terça-feira, 31 de julho de 2012

As bruxas e os feitiçeiros estão de volta

Em abril deste ano o Papa de Roma Benedito XVI pediu publicamente perdão pelos pecados da Igreja e prometeu fazer todo o possível para que os processos contra os dissidentes não se repitam mais.
As autoridades de ambos os países reconheceram ao nível oficial que a execução de cerca de cinqüenta bruxas e feiticeiros tinha sido um erro. Mais do que isso: pretende-se instalar estelas memoriais em homenagem a vítimas e promover festejos por este motivo.
De acordo com as estatísticas oficiais, nas fogueiras da inquisição da Idade Média morreram de cem a quinhentas mil pessoas. Aliás, alguns historiadores independentes afirmam foram queimadas cerca de 12 milhões de pessoas. Reza a tradição que a inquisição mais cruel era a espanhola. Mas na Alemanha, França e Bélgica os processos contra os hereges eram muito mais severos e, ao contrário da Espanha, praticamente não houve veredictos absolutórios. O fato de que precisamente as autoridades laicas resolveram, afinal, absolver as bruxas e os feiticeiros é perfeitamente lógico. Eis a opinião do sacerdote Igor Kovalevski, secretário geral da Conferência de Bispos Católicos da Rússia.
"No plano histórico, os veredictos de pena de morte eram promulgados pelas autoridades laicas e não por Vaticano. Por isso precisamente as autoridades laicas e não eclesiásticas é que têm o direito de reabilitar estas pessoas. Este princípio existe de jure e é perfeitamente justificado moralmente. É possível que algumas destas pessoas fossem condenadas injustamente mesmo em conformidade com as normas do direito daquela época."
Um dos iniciadores do atual movimento de absolvição das bruxas e feiticeiros da Europa Medieval foi o pastor protestante alemão Hartmut Hegeler. Chegou a manifestar a esperança de que de que nos templos dos países da União Européia sejam celebradas missas de réquiem em homenagem aos absolvidos. A decisão das autoridades da Alemanha e da Bélgica de justificar as bruxas e os feiticeiros provocou discussão na comunidade internacional. Alekssei Yudin, estudioso russo de religiões, acha que a idéia de reabilitação, além de desnecessária, é ridícula, tanto mais que é justificada apenas uma pequena parte de executados, enquanto que o número total de condenados foi muito maior.
"Não está clara a motivação destas ações. Se existe a vontade de justificar o seu passado, então é preciso rever toda a história humana, o que se afigura uma tarefa totalmente ridícula. O mais provável que uma certa parte da sociedade necessite de processos absolutórios e foi precisamente ela que assumiu a iniciativa de revisão destas causas."
Feiticeiros e bruxas existiram não somente na Europa Medieval que professava o cristianismo ocidental: esta gente houve também na Rússia mas a envergadura de perseguições nos países do cristianismo oriental foi incomparavelmente menor. Processos especialmente cruéis deram-se na época de estabelecimento do cristianismo na Rússia, quando se travava a luta ativa contra o paganismo. A Igreja Russa reprimia muito mais ferozmente os velhos crentes, ou cisionistas, que tinham renunciado à verdade da doutrina eclesiástica. O arcipreste George Mitrofanov, historiador da igreja, afirma que na época medieval os feiticeiros e bruxas eram respeitados em algumas regiões do país mais do que os sacerdotes ortodoxos.
"É preciso reconhecer que naquela época na Rússia não existia a ciências teológica e a Igreja não acusava a aspiração de combater a dissidência. Por isso, no nosso pais não houve teólogos, nem hereges. E uma vez que a vida teológica ativa não existia, não havia também o problema de combate a bruxas e feiticeiros."
No entanto, na Rússia existiu, apesar de tudo uma organização, cujo nome incluía a palavra inquisição. Em 1711 por decreto do imperador Pedro I foi instituído o Departamento de causas proto-inquisitoriais. Era um órgão de controle que rastreava a atividade econômica e outra dos hierarcas da igreja mas estava destituído de poderes judiciais. Os proto-inquisitores investigavam os casos de infrações e informavam disso o Santo Sínodo. A inquisição do imperador Pedro existiu durante cerca de vinte anos e foi eliminada em 1727.
A atual tentativa de reabilitar os que pereceram nas fogueiras da inquisição não é a primeira na história da Europa. A direção do Terceiro Reich da Alemanha, que existiu no período de 1934 a 1945, avaliou os processos medievais contra as bruxas como genocídio do povo alemão. Reinhard Heydrich, um dos nazistas que faziam parte do cerco mais próximo de Himmler, chegou a encarregar os seus subalternos de verificar secretamente a origem do clã Himmler. Não se sabe ao certo, o que é que eles tinha encontrado, mas Himmler foi informado em breve que a sua bisavó Margareta Himbler tinha sido queimado numa fogueira a 4 de abril de 1629.

domingo, 29 de julho de 2012

As festas humanizam a sociedade

A época do verão é fértil em festas variadas. São momentos de alegria que quebram a monotonia e dão solenidade à vida. Nas festas saboreia-se, de forma exuberante, a bondade e a beleza da vida e do mundo. Faz-se, portanto, uma experiência de liberdade em relação aos programas apertados do dia a dia, encontram-se novos horizontes e razões para entender e viver a vida com gosto.
As festas criam também espaço para o encontro e para o convívio descontraído e livre das pessoas, fora das relações convencionais, apressadas e competitivas de cada dia.
As portas abrem-se para as visitas que chegam, existe tempo e disposição para um acolhimento cordial, presta-se atenção aos outros, reencontram-se velhas amizades, vence-se o anonimato e a solidão. As festas têm uma capacidade agregadora e reunificadora da família e da comunidade. Muitos filhos da terra, que foram residir para fora, nesses dias esforçam-se por estar presentes e saborear a alegria do convívio e a força comunitária das mesmas tradições. Assim, as festas tornam mais vivo e mais forte o sentido comunitário. Este é também um fruto da fé que a comunidade cristã deve levar à vida social, a convivialidade humana.
As festas afirmam ainda a identidade de uma comunidade. As pessoas encontram-se com as suas raízes, evocam memórias comuns, convivem de forma simples e acolhedora com os visitantes e procuram apresentar aos que vêm de fora a sua melhor imagem. Os habitantes mostram, no dia da festa, os seus pergaminhos, enfeitam as ruas da povoação, procuram irradiar e levar longe a notícia da sua alegria pela música e pelos sinos. Num tempo de individualismo, de estranheza mútua e de anonimato, devemos apreciar e promover estes valores humanos das festas, que são também valores cristãos.
As festas têm também uma dimensão religiosa. Para aqueles que designamos de cristãos festivos, que frequentam a Igreja apenas em dias de festa, é nestes momentos que avivam a memória da sua experiência religiosa. Bastantes, que se consideram cristãos, vão à missa apenas na festa do padroeiro, ou no Natal, ou noutros momentos pontuais relacionados com a recordação dos que morrem. Na altura das festas cumprem as suas promessas e procuram garantir a protecção divina. A Missa solene e a procissão são, para este fiéis, expressões importantes da dimensão religiosa por criarem uma experiência de relação e de contemplação da Providência de Deus e da protecção de Nossa Senhora e dos Santos. A dimensão sagrada sustenta o mistério da vida, dá solenidade e dignidade à existência quotidiana, proporciona solidez e transcendência às experiências proporcionadas pelas festas como a bondade da vida, a alegria e o convívio fraterno, face ao sofrimento, ao medo e à solidão da vida quotidiana.
O homem é um ser festivo por natureza. As festas são vitais para a sua existência. Nas festas afirma o poder da vida e da alegria, face à realidade do sofrimento, do desânimo e da morte. Por isso, as festas são tão antigas como o homem e hão-de acompanhá-lo na sua história. O ser humano precisa de festas para viver e celebrar a vida, para encontrar espaços de convívio e de integração. Nalgumas épocas parecem recuar. Mas depois regressam, como aconteceu entre nós com a "Revolução".
É verdade que por vezes apresentam desvios e são instrumentalizadas para fins lucrativos. Mas os valores que manifestam e a ligação profunda que mantêm com a alma do povo merecem que lhes prestemos atenção e nos esforcemos por fortalecer a sua verdadeira identidade e recriar novas formas de as celebrar.
D.Manuel Pelino, Bispo de Santarém

sábado, 28 de julho de 2012

Argumentos para crer

Os argumentos relativos ao problema da existência de Deus têm sido viciados, quando positivos, pela circunstância de frequentemente se querer demonstrar, não a simples existência de Deus, senão a existência de determinado Deus, isto é, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo é efeito de uma causa é uma coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente é outra coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente e infinita é outra coisa ainda; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente, infinita e benévola outra coisa mais. Importa, pois, ao discutirmos o problema da existência de Deus, nos esclareçamos primeiro a nós mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, até onde é possível uma demonstração.
O conceito de Deus, reduzido à sua abstração definidora, é o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou não — são conceitos atributários. Com maior força o são os conceitos de bondade, e outros assim, que, como já notamos têm andado misturados com os fundamentais na discussão deste problema.
Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, (1) que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente (2) que essa causa é inteligente, isto é, conscientemente activa. Nada mais está substancialmente incluído na demonstração da existência de Deus, propriamente dita.
Reduzido assim o conteúdo do problema às suas proporções racionais, resta saber se existe no raciocínio humano o poder de chegar até ali, e, chegando até ali, de ir mais além, ainda que esse além não seja já parte do problema em si, tal como o devemos pôr.
[Fernando Pessoa, in 'Ideias Filosóficas']
A crença em Deus assenta em o que podemos chamar um acto de fé racional. Consciente ou inconscientemente, o movimento do espírito é este: (1) Tudo quanto existe é efeito de uma causa; o universo existe; portanto o universo é efeito de uma causa. (2) O efeito não pode conter mais que o que está contido na causa, (pois então seria efeito de mais causas que uma); o universo, no mais alto ponto em que nós o conhecemos, que é o homem, contém a consciência; portanto a causa do universo deve conter a consciência, isto é, deve ser uma Causa consciente. (3) O efeito não pode conter tudo quanto se contém na causa, pois então seria idêntico à causa, e não haveria causa nem efeito; o universo é múltiplo, extenso (no tempo e no espaço, ou no espaço-tempo) e diverso (isto é, composto de coisas não só muitas mas diferentes entre si); portanto a causa do universo tem que conter mais que multiplicidade, ou seja totalidade, mais que extensão, ou seja infinidade, mais que diversidade, ou seja plenitude. Cumpre advertir que totalidade se diferencia de plenitude em que o primeiro é um conceito quantitativo, o segundo qualitativo: assim a totalidade do prazer seria a soma de todos os prazeres possíveis, a plenitude do prazer a concentração em um só prazer do que se acha contido na diversidade de todos.
Por qualquer especulação desta ordem, em geral subconsciente ou instintiva, chega o homem à crença racional na existência de Deus. Que é racional, já o vimos, não esqueçamos porém que é simples crença, pois parte de princípios naturais, instintivos, mas dialecticamente contestáveis.
(...)
A existência de Deus é, pois, indemonstrável, mas é um acto de fé racional, natural portanto — inevitável até — em qualquer homem no uso da sua plena razão.
E tanto assim é que o ateísmo anda sempre ligado a duas qualidades mentais negativas — a incapacidade de pensamento abstracto e a deficiência de imaginação racional. Por isso, nunca houve grande filósofo ou grande poeta que fosse ateu.
(...)
Textos Filosóficos . Vol. II. Fernando Pessoa. (Estabelecidos e prefaciados por António de Pina Coelho.) Lisboa: Ática, 1968.
Citado pelo Caturo, no Gladius

domingo, 22 de julho de 2012

Sobre a autonomia de um coven

Definições, comentários e questões éticas.
Arquivos da Amber and Jet.
Para este ensaio eu irei explorar o conceito de autonomia, um principio wiccano que existe e é observado entre covens tradicionalistas conduzidos por altos sacerdotes e altas sacerdotisas do 3°.
O que se entende e como se aplica na Wicca o conceito de autonomia?
Segundo o dicionário Merriam-Webster:
Autonimia: 1) a qualidade ou estado de se governar; 2) liberdade de se dirigir e independência moral.
Eu citarei trechos de textos do fórum eletrônico Amber & Jet:

“Se alguém concorda suportar as regras de uma tradição e então não o faz, então tal pessoa cometeu uma ofensa contra a tradição, contra as pessoas nesta tradição e aos Deuses que são reconhecidos por esta tradição. Isto funciona desse jeito. Tal como é. Nenhuma quantidade de esperteza fará diferença.
E os demais na tradição e seus Deuses, notarão”. [Eran]

“Se um 3° tem autonomia, se a decisão final cabe à Alta Sacerdotisa e se nós não somos membros do círculo dela, se ela não está fazendo coisa alguma illegal, então não é assunto nosso de como ela lidera seu grupo e quem ela inicia”. [Matthaios]

"Autonomia"não significa “immune à consequências”, significa “auto-governo”.
Ou seja, um veterano em uma tradição pode decidir o que ele ou ela quer fazer e ninguém pode pará-los. Entretanto, outros veteranos irão reagir a estas ações. E ninguém pode impedir estes veteranos de reagirem – porque estes veteranos também são autônomos. 

Se um monte de outros veteranoss pensarem que uma determinada ação é incompatível com a
tradição, ou com considerações éticas, ou com apenas um mero senso comum, eles
tem a permissão dizê-lo. Mais: ninguém pode os "permitir" ou "proibir" de dizê-lo.
Ainda mais: se um veterano da Wica acha que outro veterano está atuando em um
forma antiética, ele ou ela é obrigado/obrigada a dize-lo.
O que um individuo faz com esta informação é com ele, porque o ouvinte é
também "autônomo".
Como outros autônomos Sumos Sacerdotes e Sacerdotisas de alta, é
nosso direito, nosso dever, nossa obrigação, questionar, observar e reagir. (Nós
não podemos impedir que alguém aja como quiser. Mas podemos reagir a isto.) [Eran]

Eu não posso contar as maneiras em que esta afirmação está equivocada. Mas é justo
dizer que, na BTW, 3 º graus são autônomos - um do outro. Não são
autônomos em relação às demandas de nossas tradições. Nós não somos autônomos da
exigências do juramento que tomamos.
Se o líder coven está fazendo as coisas de uma maneira que contradiz a tradição,
então, sim, é nosso [dever] para questionar a sabedoria e a passagem adequada da tradição. Não há como fugir da responsabilidade. [Branson]

domingo, 1 de julho de 2012

Por que a Wicca é uma religião majoritária

Gerald Brosseau Gardner, o estranho inglês aposentado, criou a Wicca porque ele não podia encontrar uma religião adequada em outro lugar. Seu museu continha centenas de panfletos de diversas religiões minoritárias, e dezenas de documentos sobre seus membros, iniciações e ordenações, ele esteve ativamente à procura por muitos anos. Ele não a criou do nada, ele usou muitos materiais existentes, mas a estrutura que ele e seus amigos evoluiu gradualmente a partir dos anos 1930 até início dos anos 1960 foi definitivamente algo novo sob o sol. Se ele queria Wicca para ser um pequeno culto secreto espalhado apenas de boca em boca, ele nunca teria escrito seus livros. Mas ele os escreveu, porque ele esperava que a Wicca iria se tornar uma religião importante, capaz de valer por si própria, contra o cristianismo ou qualquer outra religião. O que ele conseguiu o marca ele como um verdadeiro gênio religioso, comparável a Joseph Smith, Jr., ou Mary Baker Eddy, ou muitos outros. No entanto, de alguma maniera, ele foi ainda maior, porque o que ele criou não era apenas uma outra variação sobre o cristianismo, mas uma religião completamente diferente, que tem pontos fortes, precisamente onde o cristianismo e outras religiões mundiais são fracos. Na verdade, ele era um malandro, um réprobo, um guru patife, mas, como William James destacou na primeira das Conferências em Gifford, que se tornaram "The Varieties of Religious Experience" [As Variedades da Experiência Religiosa], ninguém que se sente obrigado a obedecer todas as regras comuns da sociedade poderia possivelmente nunca fazer algo tão extraordinário como a criação de uma nova religião. Você pode agora ler os detalhes de como ele fez isso na magnífica biografia de Philip Heselton sobre Gardner, o Pai das Bruxas. (Este é um depoimento totalmente não solicitado).
A importância da Wicca como uma nova religião é obviamente mais provavel que seja por seu tamanho atual e taxa de crescimento. O movimento vem dobrando de tamanho a cada dois anos desde que Ray Buckland trouxe o primeiro coven Gardneriano oficialmente para a América no início dos anos 1960. Em 1999, segundo uma pesquisa patrocinada pelo Covenant of the Goddess, havia cerca de 600.000 bruxas iniciadas nos Estados Unidos e, portanto, provavelmente, cerca de 6.000.000 praticantes pagãos e que tem vindo a crescer tão rápido desde então. Ou seja, esta religião está claramente ao encontro algumas necessidades na sociedade americana que não estão sendo bem atendidas por outras religiões. Vamos olhar para algumas das necessidades a que o movimento do Ofício oferece uma resposta criativa.
Primeiro e mais importante é a necessidade da experiência sacramental do sexo. Em teoria isso é possível dentro do cristianismo, mas na prática tal experiência não está disponível para os cristãos comuns, na prática a maioria das variedades do cristianismo continuam a ser opressivamente anti-sexual. Na melhor das hipóteses, eles consideram o sexo como inofensivo, desde que só ocorre em circunstâncias específicas. As teologias modernas que valorizam a sexualidade como uma revelação da natureza divina são ensinadas em seminários de pós-graduação e, em seguida, são mantidos mais em segredo do que qualquer "segredo" no Ofício. Andrew Greeley tem sido, é claro, a exceção notável a essa generalização, mas não há qualquer chance significativa de que a administração da Igreja Católica dê atenção a ele. Lady Epona me disse em 1987: "Se a Igreja Católica Romana fosse realmente como Greeley a descreve, não haveria necessidade do Ofício." (Claro, aqueles de origem protestante, judeu, e outros têm suas próprias razões para serem atraídos para o Ofício.)
Segundo, as principais igrejas na América não oferecer às pessoas comuns caminhos práticos para o desenvolvimento pessoal, espiritual; tradicionalmente, esse desenvolvimento foi reservado ao clero de clausura, ou para os estudiosos idosos. Não havia nada para as pessoas comuns, e que a falta não tenha sido reparado. A tradição ocultista ocidental abordou essa necessidade, mas em muitos aspectos ele foi infectado pelo ponto de vista das religiões orientais, que são pelo menos levemente, e muitas vezes fortemente, contrárias ao desenvolvimento de habilidades psíquicas ou mágico, ou pelo menos para o uso de tais habilidades para qualquer finalidade que não alcançar (ou ajudando os outros a alcançar) a "iluminação." O Ofício rejeita tal atitude como dualismo, e afirma, em contrapartida, que o desenvolvimento e a utilização de habilidades mágicas e psíquicas é um desenvolvimento espiritual. O Ofício como é praticado atualmente nos Estados Unidos oferece, pelo menos potencialmente, uma abordagem equilibrada e prática para o desenvolvimento das necessidades emocionais, espirituais, intuitivas, psíquicas e habilidades de uma pessoa.
Terceiro, a organização do Ofício, com base no princípio de que cada coven é autônomo, dá uma flexibilidade e viabilidade que grandes organizações carecem totalmente. Como a sinagoga judaica, o coven é inerentemente democrática, e em muitos covens, a democracia é preservada para não degenerar em anarquia e irresponsabilidade com a presença de uma Alta Sacerdotisa cuja autoridade depende de sua linhagem mágica, que é independente do coven que ela lidera e serve, assim como a Sinagoga pode empregar um rabino, mas não pode ordenar um rabino. (A analogia quebra aqui, uma vez que o movimento do Ofício em geral, reconhece o direito de um coven para se fundar e para iniciar os seus próprios sacerdotes e sacerdotisas, mas o equilíbrio de responsabilidades entre um Conselho de Anciãos e da Sacerdotisa ainda é uma estrutura paralela válida.) Ou seja, a estrutura coven capacita seus membros, dando-lhes o controle sobre suas próprias práticas religiosas e desenvolvimento.
O contraste com muitas das religiões orientais e com a Igreja Católica Romana não poderia ser maior. Em muitas religiões orientais, a autoridade do professor é absoluta, mas os Pagãos tendem a ser extremamente anti-autoritários, e não se submete a autoridade arbitrária e no Ofício (pelo menos na maioria dos covens)  não precisa. Da mesma forma, apesar da retórica do Concílio Vaticano II, os católicos romanos comuns ainda têm muito pouco controle sobre sua igreja. Os teólogos sabem que o cristianismo é inerentemente democrático, e que os cristãos têm o direito de eleger os seus próprios ministros, padres, bispos, e assim por diante. Os fundadores do que é hoje o cristianismo protestante redescobriram este fato durante a Reforma. Mas ninguém no Ofício precisa se preocupar tão cedo se a administração da Igreja Católica Romana  renunciar da autoridade que usurpou ao longo dos séculos.
Quarto, o Ofício geralmente é extremamente anti-dogmático na sua abordagem. Embora as bruxas não acreditam em muitas coisas, a crença não é um requisito para a adesão ou iniciação. Em vez disso, a expectativa no Ofício é que se uma pessoa vai através da formação e experiências que o Ofício tem para oferecer com uma mente aberta, então transformações pessoais irão de fato acontecer - e "crença", como tal, será desnecessário, uma vez que a pessoa vai saber que ele ou ela tenha sido mudada. Artesãos olham com espanto e divertimento com a forma como adeptos da Nova Era geralmente parecem dedicados a engolir caminhões inteiros de metafísica. Como resultado dessa atitude, Artífices não são abertos apenas para a ciência moderna, mas positivamente tendencioso em favor dela, e por isso são muito bem equipados para viver na civilização cada vez mais tecnológica do futuro. Em contraste, a maioria das variedades de cristianismo, diversas variedades do judaísmo, e muitas variedades de outras religiões 'mundiais' tentam seja  ignorar a ciência ou a aceitam os resultados apenas se forem forçados a isso. Este tipo de "preguiça", espiritual, como M. Scott Peck a caracteriza, apenas contribuiu para a sua crescente obsolescência. A história está repleta de carcaças de religiões que não conseguiram evoluir para atender circunstâncias cambiantes, e grandes igrejas são muito parecidos com dinossauros - considerando que o ofício é muito mais parecido com os pequenos mamíferos de sangue quente escondidos nas moitas. As grandes religiões se desenvolveram para servir as necessidades das sociedades que foram baseadas na agricultura, o Ofício pode não ser a religião final que poderia integrar ou abastecer uma civilização global, mas é a melhor aproximação por enquanto.
Quinto, a teologia politeísta do Ofício lhe convêm para o futuro muito melhor do que as teologias monoteístas ou monista da maioria das outras religiões. Os Estados Unidos e o mundo em geral, está se tornando mais pluralista. Dadas as tendências de imigração nos EUA, a nossa velha maioria WASP [acronimo de white anglo saxon and protestant - branco, anglo-saxão e protestante] está perdendo rapidamente o seu domínio numérico e cultural. O modelo para o nosso futuro não será mais o homem WASP sem emoção, ao contrário, não haverá um modelo. Macho e fêmea, branco, marrom ou preto, asiático ou europeu, e livre para sentir seus próprios sentimentos: todos nós teremos o direito de ser diferentes, mas iguais. Não será mais socialmente aceitável  a teologia: "Há um só Deus, e o resto de vocês se conformem, ou senão!" Também não será: "Existem muitos deuses, mas são todas as ilusões", como muitas religiões orientais têm ensinado. Em vez disso, vamos recordar o que os judeus sabiam quando eles estavam escrevendo a Lei e os Profetas: que Deus realmente é um e muitos, tanto masculino quanto feminino, pai e mãe, todas as coisas para todas as pessoas, por amor. As igrejas respeitáveis falharam em dizer isso às pessoas por muito tempo - e assim que as bruxas dizem: "Sim, os Deuses são reais, e a magia está acontecendo."
Sexto, e último, por enquanto, o Ofício é uma religião dedicada à criatividade, porque é uma religião que as bruxas estão criando para si mesmas continuamente. A única maneira de ser um verdadeiro seguidor de Gerald Gardner, meus amigos, é ter a coragem de criar uma religião para si mesmo que atenda às suas próprias necessidades. Acho que as bruxas amam Tolkien especialmente porque ele nos ensina que a criatividade é divina, que a natureza de Deus é para ser continuamente repleto de criatividade como uma fonte, e que nós participamos mais completamente na natureza divina, quando nós mesmos estamos sendo criativos. Eu acho deliciosamente irônico saber que Tolkien acreditava em tudo isso porque ele era verdadeiramente um teólogo católico romano - e porque a sua igreja tem repudiado ele, como renega Andrew Greeley, cabe às bruxas continuarem seu trabalho e sua visão.
Autor: Aidan Kelly
Fonte: Patheos, coluna Including Paganism
Nota: Eu discordo dessa postura de que uma religião deve "atender às necessidades", ou se adequar às circunstâncias, ou como alega-se por aí, que a religião deve "evoluir" ou "progredir". Por causa dessa postura que o Ofício, ou mais especificamente a Wicca, tem perdido e muito de sua seriedade, como religião, por causa de farsantes e vigaristas que se aproveitam dessa "abertura" e agregam todo tipo de esquisoterismo, unicamente para agregar mais público, especialmente adolescentes.

Vidência pela cerveja

LA PAZ - P. Rosa, uma comerciante indiana Aymara de idade média em La Paz, despeja o ovo em um copo cheio de cerveja à espera que um adivinho andino interprete as formas fantasiosas que surgem a partir da mistura, o que está escrito o destino que se avizinha.
De blusa branca elegante, saia preta e um cobertor colorido, Rosa usa um broche dourado colorido no peito, brincos de ouro e um chapéu borsalino, mostrando a importância desta data com seu destino.
"Eu quero saber a minha sorte", diz ela, num sussurro que adivinhar essas mulheres mestiças de Aymara, que possui um negócio de tecido em uma área de comércio popular no oeste da cidade.
O 'yatiri "(adivinho e curador), em seguida, começa o ritual, que acontece em uma rua de San Pedro, no centro de La Paz, o ex-bairro de índio" da Colônia, autorizadas em cada ano, neste momento, esta prática antiga.
Rosa escrupulosamente esfrega as mãos com álcool para purificar e passa o ovo em seu peito para que a clara, que é derramado sobre um copo de cerveja, "expresse corretamente os desejos do seu coração", disse o xamã, também um Aymara com um quarto de século na profissão.
Todos os anos, como muitos outros, Rosa vem para o feriado que se refere aos pais da Igreja Católica, São Pedro e Sãp Paulo.
A leitura de sorte neste momento corresponde a uma prática antiga nos Andes e faz parte do período de "renovação" que se abre após o solstício de inverno no hemisfério sul, 21 de junho, marcando o início de um novo ano, que para o Aymara é um momento oportuno para olhar no futuro.
O destino dos negócios, estudos, trabalho, saúde, relacionamentos amorosos ou apenas sobre o futuro em geral, são os mais freqüentemente recebida por videntes Andina diz Wilmer 'yatiri' Zegarra.
O xamã derrama álcool no chão para os quatro pontos cardeais, chamando suavemente para o 'achachilas' (divindades andinas), as montanhas de proteção e até mesmo alguns santos católicos, a expressão do sincretismo.
Olhe para o copo através da luz, interprete as múltiplas formas emergentes a partir da mistura de ovo e cerveja e em voz baixa, apenas para o cliente ouvir, absolve as suas consultas sobre o futuro do seu negócio.
Pelo sorriso que esboça, Rosa parece estar satisfeita com a mensagem recebida e bebe o copo de cerveja para "que seu destino não seja de outra pessoa", o que aconteceria se o líquido espumante fosse derramado no chão.
Na calçada, sentado em estreitos assentos de madeira, consultas de uma dúzia de adivinhos que servem os visitantes ocasionais, a maioria delas de origem indiana, embora haja de classe média mestiços.
Eles formam uma linha para ser servido pela cartomante que inspira mais confiança neles. Alguns são mantidos em suas crenças, outros apenas curiosos.
Kevin Cuellar, 19 anos, estudante de idade na Escola Militar de Aviação, veio, acompanhado por sua mãe, para indagar quanto ao seu futuro militar. "Eu vou bem na escola", diz satisfeito. Veronica Rojas, 20, ele reconhece que ele consultou apenas "curioso".
Os adivinhos andinos, vestindo ponchos, chapéus e agitando enferrujados sinos coloridos, usados ​​vários métodos para ler o futuro: cerveja com claras de ovos, chumbo derretido, álcool, cigarros e folhas de coca. Eles também alegam que ser capaz de decifrar as cartas.
Além disso, outros depósitos de clientes em uma tigela de água fria uma colher de sopa de chumbo derretido ao calor. Quando você toca o líquido, o metal tem diversas figuras, que o adivinhador decifra pacientemente. Superfícies lisas, depressões, picos, cada uma das formas contem uma mensagem em código que só os especialistas conseguem decifrar.
No mundo andino, os adivinhos são pessoas predestinadas para uma determinada característica física ou alguma experiência estranha. Zegarra diz que ele foi atingido por um raio, e Mario Ramos, outro adivinho, diz que ele nasceu em pé. Em ambos a sua prática vem da tradição da família.
"Temos de acreditar, a fim de cumprir o que foi dito", avisa o vidente Ramos.
Fonte: AFP/Google