terça-feira, 30 de novembro de 2010

O touro da Europa

Hesíodo nos conta, em sua obra Teofania, sobre o "rapto" da Europa:
"Zeus, um dia, olhando distraidamente para a costa da Ásia Menor, viu uma mulher de extraordinária beleza. Era Europa, filha de Agenor, rei da Fenícia. Zeus apaixonou-se por Europa e para tê-la disfarçou-se de um belíssimo touro branco, com chifres em meia lua. Europa viu tal touro tão amável que montou em suas costas e foi levada até Creta, onde ela teve seus filhos Minos, Radamanto e Sarpedão."
Minos depois se tornou o rei de Creta, dando origem à civilização Minóica, tão citada como uma das civilizações antigas mais avançadas. O que Hesíodo não nos conta é por que o touro era branco, por que Europa não teve medo e o que há por detrás do "rapto".
Europa não foi raptada, ela montou voluntariamente no touro branco. Mesmo nos dias de hoje, "montar" tem uma conotação sexual. Não foi Zeus, a despeito de todo seu histórico como conquistador, que se disfarçou como um touro branco, mas foi Hesíodo que o associou ao touro branco, provavelmente o símbolo de um Deus anterior e mais antigo que Zeus.
Na antiguidade, os livros eram escritos para a aristocracia. Hesíodo não conhecia, não tinha meios ou não tinha liberdade para escrever a respeito dos mitos e crenças da época. No tempo em que Hesíodo escreveu Teofania, os Gregos Antigos estavam esquecendo de seus Deuses e Deusas, a filosofia tomava o lugar e a função dos mitos, a religião estatal esmagava os cultos mais antigos. Hesíodo escreveu Teofania para organizar, hierarquizar e justificar a supremacia da religião estatal, onde Zeus reinava absoluto sobre um panteão com Deuses e Deusas mais antigos (e, outrora, mas poderosos) do que Zeus.
Hesíodo escreveu para tranquilizar a aristocracia que se sentia insegura diante da imensa diversidade de cultos, crenças e Deuses que existiam na Grécia Antiga, sobretudo para suprimir os mitos, os cultos e crenças mais velhas, que estavam vinculadas aos povos nativos que, como muitos dos povos primitivos, cultuavam uma Deusa Terra e um Deus Touro. Hesíodo cumpriu com seu trabalho e, inadvertidamente, eternizou o antigo, o perturbador e o poderoso Deus Touro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Festival da Água

Novamente a Imprensa Abutre dá o ar [ou seriam asas?] da sua [des]graça, desta vez sobrevoando o Camboja.
Diversas agências de notícias, locais e internacionais noticiaram o Festival da Água do Camboja apenas porque aconteceu uma tragédia neste ano.
Isso aconteceu com a Coréia e seu festival Jeongwol Daeboreum. Nenhuma agência de notícia falou sobre o festival, sobre a cultura ou sobre a crença. Eu não acho que estou pedindo demias para a Imprensa ter um mínimo de respeito às crenças e folclore de outros povos.
Na falta de informações, recorro mais uma vez ao oráculo virtual [Google] para saber mais desse festival.
O Festival da Água do Camboja (Bon Om Touk, ou Bon Om Thook, ou Bonn Om Teuk, ou Bon Om Tuk) acontece uma vez ao ano, na lua cheia no mês budista de Kadeuk (usualmente em Novembro). Celebra uma ocorrência natural: a nversão da correnteza entre o lago Tonle e o rio Mekong.
Pelo ano, o lago Tonle Sap vaza para o rio Mekong. Entretanto, quando a estação chuvosa chega em Junho, o Mekong cresce, revertendo o fluxo para o lago, aumentando sua dimensão em dez vezes. Quando a estação chuvosa acaba em Novembro, o Mekong deságua novamente, revertendo o fluxo, esvaziando o excesso de água do lago Tonle de volta ao Mekong.
Essa ocorrência natural é celebrada no Camboja com três dias de festivais, paradas fluviais, corridas de barcos, espetáculo pirotécnico e alegria geral.
Então como agora, o lago Tonle é um ponto principal na vida de muitos Cambojanos. Ele é uma fonte de vida para muitos pescadores e fazendeiros. Não é espantoso que os Cambojanos tem celebrado o Bon Om Touk por séculos - é uma forma de retribuir ao rio o que ele lhes deu tanto.
Fonte: About [Tradução da casa]

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A virgem e os peixes

Não há nada de muito diferente na entrada do parque Haesindang, no leste da Coreia do Sul. Ao final de um pacato vilarejo cheio de barraquinhas de peixes e frutos do mar, apenas uma bilheteria e um arco colorido dão boas-vindas aos turistas. Prestando atenção, é possível detectar num pequeno mercado das redondezas um sinal do que está por vir. Ele vende garrafinhas de vidro cuja tampa de plástico tem formato de pênis e vira um copinho. Mas nada prepara o visitante para o que vem depois: um ambiente surreal de esculturas de pênis gigantes.
O ponto favorito para fotos, numa tarde do mês passado, era um falo negro de bronze, com um motor que o fazia subir e descer como um canhão de guerra. Um barulhento grupo de vinte velhinhas contemplava a obra. Algumas riam, outras faziam “V” com os dedos. Mais adiante, um casal passeava de mãos dadas com a filha de uns 10 anos.
O parque Haesindang começou a nascer há quatro séculos, ali no vilarejo de Shinnam, quando um pescador levou a noiva para pegar algas marinhas numa rocha distante da costa. Ele prometeu voltar para buscá-la depois do trabalho. Mas não contava com a mudança súbita no tempo. Ventos e tempestades provocaram ondas enormes. A pobre jovem foi arrastada para longe. Morreu afogada nas águas geladas.
A partir de então, os peixes sumiram do lugar. Os moradores começaram a pensar em maneiras de aplacar a ira do espírito da virgem que, eles acreditavam, assombrara o mar. Pescadores se masturbaram na areia e esculturas fálicas de madeira foram levantadas na praia. Deu certo: os peixes voltaram a cair na rede dos pescadores.
Quatrocentos anos depois, em julho de 2002, a cidade resolveu lucrar com a crença local. Fundou um parque de 30 mil metros quadrados, com mais de 100 pênis das mais variadas formas, cores e, claro, tamanhos. A prefeitura também patrocina um concurso anual para selecionar dez novos trabalhos, no qual os dois primeiros classificados saem com prêmios de 3 mil e 2 mil dólares.
“Venerar imagens fálicas é uma prática ancestral na Coreia. Alguns dos túmulos mais antigos descobertos na península tinham esculturas bem exageradas de pênis e outras partes sexuais”, explicou o professor Michael J. Pettid, de Estudos Coreanos Pré-modernos da Universidade de Binghamton, em Nova York. “A reprodução humana era muito importante, além de estar relacionada ao desejo da fartura nas colheitas e energia sexual.”
O parque Haesindang recebe anualmente cerca de 270 mil visitantes. Não é um local de fácil acesso. A partir de Seul, a viagem de ônibus até a cidade mais próxima, Samcheok, dura quatro horas. Dali ao parque são mais cinquenta minutos. Escultores fálicos do Brasil serão bem recebidos no concurso anual. A prefeitura de Samcheok providencia hospedagem e alimentação de artistas estrangeiros durante o certame.
Autora: Fernanda Ezabella
Fonte: Piauí

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Como prender uma bruxa

Ao usar o oráculo virtual [Google] eu me deparei com uma notícia inusitada e engraçada.
Na Grã-Bretanha, com a proximidade do Halloween, a Metropolitan Police deu um manual de instruções aos policiais para saberem lidar com os pagãs/os e bruxos/as.
Estamos no Halloween e a hora das bruxas se aproxima, mas não fique alarmado - policiais estão na patrulha, com orientações de como lidar com bruxas.
O conselho está em um manual de 300 páginas que dá aos oficiais uma lista de "fazer e evitar" quando se aproximarem dos seguidores de diversas religiões, do ateísmo ao zoroastrismo.
As instruções incluem evitar tocar o "Livro das Sombras" de uma bruxa, que contém seus feitiços, ou segurar sua adaga cerimonial.
O manual online também adverte aos oficiais a não tirarem conclusões precipitadas se encontrarem uma situação onde uma pessoa nua e vendada está amarrada pelas mãos – eles podem ter acidentalmente tropeçado em um ritual pagão, onde tais atividades são uma prática normal.
"As bruxas tem um Livro das Sombras, que contém um registro escrito ou diário de seu progresso pessoal como bruxa", diz o guia.
"A maior parte dos livros tem capas ornamentais, alguns tem o título Livro das Sombras, outros não".
"Qualquer livro pode ser usado, mas este livro é considerado como privado e especial e não deve ser tocado por outro que não sua autora. Se for possivel evitar tocar este livro então o melhor fazer isto".
O guia, feito pela Metropolitan Police, a maior força policial da Bretanha, adverte contra interromper uma cerimônia pagã.
Acrescenta: "Algumas cerimônias incluem um participante nu, vendado, cujas mãos podem estar atadas. Isto está de acordo com o ritual e tem o total consentimento do participante".
Aos oficiais também é dado conselho sobre a adaga cerimonial, conhecido por athame, carregado pelas bruxas e alguns tipos de pagãos.
"Quando entrar na casa de uma bruxa, não toque um athame sem a permissão de sua dona", diz [o guia].
"Durante a Disputa de Beltane que celebra o festival de Beltane (pelo fim de Abril), tem sido um hábito para alguns usar athames de vários tamanhos, alguns do tamanho de espadas, em um cinto, como um símbolo visível de sua crença pagã e os usam nas ruas".
"Estes não tem a intenção de serem usados como uma arma ofensiva, mas pode ser mal iterpretada dessa forma".
Também providenciaram um glossário de termos pagãos incluindo a saudação tradicional de "Feliz Encontro" e uma explicação de um "wickening" [wiccaning], ou cerimônia de nomear uma criança.
Explica as datas e os significados dos festivais pagãos tais como Imbolc, Lughnasadh e Samhain – também conhecido como Halloween.
O manual também afirma: "Os pagãos não tem leis dietéticas. Entretanto, muitas bruxas, mas não todas, são vegetarianas".
Fonte: Telegraph
Nota da casa: Meus amigos ateus vão certamente protestar por terem sido incluídos como pertencendo a uma "religião". E definitivamente eu não suporto bruxo/a que é vegetariano/a.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Ritual do Gelo Sagrado

Em mais um episódio da série "Terra - que Tempo é Esse?", nossos repórteres mostram o ritual do Gelo Sagrado, uma celebração ancestral que agora, por causa do aquecimento global, já não usa mais o gelo.
A metade norte da maior cadeia de montanhas do planeta está tão perto do Equador que só tem gelo no topo por causa do ar frio, mais de cinco mil metros acima do nível do mar.
Mas, agora, mesmo nessas altitudes, o ar está mais quente. E os povos andinos já veem suas reservas de água congelada derretendo diante dos olhos.
Estamos no nosso continente, na parte peruana da Cordilheira dos Andes, que se estende por 7,5 mil quilômetros, da Venezuela à Terra do Fogo, e rumo às ruínas de uma grande civilização. Nestas montanhas, 800 anos atrás, os incas ergueram seu império.
Mudanças no clima sempre foram determinantes na história da humanidade. Agora, ameaçam também as janelas que nos permitem olhar para o passado. Como a cidade sagrada de Machu Picchu, no Peru, centro da civilização inca. Machu Picchu já está sentindo os efeitos das mudanças nos padrões de chuva.
Os terraços, nos quais os incas plantavam e faziam pesquisas agrícolas, sobrevivem firmes, séculos depois de o povo que os construiu ter desaparecido. Mas até quando?
As previsões dos cientistas são de que esta região vai enfrentar, cada vez mais, períodos de clima extremo: secas prolongadas, que desestabilizam o solo, seguidas de chuvas torrenciais, que provocam desmoronamentos.
Como se viu no início deste ano, estradas bloqueadas, vilas isoladas, milhares de turistas presos nas montanhas. Machu Picchu guarda provas de que os incas conseguiam prever épocas de tempo ruim.
Os incas eram capazes de prever um ano de chegada do El Niño apenas observando as estrelas. Um método que já foi confirmado pela astronomia moderna.
O nome El Niño é uma referência ao Menino Jesus, porque é perto do Natal que, em alguns anos, a água do Pacífico, na costa do Peru, fica mais quente, provocando mudanças no clima em todo o continente.
Em Machu Picchu, a previsão era feita num observatório muito diferente. Os pequenos poços de água limpa e parada funcionavam como espelhos do céu, refletindo as estrelas e planetas. A umidade no ar, que atrapalha a observação, era o sinal do El Niño.
Aos pés dos Andes, a civilização inca desabrochou usando a água limpa, abundante e bem distribuída. Os povos no vale ainda desfrutam do sistema hídrico implantado pelos incas. Mas da Venezuela ao sul do Peru, os Andes tropicais estão perdendo gelo.
Sônia Bridi: Professor, o fenômeno que se vê já nos Andes é consequência do aquecimento global?
Edson Ramirez, glaciologista: “Sem dúvida, mas nem sempre de forma direta. O aquecimento mudou o El Niño, um fenômeno que sempre existiu, mas está cada vez mais frequente e intenso. E a consequência é que a chuva diminuiu e o calor aumentou, o que faz com que as geleiras derretam muito mais rápido.
O Peru depende da água do degelo para praticamente toda a sua agricultura. Por isso, é um dos países mais sensíveis às mudanças climáticas. E o povo já adapta até suas tradições.
São 2h e a equipe do Fantástico está em Mayawani, uma vila a 200 quilômetros de Machu Picchu. Ela vai fazer o mesmo que milhares de peruanos: subir a montanha em busca do gelo sagrado.
A equipe está a 4,2 mil metros de altitude. O oxigênio já é bastante rarefeito. O grupo vai subir a 4,6 mil e tem que chegar lá até o amanhecer. Então, a cavalo vai dar uma ajuda grande.
Antes de partir, eles abençoam e mascam folhas de coca. A trilha é como uma procissão. Gente de todas as idades atravessa a escuridão até a primeira luz da manhã revelar os contornos áridos do caminho.
Três horas depois, o grupo chega à festa do senhor de Qoylor Riti: um rito ancestral, incorporado pelo catolicismo.
É como se uma cidade inteira surgisse literalmente da noite para o dia nas montanhas, no meio dos Andes. São 30 mil pessoas. É a maior peregrinação de povos nativos das Américas.
Enquanto milhares estão ainda chegando, outros tantos viraram a noite fria lá no alto, em cima da geleira, conversando. O tema: o sentido da vida.
Ao amanhecer, vêm se juntar aos outros. Eles são divididos em confrarias, grupos representando centenas de povoados dos dois lados dos Andes.
Música e dança são como mantras: um transe religioso que espanta o frio e a dificuldade de se movimentar nesta altitude.
Até pouco tempo, todas essas confrarias desciam trazendo blocos de gelo, gelo sagrado, que era levado até a cidade de Cuzco para ser abençoado em outra festa religiosa, a de Corpus Christi.
Só que três anos atrás, as confrarias perceberam que o gelo que antes chegava ao local já tinha se recolhido mais de um quilômetro, montanha acima. Então, a retirada do gelo foi proibida para que eles pudessem preservar o que eles têm de mais sagrado, que é a água. E, assim, a tradição não acelera um processo que a natureza já está fazendo rápido demais.
Eles não ouviram cientistas. Viram com os próprios olhos que o gelo está diminuindo. “Proibimos que se traga o gelo, porque já não tem mais gelo lá em cima”, diz o peregrino. “Tudo era neve. Vinha até aqui”, conta outro homem. “Agora, o aquecimento global, senhores, é uma preocupação”, diz outro peregrino.
Os que vêm das montanhas trazem penduradas peles de vicunha, uma parente da lhama. Os da selva portam cocares de penas.
Cada roupa representa um pedaço da rica cultura andina e da mistura que começou com a chegada dos espanhóis. Um ritual de iniciação. Chicotadas nos que venceram a noite no gelo.
Nesta festa não tem polícia, nem governo. Mas tem os pablitos, com uma fantasia, que mantém a ordem.
Um deles conta que vem há 20 anos.
Sônia Bridi: Vocês têm medo das mudanças no clima?
Peregrino: Sim. Tenho medo. O que será da nossa vida?
O desfile de peregrinos montanha abaixo não tem fim. Alguns se fantasiam de condor, o abutre dos Andes. Outros carregam cruzes.
Em vários pontos, eles se ajoelham para esperar um deus inca aparecer. O sol desponta, eles se benzem, como bons cristãos, e seguem em festa.
Lá embaixo, os peregrinos agora se agrupam e a equipe do Fantástico vai para o alto, até a nova fronteira do gelo, que não para de recuar.
Para chegar até a geleira, o grupo precisou subir a cinco mil metros de altitude. O problema é que essa geleira termina aos 5,3 mil metros e continua encolhendo. Isso, segundo os cientistas, significa que em 20 anos ela terá desaparecido por completo, junto com todo o gelo dos Andes tropicais abaixo dos 5,4 mil metros.
Vinte anos apenas e boa parte desse estoque de água congelada terá ido embora, deixando países como Equador, Bolívia e Peru com graves crises de abastecimento.
“Em maio já nevava. Agora, em julho, a chuva era farta. O frio está mais frio, o calor mais quente”, conta o peregrino.
Na voz do peregrino, a definição das mudanças climáticas, exatamente como preveem os cientistas.
Fonte: Fantástico
Nota da casa: Muitos ritos antigos foram incorporados pelo Catolicismo e as pessoas perderam o sentido e o significado desses rituais. A humanidade ruma à auto-extinção pelas mãos do Capitalismo. O que está em jogo e a nossa preservação e isso passa por uma mudança na forma como nos relacionamos com o mundo, a natureza e conosco mesmo.

sábado, 13 de novembro de 2010

A razão de sua vida

Depois da dica do Gaius, eu fui procurar no oraculo virtual [Google] mais textos da Ailin Aleixo.
Achei este bem apropriado para este blog e para dar [no bom sentido] em homenagem à Qelimat:
Por que nunca assumimos a responsabilidade por nossas vidas?
Esse papo de Jesus é lindo mas não cola comigo. Minha religiosidade admite que só existe a luz por causa da sombra e, antes de serem incompatíveis, são inseparáveis. Não gosto do maniqueísmo. Sabe qual a minha carta preferida do tarô? O Diabo. Ele é algo sobre o qual as pessoas nunca chegarão a um acordo, assim como Deus. Mas, ao contrário d'Este, fica mais poderoso à medida que o tumulto à sua volta cresce.
O Diabo faz as pessoas pensarem, viverem, temerem. Não acredito no cara de rabo e tridente, e sim naqueles desejos que nos impulsionam. Daí entra Deus. Deus é nossa vontade de confiar, ter estabilidade, dormir na rede com o ventinho batendo no rosto. Deus é a calma, o maravilhoso equilíbrio que sempre buscamos mas que não saberíamos ser maravilhoso se não conhecêssemos o oposto. Sem as dualidades, a vida seria um marasmo sem fim.
Gibran Khalil, num de seus contos, narra o encontro de um padre com o Diabo.
"O padre aproximou-se e inclinou-se sobre o moribundo e viu uma face estranha, na qual se misturavam a inteligência e a astúcia, a fealdade e a beleza. O padre soltou um grito terrível e bradou, trêmulo: 'Deus me revelou tua face infernal para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o fim dos tempos!'"
O demônio respondeu com certa impaciência: "Não sabes o que dizes, e não calculas o mal que cometes contra ti mesmo. Eu fui e continuo a ser a causa de teu bem-estar e de tua felicidade. Não foi minha existência a justificação da profissão que escolheste e meu nome, o lema de tua vida?"
Pois é: acredito em Deus, rezo e, do meu jeito, tenho muita fé. Mas creio que vivemos essa dimensão divina muito mais interiormente que em adesivos de carros, camisetas ou chaveiros.
Acredito no Diabo também. Nessas "tentações" que se interpõem em nosso caminho para nos mostrar o que é realmente importante. Por isso não nego minhas dualidades. Por isso acho que traição e amor podem coexistir e que ofender não significa, obrigatoriamente, odiar. Por isso temo destruir coisas que me são caras ao mesmo tempo que me aproximo do que, dizem, deveria me afastar. Mas não posso ser só metade de mim.
Adorei uma comparação que ouvi, entre um velho "amigo" meu e Satanás. É bem verdadeira. Ele ferra tudo por onde passa e mesmo assim continua sedutor. Mas ele não é Satanás, é só um humano sem semancol, sem apego. Só. Realmente tenho amargas lembranças dele - mas também foi muito importante. Ambas as coisas. Você já reclamou várias vezes que sempre se interessa pelas mulheres "erradas", mas não existe ninguém errado nem ruim, só ruim pra você. Ela pode ser ótima pra alguém que tenha as mesmas expectativas de vida, mas você não é essa pessoa - e mesmo assim se sente atraído por ela. Somos incoerentes, faz parte. E ninguém é culpado por isso, mesmo que a solução mais espontânea seja jogar a responsabilidade pra cima do outro, seja ele o Diabo, o ex-namorado ou o tempo.
Não creio que a simples introjeção de um conceito divino possa, de alguma maneira, me livrar de problemas cotidianos, de desejos. Aliás, seria péssimo! Quero paz, alegria, felicidade e também o frio na barriga, a surpresa, o descontrole temporário. Posso ser louca, mas acho que só tenho consciência das minhas discrepâncias e não tento ignorá-las me escondendo atrás de dogmas e púlpitos.
Autora: Ailin Aleixo
Fonte: Mulher Honesta
Trecho sublinhado por conta da casa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Liber[t]ação Feminina

Mulher que é mulher dá pra quem ela quiser e nem perde tempo pensando nesse assunto porque é algo tão natural e simples na sua vida quanto escovar os dentes ou ir ao cinema. Por isso acho bem esquisito essas meninas (independente da idade que tenham continuam meninas) cheias de preocupação, lendo livros e fazendo contas (primeiro encontro, terceiro, décimo segundo?) para descobrir o momento ideal de arriar a calcinha de renda.
É só sexo. Passional, carnal e intempestivo como deve ser. Deixem as contas pro IBGE, as regras de bom comportamento para os colégios de freira, e vivam. Comprem camisinhas e mandem bala.
Apesar da aparente modernidade, tem muita mulher regulada por aí. E não porque não sintam vontade de liberar, não: esse motivo é respeitável. É porque tem medo do que os outros vão falar. Medo do que o cara vai pensar dela, vê se pode. Se uma garota teme o juízo que o cidadão vai fazer dela depois do bundalelê, é um aviso dos céus de que não deve dar pra ele de jeito nenhum—a menos que goste de transar com babacas moralistas.
Jamais me preocupei com o que o vizinho, o porteiro ou qualquer terceiro pensam de mim: se eles não tem nada mais importante pra fazer do que vigiar a vida alheia, pobre deles. O problema é que nossa sociedade é, feito lençol freático, permeada por um moralismo mais contaminador que dengue e, quando você menos espera, se pega censurando a conduta dos outros igualzinho sua avó. Comportamento herdado, sabe? Pior que isso, comportamento arcaico. Ou patético.
Homem que fica encanado com a vida sexual pregressa da namorada precisa tomar surra de frigideira pra parar de ser besta. O mais engraçado é que os machos rodados se acham os Tiger Woods do sexo (acertam o buraco cada vez com mais distinção), mas as mulheres viram roupa comprada em brexó? Ah, faça-me o favor. Cada um dá o que é seu e ninguém tem nada a ver com isso. E, aliás, o número de pessoas que passaram pela minha cama, ou pela dela, não te interessa, não altera a BOVESPA, nem a minha personalidade ou valor. Muda, isso sim, a experiência. O que é, ao meu ver, ótimo: ter referencial é algo valiosíssimo nesses dias de propaganda enganosa…
Mas, veja bem: dar pra quem quiser não significa passar o rodo no time de basquete inteiro ou em toda sua turma de amigos, não. Isso é falta de respeito consigo mesma. Porque, como disse Leila Diniz a um babacão que, depois de tomar um sonoro fora, a chamou de vagabunda: “Querido, eu posso dar pra todo mundo, mas não pra qualquer um”. Isso é que é mulher."
Autora: Ailin Aleixo.
Divulgado na SW por Gaius.
Nota da casa: Isto me recorda o diálogo entre Nana e Iony, sobre o Complexo de Cinderela e do como ainda as mulheres brasileiras vivem dentro das imposições sociais, das limitações do patriarcado, das repressões da igreja. A maioria ainda tem o casamento como "projeto de vida" e depois subsiste de forma medíocre, vivendo em função de outras coisas [marido, filhos, carreira, patrimônio] e se esquecendo dela.
Mulher, você e apenas você é dona de si. Viva em sua função. O mundo, a humanidade, os homens humanos [especialmente os pagãos };)] agradecem.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Paganismo nas escolas

Citado pelo Caturo [Gladius] e buscado pelo oráculo virtual, Google:
As escolas poderão ensinar Paganismo depois que um conselho decidiu que cabia a cada escola se incluiriam em sua educação religiosa.
O Conselho de Lincolnshire fez uma reunião para discutir se deveria ensinar junto com as seis religiões ensinadas nas escolas, que são o Cristianismo, Hinduismo, Judaismo, Sikismo, Budismo e Islamismo. Esta decisão veio uma semana após grupos cristãos terem criticado a BBC por "diminuir o Cristianismo e patrocinar o Paganismo" em sua reportagem sobre o festival de Samhain.
Debbie Barnes, diretora assistente dos serviços para as crianças do Conselho de Lincolnshire, disse que o conselho não estava dando uma orientação direta sobre se deveria ser incluido no curriculo e estava a cargo das escolas decidirem. Ela acrescentou que um conselheiro de ensino religioso deveria monitorar a tendência nacional nesse assunto. Minutos após o encontro do Consleho de Educação religiosa ecoou a declaração da senhora barnes e reconheceram que a discussão "cobriu um amplo espectro de crenças e práticas".[The Way]
Noticiado também no Register, no Daily Mail, no Lincolnshire e no Sify.
Podemos começar a contagem regressiva para que isto seja possível no Brasil?

Maior templo da Roma antiga é reaberto ao público

O maior templo da Roma antiga foi reaberto ao público nesta quinta-feira após mais de 20 anos em obras. O anúncio ocorre em meio a uma tempestade política sobre a manutenção dos tesouros artísticos italianos, após o colapso da Casa dos Gladiadores em Pompeia.
O Templo de Vênus e Roma, construído durante o governo do imperador Adriano no século II (de 121 a 135), se situa no coração do Fórum Romano, perto do Coliseu. Do imenso edifício original com duas entradas restam dezenas de colunas e partes de duas absides com tetos ornamentados.
O templo era visível para os visitantes do Fórum, mas o acesso estava interditado por causa das obras. Até os anos 1980, carros podiam até mesmo estacionar em frente as suas colunas.
"Restauramos para Roma um dos mais importantes símbolos de poder e grandeza do Império Romano", declarou à AFP Claudia Del Monte, arquiteta encarregada da restauração durante a reinauguração do templo.
O trabalho de restauração foi centralizado, principalmente, na pavimentação do templo de Roma, nas melhorias nos vãos de sustentação do teto, enegrecidos pela poluição e limpeza de um esgoto próximo ao local.
Erguida nas ruínas da Domus Aurea - a casa do imperador Nero -, este templo comporta duas partes unidas: o templo de Vênus, deusa do amor e ancestral mística dos romanos e o templo de Roma Aeterna, deusa da cidade.
Mesmo fechado ao público, o templo vem sendo utilizado, desde o Papa João Paulo II, para cerimônias da Sexta-Feira Santa.
Del Monte explicou que certos aspectos da restauração não teriam sido necessários se o local tivesse sido mais bem conservado.
"Os italianos devem estar conscientes de seu patrimônio e parar de maltratá-lo", disse.
Fonte: Noticias Terra
Nota da casa: Primeiro descubramos as nossas reais origens para depois enterrar o verdadeiro entulho, a Igreja.

domingo, 7 de novembro de 2010

Feliz Diwali

Nova Delhi, 5 nov (Prensa Latina) Milhões de pessoas na Índia receberam hoje ao ano novo indiano em suas moradias engalanadas com luzes multicolores, e com o estrondo ensordecedor de fogos artificiais e petardos, enquanto familiares e vizinhos desejavam-se mutuamente um "Happy Diwali".
Conhecida também como o festival das luzes, a data tem um forte ônus simbólico para os índios, pelo geral bastante supersticiosos, pois marca a vitória do bem sobre o mau, e a iluminação da escuridão espiritual.
Segundo a lenda que prevalece no norte do país, depois que o rei deus Ramo derrotou ao demônio Ravana, os habitantes da cidade de Adyodhya acenderam lustres de azeite para guiar em seu regresso a casa.
No sul, o maligno toma o nome de Karakasura e seu némesis é Krishna, outra deidad do panteón indiano, enquanto para outros a celebração está sócia ao fim da colheita, prévio à chegada do inverno.
A festividade tem lugar no decimoquinto dia do mês de Karttika, que no calendário gregoriano equivale ao período que se estende entre o 21 de outubro e o 18 de novembro.
Se venera em particular a Lakshmi, a deusa da riqueza e da prosperidade, e a Ganesha, o deus com cabeça de elefante que segundo os indianos abre os caminhos da boa sorte.
Na Índia moderna, Diwali representa ademais um momento de relajación e de grande efervescencia comercial porque os comerciantes aproveitam-se da tradição de estrear roupas e trocar presentes.
O ouro, já seja em jóia ou em moedas, é muito demandado, pelo que esse metal precioso atinge preços exorbitantes durante a festividade.
Segundo reportes da imprensa local, para este ano a grama chegou a cotar-se a quase 45 dólares.
As grandes correntes de lojas e os vendedores ao detalhe também fazem seu agosto, e tentam seduzir aos clientes com grandes rebajas, porque segundo a tradição, durante Diwali devem ser adquirido utensilios novos para o lar.
Fonte: Prensa Latina
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participou da festa de celebração hindu das luzes, a Diwali, e dançou com os estudantes de uma escola de Mumbai.
Obama e sua mulher estavam assistindo a uma apresentação das crianças em uma escola do sul da cidade.
A primeira a levantar foi a primeira-dama então se levantou para dançar com as crianças e convenceu seu marido fazer o mesmo.
O presidente recebeu orientações da dança. As crianças aproveitaram para tirar fotos e pedir autógrafos do casal.
Fonte: SRZD

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Letões pagãos nos EUA

Desenvolve-se a olhos vistos o Neo-Paganismo letão em terras norte-americanas, nomeadamente nos EUA e no Canadá.
Livre da opressão soviética, a Igreja Luterana da Letónia fortaleceu-se na diáspora letã na América do Norte, inclusivamente porque serviu como laço de ligação entre os letões estabelecidos nessa parte do globo.
Mas mais cresce ainda, comparativamente, o culto aos antigos Deuses da herança báltica letã, de raiz indo-europeia. Trata-se de uma religião construída a partir de antigas práticas, designada como Dievturiba (que significa «Manter Deus»).
A Dievturiba foi criada com base apenas nas Dainas lituanas, que são cerca de um milhão de canções/poemas de quatro linhas que dão a conhecer a vida antiga e as tradições antigas. As Dainas contém, segundo os devotos, muitas verdades ocultas e muitos ensinamentos sobre os Deuses e a vida, mas não se exige que sejam tomadas literalmente.
Tal como outros movimentos pagãos no Báltico, a Dievturiba foi estabelecida após a primeira independência da Letónia, nos anos vinte do século XX. Após a segunda independência, ou seja, depois da queda da União Soviética, houve um revivalismo do culto, que, de resto, se mantivera clandestinamente ao longo do totalitarismo comunista militantemente ateu.
Actualmente, os crentes da Dievturiba na Letónia são muito activos na realização de encontros, debates e até palestras escolares sobre vários temas da religião.
Os membros mais activos da congregação encontram-se fora da capital - Riga - nomeadamente nas regiões de Jelgava, Ventspils e Valmiera.
Também a Letónia, e os outros países bálticos, têm o seu «Halloween» - a sua festividade pagã mais importante parece ser a Velu Laiks, ou «tempo dos espíritos», situado mais ou menos na altura do fim do Outono e início do Inverno: trata-se da época do ano em que os espíritos andam pela terra, propícia para resolver enigmas, e conduz ao renascimento da luz, que mais tarde marcará o fim de um longo Inverno. É também uma época de festejos e comezainas para celebrar a colheita e os espíritos que abençoaram o Povo ao longo do ano. Na Lituânia e na Estónia, pelo contrário, o Primeiro de Novembro não tem lugar para alegrias, apenas para velar os mortos.
Fonte: Gladius

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A hipocrisia assustadora

Tanto Cristãos quanto Muçulmanos têm, nos últimos dias, clamado pela "liberdade de crença". Os Muçulmanos mostraram recentemente o nível de "tolerância religiosa". E como dia 31 foi halloween, os Cristão também mostraram que esse discurso em defesa da "liberdade religiosa" é mais uma máscara.
As conferências episcopais inglesa e irlandesa querem travar a moda do Halloween entre as famílias cristãs, aconselhando as crianças a mascarar-se de santos em vez dos habituais monstros e bruxas. Um apelo a que se juntou a Igreja espanhola. Por cá, embora a noite das bruxas ainda não seja uma tradição muito forte, as organizações religiosas vêem com bons olhos esta recomendação.
"Não tenho a certeza de que o Halloween possa ser substituído, mas acho importante que se fale da véspera de Todos os Santos", refere José Vítor Adragão, membro do Congresso Internacional da Nova Evangelização. Também o padre Pablo Lima, do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, considera que "a tradição do Halloween ainda é muito pequena em Portugal" e que, apesar de "não haver uma substituição do dia de Todos os Santos, é importante alertar para estes costumes que já estão a crescer".
A pensar nos mais novos, um grupo da Igreja inglesa lançou uma espécie de guia com actividades para a noite de 31 de Outubro. O Night of Light (Noite da Luz) é uma iniciativa que segundo a página da Internet quer "reclamar o Halloween [véspera de Todos os Santos, em português] para a Igreja". Assim, nessa noite, as famílias cristãs são convidadas a vestir uma peça de roupa branca e a colocar uma vela na janela.
Actividades que José Vítor Adragão e Pablo Lima defendem, embora considerem que as duas festas podem conviver. "É possível que as crianças façam a festa de Halloween sem que isso exclua uma explicação da festa e da solenidade de Todos os Santos", entende o padre da Pastoral Juvenil. Até porque "não é o caminho do confronto que se deve seguir mas o da sadia convivência entre as duas festas", refere. Do mesmo modo, José Vítor Adragão defende que se deve "explicar o que é o Todos os Santos, mas não se pode substituir uma festa pela outra".
No entanto, não esconde o mal-estar perante a postura das escolas religiosas que festejam o Dia das Bruxas. "Custa-me um bocado ver os colégios católicos dar tanta importância ao Halloween, que não é uma tradição nossa", confessa. A solução está nas famílias cristãs, que devem explicar as duas festas e não esquecer a dimensão religiosa do dia de Todos os Santos, acrescenta o membro da Comunidade Emanuel.
A outra opção é convencer as crianças a mascarar-se de santos em vez de esqueletos ou bruxas. E para que ninguém se queixe de que não tem ideias, a Conferência Episcopal inglesa e a espanhola dão uma ajudinha. Os mais novos podem vestir-se de São Jorge, São Francisco, Santa Lúcia ou Santa Maria Madalena.
Tudo isto porque a Igreja defende que a origem do Halloween é principalmente católica, já que desde o século IV que se consagrava um dia para festejar Todos os Mártires. E três séculos mais tarde a festa em honra do Todos os Santos passou a ser celebrada a 1 de Novembro sendo precedida por uma vigília na noite de 31 de Outubro. Em inglês, esta vigília era chamada de All Hallow's Eve (Véspera de Todos os Santos). Mas esta noite também é celebrada na tradição pagã. A festa celta Sambain tinha por objectivo prestar culto aos mortos, celebrava-se de 5 a 7 de Novembro e era uma das festas mais importantes, pois acreditava-se que nesta data os espíritos voltavam para visitar os seus lares e guiar os familiares até ao Além. O culto acabou por se misturar com a tradição cristã.
Fonte: Diário de Notícias
Nota da casa: A tradição está longe de ser católica, como este blog denunciou no texto "Proibido festejar".

Druidas comemoram "halloween" original

Enquanto milhares de pessoas em vários países usam abóboras e esqueletos para comemorar o Halloween, druidas da Floresta Charmwood, inspirados por religiões ancestrais, celebram a festa pagã de Samhain.
Vestidos a caráter, eles bebem hidromel, dizem se comunicar com espíritos e celebram os mortos, além do fim de mais um ano.
Para druidas, são também um instinto pagão do mundo natural e a chegada da escuridão que inspiram as festas de Halloween no hemisfério norte.
"A maioria pode não saber, mas eles estão se conectando com algo natural no Halloween, que lhes traz satisfação e ajuda na transição ao período mais escuro do ano", afirmou Michelle Axe à BBC.
A cerimônia druídica é conduzida por três bruxas, que jogam pedrinhas no caldeirão para se livrar de tristezas.
A religião foi parcialmente reiventada para os tempos modernos, com rituais que atraem cada vez mais gente.
Decisões recentes de autoridades britânicas podem elevar o druidismo a religião reconhecida oficialmente no país.
Fonte: G1
Nota da casa: O "formato" da cerimônia ou da celebração do Dia de Finados é irrelevante. No mundo inteiro há ao menos um dia para se lembrar dos que se foram, lembrar dos antepassados e honrá-los em silenciosa reverência. Feliz Sanhaim para todos nós.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sociedade e condicionamento

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito paixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.
Autora: Marta Medeiros

Fonte: Rede de Relações Livres
Nota da casa: Mais do que nunca, vale a recomendação da Musa Nana Odara: Vamos gozar na cara dos caretas.