qualquer forma, com ou sem liberdade para relacionamentos extraconjugais."
Como já constatado, a atração física e o desejo sexual por alguém além do parceiro, é um instinto comum e inegável entre os animais - o que nos inclui, claro. Com o ser humano, no entanto, o que prevalece é o desejo de que o parceiro seja monogâmico (pelos motivos já explicados acima), e a tentativa desesperada de manter uma coerência nesse aspecto, tornando assim, mesmo que contra o próprio instinto, toda a relação monogâmica. Segundo a antropóloga americana Margaret Mead, "a monogamia é o mais difícil dos arranjos maritais entre humanos". Não é de se admirar, portanto, a inevitabilidade do conflito gerado entre o que é certo socialmente e aquilo que se deseja intimamente. Em larga medida, trata-se de um conflito não resolvido. E na sua irresolução, pode surgir o que comumente chama-se de "traição".
Dá-se o nome de "traição" quando ocorre a ruptura do contrato de fidelidade de uma ou ambas as partes em um relacionamento que envolva o desejo sexual. Essa atitude põe por água abaixo o conceito de monogamia previamente "combinado" ou, o que é mais comum, implícito nos relacionamentos atuais. Ela possui algumas peculiaridades muitíssimo curiosas, desde a relação entre sua existência e as conseqüências práticas até a aparente imperdoabilidade de quem se sente "traído". 
Quando somos roubados, não importa se somos avisados, o roubo não perde sua característica por causa disso. Quando perdemos um ente querido, a própria ausência dele já nos traduz todo o sentimento de perda que a situação envolve; talvez aconteça de sentirmos essa perda ao saber, mas isso é apenas o adiantamento do sentimento de perda que certa hora chegará por vias práticas, afinal de contas, se você não sente falta de alguém, perder essa pessoa não será algo muito relevante em sua vida. Até mesmo quando somos insultados há um peso prático, pois a atitude apenas traduz a agressividade da situação. Podemos ainda citar a própria "traição", que, acarretando numa diminuição da dedicação oferecida pelo "parceiro-traidor", já apresenta um motivo prático e auto-suficiente para sua negação; não sendo necessária assim sua afirmação verbal.
Para o monógamo, o que importa é o simples - e irrelevante - saber do que ele chama de "traição" (mais abaixo há uma outra visão deste termo). Mas essa atitude não gera obrigatoriamente um efeito prático, nem mesmo de forma indireta. O rompimento não necessita de uma causa prática, mas unicamente ideal. Ou seja, a "traição", ocorrendo sem que seja verbalizada, não é (necessariamente) percebida pelo parceiro "traído". Curiosamente ela também inexiste no mundo prático do "parceiro traído", caso ele tome conhecimento. Conclui-se então que ela não possui necessariamente - e raramente - um peso prático, mas simplesmente ideológico, especialmente por tentar sempre ser justificada, já que dificilmente se encontra um monógamo admitindo que sua escolha é basicamente uma questão de gosto, ou seja, não possui qualquer explicação ou razão aparente.
Com uma visão bem crítica a respeito dessa posição, Regina Lins diz que "a única coisa que importa numa relação é a própria relação, os dois estarem juntos porque gostam da companhia um do outro e fazerem sexo porque sentem prazer. Todas as restrições impostas e aceitas com naturalidade ameaçam muito mais a relação do que a infidelidade". Já Mazzini contesta a posição monogâmica alegando que "podemos ter vários amigos, mas não nos permitimos ter vários amantes. Um pai e uma mãe podem ter vários filhos e amar a todos, não igualmente, mas a cada um de forma diferente, ou seja, há espaço para todos. Portanto, o fato de se desejar ter uma relação com outra pessoa, e eventualmente realizar este desejo, não significa que se tenha deixado de amar ou se esteja insatisfeito como o parceiro, significa apenas que uma pessoa só, por melhor companheira que seja, pode não ser capaz de preencher todas as necessidades afetiva. Um relacionamento eventual com outra pessoa não prejudica [necessariamente] a relação principal, pelo contrário, pode até ajudar na manutenção e melhora da mesma, uma vez que cada um deixa de sentir o outro como um carcereiro. E não há nada de errado (a não ser devido a um tabu) em ter outros relacionamentos eventuais, sem que isto afete a relação estável com um parceiro com o qual se escolheu partilhar os demais aspectos da vida, inclusive a maternidade/paternidade".
É unânime entre quem adota monogamia: numa situação hipotética, onde é vivido o melhor ano da vida de um monógamo, graças a um amor até então utópico, onde o parceiro proporciona atenção, dedicação, carinho, prazer e momentos únicos que beiram a perfeição; tudo isso deixa de ter seu valor se no fim desse ano o monógamo fica sabendo que seu parceiro manteve nesse período casos paralelos. Esse momento especial vivido e sentido se esvai graças a uma idéia que, ao que tudo indica, beira a insanidade. Numa recente pesquisa sobre o casamento ideal, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenada pela antropóloga Miriam Goldenberg, foi constatado que a esmagadora maioria de homens e mulheres considera, entre outras coisas, a fidelidade mais importante do que o companheirismo, sinceridade e carinho, por exemplo. As justificativas dadas por essas pessoas tendem quase sempre a uma falácia circular, ou seja, demonstra que a conclusão é apenas um outro modo de expressar uma das premissas.
É importante ressaltar os inúmeros relacionamentos que se desgastam, ou até mesmo deixam de existir, quando um dos parceiros se sente "traído". A quebra da monogamia, segundo quem a pratica, se apresenta como algo gravíssimo e imperdoável. Não é raro ouvir quem admita tolerar tudo (ou quase tudo) num relacionamento, menos a "traição". Eis aqui uma demonstração da tentativa de cumprir, de forma inquestionável, o amor romântico. A princípio, é comum imaginar que esta posição tenha algum tipo de embasamento ou justificativa - ainda mais considerando a convicção com que é propalada. E como é possível notar, a monogamia raramente é afirmada como apenas uma preferência, sem grandes pretensões para qualquer tipo de explicação ou razão, como acontece com as escolhas por uma dada cor, comida ou cheiro, por exemplo. Sendo assim, ela é uma posição ideológica, necessitando, portanto, de uma base argumentativa.
Muitos podem justificar essa posição alegando que a mentira por si só já é motivo para invalidar a "traição". Você gostaria de saber que foi enganado? Confiaria em alguém que já mentiu para você? Uma mentira agradável pra você é melhor do que uma verdade cruel? Eis certamente algumas das questões levantadas durante a contra-argumentação do monógamo. E aqui entra inclusive a ética, tornando as questões então ainda mais importantes e delicadas. Mas é preciso salientar dois pontos:
1- Por que mentir? Na verdade, a chamada "traição" só passa a ser uma mentira quando se pré-estabelece um relacionamento monogâmico. Então não há sentido em se mentir quando é possível deixar tudo de forma bem clara e honesta, ou seja, não propondo a monogamia.
2- Na prática, o que é a mentira? Quando se diz "vou te pagar 40", mas se paga apenas 30, essa mentira tem um peso prático, ou seja, ela é percebida, independente da mesma ser verbalizada ou não. Ou quando se diz "volto às 21:00", mas na realidade se volta às 10, essa mentira, mais uma vez, tem um valor prático e não depende de sua afirmação, pois por si só já é percebida. Que peso teria "traição" se sua existência fosse desconhecida? A resposta é óbvia: nenhum.
Apesar de o rompimento do contrato de fidelidade não gerar nenhuma mudança inerente, o monógamo costumar argumentar: "mas você gostaria que alguém mentisse para você?". Essa pergunta gera automaticamente uma contra-pergunta: "qual seria a influência prática dessa mentira?". Sim, é claro que todos tendem a preferir a verdade. Mas no caso se escolhe a verdade pela verdade apenas, ou a verdade por um motivo? Por que a verdade?
Buscamos a verdade para não sermos enganados, ou seja, manipulados e prejudicados de alguma forma. Se a mentira não provoca nenhum tipo de dano (mesmo a longo prazo), então a verdade em si entra como uma escolha baseada em fé, pois não possui argumentos válidos que a defenda. Ademais, é reconhecido que algumas mentiras podem ser muito mais benéficas do que prejudiciais, como, por exemplo, a existência de Papai Noel, do Coelhinho da Páscoa e dos gigantes. Ou até mesmo histórias lendárias contadas de forma pouco realista e mais fantasiosa, com o intuito de dar mais sabor e encanto ao prosaico cotidiano, como sugerem genialmente filmes como Don Juan de Marco e Peixe Grande, por exemplo.
Contudo, o monógamo costumar fugir de uma questão-chave: omitir é mentir? Trata-se certamente de um beco sem saída. Se ele disser que não, estará assumindo que revelar os desejos e impulsos pode ter péssimas conseqüências para a relação. Mas se ele afirmar que sim, estará entrando em contradição com o próprio argumento, já que o ataque à mentira é a principal base argumentativa do monógamo. Em suma, nenhuma das duas respostas consegue se sustentar, apenas demonstrando a fragilidade da monogamia como posição ideológica.
"Essa é uma postura instintiva", outros alegam. Mas ao olharmos para a natureza e para a História, percebe-se que ocorre exatamente o oposto. A natureza visa a disseminação da vida, tendo logicamente a monogamia muito mais como um obstáculo do que como aliada. E a História nos retrata as origens da monogamia apenas como um resumo de machismo e praticidade econômica/familiar. Até mesmo em nível estatístico, a poligamia sempre prevaleceu, em qualquer época ou lugar.
Outro argumento muito difundido é o do amor auto-suficiente: "quando amamos alguém de verdade, esse alguém já nos basta". Segundo Barash, "o mais poderoso mito que envolve a monogamia é aquele que diz que, ao encontrarmos o amor das nossas vidas, nos dedicaríamos inteiramente a ele. A biologia mostra que há um lado irracional e animal no comportamento humano". Regina Lins pensa que "essa mesquinharia afetiva se desenvolveu a partir da crença de que somente através da relação amorosa estável com uma única pessoa é que vamos nos sentir completos e livres da sensação de desamparo. Não é à toa que exigimos que o outro seja tudo para nós e nos esforçamos para ser tudo para ele, mesmo à custa do empobrecimento da nossa própria vida (...). Podemos amar [pessoas] com a mesma intensidade, do mesmo jeito ou diferente. Acontece o tempo todo, mas ninguém gosta de admitir. A questão é que nos cobramos a rapidamente fazer uma opção, descartar uma pessoa em benefício da outra, embora essa atitude costume vir acompanhada de muitas dúvidas e conflitos".
Existem ainda aqueles que, depois de muito refletir a respeitam do assunto, optam pelo argumento que sugere uma influência sócio-cultural. Provavelmente, trata-se do argumento mais pertinente que o monógamo expõe. O seu grande problema é a tendência a um apelo à ignorância. É inegável o fato de que uma pessoa é parte de sua época e sociedade. Mesmo estando um pouco à frente (ou atrás) de seu tempo, todos são, de alguma forma, parte dele. Mas isso não quer dizer que as idéias defendidas sejam unicamente apoiadas e influenciadas pelo pensamento daquela época/sociedade. Mesmo porque, ao defender uma idéia - no caso a monogamia - é de se esperar argumentos que a sustente. O que não deve ocorrer é apoiar todo o argumento numa entidade externa a si, como numa tentativa de se ver livre de qualquer objeção ou crítica. Agir assim seria admitir que o meio tem um poder e influência imutáveis, assumindo dessa forma uma completa falta de senso crítico. A grosso modo, seria como dizer que se ouve hip-hop porque é o que mais toca no rádio.
Muitos podem argumentar que na vida moderna as características animais/instintivas não possuem mais sentido, como sugere uma das defesas mais clássicas: "o que diferencia os homens dos outros animais é justamente a sua capacidade de raciocinar, de não agir apenas instintivamente". Mas não é tão simples assim. As heranças genéticas que o ser humano carrega possuem um poder de atuação muito elevado. Somos, em parte, muito regidos por instintos. E somente para citar alguns: as tantas fobias (escuro, altura, locais fechados etc), fome, desejo sexual, proteção aos filhos, medo do desconhecido, entre muitos outros. Curioso é reparar que todos eles têm como regra básica a preservação e disseminação da vida.
"Ter vontade de trair, todo mundo tem. Assim como temos vontade de matar ou de pegar algo que não nos pertence. Para isso temos nossa consciência". Eis certamente o argumento mais falacioso (e hipócrita) em defesa da monogamia. Começa admitindo o óbvio, ou seja, de que o impulso de "trair" é unânime. Mas logo depois, por falta de um argumento concreto e auto-suficiente, sugere, de saída, uma analogia, que tende a um apelo à ignorância. Ao contrário de um homicídio e/ou de um roubo, o adultério não denigre em nada a sociedade. Como já explicado acima, a chamada "traição" não possui (obrigatoriamente) um peso prático, o que difere de forma gritante de um assassinato, por exemplo. Por fim, o argumento esquece de justificar o motivo pelo qual deve ser evitada a poligamia.
"Ainda não evoluímos o suficiente para sermos monogâmicos", seria, pelo o que parece, a última (e desesperada) argumentação daquele que defende a monogamia. Primeiramente, trata-se de uma mistura (ou confusão) entre conceitos científicos e preceitos morais. O que podemos caracterizá-la como uma espécie de apelação (ou ingenuidade?). Em seguida, carece de um referencial o qual proponha que o "aprimoramento" do indivíduo (moral, social etc.) tende a levá-lo à monogamia. Por fim, quem defende esse argumento parece esquecer de explicar e provar que (por ser monógamo) é mais "evoluído" que os demais.
O exemplo do melhor ano vivido pelo monógamo, citado mais acima, embora teórico, representa o comportamento dele na prática. Ou seja, o adepto da monogamia dá menos ênfase ao momento em si (quando está com seu parceiro), e mais importância a um ideal irrelevante em termos práticos e sem nenhuma base argumentativa que se sustente. Chega a ponto de invalidar toda uma relação, que no seu decorrer foi o melhor momento de sua vida, em função da notícia de que durante esse período foi "traído".
Sim, é uma opção. Cada um tem o direito de optar pelo o que bem entender, ou melhor, bem preferir. E o ser humano, mais do que qualquer outro animal, tem esse poder de escolha. Mas ele não é só escolha, pois muitas de suas atitudes sofrem influências de inúmeros instintos herdados ao longo do caminho evolutivo. O que se mostra demasiado curioso é o fervor com que a monogamia é comumente defendida, assim como a tentativa de denegrir a imagem de alguém que não aceita tal idéia infundada. Os monógamos deveriam ser menos radicais, e admitirem a grande fragilidade de sua posição e argumentação.
É de opinião unânime que durante o período de duração da paixão, a tendência dos enamorados seja a observância da monogamia. A paixão, por definição, é exclusivista e excludente. No entanto, é bastante comum que, ao término desse período de intensas emoções, os parceiros venham a sentir, cada um a sua maneira, atração por outras pessoas. Tal tendência é mais acentuada entre os homens (há razões históricas e biológicas para isso), mas também ocorre com as mulheres. Some-se a isso, o fato de que a intensidade do desejo sexual tende a diminuir com o término da paixão e o prolongamento da relação, como explica o psiquiatra americano James Leckman, da Universidade Yale, um dos principais estudiosos das raízes biológicas do amor. Ele diz que "ao dotar o ser humano da capacidade de se apaixonar, a mãe natureza só queria forçar dois corpos a se aproximar o suficiente para procriar?. E conclui que a duração média da paixão equivale ao tempo exigido para a concepção, a gestação e o nascimento do bebê, ou seja, no máximo quatro anos. Napoleão, o Imperador, chegava a afirmar que o caminho mais curto para a gradativa indiferença sexual seja exatamente a monogamia continuada. Regina Lins, embora menos radical, compartilha de uma opinião não muito diferente. Ela enfatiza que o desejo sexual está ligado a magia, encantamento e descobertas, e que isso só acontece no início de uma relação estável, pois depois que a rotina entre em cena, o tesão desaparece.
Negar o eventual desejo ou atração por outras pessoas além do parceiro, é certamente uma mentira. Regina Lins lembra que: "Reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. Quando a fidelidade se traduz por concessão que se faz ao outro, o preço se torna muito alto e pode inviabilizar a relação". Em casos mais extremos, tal comportamento pode ser traduzido como uma auto-reprovação de uma atitude pré-estabelecida como errada. Nesse aspecto, os monógamos podem ser divididos em dois grupos: os que dizem sentir atração por outra pessoa além do próprio parceiro, mas que, na prática, reprimem esse desejo, e aqueles que dizem não sentir nenhum desejo enquanto estão dentro de uma relação. Neste último caso - não contando o fator paixão, claro - é comum encontrar pessoas que, com ou sem parceiros, não apresentem muito interesse por uma relação que envolva o erótico ou o sensual, ou então talvez sejam mais inertes com suas atitudes. 
Ao que tudo indica, o termo "traição" é utilizado pelo monógamo de forma equivocada. Além de sua indisfarçada conotação moralista, ele propõe gratuitamente o sentimento de culpa, certamente para se tornar intocável e inabalável. O mais coerente seria considerar a traição o ato de negar o próprio desejo - que, como já se viu, não possui necessariamente efeitos colaterais perniciosos. Mazzini alerta para o fato de que mesmo pessoas que se mantém monogâmicas por obrigação, podem estar traindo o parceiro. Segundo ele, isso ocorre toda vez que uma relação é mantida sem amor, mas apenas por conveniência econômica ou social. Não fica difícil, pois, admitir que a traição está na falsificação do sentimento, e não nos atos de cada um.
Quanto ao fato de os homens terem uma maior propensão a não seguir a monogamia - apesar de comumente pregá-la - isso se deve principalmente a dois fatores, um histórico e outro biológico. O homem era quem saia de casa para caçar, era ele quem tinha o instinto de busca, e, por conseguinte, era quem conhecia mais o lado de fora de seu habitat. A mulher, ao contrário, estava restrita a um espaço pequeno, e nada de novo havia para ser explorado. Daí, certamente, a tendência maior das mulheres à inércia de seus relacionamentos com os homens. Segundo Barash e Lipton, "o fato de praticamente não ocorrer monogamia na natureza (e de os machos serem tão volúveis e vorazes em seus apetites sexuais) pode ser explicado por uma contabilidade evolutiva. Para a natureza o esperma é infinitamente mais barato que óvulos, ou seja, um macho normal de qualquer espécie pode produzir milhares de espermatozóides todos os dias e está sempre à disposição para novos intercursos sexuais, enquanto as fêmeas ovulam bem menos e - em caso de fecundação - têm que arcar com um grande número de responsabilidades, que os pesquisadores costumam qualificar com a expressão "investimento parental", extremamente mais acentuada nas fêmeas".
Um detalhe importante a ser lembrado é o fato de que os homens têm maior facilidade para sentirem atração e desejo sexual com o visual (uma mulher de saia e decote caminhando pela rua, por exemplo), ao passo que as mulheres têm sua sensibilidade mais voltada para o tato. Como é muito mais fácil e comum ver pessoas do que tocá-las, não é de se estranhar que o homem tenda a sentir desejo sexual consideravelmente mais vezes do que as mulheres. E ao contrário de um toque "mais sutil e íntimo", o visual é conhecido por ter uma conotação sexual cada vez mais explícita.
Aliado a tudo isso, há um outro fator biológico que explicitamente diferencia o potencial reprodutivo entre machos e fêmeas. O que um único homem pode fazer, por exemplo, com dez mulheres, em termos de reprodução, é o inverso do que uma única mulher pode fazer com dez homens. O macho, nesse aspecto, tem um instinto que tende mais à poligamia por uma questão prática reprodutiva, que é o instinto predominante entre todos os seres vivos. Já as fêmeas (de qualquer espécie), devido à sua limitação reprodutiva e seu "investimento parental" muito mais acentuado, tendem mais por serem objetos de disputa.
Mas isso não quer dizer que elas sejam necessariamente monogâmicas. Segundo o biólogo Tim Birkhead, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, "as fêmeas da maioria das espécies - do gafanhoto ao chimpanzé - acasalam com vários machos. Entre os bonobos - os primatas mais parecidos com o homem - mais da metade da prole de uma mãe é composta de filhos que não foram concebidos pelo seu parceiro habitual". Tal argumentação, baseada em fatos, implode o argumento de que as fêmeas são projetadas pela natureza para serem fiéis. Por sua vez, a antropóloga norte-americana Helen Fisher, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, observa que "a idéia de que só os homens são poligâmicos é o maior mito da sexualidade". Ela estudou o comportamento sexual de homens e mulheres em 62 sociedades ao redor do mundo, e concluiu que o adultério (em ambos os sexos) é tão comum quanto o casamento. "É claro que muitas mulheres (e homens também) optam por serem fiéis. Mas isso é uma escolha, não uma imposição biológica", conclui.
Mazzini encerra sua argumentação ao afirmar que "o casamento não foi feito para nos fazer feliz, pois não passa de um contrato social, embora nos seja apresentado como o grande caminho para a felicidade". E arrisca ao conjecturar que talvez seja esse o maior engodo da história da humanidade. Regina Lins é da opinião de que "quando tudo é conhecido, se não existe nada no parceiro que não se saiba, não há surpresa, não há nenhuma novidade, não há descoberta. O que existe, como conseqüência natural dessa vida tão sem emoção, é um profundo desinteresse. É assim com a maioria dos casais. Optam pela monotonia e pelo tédio porque não suportam as surpresas de uma vida sem garantias preestabelecidas. Isso não passa de uma ilusão". O que não se pode negar é que a monogamia, de sua origem à sua prática atual, sempre esteve em volta de fragilidades e hipocrisias.

Nota: Trecho sublinhado por conta deste pagão que vos escreve, visto que atualmente a Igreja posta-se como "defensora do casamento".

segunda-feira, 1 de março de 2010

Infidelidade = baixo QI

Homens que traem as esposas e namoradas tendem a ter QI mais baixo e ser menos inteligentes, segundo um estudo publicado na revista especializada "Social Psychology Quarterly".
De acordo com o autor do estudo, o especialista em psicologia evolutiva da London School of Economics, Satoshi Kanazawa, "homens inteligentes estão mais propensos a valorizar a exclusividade sexual do que homens menos inteligentes".
Kanazawa analisou duas grandes pesquisas americanas a National Longitudinal Study of Adolescent Health e a General Social Surveys, que mediam atitudes sociais e QI de milhares de adolescentes e adultos.
Ao cruzar os dados das duas pesquisas, o autor concluiu que as pessoas que acreditam na importância da fidelidade sexual para uma relação demonstraram QI mais alto.
De acordo com o estudo, o ateísmo e o liberalismo político também são características de homens mais inteligentes.
Kanazawa foi mais longe e disse que outra conclusão do estudo é que o comportamento "fiel" do homem mais inteligente seria um sinal da evolução da espécie.
Sua teoria é baseada no conceito de que, ao longo da história evolucionária, os homens sempre foram "relativamente polígamos", e que isso está mudando.
Para Kanazawa, assumir uma relação de exclusividade sexual teria se tornado então uma "novidade evolucionária" e pessoas mais inteligentes estariam mais inclinadas a adotar novas práticas em termos evolucionários - ou seja, a se tornar "mais evoluídas".
Para o autor, isso se deve ao fato de pessoas mais inteligentes serem mais "abertas" a novas ideias e questionarem mais os dogmas.
Mas segundo Kanazawa, a exclusividade sexual não significa maior QI entre as mulheres, já que elas sempre foram relativamente monogâmicas e isso não representaria uma evolução.
Fonte: G1
Nota da casa: A evolução é um processo que inclui diversos fatores, algumas espécies [como a nossa] a estratégia de múltiplos parceiros foi fundamental para a sobrevivência. Ao garantir uma prole numerosa, a humanidade pode desenvolver um cérebro maior, bem como expandir sua inteligência. O autor não explicou porque "ser fiel" = "mais evoluído", nem como monogamia = evolução. A monogamia é um dogma da sociedade ocidental patriarcal monoteísta, portanto, pessoas "mais inteligentes" procurariam por diferentes formas de relacionamentos e de convivências erótico-afetivas. Monogamia = monotonia. };)