domingo, 28 de agosto de 2011

Amor invisível e Panteísmo

Eros e libido. É a força vital que impulsiona. Eros e Libido nunca se casam, no modelo patriarcal. Estão irmanados como força vital.
Quem quiser ir à fonte e navegar nesse mundo de conexões, sinta-se convidado.  Ele pode ser um trampolim, que projeta, a cada um que siga a  luz de sua razão, imaginação e alma presentes em nosso inconsciente.
Panteísmos e o amor poli
Panteísmo é uma crença que identifica o universo (em grego: pan,tudo) com o Deus (AMOR) (em grego: theos). O que será feito no início desse trabalho é fazer uma analogia entre, o sentido, SOMOS TODOS UM, com o amor poli panteísta. Em todas as religiões o eixo é o amor. Observe o que o wikipédia caracteriza como sendo a religião: (do latim: religare, significando religação com o divino) é um conjunto de crenças sobre as causas, natureza e finalidade da vida e do universo. Observe o sentido 'Ser UM em todos e todos em UM, tem um sentido original e fundante, de tudo e de todos, desde que foi descoberto e inventado pelos humanos. O amor original e originante do amor foi usurpado e destituído de sentido pela cultura patriarcal e assim ele perdeu o seu sentido ilimitado e sem fronteiras. Percebe-se nele todos os indícios do amor poli. E esse vídeo-filme acena e aponta a possibilidade de viver e ter dois amores. O visível e o invisível.
Amor poli, religião e Panteísmos

Assim se pode inferir nessas preliminares que amor poli, panteismos e religião têm o mesmo sentido. Aspira-se a união do particular, as pessoas, entre si em sinergia, sonha-se com a conexão total das pessoas com o cosmo. Todos estamos conectados, é um fato, admita-se ou não. Muitos agem como o avestruz diante do caçador: enfiam a cabeça nas tradições. Estamos  sendo alertados o tempo todo, pelas tempestades que acenam luzes no fim do túnel desse mundo decadente, do amor patriarcal, ciumento, possessivo e que é gerado de violência contra a mulheres no interior dos lares tidos como núcleo do mundo moderno.
Amor: visível e invisível
É possível ver o amor andando pelas ruas e lares? Alguém já viu a felicidade desfilando pelas ruas e locais de trabalho? Alguém consegue descobrir por onde anda o desejo, a imaginação, a paixão? Na verdade o que se visualiza são pessoas felizes, amando, imaginando, apaixonadas, desejando e sendo gente com as gentes.
É urgente se fazer esse casamento entre o amor invisível, imaginado, e o amor visível, real e presente. Um amor visível não sobrevive sem o outro. Razão morreria sem a sensibilidade. Amor sem paixão nao vive nem floresce. Por isso que amor é cuidado, zelo, atenção, percepção do entorno.
Fonte: Poliamor e Sexualidade em Tocantins [com edição da casa]

Leylet en Nuktah

No Egipto, comemora-se [em 17 de junho-NB] o festival da Noite da Lágrima ou Leylet en-Nuktah em homenagem a Isis e Osiris.
Uma comemoração que tem sido preservada pelos árabes.
É um dia muito especial no calendário tradicional egípcio.
De acordo com o calendário Copta, realiza-se anualmente no dia 17 de Junho.
Comemora o primeiro dia do aumento do caudal do Rio Nilo antes da inundação do delta e do vale do Nilo.
O Nilo é o garante da vida no Egipto, e perdura há milénios, sem ele, não existiria Egipto.
A inundação do vale do Nilo permite que sejam depositados fertilizante naturais no seu solo, os quais irão dar lugar a produções fartas.
Daí que esta comemoração seja um momento muito especial para os egípcios desde sempre.
Normalmente, e embora exista um dia fixo para o aumento do caudal do Rio Nilo, as alterações significativas ocorrem alguns dias depois. Efectivamente, o aumento do nível do rio ocorre muito perto do solstício de Verão.
A deusa Ísis é uma das principais divindades da mitologia egípcia, no entanto o seu culto transcende as fronteiras do Egipto, tendo-se estendido ao universo greco-romano.
O seu culto remonta a 3.000 A.C..
Simboliza o princípio feminino.
É a filha primogénita do deus da Terra, Geb, e da divindade que rege o Cosmos, Nut.
O seu irmão Osíris, torna-se seu marido, e geram Hórus, o deus do céu, inebriado de energia solar.
O outro irmão, Seth, responsável pelos desertos, transforma-se no principal inimigo do casal.
Seth profundamente invejoso da sorte de Osíris - que tinha como missão governar a Terra, mais concretamente o Egipto, teve a oportunidade de transmitir aos homens conhecimentos preciosos sobre agricultura, e os animais.
De acordo com a mitologia egípcia, Osíris é traído por Seth; é morto e esquartejado.
Seth é associado à essência do mal.
Ísis, desesperada, consegue reunir todos os membros do marido, com excepção do orgão genital masculino, o qual foi substítuido por um órgão de ouro.
Isís ressuscita Osíris graças aos seus dotes mágicos e ao seu poder de curar.
Neste interim concebem Hórus, que vingará o Pai matando Seth.
Ísis é a zeladora; sejam escravos ou nobres, pecadores ou santos, governantes ou governados, homens ou mulheres, a todos protege com o mesmo empenho e a mesma solicitude, apanágio da sua natureza profundamente maternal e fértil.
Durante muito tempo foi venerada como a representação maior da essência maternal e da esposa perfeita, além de velar pela natureza; actua em todas as dimensões da Existência.
Era vista como um símbolo do que há de mais singelo, dos que morrem e daqueles que nascem. Uma mitologia tardia atribui às cheias do Rio Nilo, que ocorriam uma vez por ano, as lágrimas derramadas por Ísis pela perda de seu amado.
Ano após ano a morte e a ressurreição de Osíris foram e ainda são relembradas em diversos rituais.
E é assim que nesta tradição da Noite da Lágrima, se revive o enlace de Geb e Nut, ou seja, da Terra e do Céu, e o surgimento da sua descendência, Ísis e Osíris, e ainda a de seus irmãos, totalizando nove deuses, a famosa Enéada, com início na Divindade criadora originária.
Juntos, Ísis e Osíris, simbolizam a realeza do Egipto.
Isís representava o trono, no qual despontava o poder real do marido.
O seu culto tem revestido grande importância e tem sido constante ao longo dos tempos.
Um facto interessante é o de, no Império Romano, ter obtido muitos discípulos.
Actualmente a arqueologia comprova este facto, e é possível encontrar vestígios de templos e monumentos piramidais por toda a cidade de Roma.
Na Grécia, atingiu espaços sagrados como em Delos, Delfos e Elêusis, e particularmente em Atenas.
Os seus discípulos espalharam-se também pelos territórios gauleses, Espanha, Arábia Saudita, Portugal, Irlanda e na Grã-Bretanha.
Fonte: Sigillum

Ritos de Fertilidade

Desde a pré-história que o Touro é um animal símbolo de Fertilidade, Força, Coragem e Renovação. Considerado sagrado, sacrificado e imolado em várias culturas e por todo mundo.
As touradas são o perpetuar desses ritos ancestrais que vêm do megalítico.
Apresenta-se na arte rupestre, nos ritos sagrados, na mitologia.
É o caso do Touro de Creta:
O Touro de Creta foi, na mitologia grega, uma fera que viveu na ilha de Creta e que foi capturada por Hércules num dos seus famosos trabalhos.
É ainda associado ao Minotauro e ao rapto de Europa.
O touro só foi derrotado por Hércules, a mando de Euristeu; ficou conhecido como o sétimo dos seus trabalhos.
Hércules desembarcou em Creta, agarrou o touro pelos cornos e levou para a Argólida, onde o entregou a Euristeu.
Eristeu quis entregá-lo a Hera, mas a deusa, como não queria aceitar presentes vindos de Hércules, pôs a fera novamente em liberdade.
Teseu, mais tarde, acabou por capturá-lo nas planícies de Maratona.
Fonte: Sigillum

O Jardim das Hespérides

O Jardim das Hespérides é o local onde está a Árvore do Conhecimento.
De acordo com a Mitologia, Gaia terá oferecido a Hera maçãs (ou laranjas ou romã) de ouro como presente pelo casamento com Zeus.
Hera incumbiu as Hespérides (ninfas) de guardar o Jardim onde a Árvore estava plantada; o Jardim ficou conhecido como de Hespérides por causa das ninfas.
Entretanto, as ninfas começaram a consumir tais frutos ... Hera não ficou nada satisfeita, e procurou um novo guardião que não toca-se e respeita-se os frutos e a Árvore.
Decidiu-se por um Dragão ou Serpente: Ladon ou Hidra.
Hera e Hércules, segundo reza a mitologia, não se "entendiam bem". Pelo que, sendo um dos 12 trabalhos de Hércules obter frutos da Árvores, este tê-la-á encontrado no extremo Ocidente.
Terá adormecido o dragão, e as hespérides deram-lhe as maçãs ou laranjas ou romãs de ouro. (Umas ninfas muito malandras ...)
Após conseguir os frutos tão desejados, entregou-os a Euristeu, que por sua vez os entregou a Atena, pois eram propriedade de Hera.
Atena encarregou-se de recolocá-las no Jardim das Hespérides.
Na tradição grega a Hidra é a Guardiã do Jardim das Hespérides.
Jardim primordial onde frutificava um pomar de macieiras, ou um laranjal ou um romãnzal, proriedade de Hera, esposa e irmã de Zeus.
Hera é uma Deusa Tripla.
A sua relação com Hidra - a Serpente de Sete Cabeças, é a recordação dos tempos imemoriais em que as Deusas neolíticas fecundavam os solos.
Aravam a terra e semeavam-na, abrindo-a e fecundando-a.
O Jardim é uma metáfora a um Centro Primordial de onde terá partido o primeiro impulso de iniciação à humanidade.
Símbolo de clarividência.
Mas, a Humanidade caiu.
O Jardim fechou-se.
A sua localização velou-se.
Os poetas e filósofos tentaram nos seus versos e enigmas perpetuá-lo, na esperança de uma nova Idade de Ouro.
A simbiose mágico-religiosa, e, principalmente, espiritual com a Natureza, tendo como ponto de partida os ritmos cósmicos enquanto impulsos para a transformação da Alma.
Estes frutos trazem em si o Pentagrama, símbolo da união do Espirito com as quatro forças dos Elementos da Natureza, de que a Deusa é Rainha e Guardiã.
Fonte: Sigillum

sábado, 27 de agosto de 2011

Deusa Abelha ou Abelha Rainha

As abelhas, como todos os insectos que fazem casulos ou tecem teias, servem como imagens da interligação miraculosa que é a vida.
A intrincada estrutura celular que segrega a essência de ouro da vida, é a imagem da interacção invisível da natureza que se relaciona tudo entre si num padrão ordenado e harmonioso.
Talvez seja este o significado da lenda que refere que Zeus, enquanto bébé, foi alimentado em Creta com mel, e pode ser também a razão pela qual o mel era o néctar dos deuses.
Além disso, a abelha, seguindo o seu instinto natural para polinizar as flores e colher o néctar, que será transformado em mel, é um exemplo de actividade contínua e necessária do ser humano para apanhar as colheitas e transformá-las em comida.
A abelha rainha, a quem todas as outras serviam durante a sua breve vida, foi, no Neolítico, uma epifânia da própria Deusa.
A apicultura, em si, foi amplamente praticada no mundo antigo.
Abelhas e apicultura, são frequentemente retratadas em obras de arte antigas.
Em 2007, foram encontrados no norte de Israel restos de antigos favos de mel, cera de abelhas e colmeias intactas, que provam que a apicultura era praticada há 3.000 anos.
A Bíblia refere-se a Israel como a "terra do leite e do mel", mas nenhuma menção foi feita à cultura de abelhas.
Com esta descoberta ficou provado que houve, de facto, uma indústria apícola altamente desenvolvida na Terra Santa.
Existe uma relação entre a abelha rainha, a Deusa e as suas sacerdotisas; que se apresentavam vestidas de abelhas, na Creta minóica de há 4.000. A Deusa e as suas sacerdotisas - vestidas como as abelhas, dançam juntas num selo de ouro encontrado num túmulo.
Em Creta, a abelha significou a vida que vem depois da morte, idêntico ao significado do escaravelho no Egipto.
Provavelmente por tal razão, o selo terá sido colocado no túmulo.
A deusa das abelhas, figura no centro descendo à terra, entre cobras e lírios, é adorada pelas suas sacerdotisas, que tomam a mesma forma que ela, todas levantando as "mãos" no gesto típico de epifânia.
O mel foi também utilizado para embalsamar e preservar os corpos.
O mel desempenhou ainda um papel principal nos rituais de Ano Novo do minóicos.
O Ano Novo cretense tinha início no solstício de verão, quando o calor estava no seu auge, e o dia 20 de Julho era o dia em que a grande Estrela Sirius entrava em conjunção com o Sol, como acontecia na Suméria e no Egipto.
Tanto na Suméria, como no Egipto, Sirius era a estrela da Deusa (Innana na Suméria, e Isis no Egipto).
Os templos-palácios em Creta foram orientados na direcção da Estrela.
O surgimento de Sirius punha fim a um ritual de 40 dias, durante o qual o mel era recolhido das colméias na escuridão das cavernas e dos bosques. O mel era então fermentado em hidromel e bebido como bebida inebriante, acompanhando os ritos de êxtase que podem ter comemorado tanto o regresso da filha da Deusa como o início do novo ano - como também pode ser o caso do selo de duplo machado.
Todos estes ritos estão presentes nos mitos gregos clássicos de Dionísio - ele mesmo originário de Creta e designado como: Deus Touro.
Era sacrificado um touro aquando do aparecimento da estrela Sirius, e as abelhas eram vistas como a forma ressuscitada do touro morto, bem assim como das almas dos mortos.
Este festival era dedicado ao aprecimento de Sirius, que dava início ao novo Ano, foi elevado ao nível de um mito de 'Zoe' (vida indestructível): o despertar/ressuscitar de abelhas a partir de um animal morto.
A importância da apicultura para os minóicos está documentada em desenhos de colméias reais, testemunhando uma longa história que pode ser traçada até ao Neolítico.
A gema ônix de Knossos mostra a Deusa Abelha ostentando sobre a sua cabeça os chifres do touro com o machado duplo dentro da sua curva. Os cães - mais tarde os cães do mundo subterrâneo pertencentes a Hécate e Artémis - têm asas e a voam tão perto da deusa, que as suas asas, à primeira vista, parecem ser dela.
Este intenso drama de epifânia, sugere que o zumbido da abelha foi, de facto, ouvido como a voz da deusa, no: Som da Criação, de Virgílio, este descreve os sons de uívos e batimentos utilizados para atrair um enxame de abelhas:
Batem os címbalos da Grande Mãe.
Os túmulos de Micenas eram em forma de colméias, assim como o omphalos em Delfos no período clássico, onde Apollo governou com a sua sacerdotisa oracular, a Pitonisa, à qual era dado o nome de: Abelha de Delfos.
No Hino homérico ao Hermes grego, escrito no Séc. VIII A.C., o deus Apolo fala das três videntes do sexo feminino como três abelhas ou abelhas-virgens que, como ele, praticavam a adivinhação:
Há algumas irmãs Moiras nascidas,
virgens as três, adornadas com asas velozes.
As suas cabeças estão polvilhadas com farinha de cevada,
com vento fazem as suas casas sob as falésias do Parnaso.
Ensinaram adivinhação longe de mim, a arte é utilizada para
reunir o meu gado enquanto ainda são infantes.
Estas sagradas abelhas-virgens com o dom da profecia, eram para ser o presente de Apolo a Hermes - o deus que sozinho podia guiar a alma dos mortos para fora da vida e algumas vezes trazê-las de volta...
A etimologia do termo "destino" (em grego), dá um exemplo fascinante de como o génio visionário Minóico entrou na língua grega, muitas vezes de forma visível, bem assim como transmitindo as suas histórias de deusas e deuses.
A palavra grega para "destino", "morte" e "deusa da morte é "e ker" (no feminino), a palavra para coração e seio é "to ker" (neutro), ao passo que a palavra para favo de mel é "a kerion" (neutro).
A ligação comum à raiz "ker" - favo de mel, deusa, morte, destino e coração humano, dá-nos um nexo de significados perfeitamente compreensíveis se tivermos em conta que a Deusa foi considerada uma abelha.
Tendo uma reputação de ordem, as abelhas e suas colméias serviram de modelos à organização dos templos de muitas culturas do Mediterrâneo.
Sacerdotisas nos templos de Cibele, na Ásia Menor, na Grécia e em Roma foram denominadas de: Melissai ou Melissae.
Estas sacerdotisas eram frequentemente profetisas ou oráculos, que entravam em extâse induzido, que incluía a ingestão de mel (em grego este estado de consciência é designado por enthusiasmos).
As abelhas foram apelidadas de "Pássaros das Musas", e são atraídas pelas fragrâncias de flores celestiais, a partir das quais produzem o néctar divino.
Nos mitos do mundo antigo, as crianças divinas eram muitas vezes alimentadas com mel, e eram criadas em segredo por uma deusa na profundidade das cavernas.
A Deusa Abelha era venerada nos templos de Artemis.
Artémis é um dos aspectos mais antigos e populares do Divino Feminino.
Nascida na ilha grega de Delos, Artémis era irmã de Apolo e filha de Zeus e de Leto.
Os seios de Artémis pareciam "ovos de abelhas".
São tidas como sacerdotisas: Demeter, Rhea, Cibele - Melissae.
A Bíblia menciona uma rainha e profetisa de Israel chamada Débora: a "Abelha Rainha"; as suas sacerdotisas eram conhecidas como Déboras.
Diz-se que as sacerdotisas da Deusa da Lua eram chamadas de abelhas, porque acreditava-se que: "todo o mel vinha da Lua; a colmeia cujas abelhas foram estrelas."
Melissa, ensinou os mortais a fazer hidromel.
No Hino Homérico a Hermes, as Melissai alimentavam-se de mel para inspirarem-se "a pronunciar a verdade".
Estas tradições fizeram do Omphalos o lugar da pronúncia sagrada - o poder oracular associado ao zumbido das abelhas e à vibração da vida.
O Omphalos tem o formato de uma colméia de abelhas.
Paphos, na Grécia, tido como o local do túmulo de Afrodite, era conhecido como o umbigo da Terra.
Simbolicamente, o Omphalos reuniu uma série de importantes conceitos espirituais:
O coração-sede da grande Mãe Terra enquanto centro do umbigo do mundo (fonte de alimento espiritual).
Da mesma forma, o templo de Afrodite foi o local de alimentação espiritual.
Nota da casa: Vivendo e aprendendo. Assim como tem blog neopagão espumando pela "estirpe", tem blog cristão/templário divulgando mistérios pagãos.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entre reconhecimento e opressão

Divulgado pelo Caturo no Gladius:
[1]
Nos EUA, várias universidades têm já calendários que reconhecem os feriados pagãos. O caso mais recente é o da Universidade de Vanderbilt, em Nasghville, Tenessee, que no seu calendário adicionou quatro dias feriados pagãos, o que significa que nestes dias os alunos pagãos poderão ser dispensados de testes, aulas e outras actividades académicas, tal como sucede já com os estudantes muçulmanos e judeus.
Outros exemplos de carácter universitário foram o da Marshall University, em West Virginia, o que na altura deu muito que falar em todo o país, e também o Departamento de Educação do Estado de Nova Jersey, que adicionou oito feriados pagãos à sua lista «oficial» de feriados; o Estado da Carolina do Norte, por seu turno, aprovou uma lei que garante dois feriados religiosos por ano nas universidades locais.
Para já, os feriados em causa são os do calendário Wicca/Celta - ver a imagem acima - , mas, à medida que o Paganismo cresce, outras correntes pagãs poderão igualmente ver reconhecidos os seus dias sagrados.
[Original: Patheos]

[2]
Na República da Carélia, actualmente integrada na Comunidade de Estados Independentes (antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), as autoridades proibiram o Halloween nas escolas públicas. Uma carta de 8 de Julho deste ano, da parte do Ministério da Educação da Carélia, foi enviada às escolas para proibir qualquer forma de celebração do Halloween. A justitificação oficial é de que se trata de uma celebração pagã, não cristã, que contradiz o «carácter laico da educação» e promove «o satanismo e o extremismo». De acordo com o Ministério da Educação, «é necessário criar novas formas de feriados escolares que correspondam aos valores básicos da cultura russa». Uma vez que o Halloween tem as suas raizes na História antiga irlandesa e escocesa, a ministra da Educação, Irina Kuvshinova, sugeriu que os professores se deveriam limitar a fornecer aos estudantes descrições factuais dos feriados goidélicos associados, tais como o Samhain e o Beltaine, ao ensinar a História doutros países. A ministra propôs também que se ensinasse «o papel especial do Cristianismo na cultura e nas tradições», citando como exemplos o Boxing Day no Reino Unido, o Dia de S. Patrício na Irlanda, bem como o Natal, a Páscoa e o Dia de Acção de Graças nos EUA (que por acaso nem é uma celebração cristã).
A carta diz ainda que a questão da celebração do Halloween nas escolas é uma questão da jurisdição do Procurador da Carélia, e que os administradores escolares têm por isso de enviar ao Ministério da Educação a informação a confirmar que as recomendações foram enviadas até ao Primeiro de Novembro.
Nos últimos tempos, as autoridades russas têm aplicado o rótulo de «extremismo» como pretexto para proceder contra seja o que for que pareça oposição ou protesto: contra um poeta, contra as famílias das vítimas do massacre de Beslan, contra o líder da oposição Garry Kasparov, contra muitos jornais, contra um canal televisivo que transmite a série «South Park», e até contra a subcultura juvenil «emo».
[Original: The Other Russia]

domingo, 21 de agosto de 2011

Sem diálogo

O que era para ser um projeto, uma discussão política para garantir tanto o "estado laico" quanto para a "liberdade religiosa", tem se tornado um cabo de guerra:
Além das operações matemáticas, das regras ortográficas e dos fatos históricos, os princípios e conceitos das principais religiões também devem ser discutidos em sala de aula. A Constituição Federal Brasileira determina que a oferta do ensino religioso deve ser obrigatória nas escolas da rede pública de ensino fundamental, com matrícula facultativa - ou seja, cabe aos pais decidir se os filhos vão frequentar as aulas.
Pesquisas recentes e ações na Justiça questionam a inclusão da religião nas escolas, já que, desde a Constituição Federal de 1890,o Brasil é um país laico, ou seja, a população é livre para ter diferentes credos, mas as religiões devem estar afastadas do ordenamento oficial do Estado.
Apesar da obrigatoriedade, ainda não há uma diretriz curricular para todo o país que estabeleça o conteúdo a ser ensinado, de maneira a garantir uma abordagem plural sem caráter doutrinário. Outro problema é a falta de critérios nacionais para contratação de professores de religião. Hoje, o país conta com 425 mil docentes, formados em diversas áreas.
O ensino religioso está presente no Brasil desde o período colonial, com a chegada dos padres jesuítas de Portugal para catequizar os índios.
Atualmente, de acordo com a Constituição, a disciplina deve fazer parte da grade horária regular das escolas públicas de ensino fundamental. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) definiu que as unidades federativas são responsáveis por organizar a oferta, desde que seja observado o respeito à diversidade religiosa e proibida qualquer forma de proselitismo ou doutrinação.
"Alguns historiadores que tratam da participação da religião na vida pública mostram que o ensino religioso foi uma concessão à laicidade à época da Constituinte. Havia uma falsa presunção de que religião era importante para a formação do caráter, da vida e dos indivíduos participativos e bons. Essa é uma presunção que discrimina grupos que não professem nenhuma religião. Isso foi uma concessão à pressão dos grupos religiosos", avalia a socióloga Debora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB).
Debora é autora, junto com as pesquisadoras Tatiana Lionço e Vanessa Carrião, do livro Laicidade e Ensino Religioso, publicado no último semestre. O estudo investigou como o ensino religioso se configura no país e se as escolas garantem, na prática, espaços semelhantes para todos os credos, como preconiza a LDB. A conclusão é que não há igualdade de representação religiosa nas salas de aula.
"Ele é um ensino cristão, majoritariamente católico, e não há igualdade de representação religiosa com outros grupos, principalmente os minoritários", destaca Debora.
Há mais de uma década acompanhando essa discussão, o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper) reconhece que há muitos desafios para garantir a pluralidade. Mas defende que o conteúdo é importante para a formação dos alunos.
"Nós vislumbramos, desde a LDB, que o ensino religioso poderia assumir uma identidade bastante pedagógica, que fosse de fato uma disciplina como qualquer outra e que a escola pudesse contribuir para o conhecimento da diversidade religiosa de modo científico. O professor, independentemente do seu credo, estaria ajudando os alunos a conhecer o papel da religião na sociedade e a melhorar o relacionamento com as diferenças", aponta o coordenador do Fonaper, Elcio Cecchetti.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o ensino religioso é oferecido apenas nas escolas estaduais. Nas unidades municipais, ainda não foi implantado, mas há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores da capital fluminense que prevê a oferta nas cerca de mil escolas da rede, com frequência facultativa. A recepcionista Jussara Figueiredo Bezerra tem dois filhos que estudam em uma escola municipal da zona sul do Rio de Janeiro e acompanha com certo receio a discussão. Ela é evangélica e acredita que esses valores devem ser transmitidos em casa, pela família.
"Quem são os professores que vão dar as aulas de religião? Será que eles serão imparciais? Além disso, com tantas dificuldades e carências que o ensino público já enfrenta, por que gastar dinheiro com isso? Esses recursos poderiam ser usados de outra forma, para melhorar a estrutura já existente nas escolas. Quem quiser aprender mais sobre uma religião deve procurar uma igreja ou uma instituição religiosa", opina.
Para quem lida na ponta com os delicados limites dessa questão, torna-se um desafio garantir um ensino religioso que contemple as diferentes experiências e crenças encontradas em uma sala de aula. "Nós preferiríamos que a oferta do ensino religioso não fosse obrigatória porque a escola é laica e deve respeitar todas as religiões. O que a gente quer é que os dirigentes possam utilizar essas aulas com um proveito muito melhor do que a doutrinação, abordando o respeito aos direitos humanos e à diversidade e a tolerância, conceitos que permeiam todas as religiões", defende a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho.
Atualmente, duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) questionam a oferta do ensino religioso no formato atual e aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e questiona o acordo firmado em 2009 entre o governo brasileiro e o Vaticano. O Artigo 11 desse documento, que foi aprovado pelo Congresso Nacional, determina que "o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental". Ao pautar o ensino religioso por doutrinas ligadas a igrejas, o acordo, na avaliação da PGR, afronta o princípio da laicidade.
Mas na prática, não saímos das "boas intenções":
Acontece hoje no Recife - Pernambuco, 21 de Agosto, às 15 horas na Praça do Diário, a Marcha pelo Estado Laico. Para quem não sabe, segundo o artigo 19 da Constituição Federal de 1988, o Brasil é um Estado Laico, ou seja, não possui nenhuma religião oficial e não defende ou se apoia em qualquer forma religiosa, respeitando assim a pluralidade e a liberdade de crença. Porém não é isso que acontece em nosso país. "Só um estado VERDADEIRAMENTE laico, que não se submete a dogmas e líderes religiosos, pode garantir a liberdade de professar ou não uma religião e garantir também a diversidade religiosa".
Convocamos as pessoas de diversas religiões e/ou crenças, desde judeus, umbandistas, neopagãos, católicos até maçons, budistas, ciganos, além daqueles que não possuem nenhuma forma de religião e/ou crença, como agnósticos, gnósticos, ateus, entre outros, para que agnósticos juntem-se a nós nessa manifestação que reivindica os direitos de uma sociedade plural, sem distinção de credo ou valorização de uma em específico.
Venha e faça parte dessa luta contra a Hegemonia Religiosa
E de brigas sem resultado:
Uma "guerra santa" foi travada entre os pais das 180 crianças de 4 e 5 anos que estudam no Jardim de Infância da 404 Norte, na região central de Brasília. Uma oração feita pelos alunos diariamente, antes do início das aulas, é o principal motivo da discórdia. De um lado está um grupo de pais que pede a exclusão de referências religiosas das atividades escolares. Do outro, os que apoiam o ritual diário e consideram que a direção da escola está sendo perseguida.
A discussão teve início quando uma denúncia sobre o assunto foi encaminhada à Ouvidoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Todos os dias antes das aulas os alunos se reúnem no pátio da escola para o momento chamado de acolhida. Nessa hora, são estimulados a fazer uma "oração espontânea", como define a diretora Rosimara Albuquerque. A cada dia, crianças de uma turma ficam responsáveis por fazer os agradecimentos a Deus ou ao "Papai do Céu". "Pode agradecer pelo parquinho, pelos colegas. Mas houve um questionamento por parte dos pais para que fosse um momento de acolhida um pouco mais amplo já que algumas famílias não comungam dessa religião, que seria basicamente cristã", conta Rosimara, que está à frente da escola há seis anos.
Para a radialista Eliane Carvalho, integrante da Associação de Pais e Mestres do colégio, a escola está ultrapassando os limites permitidos pela legislação. Ela e outros pais que protestam contra essas atividades se apoiam no princípio constitucional da laicidade para pedir que práticas de cunho religioso fiquem de fora do ambiente escolar. Além do momento da acolhida, ela conta que notou outros sinais de violação, a partir de informações que o filho de 4 anos levava para casa.
"Não posso dizer que existem dentro da sala de aula práticas religiosas. Mas meu filho não aprendeu em casa a orar em nome de Jesus. Um dia ele me disse que o telefone para falar com Jesus era dobrar o joelho no chão", relata Eliane.
Em resposta à denúncia, um grupo maior de pais organizou um abaixo-assinado a favor da escola e da oração no início das aulas. Alguns alegam que a diretora está sendo perseguida por ser católica e atuante em grupos religiosos. "A forma como eles professores e direção estão atuando não é nada abusiva ou direcionada a uma crença específica. Eles colocam a palavra de Deus, como entidade superior, e agradecem à família. São só coisas boas, frutos bons. Quem está incomodado é uma minoria", defende Thiago Meirelles, que é católico e pai de um aluno.
Para Carolina Castro, mãe de outro estudante, a intenção da escola é positiva e busca a socialização. "Não acho que eles estejam tratando de religião em si, mas passando uma noção de agradecimento do que é precioso na vida. Não acho que isso seja ensino religioso", diz.
Eliane Carvalho lamenta que a discussão tenha ficado polarizada. "Não é uma discussão pessoal, mas de currículo. O grupo que fez o abaixo-assinado passou a nos ver como perseguidores de cristãos, hoje somos vistos como pessoas absurdas que não querem a palavra de Deus na escola. Todos têm o direito de fazer suas orações, mas eu questiono o fato de a escola aceitar uma prática que, para mim, se configura em arrebanhar fiéis", diz.
O momento da acolhida é feito há 40 anos, desde que a escola foi fundada, e é comum também em outros colégios da rede. Na última semana a reza foi substituída por cantigas de roda e outras atividades. "Aí, sim, parecia uma escola, antes parecia uma igreja. Como pai que tem a obrigação de dar uma orientação religiosa à filha, não posso permitir que haja divergência. O mais triste é que, apesar de essas pessoas dizerem que estão pregando o amor e o respeito, elas não têm respeito nenhum pela minha liberdade de que não haja essa interferência religiosa", diz Mafá Nogueira, pai de uma aluna.
Para resolver o problema, a escola vai convocar reuniões com pais, professores, funcionários e representantes da Secretaria de Educação. "Vamos discutir como a gente pode abordar a pluralidade e a diversidade sem agredir ninguém e que todos possam sair satisfeitos. Mas essa polêmica é salutar porque, na medida em que a gente ouve questionamentos de pais que pensam diferente, isso é saudável para o crescimento. Podemos adotar uma postura diferente, estruturada no que a comunidade pensa", avalia a diretora Rosimara, que usava no pescoço um cordão com um crucifixo enquanto conversava com a reportagem da Agência Brasil.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que desconhece problemas semelhantes em outras escolas da rede e reiterou que orienta as unidades a seguir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que veda qualquer prática proselitista no ambiente escolar.
Citado em:
Uniãowicca

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cabo de guerra

Um jogo que faz muito sucesso e não requer muitos instrumentos – apenas dois times e uma corda. O objetivo do jogo, ao contrário do que se pode pensar, não é a de premiar a equipe que tiver mais força, mas sim a de desenvolver o trabalho em equipe.
Depois de ler a reportagem com
Rebecca Goldstein, a impressão que fica é que cristãos e ateus estão jogando cabo de guerra. Eu não posso criticar este jogo, afinal, eu também puxei minhas cordas. O que eu posso fazer é refletir o que, afinal de contas, queremos ao ficar medindo nossas forças com nossos “adversários”.
O que acontece neste cabo de guerra é crentes e descrentes, todos estagnados, arraigados, enraizados nas convicções, nas verdades. Nós tentaremos, a todo custo, puxar pela corda, mais pessoas para o nosso lado. Eu também puxei minhas cordas. O que eu consegui? Coisa alguma, eu fiquei exatamente no mesmo lugar. Não cresci nem adquiri coisa alguma, apenas alimentei a resistência interna e externa. Eu apenas aumentei o veneno que corroia minha essência.
Esse cabo de guerra entre razão e crença não produz coisa alguma. Tudo que alimentamos nesse cabo de guerra é a força de resistência e rejeição à convivência, ao diálogo, à tolerância, ao respeito que tanto cobramos do “outro”. A força que empregamos para mover uma pessoa do outro lado da corda irá apenas alimentar sua motivação para explicar, justificar, desculpar sua visão de mundo. O indivíduo irá ficar ainda mais arraigado em sua necessidade de ter a certeza, de estar certo, pois isto concede ao indivíduo um falso sentimento de segurança, de proteção, de conforto.
Basta vermos como foi pronta e imediata a reação dos cristãos quando os homossexuais começaram a lutar pelos seus direitos. Basta lembrarmos da ação de altos prelados eclesiásticos atentarem contra o processo eleitoral com um panfleto contra o aborto. Basta lembramos os monólogos doutrinários totalitaristas pelo mais alto pontífice contra o uso de preservativos. Basta lembrarmos do triste episódio de excomunhão pública dos médicos que tiveram a humanidade de fazer o procedimento clínico mais adequado. Quanto mais grupos lutam por mais humanismo em nosso mundo, em nossa sociedade, mais terão pessoas que tentarão, a qualquer custo, manter "as coisas como são".
Do lado dos ateus, não tem sido nada "racional" nem razoável a forma deliberada e gratuita como atacam a religião - qualquer uma - fazendo uma tábua rasa. A Ciência não é uma vestal, em nome dela também se cometeu atos atrozes. Basta lembrarmos as experiências nazistas. Basta lembrarmos a incrível tecnologia militar. Basta lembrar o maior produto da "razão" científica - a bomba atômica. Quanto mais grupos lutam por mais humanismo em nosso mundo, em nossa sociedade, mais terão pessoas que tentarão, a qualquer custo, esterilizar nossa fantasia em prol de um mundo "racional".
A escolha sempre é pessoal, individual. Se alguém quer viver escravizado pela Igreja e viver feito carola, o problema é dele, desperdiçará a oportunidade de fazer seu Paraíso aqui e agora. Se alguém quer viver bitolado pela Ciência, o problema é dele, desperdiçará a oportunidade de apreciar o sonho, a imaginação.
Todos nós estamos apenas alimentando uma força reativa, quando devíamos alimentar uma força pró-ativa. A única forma de um indivíduo mudar de sua postura fossilizada é não alimentando essa força reativa.
Eu estou fazendo um trabalho onde eu estou deixando de puxar as cordas. E pela primeira vez, eu estou sentindo que estou realmente ficando livre das amarras. Se queremos um mundo melhor e mais humano, devemos começar a melhorar e a humanizar a partir de nós mesmos. Solte a corda e liberte-se das amarras.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Música de Caboclo


Autor: Julio de Paula

Aqueles que não conheceram a morte,
tendo passado da vida terrena ao
plano espiritual por meio de algum encantamento:
são os encantados.
(Mundicarmo Ferretti)

Da umbanda à pajelança, do catimbó ao candomblé, do babassuê ao batuque. Santos, orixás, entidades, pretos-velhos, caboclos e muitos outros integram o panteão dos encantados brasileiros.
"Os caboclos são considerados depois dos pretos velhos os grandes mentores espirituais da Umbanda. Foram eles que junto com os Catimbozeiros, decodificaram e organizaram a religião e suas linhas", anuncia a Tenda Espírita Caboclo Arruda – Seara do Ogum Iara.
Os cultos dos encantados espalhados pelas diferentes regiões do Brasil não estão isolados, aponta Reginaldo Prandi. São marcados por trocas e influências recíprocas além da própria fusão entre os rituais. Para o sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), também as entidades migram, são incorporadas a diferentes denominações afro-brasileiras, sofrem mudanças, enriquecendo a cada momento o complexo quadro da diversidade cultural afro-brasileira. Em "A dança dos caboclos", diz Prandi: "Todas essas formas de cultos nascidas no Brasil, que podemos genericamente chamar de religião dos encantados ou religião cabocla, são religiões de transe. As entidades cultuadas se manifestam no corpo de devotos devidamente preparados para isso. Todas desenvolvem ampla atividade mágico-curativa e de aconselhamento oracular, são dançantes e sua música é acompanhada de tambores e ritmos de origem africana".
Bethânia, Baden, Rosinha de Valença, Papete e Martinho da Vila são alguns nomes da música popular que recriaram e interpretaram pontos tradicionais. A maior parte das gravações apresentadas neste programa foram realizadas na década de 1970, ocasião também em que também se lançou uma série de álbuns dedicados ao repertório de terreiro, como o Calendário da Linha Branca de Umbanda, Sete Rei da Lira, Umbanda Vol. 2 (Maria Bonita) – todos aparentemente realizados com fiéis das religiões afrobrasileiras.
Recebido por e-mail do Alex Acioli

domingo, 14 de agosto de 2011

Grecia reabre 75 locais de culto

Atenas, 13 ago (EFE) - A Grécia, seguindo a tradição, abre neste sábado à noite mais de 75 sítios arqueológicos ao público em diversas partes do país para celebrar a lua cheia de agosto, tudo acompanhado de vários eventos musicais e espetáculos artísticos.
Com a autorização do Conselho Central de Arqueologia (KAS), vários pontos turísticos e museus do país permanecerão abertos para a entrada à noite dos visitantes que querem presenciar espetáculos e curtir o ambiente romântico da lua cheia.
Neste ano serão excluídas do programa noturno, a Acrópole de Atenas e o templo de Poseidon em Sounion.
O KAS justificou a medida pelos problemas registrados no ano passado pelos mais de 15 mil visitantes na Acrópole, a principal atração turística helena, e as obras em andamento em seus prédios, o que pode representar risco à segurança do público.
A direção do museu da Acrópole organizou eventos temáticos em seu interior, enquanto na área pública aos pés da cidadela está programado um concerto musical dedicado ao compositor popular Mimis Plessas.
Entre os demais locais abertos por causa da lua cheia destaque para Olímpia e Pilos, os castelos bizantinos de Mistra e Corinto no Peloponeso.
Na maior parte dos locais históricos está programado concerto de música clássica e popular com instrumentos clássicos.

sábado, 13 de agosto de 2011

Estão querendo fechar o meu lojinha

Um total de 182 animais foi resgatadas por agentes federais do popular mercado de Sonora, na capital mexicana, especializado na venda de produtos de medicina tradicional, santeria e bruxaria.
A Procuradoria Geral da República (PGR) informou nesta segunda-feira em comunicado que vários dos animais silvestres resgatados estão em perigo de extinção. Na operação, realizada em coordenação com fiscais da Procuradoria Federal de Proteção ao Ambiente (Profepa), foram detidas cinco pessoas.
Entre os bichos resgatados estão 170 tartarugas, uma coruja, um crocodilo do pântano, duas serpentes, uma jiboia-constritora e sete iguanas negras.
Além disso, foram confiscados 17 carapaças de tartaruga de orelha vermelha, 12 peles de diversos animais, entre eles lince, tamanduá, jaguar e iguana negra, e peles dissecadas de cascavéis, disse a PGR.
O mercado de Sonora é um tradicional ponto de venda de animais, amuletos, loções e ervas utilizados por curandeiros e bruxos contra o mau-olhado, para atrair o amor e a sorte, e desfazer feitiços.
A ação fez parte de uma operação realizada do da última quinta até este domingo em nível nacional através da qual foram confiscadas 5.571 plantas e animais, de acordo com a Procuradoria.
O diretor da Profepa, Hernando Guerrero Cázares, informou nesta segunda que, com apoio da PGR, foi realizada a terceira Operação Nacional Contra o Tráfico de Vida Silvestre, que permitiu a detenção de 27 pessoas, entre elas as cinco no mercado de Sonora.
Além dos animais resgatados no mercado de Sonora, os agentes confiscaram em mercados e estradas de todo o país 165 orquídeas de espécies diferentes, 108 psitacídeos (como periquitos e papagaios), 854 aves canoras e de ornato, 672 répteis, 129 mamíferos e 2.998 insetos, 61 veados, 51 rãs e sapos e quatro primatas (macacos aranha e saraguatos).
Nota da casa: Alô, Tribunal de Haia? Como fica nossos direitos de liberdade de religião?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Os benefícios da religião

Embora já se conheça a relação positiva entre a religiosidade e a satisfação na vida, um novo estudo publicado na edição de dezembro do American Sociological Review revela o "ingrediente secreto" das religiões que torna as pessoas mais felizes.
"Nosso estudo oferece evidências de que são os aspectos sociais da religião e não a teologia ou a espiritualidade que levam à satisfação", disse Chaeyoon Lim, professor assistente de Sociologia da Universidade de Wisconsin-Madison e que conduziu o estudo. "Em particular, descobrimos que as amizades construídas nas congregações religiosas são o ingrediente secreto da religião que torna as pessoas mais felizes."
Chaeyoon Lim e Robert D. Putnam, esse último professor de Políticas Públicas de Harvard, extraíram dados de uma amostra representativa de adultos norte-americanos nos anos de 2006 e 2007. De acordo com o estudo, 33% das pessoas que freqüentam alguma atividade religiosa semanalmente têm entre três e cinco amigos próximos na própria congregação e relataram ser extremamente satisfeitas com suas vidas. "Extremamente satisfeito" é definido como 10 em uma escala que vai do 1 ao 10.
Em comparação, apenas 19% das pessoas que freqüentam alguma atividade religiosa pelo menos uma vez por semana, mas que não possuem amigos próximos na congregação relataram ser extremamente satisfeitas. Por outro lado, 23% das pessoas que freqüentam a igreja apenas algumas vezes por ano, mas que têm entre três e cinco amigos próximos na congregação disseram se sentir extremamente satisfeitas com a própria vida. Por fim, 19%  das pessoas que nunca freqüentaram uma comunidade religiosa e portanto não possuem amigos na congregação disseram estar extremamente satisfeitas com a própria vida.
De acordo com os autores do estudo, as pessoas gostam de sentir que pertencem a uma comunidade. Uma das funções mais importantes da religião é dar às pessoas a sensação de pertencimento, ou seja, de que elas fazem parte de uma comunidade baseada na religião e na fé. Os amigos são o que torna tangível essa comunidade.

Vardavar 2011

Noticiado pelo Caturo, no Gladius:
Realizou-se em Julho a celebração do Vardavar, festival arménio da água junto ao templo restaurado de Garni, perto da capital, Yerevan. O Vardavar tem origem pagã e recentemente tem sido repaganizado - a par do divertimento popular de atirar água aos amigos e a quem passa, cada vez mais adoradores dos Deuses Nacionais da Arménia se juntam nesta cerimónia, que inclui tocadores de trompa, mulheres com cestos cheios de rosas (Vardavar vem de «vard», que significa «rosa») e clérigos com mantos e adagas, circulando em torno do templo.
O sacerdote principal conduz uma cerimónia em honra de Astghik, Deusa do Amor e da Beleza, e dirige-se aos que quiserem tomar parte no baptismo ariano, dizendo-lhes que se aproximem do templo. Ultimamente o culto tem recebido forte aderência dos nacionalistas racialistas.
O editor da revista arménia Azdarar, publicada na Índia, afirma que a tradição de usar água em festivais desta índole pode ser encontrada no Irão, no Afeganistão, no Tajiquistão, na Alemanha e também na Índia. Associa o Vardavar ao Festival das Cores indiano: «os verdadeiros arménios também usaram a água colorida. Água rosa, água pêssego, água pera. É um modo de nos dirigirmos de volta à natureza, de onde viemos. O editor, Martik Sargsyan, é veterano da guerra de Nagorno-Kharabagh, diz-se pronto para participar em mais uma guerra para proteger as suas raizes arianas arménias.
Abundam, no encontro, as conversas e as referências iconográficas à exaltação da arianidade, incluindo diversos emblemas baseados na suástica e inclusivamente a saudação romana.
Mais uma vez devo recorrer ao oráculo virtual [Google] para saber mais:
Vartavar (also known as Vardevar or Vardavar) is a festival in Armenia where people of all ages drench each other with water. Its name is a derivative from “vard” in Armenian, which stands for “rose” in English.
Although now a Christian tradition, Vardavar's history dates back to pagan times. The ancient festival is traditionally associated with the goddess Astghik, who was the goddess of water, beauty, love and fertility. The festivities associated with this religious observance of Astghik were named “Vartavar” because Armenians offered her roses as a celebration (“vart” means “rose” in Armenian), also releasing doves and sprinkling water on each other. Vartavar was celebrated during harvest time.
Vardavar is currently celebrated 98 days (14 weeks) after Easter. During the day of Vardevar, people from a wide array of ages are allowed to douse strangers with water. It is common to see people pouring buckets of water from balconies on unsuspecting people walking below them. The festival is very popular among children as it is one day where they can get away with pulling pranks. It is also a means of refreshment on the usually hot and dry summer days of July.[wikipedia]
In the earliest prehistoric period Asdghig, Astghik, or Astlik, had been worshipped as the Armenian pagan deity of fertility and love, later the skylight had been considered her personification, and she had been the wife or lover of Vahagn. In the later heathen period she became the goddess of love, maidenly beauty, and water sources and springs.
Vartavar festival devoted to Astghik that had been celebrated in mid July, transformed in Christian holiday of the Transfiguration of Christ, and is still celebrated by the Armenians. Like in the heathen time on the day of this fest the people release doves and sprinkle water on each other with wishes of health and good luck.
With Aramazd, the father of all deities, the creator of heaven and earth, (the sun being worshiped as his personification) and Anahit that had been worshiped as Great Lady and Mother Deity (the moon being worshiped as her personification) she forms an astral trinity in the pantheon of Armenian heathen deities. In period of Hellenistic influence Astghik became similar to the Greek Aphrodite and the Mesopotamian Ishtar.
Her name is the diminutive of Armenian աստղ astġ, meaning "star", which through Proto-Indo-European *h₂stḗr is cognate to Sanskrit stṛ, Avestan star, Pahlavi star, Persian sitara´, Pashto storai, Latin and Italian stella and astro, French astre, Spanish astro, German stern, English star, etc. hence, the name is not believed to be related to Semitic Ishtar.
Her principal seat was in Ashtishat (Taron), located to the North from Mush, where her chamber was dedicated to the name of Vahagn, the personification of a sun-god, her lover or husband according to popular tales, and had been named "Vahagn's bedroom".
The temples and places of worship of Astghik had been located in other towns and vilalges, such as the mountain of Palaty (to the South-West from Lake Van), in Artamet (12 km from Van), etc.
The unique monuments of prehistoric Armenia, "višap" vishaps (Arm. višap ‘serpent, dragon’) or “dragon stones”, spread in many provinces of historical Armenia – Gegharkunik, Aragatsotn, Javakhk, Tayk, etc. are another manifastation of her worship.[wikipedia]
Nota da casa: O ressurgimento do paganismo tem trazido de volta aos seres humanos a alegria, o júbilo e a felicidade. Saudemos a volta dos Deuses Antigos!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Os oito pilares da sabedoria

Um livro pequeno, mas com um rico conteúdo. Stephen Bertman [PHD] descreve em seu livro "Os oito pilares da sabedoria grega" [Editora Sextante] de que forma os gregos antigos encaravam a vida, o mundo e sua condição humana.
Eu ouso fazer um pequeno resumo das melhores partes.
Humanismo: Orgulhe-se de suas aptidões humanas e acredite em sua capacidade de realizar grandes coisas.
Ao contrário dos códigos do Oriente Médio, que enfatizavam a importância da humildade e da obediência e ressaltavam a pequenez do homem perante a autoridade divina, os Gregos afirmavam que a humanidade não devia se prostrar e sim ter uma postura altiva e ereta.
Busca pela Excelência: Procure ser hoje melhor do que você foi ontem e, amanhã, melhor do que foi hoje.
Na gramática do universo grego, humanidade não era um substantivo, mas um verbo: movimentando-se, mudando, evoluindo para uma realização mais plena de seu potencial interior.
Prática da Moderação: Cuidado com os extremos, porque neles reside o perigo.
A busca pela excelência às vezes se torna tão absorvente que perdemos a perspectiva do restante de nossas vidas por causa de uma pressa compulsiva para atingir nossos objetivos.
Autoconhecimento: Busque a verdade utilizando o poder da sua mente.
Ele é necessário para se fazer a opção sensata entre a busca pela excelência e a prática da moderação. Somente por meio de uma avaliação de nossos pontos fortes e fracos poderemos saber quando é hora de prosseguir ou parar.
Racionalsimo: Busque a verdade utilizando o poder de sua mente.
Diferentemente da racionalização, que utiliza a razão para explicar o comportamento, o racionalismo emprega a lógica inflexível para descobrir a verdade.
Curiosidade Incansável: Procure saber o que as coisas realmente são, não simplesmente o que parecem ser.
A curiosidade incansável é o desejo compulsivo de conhecer a verdade. A capacidade de ser racional não vale nada a não ser que a utilizemos para fazer perguntas corajosas a respeito de nós mesmos e de nosso mundo.
Amor à Liberdade: Somente quando somos livres podemos encontrar a realização.
A liberdade é tão necessária à vida quanto o ar que respiramos. Fazer perguntas vitais só é possível quando se é livre, pois o humanismo só prospera quando existe a liberdade.
Individualismo: Orgulhe-se de ser quem é, um indivíduo único.
O individualismo é o orgulho de nossa singularidade como seres humanos e de nossa capacidade pessoal para realizar grandes coisas.
O individualismo confirma o potencial único e singular de nossa personalidade.
O amor à liberdade nos inspira a concretizar esse potencial.
A curiosidade incansável nos leva a explorar todas as dimensões.
O racionalismo fornece os meios para resolver problemas e compreender a nós mesmos.
O autoconhecimento nos permite saber quais são os nossos pontos fortes e os fracos.
A prática da moderação nos ajuda a encontrar equilíbrio para o nosso comportamento.
A busca da excelência nos instiga a realizar.
O humanismo celebra nossos esforços.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Religiosidade nominativa

Na rua temática da religião, na competição para aumentar a clientela, os funcionários, ao invés de apregoar seu credo, tentam denegrir o credo de seus concorrentes.
Na loja da esquina, o cristão escarnece o ateu, falando da conversão de um ex-ateu. Na loja da outra esquina, o pobre ateu se contorce para explicar que o Ateísmo não é religião para que alguém o renegue e se converta.
A apologia tão apaixonada revela uma ironia de que, no fundo, o Ateísmo é uma religião. Negar isto faz parte da doutrina. Basta ver como a Ciência ocupa, feito vestal, o mesmo papel de Deus e a Razão ocupa, feito revelação divina, o mesmo papel da bíblia. O ateu se daria melhor se percebesse um fato recorrente de nossa época: a religiosidade nominativa.
Por simpatia, por escolha, por coopção, declara-se ser ou ter tal ou qual religião, sem que se siga ou se professe as doutrinas dela, sem que se comprometa ou se pratique essa espiritualidade.
Qualquer um pode afirmar que é cristão, espírita, budista, muçulmano, ateu ou pagão.
Se a conversão (ou reconversão) de uma pessoa a uma determinada religião fosse um ítem que comprovasse que a religião nova (ou readquirida) é a melhor, todas as religiões majoritárias estariam bem complicadas, visto que é muito maior o número dos "desviados".
No nosso mundo onde tudo que importa é aumentar o patrimônio, ganhar prestígio, ter influência, encontrar respostas rápidas, ter sucesso na carreira, tudo mais é vivido de forma superficial, supérfluamente, vidas sem sentido ou conteúdo, a mediocridade impera.
A espiritualidade e a religiosidade não podem ser mais objetos, conveniências, para serem colecionadas, serem usadas e trocadas como se fossem produtos descartáveis.
A escolha de um caminho espiritual, de uma religião, não pode ser algo imposto pela família, por um grupo, pela sociedade ou pelo governo. Também não deve vir de um impulso, de um capricho, de um modismo, não pode ser um mero rótulo ou recurso para se enturmar. Deve ter um compromisso pessoal, uma responsabilidade constante e uma prática diária.

domingo, 7 de agosto de 2011

Revivendo a Lupercália

É tempo de arar a terra do nosso quintal, o azorrague dos “Lupinos” prepara o terreno, e eles são recompensados com fecundas e belas visões, ao realizarem sua cerimônia.
Vêem a si mesmos como “Filhos da Luz”, e uivam para a Lua, interessados em impetrar o fundo da escuridão fria e abrasadora, e fecundá-la com luminosidade. Os lobos feiticeiros em pleno estado desfigurado percorrem na forma lupina para tocar as almas. Bebem um valimento chamado ‘Claret’, que possui a faculdade de produzir a mudança da próxima obra na lavoura.
Observam o cerimonial para ajustar deformidades, seguindo a prescrição da expiação contra enganos.
O adágio, de fato, é a metodologia e investimento para vida nova. Ele deve ser acrisolado pela diligência. Tornamo-nos aquilo que pensamos, este é o mistério eterno.
O próximo mistério é o da purificação, para ser digno de tornar viva a sua origem divina. O outro mistério é o dos sacrifícios.
O mistério derradeiro está para admitir o arcano da extinção e suplantar a rota das causas e dos perecimentos, e com isso obtém-se poder sobre a arte de chamar uma nova existência para o filho de Saturno.
Após receber estes ensinamentos do Rei Zagal, os quais estão associados à feitiçaria, tornam-se livres do temor e da morte, alcançando aquilo que só se pode obter a partir das trevas do antimônio.
Acessa-se o domínio fantasma que dificilmente tolera essa reserva. Em lugar disso, procura apoderar-se da realidade por trás dessas manifestações, influenciá-la e servir-se dela por meio do rito, da purificação, do sacrifício, da expiação.
Tenta abolir o caráter gasto e camuflado da realidade anterior da coletividade, se dispondo dela. Não contestando nem cultivando deformações em nossa crença, desde que não cobiçamos decifrar e manejar o código, mas em vez disso, aceitamos como nosso fluxo, e o sagramos enquanto vivenciamos.
Eis um ritual sacrificial e iniciatório em que todos os anos revigoraram sob o luar, o brilho do mais caro pêlo, e isso implica alguns pontos a serem abordados para uma boa compreensão.
Os feiticeiros-Lobos são compromissados num pacto com o “Espírito” tutor do clã oferecendo-lhe o sangue da sua virilidade em permuta do produto plácido da feracidade. É um sacrifício que, através do sangue, garante o estado de prodígio da divindade, e é aqui que Lupércus se torna um pastor de cabras, não de ovelhas.
Com isso, nos cabe sagrar o seguinte tabu: “Num acurado alento, reside o foco do seu poder, deve comê-lo uma vez ao ano, e não deleitar-se com o contrário dele”.
A instrução parece-se em muitos aspectos com um “sacramento” que põe em contato transcendente, quer porque lhe revela parte do sagrado, quer porque sacraliza o ser.
O lobo toma pra si definitivamente a existência profano-sagrada. É natural e por isso passa consagrada, desde que foi assumido pelos antepassados, responsabilizando-se pela continuação, move-se para sempre dentro do circuito místico da participação vital. Nenhum dos seus sinais ou gestos serão estranhos aos mundos visível e invisível.
É sucinto considerar a iniciação mais como uma transformação lenta do indivíduo, como um trânsito progressivo da exterioridade à interioridade e vice-versa, uma expiação total que parte do geral para o particular, e em seguida, do particular para o geral.
A descoberta que o iniciado faz da sua realidade sacro-humana e os fundamentos míticos da Lupercália obrigam a uma introversão na qual descobre o dinamismo interior da sua vida participada com variadas potencialidades. A iniciação consegue uma “metanóia”, conseqüência da mutação ontológica, da mudança substancial de personalidade que operou no ex-neófito. Deve morrer para a vida anterior, recusá-la e matá-la, e renascer para uma natureza dessemelhante, que é ao mesmo tempo livre das amarras da terra estéril.
Nos contextos iniciáticos, a morte significa a superação da condição profana, a condição conspurca do “ser preso”, do leigo do sagrado, do cego de espírito ou do espírito cego. O enigma dessa aragem vai revelando pouco a pouco ao catecúmeno as adequadas dimensões da existência: ao introduzi-lo no sagrado, a iniciação o obriga a assumir a responsabilidade de homem-deus/mulher-deusa.
O acesso a esse arcano lupercal, traduz-se num simbolismo de morte e de novo nascimento. Desse sabor, vem o gosto da purificação e os elementos da ablução para passar à época adjacente; a expiação para iluminar os olhos, a mente e a alma, e por último, a fertilidade e feracidade do espírito de carne.
O elemento mágico que o enquadra marca para sempre a criança lupina, “Este é de Lupércus, ninguém tasca!”. Torna-se difícil renunciar ou romper os conceitos antigos nas pessoas mais velhas, expressões de ritos que acompanharam o seu novo nascimento, o transformarão para sempre. É indubitável que o homem e/ou a mulher, durante toda a vida, referir-se-á, ainda que seja só em termos do subconsciente, a estes ritos que lhe deram fé, benção e maldição na personalidade mágica.
Prometeu observou atentamente o vôo das aves de garras aduncas, revelando as que são por natureza fausta ou infausta; como revela o sustento que nutre cada uma, os apegos, as coexistências, as hostilidades e qual macieza e cor devem ter as suas vísceras para que se tornem agradáveis aos deuses, bem como o multiforme aspecto favorável da bílis e do fígado. Diz: “Iniciei os homens na arte difícil de queimar os adiposos membros e o osso sacro das vítimas. Tornei claro aos seus olhos as constelações do fogo, que antes lhe permaneciam encobertos e obscuros, e para ti, os 12 labores nada mais são que a forja das virtudes oferecidas ao herdeiro da décima terceira geração da linhagem de Io”.
O ser humano deseja intensamente, mas ele não sabe exatamente o quê, pois é o Ser que ele deseja; um Ser do qual se sente privado e do qual algum outro lhe parece ser dotado e, aparentemente já dotado de um Ser superior, desejando algo, só pode se tratar de um instrumento capaz de conferir uma plenitude de Ser ainda mais Iluminado. O sacrifício é um ato religioso que, insubstituível, pela consagração de uma vítima, transforma o estado da pessoa moral que o executa ou de alguns artifícios aos quais ela diz respeito.
Os Lupinos se despem de sua pele artificial, onde pêlos e garras não são nada mais que o produto maldito da divinação licantrópica, e estilhaçam a caça cujo alimento espiritual habita no alvedrio, se sujeitando a excursão aonde se vai dois e volta um.
O fundamental a reter nesta fórmula é a idéia una de mutação. Um sacrifício sempre implica numa consagração, que modifica o estado das coisas: une-se o domínio do profano com o do sagrado e do maldito.
O inverso também ocorre; basicamente, o sacrifício é um processo de sacralização e dessacralização de algo. Entretanto, esta consagração pode ser de vários tipos (como a consagração de um rei, por exemplo, que não interfere em nada além da pessoa do rei) sendo que o sacrifício é de um tipo muito particular: seu traço distintivo é que a consagração ultrapassa a coisa consagrada. Neste sentido, este algo consagrado intermedia a relação sacrificante X divindade. A vítima do sacrifício possibilita o contato entre estes dois mundos, o sagrado e o profano. É fundamental que esta vítima seja destruída pela consagração, o que confere um caráter sacrificial mesmo aos rituais "não-sangrantes" como o caso das oferendas que a terra nos dá. O “objeto” assim destruído é a vítima-ego sacrificial, e disso obtém-se a licantropia.
Não há rito sacrificial sem uma "entrada": é necessário que o estado natural dos envolvidos no sacrifício seja alterado, por isso, o Claret dos Lobos possui propriedades secretas no modo de preparar sua fórmula. Antes deste, nem sacrificador, nem sacrificado, vítima ou objetos envolvidos no ritual estão em um grau específico para o contato com o santificado. Este estado deve ser alterado, convertido em congresso, para a transmutação e só depois, o acesso aos verdadeiros mistérios da Lupercália. O profano é divinizado na entrada do sacrifício: todos os ritos de entrada têm esta função.
Com relação ao sacrificador, temos que este pode ser um indivíduo ou uma coletividade que assiste à cerimônia. A partir dos movimentos de preparação do sacrificador ao sacrifício do Claret, os feiticeiros partem para uma uniformidade de elementos comuns a esta etapa: a sacralização do sacrificador é feita através de restrições (jejuns diversos, não cortar cabelos, unhas, etc..) e regressões ("volta-se" a um estado inicial, de feto, que irá "renascer" ou transformar-se em lobo): "tudo o que toca aos deuses é divino; o sacrificador é obrigado a tornar-se deus-lobo ele próprio para estar em estado de agir sobre".
Uma série de abluções, consignações e outras sequencias preparam o sacrificador, profano, a executar seu papel no espaço sagrado do sacrifício.
Com relação ao sacrificador, a princípio este não deve ser motivo de muitos rituais iniciais: alguns cuidados são suficientes, uma vez que o sacrificador é geralmente algum sacerdote/sacerdotisa, o que já lhe confere uma proximidade maior ao sagrado. Apenas, pelos ritos, aumentando sua “santidade”, ele facilita e sobrecarrega seu potencial de relação com o sagrado. Isto é necessário para que ele cumpra, por vezes, o papel de intermediário da divindade, em nome da qual ele agirá. Neste sentido, seu papel é o de um “bode expiatório”, carregando consigo as mazelas do indivíduo ou da alcatéia toda.
O Ritual é suspenso no ar, traduzindo os risos de um novo aparecimento.
Existe um ditado entre os lobos que diz: “Você não é a mesma pessoa depois da Lupercália”.
Feliz Lupercália!
Sorcerer Sett