segunda-feira, 25 de junho de 2012

O andar da carruagem

Dirigir um carro é fácil, Joãozinho. Difícil é dirigir a vida. De preferência a sua, Joãozinho, não a de outro, real ou virtual.
Então você percebeu que os exercícios que vem fazendo funcionam, Joãozinho. A partir do momento que se tenta e se começa a entrar nos eixos, quando se busca realinhar com a Axis Mundi, suas ações e vontades refletem nos eventos, causando o que dizem ser acaso ou coincidência. Ouça bem a voz da Sabedoria, saiba que acaso e coincidência são pequenos milagres.
Teve que sair da Terra da Bandidagem para aprender o óbvio: não há magia sem esforço, não há transformação sem intenção, não há mudança sem iniciativa.
Feliz, Joãozinho, por ter conseguido destravar a boca, mas atente que agora deve aprender a usar a língua, a entonação. Deverá aprender a falar, para então cantar. Seja objeto, elemento, gente, circunstância, estas coisas são manifestações das vibrações, energias, magias.
Enquanto recebe do Sapo dez marcas de braza no braço, você se dá conta de que um ritual é uma forma de rotina. Tempo, esforço, foco, paciência, dedicação, reverência e cuidado em lidar com itens sagrados podem e devem ser empregados na rotina profana.
Onde quer que seja, o que quer que faça, seja qual for sua posição ou papel em sua atuação, lembre-se, Joãozinho, de que ou quem representa. Dê o valor devido a estas coisas pois disto vem a riqueza, a fortuna, a prosperidade.
Enquanto não colhe a romã na árvore, você levou meia dúzia de mexericas e dois abacates. Você ajudou a arrumar a casa de Papa Legba, Joãozinho, agora se ajude a arrumar sua casa.
Na noite de São João, enquanto volta para a arapuca da civilização, lembre-se sempre, quando lhe visitarem o desanimo, o desespero e a insegurança, de que poderá depositar seu espírito naquele jardim. Por maior que seja a pressão, a cobrança, a dor, o sofrimento, a vergonha, tudo isso passa. Simplesmente são coisas que acontecem, tanto como resultado quanto como reflexo; tanto como lição como aprendizado. Tome as rédeas de sua carruagem, confie na bussola e segue o caminho.

domingo, 17 de junho de 2012

Ritual pagão na Rio + 20

Nesta sexta-feira (15/06), no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, ocorreu a abertura oficial do complexo de tendas chamado “Religiões por Direitos”. Este espaço faz parte do território da Cúpula dos Povos na Rio+20.
Como abertura do evento, estava previsto um culto interreligioso com a participação de três religiões, e a Wicca era uma delas, sendo que, ao chegar a hora da abertura, apenas o sacerdote Og Sperle, presidente da União Wicca do Brasil estava presente no local, ficando com a responsabilidade de realizar o ritual de abertura dos diálogos interreligiosos na Rio+20.

Para os presentes no local, houve um certo espanto ao saberem que teriam um bruxo a realizar o “culto” de abertura do evento, sendo que, mais intrigados ficaram quando o sacerdote Og Sperle começou a litania, visto que a mesma teve o enfoque wiccano, com a abertura do círculo e dos quadrantes “portais”.

No mais, o rito seguiu por uma linha pagã, e não propriamente wiccana, isso ficou bem evidente quando o sacerdote cantou a música “Irmãos da Lua” de Renato Teixeira, momento que emocionou os presentes.

Outro momento marcante foi quando o sacerdote Og Sperle convidou duas lideranças religiosas que estavam presentes no público para subirem ao palco, o representante da igreja Anglicana, Rev. Daniel Rangel e a Sra. Édna dos Santos, do Kardecismo, que juntos finalizaram cantando uma música de Milton Nascimento e Chico Buarque chamada “Cio da Terra”.

O espaço "Religiões por Direitos" tem por finalidade garantir a visibilidade e participação de organismos, expressões e grupos religiosos na Cúpula dos Povos na Rio+20.

Como pano de fundo comum, lideranças convidadas, das diversas expressões religiosas do país, estarão do dia dos dias 15 ao 22 de junho, se esforçando para promover os Direitos Humanos (direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais).  Essa presença interreligiosa tem por objetivo, a construção de uma agenda de eventos que estarão acontecendo durante a Cúpula dos Povos em torno dos seguintes temas principais:

a) Soberania alimentar
b) Mudanças climáticas
c) Juventude e justiça ambiental
d) Novos paradigmas e desenvolvimento sustentável
e) Povos tradicionais de terreiros
f) Paz, conflitos religiosos e bens comuns
Fonte: União Wicca

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rio + 20 abre com evento ecumênico

RIO DE JANEIRO, 15 Jun 2012 (AFP) -Os mantras repetitivos Hare Krishna ressoam em frente à Baía de Guanabara, e são interrompidos subitamente por gritos guturais: o cacique Raoni, com sua arma tradicional em punho, anuncia com uma dança sua chegada à Cúpula dos Povos, principal evento paralelo da conferência Rio+20.
"Ainda estou vivo para lutar contra as coisas que o homem branco fez contra nós, contra a natureza", afirmou, diante de centenas de pessoas, o cacique caiapó de 82 anos, conhecido em todo o mundo por sua luta pela preservação da Amazônia.
Organizada pela sociedade civil, a Cúpula dos Povos começou nesta sexta-feira com a participação de diversos grupos religiosos e centenas de ativistas.
Indígenas de todo o Brasil com pinturas de guerra, adeptos do candomblé vestidos de branco e seguidores da filosofia Hare Krishna se dirigiam ao Parque do Flamengo, em frente à baía, tendo o Pão de Açúcar como pano de fundo.
Espera-se que 15.000 pessoas participem a cada dia das mais de 600 atividades desta cúpula alternativa, celebrada a 40 km das negociações oficiais da ONU, no Riocentro.
"Vim aqui para tentar conhecer os métodos de luta contra as mudanças climáticas, precisamos trabalhar fora do sistema e temos muito a aprender com os indígenas", disse à AFP Erynne Gilpin, de 23 anos, estudante canadense de origem indígena.
Uma porta-voz do Movimento Interreligioso que se identifica apenas como Graça explica que a meta é "dar visibilidade aos povos e às religiões mais vulneráveis". Uma grande passeata está prevista para o domingo em Ipanema, acrescenta.
"Os elementos que formam o planeta são a base do candomblé: terra, ar, água e fogo. É por isso que somos defensores do meio ambiente", declara Renato de Obaluayê, sacerdote desta religião afro.
O professor de Economia H. M. Desarda, da Universidade de Hyderabad (Índia), participará de uma mesa redonda desta cúpula alternativa.
"Nosso planeta está ameaçado. O inimigo número um é o atual estilo de vida estúpido que levamos", afirma o professor, antes de citar Gandhi: "a Terra tem o suficiente para cada um. Necessidade, não cobiça".
Um grupo de indígenas da Amazônia, vindos ao Rio pela primeira vez após uma viagem de dois dias em ônibus, tiram fotos em frente a iates próximos.
Eles acampam no Sambódromo. Outros indígenas montaram uma aldeia tradicional, batizada de "Kari-Oca", perto do Riocentro, na zona oeste do Rio. No total, são aguardados 1.600 indígenas de todo o mundo.
"Estamos preocupados com o futuro do meio ambiente. Queremos saber o que os governos vão fazer com os povos que sempre protegeram a floresta. Queremos alternativas econômicas para os produtos que temos nas nossas terras", declara Irineu Baniwa, procedente de São Gabriel da Cachoeira (Amazonas), na fronteira com a Venezuela.
"Os países desenvolvidos continuam contaminando o mundo. Como vão reduzir suas emissões de CO2?", pergunta.
No Riocentro, onde se celebra a conferência oficial, as negociações que começaram na quarta-feira se estenderam mais que o previsto porque em um contexto de crise econômica internacional os países mais ricos não estão dispostos a financiar o desenvolvimento sustentável.
José Wiliam de Souza, funcionário de meio ambiente do governo do estado do Ceará, participa da conferência oficial, mas nesta sexta-feira trocou o Riocentro pelo Parque do Flamengo para "observar o que os povos tradicionais podem fazer para proteger o meio ambiente".
"Aqui se expressa o sentimento do povo. Ou a sociedade civil se implica ou não chegaremos a nada. O Riocentro é o institucional e o poder de decisão", acrescentou.
Fonte: G1 Mundo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O idolo de Narasimha

O Homem-leão é uma escultura de marfim de mamute, datada no Aurignaciano (Paleolítico Superior).
A imagem representa um corpo humano, revestido de uma cabeça de leão. É um dos exemplares escultóricos de vulto redondo dos mais antigos que se conhecem até ao presente. As suas dimensões são 29,6 cm de altura, um largo de 5,6 cm e uma espessura de 5,9 cm. Tem sete incisões horizontais e paralelas no braço esquerdo.
A obra foi descoberta rota em pedaços, em 1939, no estado alemão de Baden-Württemberg, na caverna de Hohlenstein-Stadel, situada no vale do rio Lone, donde a resgatou o arqueólogo Otto Volzing (1910-2001). Esta e outras centenas de peças ali encontradas foram doadas por Robert Wetzal, director das escavações, ao Museu de Ulm.
A Segunda Guerra Mundial interrompeu os trabalhos, não sendo até quase trinta anos depois do final da contenda mundial que começou a ser estudada. Foi restaurada ainda em 1997-1998, mas nesta primeira reconstrução a estatueta ainda carecia de cabeça, e não foi até após 2000 que se reconstruiu inteiramente. Este tardio redescobrimento é o que explica o desconhecimento quase geral da estatueta ao não ter ainda passado a livros de texto e divulgações.
A antiguidade estimada (por Carbono-14) é de 32.000 anos, o que a faz remontar ao período aurignaciano, como muitas das estatuetas das «Vénus paleolíticas».
Mesmo a correcta identificação é difícil. A esculturinha parece representar um humano masculino, mas também poderia ser uma fémea humana. Inicialmente foi denominado "homem-leão". Foi o pré-historiador Joachin Hahn quem propôs interpretá-la como um ser feminino dado que a cabeça era de leoa, passando a chamar-se "leão-mulher" (Löewenfrau). Mas o caso não está claro e continua a ser denominada maioritariamente como "homem-leão", ainda que em alemão é seja Löewenmensch, "humano-leão".
A interpretação é complexa. A sua caracterização híbrida apresenta semelhanças com certas representações da arte rupestre de cavernas francesas do período magdaleniano (ou seja, muito mais tardias) como o "Grande Feiticeiro" da caverna de Les Trois-Frères, que também apresentam seres hibridados.
Outra estátua similar, de menor tamanho, mas representando igualmente um homem-leão, foi encontrada na caverna de Hohler Fels, na mesma região, com outras esculturas de animais. E noutra caverna da zona, Vogelherdhöhle, foi encontrada uma cabeça de leão solta, mas com aspecto de ter tido corpo humano. Isto abre a possibilidade de que "o homem-leão" jogasse um papel de destaque na mitologia dos humanos do Paleolítico Superior.
O homem-leão expõe-se atualmente no Museu de Ulm, na localidade homónima da Alemanha.
Segundo uma das páginas acima indicadas, afigura-se claro que esta estatueta humano-leonina teve uso ritual, enquanto os outros items encontrados no mesmo local, a saber, representações de pássaros, cavalos e tartarugas, e leões, parecem ter constituído espólio que acompanhava os mortos.
A caverna onde a estátua humano-leonina foi encontrada está orientada para nordeste, em direcção a um pequeno rio.
De notar que na cultura védica, a primeira ariana da Índia, o Deus Vixnu aparece em forma humana mas com face leonina para proteger um dos seus fiéis e travar a falta de religiosidade.
Narasimha, aparentemente um avatar de Vishnu, tornou-Se numa Divindade especialmente adorada na Índia, tida como protectora em geral, particularmente contra os demónios, estando os Seus templos localizados sobretudo em grandes altitudes e em cavernas.
Várias outras culturas têm Divindades de forma humana com cabeça leonina, como é disso exemplo a egípcia Sekhmet e uma figura encontrada em templos do persa Mitra.
Fonte: Gladius

domingo, 3 de junho de 2012

O tolo na estrada do rei

Os cristãos dizem que todos nascem cristãos. Os ateus dizem que todos nascem ateus. O Profeta do Profano diz que todos nascem pagãos. Os ingênuos dizem que todos nascem puros. Os médicos dizem que todos nascem paridos. Engano. Todos nós nascemos tolos.
O primeiro e maior tolo foi Sócrates. "Eu só sei que nada sei", disse ele. Somente tolos assumem sua tolice em público. E somente tolos dispendem sabedoria sem ganhar coisa alguma com isso.
Como o tolo pode ser sábio? Um tolo não está consciente de sua tolice. Não sendo consciente, não faz perguntas nem busca por respostas.
Apenas tolos precisam fazer perguntas e mais tolos os que buscam as respostas.
A busca constrói um caminho, o caminhar forma a excelência e o excelente se torna rei. E o rei dos tolos é aquele que se senta no trono, confiando plenamente na solidez dos alicerces de suas verdades.
Como todos somos tolos, proliferamos a tolice. Dos tolos vem os néscios, os ingênuos e os iludidos.
Dessa progênie o melhor é o bufão. Este é aquele que percorre pelas trilhas dos caminhos disposto a carregar o estandarte do rei dos tolos. Ser o portador da verdade se torna maior do que a busca por respostas e mais importante do que o caminhar.
Eis o bufão, confiante de que é o portador da verdade, torna-se arauto do rei dos tolos. Arrebanha em sua volta os néscios, os ingênuos e os iludidos. A platéia se torna seu escudo. Não há mais perguntas, não há mais busca, não há mais caminho, a paisagem se torna asséptica e estéril.
Houve um tolo que tropeçou em sua própria tolice. O tolo caiu e sentiu o choque, mas não despertou, culpou a pedra no caminho. Quando acabaram as pedras, ele culpou o caminho. Quando acabaram os caminhos, ele culpou a região. O tolo sempre irá atribuir a culpa a outrem, para se justificar e para se esquivar da sua responsabilidade.
Houve um tolo que retomou a fazer perguntas e a buscar respostas. O tolo retomou a caminhada, a excelência e a tolice da realeza. O tolo retomou o trono e tolamente sentou no pedestal que ele mesmo se ergueu. Logo surgiram bufões, néscios, ingênuos e iludidos dispostos a reverenciá-lo, segui-lo, obedece-lo. Eis que surge a tolice institucionalizada. E os tolos chamam a isto de Conhecimento.
Houve um tolo que percebeu seu estado e sentiu o gosto amargo do despertar, da consciência, da verdade, da realidade. O tolo cortou sua língua e tratou de proibir que outros tolos quisessem comer e beber. E os tolos chamam a isto de Igreja.
Houve um tolo que percebeu que o problema não é real e sentiu-se tolo em fazer perguntas e procurar respostas a algo que não existe. O tolo apegou-se ao problema, pois lhe era impensável viver sem seu problema.
Houve um tolo que descobriu todas as respostas a todas as perguntas. O tolo apegou-se a continuar na busca, pois lhe era impossível viver sem ter perguntas.
Houve um tolo que descobriu que a resposta está, invariavelmente, na própria pergunta. O tolo colocou a pergunta acima de quem a criou. E outro tolo colocou a resposta abaixo de quem a busca. E outro tolo chamou isto de Ciência.
Houve um tolo que cansou-se de ler, ouvir, pensar e fazer tolices. O tolo percebeu que a consciência e a responsabilidade é individual. O tolo despertou para a irrealidade dos problemas, das perguntas e da busca de respostas. O tolo empenhou-se em viver sua tolice. O tolo deixou que os tolos cuidem de suas tolices. Eis o tolo que redescobre o simples prazer de viver livre. Os tolos chamaram a isto de Ofício.

sábado, 2 de junho de 2012

O fator genético da religião

Talvez a questão mais profunda que permeia os debates em torno da religião é por que a ideia de Deus existe para alguns de nós, mas não para outros? Os teólogos e sacerdotes pregam que a fé é eminentemente uma questão de escolha pessoal.
Talvez por isso, quase metade dos adultos acabam mudando sua filiação religiosa pelo menos uma vez durante a vida, em geral antes dos 24 anos, indica um estudo recente do Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública.
Para a maior parte dos entrevistados, as pessoas seguem determinada religião ou são ateus, porque foram criados dessa maneira. Os pais, amigos e outras figuras de confiança imprimem seus pontos de vista sobre as crianças e apresentam a elas um conjunto de rituais e práticas. Mais tarde, essas influências podem perder sua força e a pessoa faz outra opção por algo que considera melhor.
Vários elementos podem diminuir a religiosidade de uma pessoa. Frequentemente as razões mais citadas incluem a ausência de pressões sociais para ser religioso ou um desejo de distanciar-se da tradição da família. Crises pessoais podem também estimular uma mudança, o que levam algumas pessoas a converter-se e outros a abandonar de vez a religião.
Pesquisas recentes sugerem, no entanto, que a questão é mais complexa. Ao estudar as correlações entre milhares de crenças religiosas e a maneira como seus seguidores pensam e se comportam, os cientistas descobriram que certos tipos de personalidade estão predispostas a adotar alguns pontos do amplo espectro da religiosidade.
Os fatores genéticos responderiam por mais da metade dos casos em que as pessoas tomam decisões radicais sobre sua religiosidade. Ou seja, é possível que a religião também contenha um componente genético. Ao analisar casos de irmãos gêmeos, alguns deles com o DNA idêntico, os psicólogos começaram a recolher “provas” dessas raízes genéticas da religiosidade. Estes estudos seriam capazes de explicar porque alguns de nós são mais crentes, enquanto outros rejeitam mais os elementos sobrenaturais da vida.
A busca de uma explicação biológica para a religião tem usado de inúmeros experimentos, como a tomografia cerebral, tentando identificar uma ou outra região do cérebro que seria mais importante para a experiência religiosa. Com isso, surgiu a teoria de que há um “ponto Deus” nos seres humanos. Ou seja, uma parte do cérebro que nos leva a ter crenças religiosas. Em 2004, um livro muito debatido, O Gene de Deus propôs que um gene particular, VMAT2, estava ligado à religiosidade. Os dados que sustentam essa afirmação, no entanto, nunca foram publicados em um jornal científico e outros cientistas nunca concordaram com o argumento apresentado.
Discernir como os genes levam a um comportamento é uma das tarefas mais difíceis da biologia. O que está claro é que os genes interagem com as influências ambientais de maneiras muitas complexas, moldando o destino a cada passo. Uma maneira de ver essa questão é olhar as características de personalidade: os genes predispõem características particulares a uma pessoa, que podem se manifestar em certos comportamentos.
O estudo da personalidade começou há quase um século, quando os psicólogos pioneiros, nas décadas de 1920 e 1930 tentaram codificar os tipos de personalidade. No final do século, as pesquisas em várias línguas e países têm contribuído para o predomínio do modelo de cinco fatores em psicologia da personalidade. Ou seja, as pessoas diferem em extroversão, estabilidade emocional, grau de afabilidade, consciência e abertura,
Para encontrar as ligações entre crenças religiosas de uma pessoa e qualquer outra faceta da vida, os cientistas precisam vasculhar enormes quantidades de dados. Em 2010, foram compilados 70 estudos anteriores que procuram vincular religião e personalidade, numa amostragem de mais de 21.000 participantes. O que esses estudos revelam é que as pessoas religiosas possuem grandes diferenças em comparação aos indivíduos de baixa religiosidade ou não religiosas em duas dimensões da personalidade: afabilidade e consciência.
Os dados estão presentes em homens e mulheres, desde adolescentes até a idade adulta, em várias momentos que vão desde a década de 1970 até o presente, bem como em um estudo da década de 1940. Cerca de 60% das pessoas religiosas são agradáveis ​​ou conscientes, contra 40% das pessoas não-religiosas. Por exemplo, as pessoas religiosas tendem a mostrar a cooperação em experimentos de laboratório e de voluntariado na vida real. Eles também apoiar estilos de vida saudáveis ​​que demonstram autocontrole, tais como o não uso de drogas, álcool e tabaco.
Pode-se argumentar que ao invés de certos tipos de pessoas terem maior probabilidade de se tornar religiosos, a religião é que incute a afabilidade e a consciência nos crentes. Os pesquisadores examinaram dados do Estudo Longitudinal Terman, que acompanhou pessoas com QI elevado durante toda a sua vida. Em 2003, Michael McCullough, da Universidade de Miami mostrou o mesmo em outro estudo. Ambos concordam que os traços de personalidade já estão presentes na infância. Mais tarde na vida eles irão moldar atitudes sociais, valores e identidades.
Os estudiosos têm sugerido que a religião promove a coesão social, podendo desempenhar um importante papel evolutivo, permitindo que grupos maiores de pessoas vivam em harmonia.
Ao mesmo tempo, pesquisas feitas com centenas de pares de gêmeos para avaliar suas crenças religiosas em diferentes momentos da vida, ​​ajudaram a comprovar que os fatores ambientais, na família e no meio social e também a herança de valores. As conclusões é que a família desempenha um grande papel na escolha da religião, especialmente durante a infância e adolescência.
Depois disso, a influência genética será determinante entre as idades de 18 e 25 anos. Em conclusão, embora a influência do meio desempenhe um papel determinante na escolha da crença religiosa de uma pessoa durante a infância/adolescência, os fatores genéticos serão determinantes na vida adulta.
Traduzido e adaptado de Scientific American e Um common Descent
Divulgado no Gospel Prime
Nota erótica deste pagão: se há um "ponto de Deus" no ser humano, deve ser o ponto G... }|D