terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Não existe livre-arbítrio

São Paulo - Saber se os homens são capazes de fazer escolhas e eleger o seu caminho, ou se não passam de joguetes de alguma força misteriosa, tem sido há séculos um dos grandes temas da filosofia e da religião. De certa maneira, a primeira tese saiu vencedora no mundo moderno. Vivemos no mundo de Cássio, um dos personagens da tragédia Júlio César, de William Shakespeare.
No começo da peça, o nobre Brutus teme que o povo aceite César como rei, o que poria fim à República, o regime adotado por Roma desde tempos imemoriais. Ele hesita, não sabe o que fazer. É quando Cássio procura induzi-lo à ação. Seu discurso contém a mais célebre defesa do livre-arbítrio encontrada nos livros. "Há momentos", diz ele, "em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos."
Como nem sempre é o caso com os temas filosóficos, a crença no livre-arbítrio tem reflexos bastante concretos no "mundo real". A maneira como a lei atribui responsabilidade às pessoas ou pune criminosos, por exemplo, depende da ideia de que somos livres para tomar decisões, e portanto devemos responder por elas. Mas a vitória do livre-arbítrio nunca foi completa.
Nunca deixaram de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais. Recentemente, o exército dos deterministas – para usar uma palavra que os engloba – ganhou um reforço de peso: o dos neurocientistas. Eles são enfáticos: o livre-arbítrio não é mais que uma ilusão. E dizem isso munidos de um vasto arsenal de dados, colhidos por meio de testes que monitoram o cérebro em tempo real. O que muda se de fato for assim?
Mais rápido que o pensamento
Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, o cérebro já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor.
Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.
Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade.
Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d eeles tomarem consciência do que faziam.
Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.
Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.
"Neurocirurgiões usaram um eletrodo para estimular um determinado local da área motora do cérebro. Como consequência, o paciente manifestou em seguida o desejo de levantar a mão", disse Haggard em entrevista ao site de VEJA. "Isso evidencia que já existe atividade cerebral antes de qualquer decisão que a gente tome, seja ela motora ou sentimental."
O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.
A mente como produto do cérebro
Como o cérebro já se encarregou de decidir o que fazer – e o ato está feito —, é preciso contextualizar a situação. É aí que entra a nossa consciência. Ela também é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu 'dono' que o responsável foi ele.
Em outras palavras: quando você para, pensa e toma decisões pontuais, tem a sensação de que um eu consciente e racional, separado do cérebro, segura as rédeas de sua vida. Mas para cientistas como Michael Gazzaniga, coordenador do Centro para o Estudo da Mente da Universidade da Califórnia e um dos maiores expoentes da neurociência na atualidade, não existe essa diferenciação.
Segundo ele, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu, que habita e controla o corpo, é apenas o resultado da atividade cerebral que nos engana. "Não há nenhum fantasma na máquina, nenhum material secreto que é você", diz Gazzaniga, que, em seu mais recente livro, Who's in Charge – Free Will and the Science of the Brain (Quem está no comando – livre-arbítrio e a ciência do cérebro, sem edição em português), esmiúça a mecânica cerebral das decisões. 
Segundo Gazzaniga, o cérebro humano fabula o tempo todo. A invenção de pequenas histórias para explicar nossas escolhas seria uma maneira sagaz de estruturar nossa experiência cotidiana. Essa estrutura narrativa, segundo Patrick Haggard, tem um significado importante na evolução humana.
"Criar histórias sobre as nossas ações pode ser útil para quando nos depararmos com situações similares no futuro. É assim que iremos decidir como agir, relembrando resultados anteriores", diz. Ou seja, funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento de pessoas próximas – principalmente nossos familiares. "Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento em que o cérebro absorve uma grande carga de informações e está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade."
Dúvidas
Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."
Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dos jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."
Continuariamos, assim, a viver no mundo descrito por Cássio em Júlio César. "Há momentos em que os homens são donos de seu fado", diz ele. Neurocientistas como Pinker estão prontos a concordar com isso - desde que se entenda o livre-arbítrio como uma ilusão necessária para o jogo das leis e da ética - e desde que se ponha o cérebro o lugar dos astros, como o grande condutor de nossos atos.
Fonte: Exame

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os motivos para se estudar uma religião

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for "sim", a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.

Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, "de modo objetivo": via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.

Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins "lucrativos" para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não "lucrariam" com seus objetos de estudo.

Duvido profundamente deste pressuposto. Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.

Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar -já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?

Como você vê, trata-se de uma pergunta "podre" no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.

Acho que a chamada "neutralidade" em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.

Por exemplo, quando mulheres estudam "opressão feminina", não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em "lucrar" com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam "opressão contra os gays", não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também "lucrariam" com o estudo de seu próprio caso?

Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?

Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: "Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?".

Proponho as seguintes hipóteses.

1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações "espirituais", mas se acham "cultas e bem (in)formadas" e estão um tanto de saco cheio das "igrejas" (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas "oficialmente" e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.

2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de "revolta contra Deus". Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.

3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.

4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.

5. Para tornar sua vivência religiosa mais "culta e bem informada" e "modernizar" sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.

6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.

7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.

8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.

9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.

10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.

Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.

Fonte: Paulopes 
Nota: Para este escritor pagão, ultimamente não apenas "estudar", mas também "dar aulas", tem sido mais importante do que vivenciar uma religião.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Dioniso em Eleusis

A equipe de Wasson, Ruck e Hofmann concentrou suas pesquisas em Eleusis, próxima a Atenas e analisou os recipientes que eram reportados como tendo sido usados nos mistérios celebrados, onde Demeter e Dioniso eram honrado por um rito iniciatório secreto. Esse segredo era certamente um dos mais bem guardados na história, contrariando que mulheres não podem guardar um segredo. Nós ainda não sabemos exatamente como eram os famosos Mistérios de Eleusis, mesmo que estivessem bem estabelecidos na Idade do Bronze e continuaram através do racionalismo da Grécia Clássica até o momento em que o Cristianismo os suprimiu. Peregrinos iam ao santuário em Eleusis em busca de revelação, de iniciação em uma visão da eternidade. Qualquer um – homem, mulher, servo ou imperador – podia ser iniciado em Eleusis exceto os bárbaros, ou seja, qualquer um que não fosse grego. Na Era Helênica e Romana essa restrição desapareceu e os Mistéris prevaleceram sobre todo o mundo civilizado. Diante do Cristianismo, Eleusis manteve-se como um dos maiores centros da resistência pagã, até o final.
Dioniso não era representado em Eleusis no início dos mistérios, que pertenciam principalmente a Demeter (ou Cibele ou Gaia, outras Deusas-Mães). A imagem básica dos mistérios permaneceram aquelas da Mãe separada da filha Persefone que foi raptada por Hades. A Mãe, inconsolável e raivosa, vaga pela terra. Quando a Mãe está raivosa, a vida cessa: enquanto sua filha não retornar, Demeter recusa-se a cumprir com seu papel de Deusa da Fertilidade.
Ainda procurando por sua filha, Demeter, em prantos, um dia chega em Eleusis disfarçada como uma mulher velha e pobre e é acolhida pelas pessoas e seu rei Keleos que lhes oferecem hospitalidade. Ela ali encontra outra mulher, Baubo, que a distrai de sua dor ao fazê-la rir com algumas piadas. A história diz que Baubo levantou seu vestido para mostrar para Demeter sua traseira enrugada enquanto dizia uma série de obscenidades. Baubo é tão engraçada que Demeter esquece seu pesar e ri com a velha mulher.
Este episódio com a velha Baubo é encenado no ritual de Eleusis quando todos gritam obscenidades enquanto a procissão avança – como se nos lembrasse que rir é parte do divino. Como acontece às vezes em nossas vidas, o humor é o início do fim da postura rígida de Demeter, dali em diante, ela torna-se furiosa. Fúria e humor são movimentos psicológicos fundamentais que podem nos ajudar a sair da depressão: rir de alguém ou de uma situação engraçada é um sinal certo de que se está saindo dos sentimentos de inferioridade, fora das preocupações  egocêntricas. Rir é tomar distância e para ter uma perspectiva deve-se mover para fora desse fosso depressivo.
Zeus percebeu que teria que ceder à fúria de Demeter para preservar a própria vida. Ele lhe devolveu sua filha então a maldição da esterilidade pode acabar. Simbolicamente isto é primavera: o encontro de mãe e filha. Mãe e filha estarão juntas e felizes por alguns meses: isto é verão. Quando Persefone retorna ao seu marido Hades, nós temos o outono e inverno de novo. Alegre por reencontrar sua filha, Demeter lembra a acolhida que ela recebeu em Eleusis e recompensa este povo ao lhes dar a graça da agricultura e o privilégio de serem iniciados nos mistérios. O filho do bom rei Keleos, Triptoleme, tornou-se o primeiro disseminador dos grãos e um herói da Deusa.
Herodoto menciona que as cerimônias marcando a separação outonal de mãe e filha eram inicialmente reservados para mulheres casadas: a Tesmoforia era realizada em outubro (tempo de colher) e durava três dias. Apenas mulheres podiam participar na Tesmoforia uma vez que elas colhiam. No ritual a semente era misturada com sangue menstrual, o que era considerado não uma substância  impura e maligna mas um simbolo do poder da fertilidade feminina. Acreditava-se que misturar os grãos com o sangue menstrual aumentava seu poder de germinar. Os Grandes Mistérios, como a antiga Tesmoforia, aconteciam no outono, no fim de agosto ou início de setembro, enquanto os Mistério Menores em fevereiro celebrava a reunião entre mãe e filha.
Os Grandes Mistérios foram um dos maiores festivais em toda a Grécia. Os habitantes de Eleusis e os de Atenas recebiam os iniciados bem como os mystae (candidatos à iniciação). No primeiro dia, os jovens atenienses marchavam solenemente ao templo de Demeter em Eleusis para acompanhar a sacerdotisa que carregava os vasos sagrados. Eles traziam os vasos de volta a Atenas e os colocava em um santuário aos pés da Acropolis, um lugar chamado Eleusinion. A verdadeira celebração começava no dia seguinte quando os mystae, chamados pelo hierofante, alto sacerdote dos mistérios, iam ao mar para um banho purificador. Depois uma impressionante procissão formada de sacerdotes e sacerdotisas carregando os objetos sagrados, seguido por altos oficiais atenienses, jovem efebos e finalmente os mystae e uma enorme platéia. A magnifica procissão movia-se lentamente através da Via Sagrada entre Atenas e Eleusis, com várias paradas em santuários pela rota. Uma estátua de Iacchus, o nome místico de Dioniso, como companheiro da Deusa-Mãe, era carregado junto com o cortejo.
Haviam dois estágios, dois níveis de iniciação em Eleusis. A iniciação de primeiro grau envolvia uma comunhão com pão e uma bebida, o kykeon. A iniciação de segundo grau podia levar um ano de avaliação. Apenas iniciados do segundo nível participavam nos Altos Mistérios que culminavam com a união do Alto Sacerdote com a Alta Sacerdotisa. Esse drama litúrgico simbolizava a união sagrada do Homem e da Mulher arquétipos, de quem a Criança nascia. Esse drama era uma celebração do mistério eterno do amor e da renovação da vida.

Ginette Paris, Pagan Grace, pg. 12 – 15 – Spring Publications Inc.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O culto da Vaca Sagrada

No vernáculo moderno, ao se referir a algo ou alguém como uma vaca sagrada ou santa, está se afirmando que aquilo a que se refere tem uma autoridade incontestável, assume as características de um deus monista.  Geralmente este termo é usado para uma pessoa em uma posição considerada intocável ou uma organização que torna o homem comum incapaz se ele quiser protestar. Confrontados diante das vacas sagradas nós descobrimos que em seu campo de autoridade cresce a paranóia, medo, brutalidade, tanto por parte da vaca propriamente dita tanto quanto fora. É uma simetria em cena aqui que leva a jogos de segredos, espionagens e vazamento de informação de dentro da vaca sagrada e de fora sentimentos de opressão e teorias de conspiração que dão à vaca sagrada ainda mais da ilusão de poder que frequentemente tem.
A vaca sagrada pode ser sobre as pessoas em posições de poder, sobre organizações consideradas poderosas - mas as vacas sagradas também pode tocar o reino do Self e do Ego. A afirmação mais freqüente das vacas sagradas dentro da fortaleza do ego é quando definimos nossa incapacidade ou nossos vícios, referindo-se à partes da imagem investidas com uma enorme importância. Por exemplo, 'por causa de minha educação', 'por causa da violência que sofri', 'por que eu fui mal interpretado', 'porque a minha condição bipolar ... ', 'por que o meu signo diz ...' Há um  fatalismo em ação aqui em nossa fortaleza do ego que guardamos muito bem. Na verdade é mais importante para o organismo humano ser consistente do que  ser bom. Nós estamos constantemente à procura da afirmação do auto-conceito que estamos mantendo. Qualquer tentativa de desafiar isto será recebido com resistência, consciente ou não. Eis porque às vezes é tão difícil convencer uma boa pessoa cair vítima de padrões negativos, sobre a bondade interna, predominante e esquecida. A explicação para o auto-conceito negativo se transformou em uma vaca sagrada.
A origem da vaca sagrada é encontrada em culturas de todo o mundo, desde Moloch e os deuses touro do Egito para a vaca promordial Audhumla na Escandinávia, mas o termo como é usado diáriamente vem do hinduísmo, que considera o gado como sagrado e visto como um símbolo do benefício e harmonia mútuos entre o homem e o gado. Agora, a mentalidade em torno do sagrado em culturas tradicionais é bastante diferente do que aconteceu com o uso do termo vaca sagrada no mundo desencantado ocidental, onde ele foi investido com uma aura negativa.
Às vezes nós queremos cutucar a vaca sagrada, mas o medo nos impede de cutucar e questionar. Se nós questionamos a vaca sagrada, seja feito em sigilo ou por delírios loucos vagando sob os raios do luar da conspiração. É que a corrente energética da vaca sagrada que jogou o laço em torno de nós e sob a influência destes raios negativos que nós nos tornamos espelhos da raiva vil.
Mas há uma maneira melhor, que é analisar a vaca calmamente - porque, sagrada ou não, uma vaca ainda é uma vaca e é aqui ao afirmar o fato que nossa análise, talvez, deveria começar. Ao compreender isso, podemos tratar a vaca de uma forma mais harmoniosa e nós vamos tentar entender o que faz a vaca  sagrada. Se nós acalmarmos a nossa alma, nós vamos permitir que a curiosidade da mente façam julgamentos e fluam opiniões sobre a vaca. Nosso conhecimento sobre a vaca vai aumentar e amadurecer enquanto nosso horizonte de compreensão cresce - porque o conhecimento é a maior arma contra o medo e a ignorância.
Vacas sagradas estão por toda parte também no mundo do ocultismo contemporâneo, onde alguma ordem, alguma personagem, ou algum livro, exige ser tratado como uma vaca sagrada - ou 'como se fosse um evangelho'. E isso vai nos dois sentidos, tanto para os que recebem o evangelho - e os que dão o evangelho. É uma referência negativa atuando fora aqui em uma "repetição Deluzian' [Gilles Deleuze - Diferença e Repetição, critica o conhecimento via representação mental e a ciência derivada desta forma clássica lógica e representativa {wikipedia}- NB]A forma como estamos gerando vacas sagradas segue um modelo semelhante a afirmar que uma determinada árvore na floresta é mais poderosa e importante do que as outras árvores. Isso quer dizer que a sua árvore de adoração é a única árvore, enquanto o resto são arbustos  e ervas daninhas menos importantes. Certamente temos árvores mais nobres, mais reais, mais venenosas e assim por diante - mas, neste reconhecimento deveria também ser permitido fazer julgamentos de natureza pessoal - o que muitas vezes é uma referência ao gosto ou à harmonia filosófica - e também questionar a natureza da árvore como qualquer exegese de um evangelho é permitido fazer. Se um fruto é amargo e ruim, deve ser permitido investigar o solo e o clima para fazer uma inferência sobre uma possível causa. Deve ser permitido a não gostar de algumas frutas e sentir-se indiferente com algumas árvores no mundo. Se começarmos a ficar obcecado com o porquê que uma árvore insiste em ser o rei de árvores - ou ser a única árvore - nós estamos jogando nossas moedas de prata na forca de mil noites negativas. Não vale a pena.
Somos únicos em nossa Constituição - e podemos em todas as estações da trilha escolher as explicações que queremos - mas eu sinto que é importante sempre questionar, sempre ser curioso, não porque buscamos condenar ou quebrar o assunto por nossa curiosidade - mas para compreender. Afinal de contas, a filosofia, a arte de pensar e refletir, começou com o questionamento que é a verdade - e esta deve ser a lanterna dos peregrinos em todos os momentos desta jornada sem fim no caminho da verdade.
A verdade não é uma vaca sagrada, não é um evangelho, não é um homem ou uma mulher de poder ou de presença - é este silêncio que acende o fogo em seu coração e faz você seguir em frente com um sorriso  em seus lábios - um passo significativo mais perto da fonte.

Fonte: Starry Cave

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Eslovênia lança referendo

Zagreb, 10 fev (EFE).- O Parlamento esloveno convocou nesta sexta-feira para o dia 25 de março um referendo sobre a controvertida Lei da Família, adotada em junho do ano passado, à qual se opõem organizações conservadoras e católicas por proporcionar novos direitos aos casais homossexuais.
A solicitação do referendo foi apresentada no dia 3 de fevereiro pela Iniciativa Civil pela Família e os Direitos das Crianças e segundo a legislação vigente, o Parlamento deve convocar o referendo em um prazo de sete dias.
No debate parlamentar de hoje sobre a questão, deputados dos partidos da centro-direita que se opõem à Lei da Família argumentaram que o texto foi adotado sem conseguir um compromisso e o consenso social.
A lei, que a princípio tentava igualar os casais homossexuais com os heterossexuais, mas que depois foi modificada sob pressão da Igreja Católica e organizações conservadoras, foi aprovada em junho do ano passado com 43 votos a favor e 38 contra.
A versão modificada não permite ao casal homossexual adotar filhos, mas, pela primeira vez na Eslovênia, permite a um homossexual adotar o filho de seu parceiro. EFE
Fonte: G1 Mundo
Nota: Enquanto isso, na Terra em Transe, continua a resistência ao reconhecimento [humanitário e constitucional] dos direitos dos homossexuais.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Estrutura de um ritual romano formal

O caeremonium romano é composto de um número de estágios, cada estágio composto de um ou mais rituais. O arranjo desses estágios, e a ordem na qual eles podem aparecer, pode variar de acordo com o tipo de caeremonium. Aqui eu sigo um modelo proposto por John North, do University College de Londres para a estrutura do ritual romano, no qual eu extendi alguns dos detalhes.
I. - PRAEFATIO
A fase preliminar de um ritual formal romana começa com um praeco (arauto) pedindo a atenção das pessoas, anunciando "Hoc age!" O celebrante principal, em seguida, nomeia os seus colaboradores, com o assistente mais importante é o ministro sacrificii. Uma característica importante em uma cerimônia romana é o diálogo que ocorre entre os celebrantes. O celebrante principal, chamado de praesus ou o praesul, é responsável por ordenar ou autorizar os outros celebrantes para fazer suas partes. Nenhuma ação é tomada durante uma cerimônia sem uma pessoa pedir a permissão e o praesul autorizando-o a prosseguir. Um exemplo de um ritual privado é onde Cato, o Velho, escreveu:
"A maneira correta de purificar os campos de cereais é desta maneira. Encomende um leitão, cordeiro, e um bezerro para (suovitaurilia) ser conduzido ao redor, usando estas palavras: "Com o favor dos deuses, tudo pode dar certo, então eu convido você, Manius, tomar cuidado para purificar minha fazenda , o meu campo, a minha terra com este suovetaurilia, possa você conduzir ou transportar o maior número de vítimas sacrificiais como você deseja em qualquer parte da minha propriedade, meu campo, e minha terra como achar melhor (De Agricultura 141). "Outro exemplo é dar por Cícero no caso de tomar auspícios. Aqui o praesul pergunta: "Quintus Fabius, eu desejo que você seja (um assistente) para mim, para o auspices." Para isso, respondeu Fabius, "Audivi." "(Assim) Eu ouvi, (De Divinatione 2,71).
"Um ritual de purificação é, em seguida, feita pelo praesul com a assistência de um Camillus. Este era uma criança, que para os romanos podia ser qualquer um até a idade de trinta anos, mas normalmente era um pré-adolescente menino ou menina, cujos pais ainda viviam e ainda casados um com um outro. Por lei, o Camillus tinha que segurar uma taça em sua mão esquerda e com o pé direito à frente para dar boa sorte a Camillus iria derramar água pura a partir de uma vasilha sobre as mãos do praesul, que por sua vez, polvilha a água três vezes sobre a testa.
Um sacrifício inicial de incenso, vinho e possivelmente um bolo de grãos, pode ser oferecido, neste momento, invocar certas divindades para atuar como testemunhas aos rituais iniciais.
II. - POMPA
A pompa é uma procissão. Trata-se de um ritual por si próprio. Pompae são organizados de forma diferente para os triunfos militares, cortejos fúnebres, para quando os jogos estavam sendo realizados em honra dos deuses, e para outros tipos de ocasiões. Isto é, o arranjo de uma Pompa, como os vários componentes da procissão foram colocados, caracterizada qual o tipo de ritual estava sendo celebrado. Em geral, porém, você pode pensar nisso como a procissão em que as ofertas são carregadas ou levadas ao altar. Eu vou cobrir a pompa com mais detalhes em um post mais tarde.
III. - SACRIFICATIO
A porção principal de uma cerimônia romana é o sacrificatio. Compõe-se de, por sua vez, de várias partes. Aqui, novamente o praesul será ritualmente lavar as suas mãos.Testemunhando deuses celestes, terrenos e infernais e Deusas serão chamados, oferecendo-lhes sacrifícios. Em seguida, é feita em invocatio para solicitar a presença do Deus ou Deusa para quem o sacrifício principal deve ser realizado. A invocação é seguida por uma oração, o praecatio, que estabelece termos do que deve ser oferecido, as razões pelas quais ou as solicitações feitas à divindade, e, em seguida, também, o que se espera da divindade em troca.
O precatio é repetido três vezes, nas palavras exatas, exceto que o [verbo] é alterado do futuro antes do sacrifício, para o presente como um sacrifício, e, em seguida, ao passado após o sacrifício estar concluído. Se qualquer uma das palavras são ditas erradas, mudando assim os termos de arranjo desejado, então todo o ritual (embora não necessariamente o ceremonium inteiro) teria de ser repetido.
Com qualquer oração romano um sacrifício deve ser oferecido. A oferta pode ser incenso, vinho, uma coroa de flores, ou alguma outra coisa pequena. Esses tipos de ofertas, que devem ser abordados com mais detalhes mais tarde, são chamados oblationes. Eles são semelhantes ao Minah na tradição judaica que estavam acompanhando os sacrifícios de animais no templo de Jerusalém (Lev. 2, Num. 15., E Aram. Levi 30). Um exemplo é o sacrifício de uma porca grávida que foi oferecido uma vez para Ceres e Hércules em 21 de Dezembro, onde os oblationes que acompanharam este sacrifício era pão e mel mergulhados em vinho (Macr. Sáb. 3.11.10). Todos os sacrifícios são uma oferta de volta para os deuses que eles deram para nós, e, portanto, com oblationes não é tanto que as ofertas específicas são necessárias, mas que alguém oferece uma parcela de tudo o que ele ou ela pode ter (Censorius, Dies Natalis 1,8-10).
O sacrifício principal frequentemente incluía um sacrifício animal (immolationes). No entanto, na mais antiga tradição Numa Pompilius diz ter proibido todos os sacrifícios de animais, e praticantes mais modernos seguem a Tradição de Numa hoje. Immolationes parecem ter sido introduzida em Roma pelo Tarquinianos, reis gregos de Roma, que veio da cidade etrusca de Tarquinnia. Mais tarde, na Roma antiga a tradição de Numa era aplicada a apenas certos rituais que ele instituiu. O sacrifício de animais foi proibido especificamente nos ritos para Carmentis, Terminus, Vesta, e Fides, bem como para o gênio de um indivíduo, em ocasiões especiais como Parilia, e também em templos distritais particulares. O sacrifício de animais também foi proibido aos áugures. Mais uma vez, vou cobrir isso com mais detalhes posteriormente.
Se um immolatio era para ser realizado, então primeiro um probatio era conduzido por um pontifex. Este exame de ofertas era para garantir a sua qualidade. Os animais eram examinados para manchas, sinais de doença ou anormalidade. Certos procedimentos tiveram que ser tomados para garantir a disposição do animal para ser sacrificado. Como quando os rabinos matam um animal de uma maneira especial para garantir que ele permanece puro por lei rabínica, os romanos também tinham um cuidado especial na forma que um animal era morto, abatido, e depois retalhado.
O ato de exta caesa envolve coletar o sangue de uma vítima sacrificial em bacias que são então carregadas três vezes ao redor de um altar antes de uma porção do sangue é lançado às chamas. Este especialmente envolve o sangue colhido a partir de órgãos internos. Dependendo do sacrifício e o que tinha sido anteriormente jurado, um pouco do sangue pode ter sido usado em salsichas como outra forma de oferenda. Isso difere da prática do templo judeu, tanto quanto eu sei da prática romana, em que o sangue não estava salpicado nos lados de um altar. À medida que o animal era abatido, suas vísceras removidas, uma scrutatio era conduzida por um Haruspex para examinar os órgãos para quaisquer defeitos. Se deformidades eram encontrados, então um outro animal teria de ser sacrificado em seu lugar. Uma pequena porção do fígado, coração, pulmões, e os rins eram levados até o altar e oferecido para as chamas. A maior parte dos órgãos era primeiro fervido antes de ser tostado sobre o fogo do altar. Haviam diferentes preparações feitas das várias partes de um animal, regidos por uma série de regulamentos que não estão mais disponíveis hoje. Mas temos que assumir que os livros pontifícios tinham  muitos regulamentos para cada tipo de sacrifício, para cada Deus ou Deusa, como a lei judaica previa para seu Deus. Após dos preparativos serem feitos, então as vísceras eram esticadas (porriecta) por cima dos altares. Para os deuses eram distribuídos os órgãos, pele, ossos e gordura. A carne de um animal sacrificado era para ser repartida entre os celebrantes, com apenas uma parte igual oferecida ao Deus ou Deusa. O ponto inteiro de um immolatio era fornecer uma refeição partilhada com um Deus ou Deusa em uma espécie de convivium entre sodales [solidários-NB].
Cada festival era marcado por um sacrifício que era único exclusivamente a ele. No caso das Vinalia que celebravam a coleta das uvas, o flamen Dialis, sacerdote de Júpiter Optimus Maximus, cortava a primeira videira. Isso ocorreu entre os caeses exta e a porriecta como as vísceras sendo preparadas e a carne era retalhada e assada. O sacrifício principal combinado com o ato especial que ocorreu entre o momento em que começou e o tempo que ele foi concluído é chamado sacrum. Isto é muito importante entender sobre o ritual romano. O sacrum implica uma ação especial que é feita no contexto de um sacrifício, e não necessariamente se referem a um sacrifício animal. Na mesma maneira que um praecatio é falado antes, durante, e depois de um sacrifício para afirmar seu contexto, a ação especial de um sacrum só pode ser feito durante o sacrifício, antes de a sua conclusão.
Como as palavras de uma oração dão o significado e a intenção a um sacrifício, e o sacrifício dá substância às palavras, também o sacrifício dão seu contexto, para uma ação especial, como semear, varrer o chão de um templo, ou colher as uvas. É a ação especial que é referido para a maioria como sacrum, e ele é o sacrifício que faz com que a ação sagrada.
No caso quando um immolatio ocorre e carne do animal é para ser compartilhada entre os celebrantes, então a carne do animal, que tinha sido anteriormente dedicado aos deuses, deveria então ser profanada. O praesul ou seu ministro sacrificii profanava a carne ao tocá-la. "Profano" significa converter para uso humano que tinha sido anteriormente dedicado aos deuses.
IV. - LITATIO
A conclusão dos sacrifícios principais completa-se com uma adoração, certos gestos, e uma observância por sinais de que os sacrifícios tenham sido aceitos. Isso é exigido pelos Leges Postumnae onde o Rei Numa  Pompilius disse: "Vire-se para fazer a adoração aos deuses; sente-se depois de ter adorado (Plutarco Numa 14,3).
"Graças são dadas então a esses deuses e deusas que foram invocadas como testemunhas dos ritos. Isto é feito na ordem inversa. Inicialmente Vesta é chamada quando é aceso o primeiro fogo do altar no início da celebração, então Janus é invocado primeiro como o Deus dos começos. Uma ou mais outras divindades são geralmente invocada também, e a ordem em que foram chamados devem ser registrados. Eles são agradecidos e uma libação é vertida para um de cada vez, então, a cada um são oferecidos incenso, primeiro para a últimas divindade que foi chamada. Assim, uma última oferenda é sempre feita para Vesta, e em segundo para Janus para encerrar na conclusão do litatio.
Implementos utilizados durante as celebrações devem ser limpos e guardados. Não só eles são lavados e secos, mas também incensado nesta fase de nossos ritos. Enquanto assistentes arrumam os utensílios sob a direção do ministro sacrificii, o celebrante principal, o praesul, se senta para observar quaisquer sinais. Enquanto sinais favoráveis ​​são sempre bem-vindos, é suficiente apenas para ver que não aparecem sinais desfavoráveis. Quando o praesul se levanta de seu assento, sua observância está completa.
Os Deuses são, então, despedidos, pelo uso de alguma fórmula, tais como:
Nil amplius, Superi Dii, vos Hodie flagito; satis est.
"Não mais, deuses do alto, eu vos peço algo hoje, é o suficiente."
V. - PERLITATIO
Ao limpar o lugar depois de um sacrifício, pode haver algumas oferendas não totalmente queimadas, bem como as cinzas que permanecem. Tudo o que é dedicado aos Deuses devem ser devidamente eliminado  seja incinerando-os por inteiro, seja enterrando-os. Assim, o ministro sacrificii vai mandar a seus assistentes para enterrar o que resta em um local apropriado.
O praesul, após ter despedido os deuses durante o litatio, em seguida irá despedir aqueles que têm observado a celebração. Virando-se para os presentes, ele pode dizer algo a esse efeito:
Factum est. Di deaeque omnes, superi inferique, vos Semper et cupiant Ament.
"Assim está feito. Que todos os Deuses acima e abaixo sempre te amem e desejem-lhe felicidade em tudo que é bom. "
Os presentes respondem:
Di immortales faciant, tam pias quam felices.
"Que os Deuses imortais façam-no assim, tão piedosos quanto afortunados."

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ritos, rituais e cerimônias

O termo latino ritus significa um rito que é realizado da maneira Romana costumeira e usual  (Festus sv). Mais especificamente ritus se refere a um rito romano, onde orações são corretamente faladas, e os gestos habituais e ações do ritual romano são utilizados. É um casamento de oração e ação, onde as palavras dão sentido a uma ação e a ação dá substância às palavras. Além disso, um ritus Roman pode ser dito como composto por quatro partes:
I Abordagem
II O Gesto e a Oração
III A Solicitação
IV A resposta
Deve-se saber qual Deus ou Deusa que está convocando, quais são oferendas apropriadas para trazer para a divindade, como endereço de um Deus particular ou Deusa, quando e onde realizar o ritual e outras considerações. Isto pode ser um pouco complicado em qualquer tradição politeísta, mas há sempre uma certa lógica interna em uma tradição que ajuda um adorador quando se aproxima um Deus. Na tradição romana, há mesmo uma maneira tradicional de abordagem quando você não sabe o que Deus ou Deusa pode estar presente em um lugar. A oração e o gesto é geralmente específico para o tipo de rito que está sendo executado, enquanto que um pedido pode ser mais específico para a ocasião ou o desejo. Nem sempre, mas durante um rito romano formal alguém também tem um momento para ver se aparece algum sinal para indicar se suas ofertas foram aceitas ou rejeitadas, em resposta à sua solicitação. Isso soa mais complicado do que realmente é na prática.
Um rito relativamente simples é chamado de adoratio. Pode envolver uma simples saudação, como dizendo: "Ave, Ave, Di Parenti." Esta saudação é acoplado com um gesto, onde em um beija as costas da mão direita atrás da junta do dedo indicador, e depois toca as pontas dos dedos em um altar ou uma imagem. É usado especificamente quando se trata de seus ancestrais, assim se aproxima o túmulo de um membro da família, ou o lararium famíliar dentro de casa, ou às vezes pode ser uma árvore ou santuário ao ar livre. O adoratio estava tão intimamente associado a ritos para os familiares falecidos, ou seja pode ser usado indiferentemente para o ritual anual em dívida para com os mortos em um parentatio. Um adoratio também pode ser usado com certas divindades celestiais quando são abordados de uma forma parental. Um exemplo da literatura romana é o lugar onde uma mulher iria parar por cada santuário e imagem de Vênus, a Deusa convidando para emprestar para sua filha sua beleza e harmonia. Em palavra e ação a mãe tanto prometeu sacrifícios a Vênus no futuro, enquanto lembrando-a dos sacrifícios passados enquanto, ao mesmo tempo, ela estava incluindo Venus como uma figura parental para sua filha e, assim, pediu a Venus a ter um interesse especial no bem-estar de sua filha.
Os gestos, orações, e a forma particular com que um romano oferece incenso ou vinho como oferenda em um altar pode ser chamado de um "rito". Um ritual romano é então composto de uma série de ritos. À medida que avançamos, vou quebrar um ritual romano em suas partes componentes e é mais fácil pensar em um ritual como tendo sido construída a partir de pequenos momentos de ritual.
O termo latino caeremonium significa "ritual" no sentido que eu dei acima. Mas vou usá-lo em vez de dizer "cerimônia" no sentido de uma sequência de rituais. Celebrações Romanas poderiam estender por vários dias, com uma variedade de rituais realizados para várias divindades. Para o nosso propósito, então, "rito" ou ritus irá se referir a um ato ritual, como um bloco de construção, para um ritual romano que, por sua vez, serve como um bloco de construção para uma cerimônia formal romana.
Existem dois modos de realizar o ritual romano. O primeiro é chamado ritus Romanus que Romulus trouxe de Alba Longa para Roma. Ritus Romanus era realizada na forma latina, com a toga puxada firmemente em torno do torso (cinctus Gabinus) e elaborado para encobrir a cabeça (Capite velato). Para certos rituais realizados em Ritus Romanus, sacrifícios de animais foram proibidos. Em outros, vítimas animais eram selecionadas de acordo com as divindades para quem eles foram feitos como ofertas. Em geral, vítimas brancas eram selecionadas para as divindades celestes, vítimas negras para as divindades do submundo, enquanto as vítimas vermelhas eram preferidas por Vulcanus e Robigo. Deusas recebiam geralmente vítimas do sexo feminino. Haviam sempre excepções, com cada templo tendo suas próprias regras no sacrifício. Os Deuses recebiam vítimas do sexo masculino que eram primeiro castrados, exceto nos sacrifícios para Marte, Neptunus, Janus, ou um gênio. Como o animal era decorado era outra consideração, dependendo da divindade e do festival particular - se chifres dourados eram para ser usados, as cores das fitas (vermelha, branca ou preta na maioria dos casos, azul para Netuno), uma coroa de pão em alguns festivais, caso contrário, uma coroa de flores e frutos em alguns casos, e o dorsuale bordado era desdobrado sobre os flancos dos bois. Outros tipos de ofertas eram igualmente selecionadas de acordo com a divindade particular ou o festival particular. O leite era usado como uma libação nos ritos mais antigos. Geralmente as Deusas recebiam libações de leite, embora hajam exceções aqui também. Vênus é uma deusa que geralmente recebe o vinho como uma libação. Onde o vinho é a bebida comumente usado em ritual romano, o vinho é proibido em alguns ritos. Todas as regras do ritual eram mantidos nos livros pontifícios. Comentários sobre esses livros perdidos, desde então, preservou alguns dos requisitos do ritual romano para nós.
Apesar de seu nome o ritus Graecus é um estilo inteiramente romano de executar rituais. A lenda conta que, antes da vinda de Romulus à Roma um grego chamado Evander tinha estabelecido um acampamento na área. A lenda também conta como Hercules tinha vindo para a Itália e estabelecido pela primeira vez os rituais realizados no Maxima Ara. Portanto rituais realizados para Hércules e Saturnus, entre outros, era realizado em ritus Graecus. Além disso, quando algumas divindades gregas foram adotadas no panteão romano, suas festas poderiam ser comemoradas em Ritus Graecus, embora, mais uma vez, tiveram exceções, como Castor e Pólux. O Ritus Graecus era realizado com a cabeça sem estar velada. Em vez disso coroas eram usadas, geralmente feitas de ramos entrelaçados de louro ou flores. Quando as mulheres participaram, elas às vezes são referidas como estando descalças. As mesmas receitas de sacrifícios usados em Ritus Romanus parece ter sido aplicadas também em ritus Graecus. Talvez mais estreitamente identificado com ritus Graecus foram outros tipos de ofertas. Música, dança, performances teatrais foram sempre realizados em festivais como uma oferenda aos deuses, não como entretenimento para o público. Hinos especiais seriam composto para os Deuses, cantados como uma oferenda, assim como concursos de poesia e de teatro foram realizadas em honra deles. Certas danças executadas por mímicos que foram introduzidas a partir de Campania eram mais associadas com ritus Graecus do que com Ritus Romanus. Mas então, haviam celebrações, como as realizadas pelos Salii que dançavam nas festas de Marte e sacrificavam em Ritus Romanus. As corridas de cavalos parecem estarem mais associado ao Ritus Romanus, corridas de carruagens [estavam mais associadas] com mais freqüência com o ritus Graecus. O Ritus Graecus também está mais intimamente associado com certos tipos de cerimônias chamado lectisternia, sellisternia e supplicationes. As orações usado no ritus Romanus são mais diretas, às vezes se tornando contratual, onde como as orações associadas com o ritus Graecus podem tender para hinos de louvor ou invocações que lembram mitos e títulos e honrarias da divindade. Juntamente com um estilo diferente de oração, os gestos utilizados na Ritus Romanus pode ter sido distintos daqueles usados ​​para o ritus Graecus.
Pela República tais distinções fizeram pouca diferença. Caeremonia eram compostos de vários rituais, e enquanto o ritual romano crescia mais elaborado, com sacrifícios oferecidos à várias divindades, uma caeremonia poderia passarde um ritus Graecus a um ritus Romanus e voltar várias vezes à medida que cada Deus e Deusa recebeu o que era mais apropriado. Também adotadas durante a República tardias e nos períodos imperial eram cerimônias estrangeiras que, embora realizada em Roma, foram ainda mantidas separadas da religio Romana. Tais celebrações foram, assim, conduzidas em um ritus peregrinos, ou de forma exstrangeira.
Cada família, cada clã ou gens, cada templo, santuário, e o altar tinham seus próprios rituais tradicionais, muitos dos quais mudaram ao longo do tempo. Se alguma coisa pode ser dito sobre a prática romana é que é muito diversificada e que estava em constante evolução ao longo do tempo.
Traduzido com ajuda do Google Tradutor