terça-feira, 28 de junho de 2011

Holanda proíbe sacrifício de animais em ritual

Haia, 28 jun (EFE).- O Parlamento holandês aprovou nesta terça-feira, apesar da oposição dos partidos cristãos e das organizações muçulmanas e judaicas, uma lei que proíbe o sacrifício de animais em rituais.
O Parlamento ratificou a proposta com 116 votos a favor e 30 contra, em uma votação feita individualmente e de modo aberto, e não por grupos parlamentares em bloco, como é o habitual.
O projeto da lei, apresentado pelo Partido para os Animais (que possui duas cadeiras no Parlamento), estava há meses sendo debatido e havia grupos que defendiam que a proposta era contrária ao direito constitucional que protege a liberdade religiosa.
Finalmente, foi feito um acordo graças a uma emenda que permite às organizações muçulmanas e judaicas realizar sacrifícios caso demonstrem cientificamente que seu método causa menos dor ao animal do que as formas "regulares" de sacrifício.
Os partidos cristãos haviam pressionado para que se esperasse pela resposta dos juízes a um procedimento que associações judaicas e muçulmanas levaram aos tribunais.
Nesse processo, as organizações religiosas pediam aos juízes que se pronunciassem sobre a independência de um estudo da Universidade de Wageningen (leste da Holanda) que sustentava que o sacrifício em rituais causava mais dor do que o método habitual, que deixa o animal inconsciente antes de matá-lo.
A pesquisa acadêmica foi de grande importância para que a proposta de lei contasse com a maioria do Parlamento.
De acordo com especialistas, cerca de 2 milhões de animais são sacrificados anualmente em rituais na Holanda.
Ao aprovar a lei, a Holanda se soma a Suécia, Noruega, Áustria, Estônia e Suíça, que também contam com leis que proíbem este tipo de práticas.
 Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: Ainda é uma lei na Holanda, mas atenta contra os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Não são apenas o Judaísmo e o Islamismo que estão ameaçados por esta lei, as religiões da Diáspora Africana, as Religiões Nativas, bem como algumas formas de Paganismo estão ameaçados se esta lei se espalhar pelo mundo. Os imaturos e burguesinhos que gostam de fingir serem "pagãos" que torçam o nariz e sintam nojo, mas é impossível pensar as Religiões Antigas, as Religiões Nativas ou o Paganismo sem o sacrifício ritualístico de animais. Para quem acha que "ser pagão" é ser eco-chato ou vegan, eu recomendo a leitura do texto "A natureza do homem e do divino" do livro "Shiva e Dioniso" de Alain Danielou. E caso insistam, eu lhes digo que o mundo ocidental, na Idade Contemporânea, está tão mergulhado em agressividade, ódio e violência exatamente porque baniu o sacrifício ritualístico de animais.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Arqueólogos encontram inscrições em San el Hagar

Uma missão de arqueólogos franceses descobriu no Egito centenas de blocos de pedra com inscrições e desenhos de cores vivas que datam da dinastia 22 (945-712 a.C.), anunciou nesta segunda-feira (27) o Ministério de Estado para Antiguidades do país.
Descobertas na região de San el Hagar, na província de Sharqiya, no nordeste do país, as pedras foram reutilizadas por outras dinastias na construção do muro de um lago sagrado destinado ao templo do deus Mut.
Os arqueólogos devem continuar as escavações na área até localizar todos os blocos, cerca de 2 mil peças, para poder reconstruir o templo antigo do qual faziam parte seguindo as inscrições. Dos blocos recuperados, os arqueólogos limparam até agora 120 peças, das quais 78 possuem inscrições.
Há um ano, a missão de arqueólogos franceses tenta descobrir também o lago sagrado, que tem superfície de 30 metros, largura de 12 metros e profundidade de 6 metros.
Segundo o comunicado, a descoberta arqueológica atribui mais importância à localidade de San el Hagar, conhecida na antiguidade como o Luxor do norte do Egito.
Fonte: G1 Mundo

sábado, 25 de junho de 2011

Corpus Clupeidae

Na Espanha, sexta-feira não foi dia de Corpus Christi, mas dia de Corpus Clupeidae.
O desfile do "Enterro da Sardinha" encerrou neste sábado as festividades de Carnaval em diversas localidades da Espanha, no fim de semana seguinte ao domingo de Páscoa.
A festa pagã, que reúne de pessoas fantasiadas e desfile de carros alegóricos, remonta a meados do século XIX, quando um grupo de estudantes de Madri decidiu formar um cortejo liderado pela imagem de uma sardinha, representando o jejum e a abstinência durante na Quaresma - período no qual a fé católica recomenda não consumir carne.
Com o passar do tempo, a folia foi ganhando proporções nacionais. Uma das cidades espanholas que mais se destaca nas festividades do "Enterro da Sardinha" é Murcia - que este ano apresentou 23 carros alegóricos (liderados, como manda a tradição, pela imagem do peixe), reunindo uma multidão embalada por charangas e jogos nas ruas.
O ápice do "Enterro" em Murcia se deu à noite,com o desfile da "Dona Sardinha", encarnada por uma mulher eleita pelos foliões. No fim da brincadeira, a imagem de uma sardinha é queimada como ritual de purificação, seguido de queima de fogos de artifício.[Noticias Terra]
E de conjurar bruxas.
O fato de que alguns dos apóstolos de Jesus terem sido pescadores gerou lendas entorno dos pescadores de água doce, do lago de Tiberíades, que é associado até hoje a determinadas espécies que jamais nadaram nas águas do mar da Galiléia.
É o caso do peixe-galo ou peixe de São Pedro, cujas manchas laterais seriam as impressões digitais do primeiro dos santos; do xarroco, que teria um lado escuro e outro claro pela impaciência do próprio Pedro na hora de assá-lo...enfim, lendas.
Contudo, na Espanha há um peixe ligado intimamente não a um apóstolo propriamente dito, mas a seu precursor: João Batista, que também não conheceu nada além do Jordão, um rio que convém chegar psicologicamente preparado para não se decepcionar, já que é um pouco mais do que um riozinho.
Bem, dizem na Espanha que "por San João - 24 de junho - a sardinha besunta o pão", o que quer dizer que este peixe azul acumulou já suficiente quantidade de gordura para lambuzar o pão. De fato, essa noite (23-24 de junho), são consumidas toneladas de sardinhas assadas no litoral espanhol.
Em la Coruña, conhecida pelo farol que funciona desde os tempos de Trajano, e durante os maravilhosos anos do início deste século pelas proezas europeias de seu time de futebol, a noite de San João é celebrada nas praias urbanas.
Os habitantes aproveitam essa noite para se desfazer das velharias, um pouco como fazem os napolitanos na noite de São Silvestre; mas, em vez de atirá-las pela janela, as levam para praia e as queimam em fogueiras.
Depois de queimar tudo e de pular a fogueira, as brasas são aproveitadas para assar as sardinhas frescas que ficam de molho no sal grosso durante a festa toda até esse momento esperado. Sardinhas, pão e, claro, vinho, para conjurar às bruxas - as ''meigas'', como são chamadas na Galícia - a noite mais curta do ano.
Naturalmente, esta é uma maneira rústica de comer sardinhas, mas o verão é muito longo e aceita outras formas de preparo. Para começar, envolver cada sardinha em uma folha de parreira, para evitar que a gordura caia no fogo. E, se as querem imaculadas, é só limpar o peixe, empaná-lo e fritá-lo: fica ótimo.
Mas nada fica como as sardinhas de San Juan, na praia, em frente do Atlântico, banhados pelas rajadas de luz do velho farol romano. Noite mágica, herdeira de uma tradição que se perde nos mais velhos tempos. [Notícias Terra]

Memorial na Noruega

Na pequena cidade de Vardoe (ou Vardø), da Noruega, no centro de uma casa com paredes de vidros há uma insólita cadeira em chamas para lembrar que exatamente ali, no século 16, a Igreja Católica queimava mulheres (sobretudo elas) e homens acusados de bruxaria.
Esta instalação, projetada pela americana Louise Bourgeois, faz parte do Memorial Steilneset que Sônia Haraldsen, 74, a rainha do país, inaugurou ontem (24) em homenagem às vítimas da fúria católica.
Em um anexo à casa, há um corredor (concebido pelo arquiteto suíço Peter Zumthor) onde estão figuras de 77 mulheres e 14 homens que arderam no local em nome de Deus. Estima-se que essas 91 pessoas correspondam a um terço das vítimas da Inquisição na Noruega. Em nenhum outro lugar do país os representantes da igreja caçaram e queimaram tantas bruxas.
Na Idade Média, os eclesiásticos escolheram aquele local para julgar e queimar os acusados de heresia ou de ter feito pacto com o diabo por ser de fácil acesso. A ideia era de que o máximo de pessoas vissem à punição de modo a ficarem atentas às tentações do diabo, mantendo-se, obviamente, obedientes à igreja.
Sônia comentou que sentiu um mal-estar porque era como tivesse retrocedido no tempo, na época da Inquisição.
Stein Ovesen, um dos responsáveis pelo memorial, disse que hoje a igreja e a sociedade assumem a responsabilidade pelo vergonhoso atentado contra aquelas pessoas e a dignidade humana. E acrescentou que a atual Noruega condena “a violência contra com base em raça, gênero, fé e convicção”.
Fonte: Paulopes
Nota da casa: Ao menos, na Noruega, há um memorial e não se tenta negar/revisar a história. Ato contínuo, há um excelente texto falando da necessidade dos fundamentalistas em ter alguém a apedrejar. Estes, católicos ou cristãos, se valem de tudo [de tudo, mesmo, sem qualquer limite ou vergonha] para justificarem/explicarem/indultarem suas manifestações de ódio, intolerância e preconceito.
MUDE A IGREJA OU MUDE-SE DELA!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Pau de Santo Antonio

Direto da Marreta do Azarão:
Depois de conspirar e prejudicar o próximo, bebedeira e putaria vêm em segundo lugar no ranking das preferências humanas. O ser humano gosta de pôr pra jambrar, gosta é de rosetar. E tanto melhor se houver justificativas hipócritas para tal. A ciência e a religião - as duas filhas prediletas da humanidade - se prestam a isso perfeitamente, ora uma ora outra.
Um exemplo dos mais hipócritas do que falo é a festa do Pau de Santo Antônio. Em diversas localidades do país, um grupo de homens, que pode passar dos 100 integrantes, se embrenha na mata em busca de um imenso tronco, que varia de acordo com a região, alguns até de madeira protegida pelo IBAMA, aroeira, jatobá, angico, carnaúba etc.
O tronco é derrubado e carregado em procissão até o arraial da aldeia onde dar-se-á a festa de Santo Antônio; alguns troncos, como o de jatobá, podem medir mais de 20 metros e pesar 2 toneladas. Os heroicos homens não são movidos apenas por sua fé, parte da força necessária ao tranporte do pau do santo é oriunda da boa e velha cachaça, um carrinho vai acompanhando o cortejo e quando os homens se cansam, largam o pau para tomar um fôlego e bebem da cachaça abençoada pelo padre da paróquia local.
Em certas partes mais acidentadas do trajeto, há o cansaço e esmorecimento natural dos homens a carregar o vergalhão santo, é nessas horas que entra a figura do Capitão do Pau, um senhor já de idade, incapaz de levantar pau algum, que vai à frente da comitiva incentivando e insuflando os ânimos : "É a tradição, gente, não vamos esquecer. Esta é a maior festa de Santo Antônio do muuundo! Vamos lá, vamos levantar esse pau! Vamos pôr ele pra cima!"
Ao chegar ao arraial com sua preciosa carga, o grupo de homens é recebido com festa do povaréu, principalmente das beatas, aquelas "tias" encruadas, gordas, com pernas cheias de pelos e varizes e bucetas que fazem gambá morrer de inveja. A turba feminina, desesperada por um casamento, toma de assalto o pau de Santo Antônio, pegam no pau, abraçam o pau, beijam o pau, sentam no pau e arrancam cascas do pau para fazer um chá, simpatia que, dizem, é tiro e queda para conseguir marido. O pau do santo, já todo esfolado, babado e embucetado, finalmente é erguido no meio do arraial e hasteada nele a bandeira de Santo Antônio. A festa, cuja origem remonta os tempos do Império, só está começando, ainda serão mais 24 horas de muita cachaça e pegação no pau.
Bebida e putaria, tudo em nome e patrocinado pela Santa Igreja Católica.
Como diria o imortal filósofo e pensador Paulo Silvino : "Ai, como era grande !!!"

Como antigamente

Enquanto na Bolívia até o presidente Evo Morales resguarda as tradições locais, cá no Brasil continuamos a celebrar festas e cerimônias que foram assimiladas/usurpadas pela Igreja. Neste mês todo, em diversas cidades, em praças públicas e igrejas, nós celebramos as festas juninas. O Caturo [Gladius] nos conta o que foi e o que se tornou as festas juninas.
Diz Teófilo Braga, na obra «O Povo Português Nos Seus Costumes, Crenças e Tradições», volume II, página 211 e seguintes:
«A festa de São João Baptista em todos os povos europeus está ligada a um fenómeno astronómico, o solstício do Verão, em 24 de Junho. O célebre ritualista Guilherme Durandus, interpretando alegoricamente a festa do Precursor, não pode ocultar o seu sentido mítico: "Faz-se girar uma roda, em certas localidades, para assim designar que o Sol não se pode elevar mais, mas torna a descer no seu círculo, assim também a fama de São João, que era olhado como um Cristo, diminuiu quando este apareceu. Alguns dizem que é porque neste tempo os dias minguam, e que crescem de novo no Natal de Jesus Cristo..."»
Ou seja, uma forma de diminuir o prestígio do Sol perante o Judeu Morto, primeiro substituindo-O por um sucedâneo («São João») e depois «integrando» na religião do Deus oriental os rituais que ao Sol são devidos. A isto se chama «cristianização».
Não é por acaso que, conforme se lê na obra «Os Solstícios - História e Actualidade», o próprio Justino o Mártir, um dos doutores da Igreja, regista que «os cristãos usurparam o dia do Sol», e que o dia da semana sagrado dos cristãos, o domingo (de «Dominus», «Senhor»), é na tradição pagã ocidental consagrado ao Sol, «Dies Solis» (que os Ingleses conservam no seu «Sunday» e os Alemães no seu «Sontag», entre outros...). Não é igualmente por acaso que o dia mais festejado da Cristandade, o Natal, coincide mais coisa menos coisa com o outro solstício, o de Inverno. Talvez porque o culto solar foi por assim uma das últimas «frentes de combate» pagãs contra o Cristianismo, e porque o primeiro imperador cristão, ou cristianizado, Constantino, era pouco antes, e se calhar ao mesmo tempo, um adorador do Sol...
Claro que durante muito tempo a Igreja tentou proibir a celebração do solstício de Verão, antes de a tentar absorver, isto é, cristianizar... Duas fontes para cada uma das duas asserções:
- no século VI, o bispo de Árles proibiu num sermão o «banharem-se nas fontes, nos pântanos e nos rios na noite de S. João e na madrugada do dia seguinte» porque tal «costume nefasto ressuscita o Paganismo»;
- no século VII, uma obra que circulou em todas as dioceses de França dizia, entre outras coisas, que o fogo de S. João é «a marca do regozijo por S. João» e que teve o seu início nos primeiros séculos do Cristianismo, quando «S. Bernardo testemunha que era mesmo praticado entre os pagãos.»
Significa isto que em não conseguindo extirpar de vez a celebração pagã, tentou apoderar-se dela, dirigindo-a, «domesticando-a», de forma a «controlar os abusos», que eram, não apenas os excessos festivos naturais, mas também as «superstições» pagãs que não pudessem ser «transformadas».
Continuando, novamente com Teófilo Braga...
«É justamente uma tal concepção primitiva que faz com que a festa do solstício de Verão seja comum a todos os povos indo-europeus, e ainda aos povos semitas; o fenómeno é diversamente dramatizado, mas entre os povos europeus toma a expressão de um Combate de Verão expulsando o Inverno (24 de Junho), ou a sua inversa, a expulsão do Verão pelo Inverno (24 de Dezembro). (...) nos antigos prazos portugueses notou João Pedro Ribeiro, que o ano era sempre contado de São João a São João, e no Alvará de 1 de Julho de 1774, chamou-se-lhe ano irregular. (...) entre os povos eslavos é onde se apresenta mais completo, correspondendo muitas das suas particularidades a costumes portugueses (...). Por um documento da Câmara de Coimbra, de 1464, citado por Viterbo, se nota a forma de combate: "cavalhada na véspera de São João com sina e bestas muares". Em outros povos, esta cavalgada ficou simplesmente lendária, na Mesnie Furieuse, que tanto se localiza no solstício diurno (circa horam medirianam) como no solstício vernal. (...) Nos costumes provinciais conservam-se quase todas as formas dramáticas desta antiquíssima festa solsticial.
(...)
Na Beira Alta acende-se um facho no cimo dos montes (o galheiro) ou na ceira das azenhas (a roda, que ainda na Alemanha se deixa rolar dos montes). O facho, como escreve Leite de Vasconcelos, é um pouco de lenha em volta de um pau alto. Os rapazes que o vão acender levam músicas de tambores e pífaros, e grandes algazarras. O monte é além disto cercado de pinhas acesas.»
Nos Açores, fazem-se as fogueiras na rua, e os rapazes saltam por cima das labaredas; o mesmo no Algarve e no Alentejo.»
E, como todos sabem, o mesmo se faz um pouco por toda a Europa nesta data - o salto dos jovens por cima das fogueiras, para dar força e saúde, boa sorte, etc...
Autoria e citação do Caturo, no Gladius.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Você é um consumidor espiritual?

Nos últimos 5-10 anos a procura por um significado em nossas vidas tem se tornado algo similar a visitar um shopping center. Nunca antes tivemos tantos professores disponíveis, todos dizendo que trarão a felicidade eterna e proclamando que seus métodos são o caminho, que eles têm o único ou o melhor ensinamento, que se nós fizermos isso nós seremos livres, transformados, modificados para sempre, felizes como nunca antes, preenchidos, iluminados. Nós podemos até nos tornarmos um professor ou um mestre em poucos dias, após o que teremos interminável adoração, riqueza, fama e felicidade garantidos ou o nosso dinheiro de volta.
Quando as pessoas têm necessidades elas irão tentar qualquer coisa. Elas estão suscetíveis e vulneráveis a influências externas. Quando pessoas egoístas ou persuasivas dizem que podem ajudar a salvá-los, elas crêem.
Existem três razões principais pelas quais alguém se torna um consumista espiritual:
1. A vida não satisfaz facilmente nossas necessidades. Nós conquistamos algo mas sempre queremos mais. Mais torna-se um mantra. Mas, por constantemente querermos mais material e emocionalmente, nós então aplicamos o mesmo princípio à espiritualidade: mais professores e técnicas devem ser melhores do que apenas uma, certo?
2. Como o almíscar na Índia que tem um belo perfume em sua bunda mas procura pela floresta por este perfume, nós procuramos a felicidade fora de nós mesmos e desiste cedo, porque onde quer que encontremos nunca dura. Esta é a verdade da impermanência, a felicidade vem mas também se vai. Por não querer aceitar isso, nós continuamos a procurar por aquela indescritivel promessa da eternidade e nós procuramos aonde quer que possamos.
3. Aonde quer que olhemos, nós encontramos anúncios em jornais dizendo como cada um pode nos ajudar, salvar ou curar, promovendo diferentes professores e métodos que são os melhores. Cada um é mais provocante: finalmente este irá resolver todos os desagradáveis problemas de minha vida? Ou talvez este outro?
Para onde isto está nos levando? Como podemos encontrar nosso caminho através desse labirinto de ofertas? Muitos dos assuntos podem ter algo maravilhoso a nos ensinar, mas o que realmente nós iremos aprender em uma hora ou duas ou mesmo um fim de semana? Quando cavamos por petróleo, nós temos que cavar bem fundo para alcançá-lo. Se cavarmos em muitos buracos diferentes nós nunca iremos achar a fonte do petróleo. Do mesmo jeito, se embarcarmos na onda de um guru, comprarmos ou aprendermos técnicas demais, nós nunca iremos alcançar a essência dos ensinamentos.
Este texto é uma oportunidade para que você analise a realidade. Você está aprendendo a ouvir sua própria sabedoria e a se auto-governar ou alguém está te ditando as normas? Em que momento você parou ou está simplesmente estagnado? Você precisa consumir ou você precisa olhar para sua própria mente e coração pelo que você sabe ser verdadeiro?
Fonte: Care2

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A revolução espiritual

Nossa espécie é única, em muitos sentidos. Nós produzimos e transmitimos um conjunto de conceitos, imagens e símbolos que perfazem a cultura. Nossa espécie é a única a manifestar conscientemente e socialmente tal produção e transmissão. Nossa espécie é a única a se reinventar de tempos em tempos, aperfeiçoando ou revolucionando suas concepções sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre a vida.
No campo mundano nossa espécie avançou, revolucionando na economia, na tecnologia, na sociedade, na política. Mas no campo sentimental, erótico-afetivo e religioso nossa espécie estagnou, quando não tem um perigoso retrocesso.
Antigamente, quando honrávamos nossos ancestrais, quando tínhamos fortes laços com nossa comunidade, quando respeitávamos os ciclos da natureza, quando estávamos cientes de nossa comunhão com o mundo, nós simplesmente acreditávamos nos Deuses que estavam intimamente vinculados com nossa origem, com nossa identidade, com nossa essência, nós éramos capazes de amar e compartilhar indistintamente.
O tempo passou, nós crescemos e desenvolvemos um peculiar estranhamento com aqueles valores básicos que eram a nossa razão de ser. Esquecemos de nossos ancestrais, criamos um individualismo suicida. Ao invés de trabalhar com a natureza, passamos a forçá-la a atender as nossas necessidades alimentares e econômicas. Passamos a nos alienar do mundo e negligenciar nossa essência. Construímos sociedades ordenadas pelo medo, violência e ódio. Por um moralismo hipócrita  e um puritanismo neurótico, nós criamos diversos tabus e proibições que empobreceram nossa capacidade erótico-afetiva. A pobreza, a miséria, a guerra, a criminalidade são meros sintomas dessa nossa doença.
Imagine agora uma alternativa para que seja possível retomar em nossas mãos as rédeas de nossas vidas, reaver a liberdade que existia antes, ter livre-arbítrio com consciência e responsabilidade, reconquistando o poder que delegamos a outrem, fazer as pazes com nossa comunidade, com nossa essência, com a natureza, o mundo. Utopia? Impossível? Talvez, para quem se acostumou a viver como um rebanho e teme se revoltar contra os lobos que os pastoreia. O Paganismo é esta alternativa existe e torna possível a revolução espiritual necessária para que nos tornemos mais humanos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Feliz 5519° ano

(Foto: AP)
Os aimarás da Bolívia celebraram nesta terça-feira (21) na cidadela pré-inca de Tiahuanaco o "Willka Kuti", ou "retorno do sol", que dá início a seu mítico ano de 5519, com a participação do presidente Evo Morales.
Centenas de pessoas visitaram o templo de Kalasasaya de Tiahuanaco, para assistir à cerimônia que coincide com o solstício de inverno austral e a mudança do ciclo agrícola para a semeadura no campo.
A chegada dos primeiros raios do sol, o momento mais esperado, aconteceu às 7h25 do horário local (8h25 de Brasília), mais tarde do que em outros anos.
Os amautas, ou sábios indígenas aimarás, vestidos com suas roupas cerimoniais, acenderam uma fogueira sobre um altar para invocar em sua língua o Pai Sol e a Mãe Terra, acompanhados por Morales.
Os 5.519 anos da cultura andina são resultado da crença de que a civilização pré-hispânica tiahuanacota teve cinco mil anos exatos de história antes da chegada dos espanhóis, em 1492.
O número é rejeitado por arqueólogos e antropólogos, com o argumento de que não havia culturas desenvolvidas no planalto andino naquela época e os Tiahuanaco seriam de 1200 a.C.
Morales enviou seus ministros a várias regiões do país para participarem da celebração, que era denominada "Ano Novo Aimara" e agora passou a ser chamada "Ano Novo Andino Amazônico", em uma tentativa de reunir as diferentes celebrações indígenas realizadas durante o solstício de inverno austral.
O ministro das Relações Exteriores, o também aimará David Choquehuanca, declarou que o festejo, que nestes dias também terá seu correspondente em Cuzco com o Inti Raymi, a festa do Sol, disse que a data é oportuna para a renovação pessoal.
"Hoje é tempo de renovação. Assim como o Sol se renova, nós também nos renovamos, todos os seres humanos festejam junto com a natureza, junto à Mãe Lua e o Pai Sol, e nosso desejo para este ano é que todos consigam alcançar a felicidade", declarou Choquehuanca.
O chanceler havia convidado para as comemorações o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, que chegou de madrugada ao país para uma visita oficial, mas ele não compareceu.
Humala, que assumirá a presidência no final de julho, realiza nesta terça-feira uma visita de cerca de 15 horas à Bolívia para discutir com o presidente Morales a agenda bilateral.
Fonte: G1/mundo

sábado, 18 de junho de 2011

Uma oferenda em Tel Dor

Um curioso episódio que se passou há uma dúzia de anos, mais precisamente a 11 de Julho de 1998: um arqueólogo americano da Universidade norte-americana de Cornell, Jeffrey Zorn, resolveu, numa escavação arqueológica em Israel, ruínas do antigo e quase ignoto Povo de Tel Dor, resolveu, dizia, fazer uma oferenda num início de semana aos Deuses desconhecidos de Dor. De um modo cerimonioso, verteu uma garrafa de vinho do sabat (vinho usado no ritual judaico) sobre um altar com cornos que o próprio Zorn construiu... ao fazê-lo, o arqueólogo pediu uma estação cheia de descobertas - e no fim disse aos Deuses que se quisessem vinho de qualidade, o melhor era que concedessem uma época arqueológica bem sucedida, de modo a que os arqueólogos da expedição conseguissem alcançar o nível da Idade do Bronze na escavação. Trata-se de uma tradição a modos que «bem humorada», segundo diz o blasfemo autor do texto acima linkado, mas, entre a seriedade e a brincadeira, talvez indique uma tendência natural - quanto mais se mergulha no estudo do passado ancestral, maior será a propensão para olhar com cada vez mais simpatia, senão veneração, aquilo que os ancestrais mais veneravam...
Tradução do Caturo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bolivia protege a tradição aimará

La Paz, 7 jun (EFE).- O Ministério do Trabalho da Bolívia anunciou nesta terça-feira que multará quem não respeitar o feriado adotado pelo presidente Evo Morales para celebrar o dia 21 de junho como Ano Novo aimará, etnia do líder e uma das 36 reconhecidas pela Constituição.
O ministro do Trabalho, Daniel Santalla, informou que empregadores e empresas serão comunicados na próxima semana para respeitar o 21 de junho, chamado oficialmente de Ano Novo Andino Amazônico, mas realizado principalmente entre os aimarás.
Santalla ameaçou punir com multas aqueles que não respeitem o feriado e direcionou sua advertência principalmente ao leste do país, onde estão cidades como Santa Cruz e Trinidad com líderes opositores a Morales e povos com costumes diferentes dos aimarás, que não são a etnia majoritária da Bolívia.
"Nessa parte oriental houve resistência, como se o feriado valesse apenas para a região andina. É para todo o Estado boliviano e eles têm a obrigação de cumprir a norma vigente", insistiu o ministro.
Os aimarás celebrarão o dia 21 de junho na antiga cidadela de Tiahuanaco, a 70 quilômetros de La Paz e cerca de 4 mil metros acima do nível do mar.
Os integrantes da etnia calculam que a cultura andina completa 5.519 anos, número que justificam pelos redondos 5 mil anos de antiguidade que atribuem a Tiahuanaco somados aos 519 transcorridos a partir de 1492, quando os espanhóis chegaram a América.
Essa festa é questionada por arqueólogos e antropólogos estudiosos de Tiahuanaco que sustentam que a época aldeã dessa civilização pode remontar no máximo 1.200 antes de Cristo e seu apogeu ao ano 700 de nossa era.
Fonte: G1

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Se essa rua fosse minha

Em São Paulo, algumas ruas têm uma atividade tão característica que acabam se tornando referência, como se fossem "ruas temáticas", como a Santa Ifigênia, a 25 de Março, a Teodoro Sampaio.
Ainda não aconteceu, mas eu imagino como seria uma "rua temática" cuja característica fosse a religião. Na praça central, uma imensa igreja católica, com centenas de membros, a maioria católico nominal. Ao longo da rua, de um lado e de outro da calçada, se espalhariam as demais denominações do Cristianismo. Nas partes com moradores com nível de instrução maior e melhor situação financeira estariam as chamadas "religiões alternativas".
Ainda não está tão escancarado, mas tal como as demais "ruas temáticas", aqui religião e comércio seriam a mesma coisa. Cada qual tentando chamar mais clientela. Isso seria uma boa forma de entender como é possível que "religiosos" tenham defendido na Argentina a legalização do aborto. Ou então que igrejas tenham assinado um documento na Holanda contra a homofobia.
Daqui de minha lojinha, enquanto disputo clientes com os primos e os brimos, eu tento entender a polêmica que a famigerada IBWB causou na comunidade pagã brasileira ao criticarem a Globo por esta não ter dado espaço para a "religião da bruxaria" no programa "Sagrado". Opa, para tudo. Primeiro, a Bruxaria está mais para uma prática do que para uma religião. Segundo, a IBWB não é, nem de perto, a representante mais adequada da comunidade pagã brasileira. Terceiro, o programa é da Globo e cabe à empresa definir o conteúdo de seus programas. Na seqüência, vem a União Wicca [outra organização pagã] pedindo "explicações" por essa exclusão da religião Wicca do programa e a resposta não poderia ter sido mais clara. Até aí, nada de mais, certo? Errado. Pagãos, bruxos e wiccanos não passaram procuração alguma nem à IBWB, nem à União Wicca, nem ao Conselho de Bruxaria Tradicional para serem os representantes ou porta-vozes da comunidade pagã brasileira. Além da questão que, por princípio, condenamos o proselitismo. Temos diversos grupos, organizações e pessoas que estão divulgando e esclarecendo à opinião pública, então não cabe a nenhum grupo, organização ou pessoa em especial chamar a si a incumbência de nos representar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O berço da religião

Pillars at the temple of Göbekli TepeNós costumávamos pensar que a agricultura deu origem às cidades e depois à escrita, arte e religião. Agora o templo mais antigo sugere a importância de elogiarmos o surgimento da civilização.

Por Charles C. Mann
Fotografia de Vincent J. Musi

Desde antes e agora o surgimento da civilização é reencenada em uma colina remota no sul da Turquia.

Diante dos turistas estão dúzias de pilares de pedra arranjados em um formato de anel, um apertado contra o outro. Conhecido como Göbekli Tepe, o sítio é uma vaga lembrança de Stonehenge, exceto que Göbekli Tepe foi construído muito antes e não foi feito de blocos de pedra rústicos, mas de pilares de pedra esculpidos com baixos-relevo de animais. Verdadeiramente, Göbekli Tepe é o exemplo de arquitetura monumental mais velha conhecida. Quando estes pilares foram erigidos, pelo que sabemos, nada nessa escala existia no mundo.

No tempo da construção de Göbekli Tepe a raça humana vivia em pequenos bandos nômades que sobreviviam de coleta de frutos e da caça de animais. A construção do local teria requerido mais pessoas juntas em um lugar do que havia antes. Surpreendentemente, os contrutores do templo foram capazes de cortar, formar e transportar pedras de 16 toneladas por centenas de pés [medida de distância usada nos EUA e Grâ-Bretanha-NT] a despeito de não terem rodas ou animais de carga. Os peregrinos que vieram a Göbekli Tepe viviam em um mundo sem escrita, metal ou cerâmica; aos que se aproximavam do templo de baixo, seus pilares deveriam parecer como rígidos gigantes, os animais nas pedras brilhando pelas fogueiras - emissários de um mundo espiritual que a mente humana pode ter começado a presenciar.

Arqueologistas ainda estão escavando Göbekli Tepe e debatendo seu significado. O que eles sabem é que este sítio é o mais significante em uma torrente de achados inesperados que sobreporam idéias anteriores sobre o passado oculto de nossa espécie. Há não menos de 20 anos atrás a maior parte dos pesquisadores achavam que conheciam o tempo, espaço e a sequência rústica da Revolução Neolítica - a transição crítica que resultou no nascimento da agricultura e dali para sociedades tecnologicamente sofisticadas. Mas em anos recentes múltiplas descobertas novas, Göbekli Tepe entre elas, começaram a forçar os arqueologistas a reconsiderar.

A nova descoberta sugere que a revolução foi na verdade desenvolvida por muitas mãos ao longo de uma enorme área e por milhares de anos. E pode ter sido desenvolvida não pelo ambiente mas por absolutamente outra coisa.

Göbekli Tepe pode ser o primeiro centro espiritual, o início de um padrão. O que sugere, ao menos aos arqueologistas, é que o senso humano do sagrado - e o amor humano a um bom espetáculo - pode ter dado início à civilização em si mesma.

A construção de um templo masssivo por um grupo de coletores é evidência que a religião organizada pode ter vindo antes do aparecimento da agricultura e outros aspectos da civilização. Há a sugestão que o impulso humano de se reunir para rituais sagrados apareceu quando os humanos deixaram de se verem como parte do mundo natural para se verem como senhores dele.
Fonte: National Geographic [com uma pequena edição]

As Maias e os Maios

Ernesto Veiga de Oliveira descreve com rigor esse costume do povo português que tem algumas nuances regionais.

Segundo ele, o 1º de Maio é o Dia das Maias e comemora-se em Portugal, de um modo geral, pela oposição das «Maias», ou seja, de giestas ou flores, sob diversas formas, em portas e janelas e noutros locais. Ao contrário de outras regiões, em Trás-os-Montes surge ao lado de outras práticas, que são independentes mas de significações convergentes.

Na faixa ocidental atlântica do País, não existe qualquer prática alimentar associada. Mas em Trás-os-Montes e nas Beiras as «Maias» estão associadas às castanhas, que muita gente guarda de propósito para esta data. Segundo Jorge Lage, no 1º de Maio devem-se comer castanhas. Caso contrário, ao passar-se por um burro, este atira-se à pessoa e morde-a Diz o ditado «quem não come castanhas no 1º de Maio, monta-o o burro». Isto porque Maio é o mês dos burros, como afirma o povo. O uso de comer castanhas secas em Maio, terá a ver com a tradição muito antiga de no 1º dia o chefe de família ir à fonte e esconjurar ou afastar com favas pretas os espíritos (o «Maio») da sua família. Daí a expressão «Vai à feira e traz-me as maias (as castanhas piladas)».

De um modo geral, o cenário das várias celebrações cíclicas compreende cerimónias de véspera. A colocação de giestas faz-se no dia 30 de Abril para que as casas estejam floridas no momento em que começa o dia, para o «Maio», o «Carrapato» ou o «Burro» não entrarem. O «Maio» ou o «Burro» são entidades nocivas, cujo malefício se pretende conjurar com ma oposição de flores ou a manducação de certas espécies.

Em Trás-os-Montes, além de se enfeitarem as portas das casas com flores de giestas, as raparigas adornam um menino que dizem repre­sentar o "Maio-Moço" e passeiam-no pelas ruas com grande ruído alegre, cantando e bailando em volta dele.

A origem da tradição das Maias perde-se no tempo e pode ter várias explicações. Segundo alguns, a Maia era uma boneca de palha de centeio, em torno do qual havia danças toda a noite do primeiro dia de Maio. Por vezes, podia ser também uma menina de vestido branco coroada com flores, sentada num trono florido e venerada, todo o dia, com danças e cantares. Esta festa, de reminiscências pagãs, foi proibida várias vezes, como aconteceu em Lisboa no ano de 1402, por Carta Régia de 14 de Agosto, onde se determinava aos Juízes e à Câmara "que impusessem as maiores penalidades a quem cantasse Maias ou Janeiras e outras coisas contra a lei de Deus...". Ainda segundo outros, o nome do mês de Maio terá tido origem em Maia, mãe de Mercúrio, e a ele está ligado o costume de enfeitar as janelas com flores amarelas.

Seja como for, todos estes rituais pagãos estavam ligados ao rito da fertilidade para com o novo ciclo da natureza, à celebração da Primavera ou ao início de um novo ano agrícola. Mais tarde, houve necessidade de lhe incutir algum sentido religioso, promovendo a sua ligação à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus. Esse facto pode justificar a lenda do Alto Minho, segundo a qual Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino Jesus, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto.

Talvez resultado desta lenda, hoje em dia ainda é possível observar em algumas zonas do nosso país, a colocação de ramos de giestas em flor, ou até mesmo coroas feitas de ramos de giestas, conjuntamente com outras flores e enfeites coloridos, nas portas e janelas das casas ou nos automóveis, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio.

Nos variados aspectos, por vezes tão distintos, das celebrações do 1º de Maio, ter-se-ia pois operado um sincretismo de práticas e crenças, talvez de origens diferentes mas todas convergentes, recobrindo a obscura ideia, que subsiste no espírito do Homem, da necessidade de desencadear formas efectivas de protecção e de esconjuro a opor à insegurança da vida e à omnipresente ameaça do mal.