sábado, 25 de junho de 2016

Fim de uma jornada [?]

Eu tenho percebido certo desencanto e abandono de escritores pagãos dos meios de publicação e divulgação de textos na internet.
Eu pressinto que o tema deste blogue também está esgotado e cumpriu sua missão de descrever minha jornada. Diante de uma escassa plateia de leitores, eu me questiono da relevância em continuar a escrever.
Então é momento de matar este blogue falando de meu maior pecado: academicismo.
Existem sete “pecados” da educação: domesticação, repetição, teorização, burocratização, improvisação, academicismo, elitização. Quando eu coloco estes conceitos em minha jornada e nos textos deste blogue, eu cometi todos esses pecados.
Eu cometi o pecado da domesticação quando eu reafirmava os mais básico dos princípios e valores do Paganismo, da Bruxaria e Wicca tradicionais.
Eu cometi o pecado da repetição quando eu reafirmava a importância da tradição, do treinamento e iniciação formais.
Eu cometi o pecado da teorização quando eu reafirmava as informações com embasamento histórico, etnológico e antropológico.
Eu cometi o pecado da burocratização quando eu reafirmava a necessidade de uma linhagem e de um atestado [vouch] para que alguém pudesse se aclamar bruxo ou sacerdote.
Eu cometi o pecado da improvisação quando eu fiz minhas práticas e rituais.
Eu cometi o pecado da elitização quando eu reafirmava todas as anteriores contra a popularização e massificação do que eu chamo de Wilka S/A.
Eu deixei o academicismo por ultimo por que me é o mais doído, especialmente quando eu tenho que enfrentar pessoas que, supostamente, são meus iguais, mas assim não me reconhecem, porque sofrem do mesmo pecado.
Um pensador, um pesquisador, um escritor, um pagão, um bruxo e um sacerdote jamais devem cair nesse pecado. Nós temos a obrigação de manter nosso senso crítico, mesmo diante de uma obra de um autor incensado pela Academia. Mesmo os maiores pensadores falaram bobagem e continuará a ser bobagem, por mais incensados que sejam pela Academia.
Em meu outro blogue, eu fiz um bom resumo que mostra o que é o pecado do academicismo:
“Alguns acadêmicos, professores, especialistas e doutores, que ainda pensam que o conhecimento é um privilégio e monopólio de poucos, tem a reação esperada diante do fim da ilusão de estarem em um pedestal onde, vestidos com os louros do conhecimento, acreditam ser incontestáveis e infalíveis. Eu confesso que por muitos anos eu tive esse falso orgulho, arrogância e prepotência.”
Aqui mesmo eu publiquei um texto falando que existem diversas formas de conhecimento e inegavelmente quando falamos em Paganismo, Bruxaria e Wicca, existe um imenso universo de conhecimento a ser explorado nas miríades de práticas e experiências, tanto de indivíduos, quanto de grupos.
Eu devo fazer a mesma pergunta que Niki Whiting: o que é que eu sei, mesmo?
Eu espero conseguir descobrir, estudando, praticando e buscando aprimorar meu vínculo com meus ancestrais e Deuses.
A todos vocês, curiosos, interessados e simpatizantes do Paganismo, Bruxaria e Wicca:
Boa sorte e boa jornada.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O oráculo de Zeus

Retomando mais do tema da arte pré-histórica, com suas "Vênus" e "Bisões", as representações da fecundidade e da fertilidade possuem signos e símbolos em comum, para a "Deusa" e para o "Deus".
A Deusa assume a forma da serpente em diversas artes e o Deus assume a forma do touro em diversas artes.
Jove e Zeus tem em comum dois símbolos que os equiparam ao Deus primordial: o trovão e o touro. O mito de Minotauro é o melhor reflexo desse antigo mito de criação, assim como o motivo pelo qual o "monstro" faz parte do mistério do labirinto.
Nós somos descendentes dos povos Indo-Europeus, Diaus-Pater é a origem de Júpiter, o Deus Romano Jove e também de Zeus, o Deus Grego. Jove acabou assimilando o mito de Zeus, mas os mitos deste Deus foram-nos contado em um período quando as cidades-estado gregas constituíram sua civilização e seus reis procuravam consolidar seu poder através dos mitos da antiga religião grega. Assim como seus pares de outras civilizações, politeístas e monoteístas, os sacerdotes tiveram muito trabalho para sistematizar as tradições orais em um discurso oficial, tal como vemos nas obras de Hesíodo.
Era do interesse dos reis que Zeus fosse o soberano de todos os Deuses, provavelmente porque Zeus era a divindade tutelar em comum das famílias aristocráticas e era constrangedor que Zeus tivesse tido sua origem em uma caverna [caverna de Psicro], de um monte [monte Ida], ambos locais dedicados à Reia e suas auxiliares, Amaltéia e Adrastéia.
Provavelmente os mitos de Zeus envolviam os mitos antigos originários, onde o Deus consorte de uma Deusa enfrenta seu sucessor [filho], que deve matar seu antecessor [pai] para assumir o trono. Cronos sucedeu Urano depois de destroná-lo, sabendo que em breve ele também seria desafiado. Os mitos indicam que esses Deuses destronados poderiam muito bem ser os Deuses tutelares de ancestrais e antepassados que tiveram que ser afastados para que estas famílias aristocráticas conquistassem o poder. Poder este que passava de uma matriliearidade para uma patrilinearidade. O trono e a majestade, deixam de ser um atributo de uma Deusa para ser o atributo de um Deus.
O sinal mais evidente desta troca de poder está no mito de Apolo e Pithon, similiar a tantos outros mitos onde um Deus enfrenta e vence uma serpente ou dragão, símbolos de diversas Deusas antigas. Delfos tem a fama imemorial de seu oráculo e de suas sacerdotisas, não coincidentemente chamadas de pitonisas. Mas Delfos não foi o primeiro oráculo e Apolo não foi o primeiro Deus a abarcar as funções da Deusa Serpente. Antes de Delfos existiu Dodona.
As escavações indicam que o sítio é de ocupação muito antiga, havendo vestígios desde a Idade do Bronze. Aristóteles dizia que era a área onde os gregos se originaram. Possivelmente os primeiros cultos ali oferecidos se destinavam a deidades femininas ligadas à terra e à fertilidade, como a Grande Mãe. O culto de Zeus Naios (da fonte) e Zeus Bouleus (conselheiro) foi trazido por uma tribo de Tesprócia, os Selloi, e incluía a veneração a Dione, sua esposa divina. Logo outros deuses também passaram a ser cultuados, como Afrodite e Têmis.
O santuário é citado por Homero na Ilíada, mas nesta época ainda não havia edificações, e o culto era realizados a céu aberto, em torno da árvore sagrada e da fonte que a seu pé corria, com um simples círculo de caldeirões a delimitar o espaço sagrado. Mais tarde, no século IV a.C., foram erguidos o primeiro pequeno templo de Zeus e três stoas, bem como foi murada a acrópole. No século seguinte o rei Pirro deu-lhe o seu caráter monumental, erguendo os templos restantes, o teatro, o buletério, o pritaneu e o estádio, que era a sede dos Jogos Naios em honra a Zeus. Nesta altura a fama do oráculo havia se estendido para além das fronteiras da Grécia.
O santuário está circundado por um muro que é uma extensão do muro da acrópole, com a entrada a oeste. Junto à entrada estão um templo dórico, o altar de Hércules, e dois pequenos templos dedicados a Dione. Ao norte do altar de Hércules ficam as ruínas da basílica, e a oeste o mais importante dos edifícios do lugar, a Casa Sagrada (Hiera Oikia), ou templo de Zeus, tendo aos lados os templos de Têmis e Afrodite. Existem outros edifícios ainda não escavados, que juntos com os demais — o bouleuterion, o estádio, o teatro e a casa dos sacerdotes — perfazem uma grande complexo de desenho anfiteatral voltado para o oeste. A acrópole, ao norte do santuário, servia como residência permanente das autoridades de Dodona, e como cidadela em tempos de guerra.
Fonte: Wikipédia.
Segundo a tradição, o mais antigo dos oráculos grego situava-se em Dodona, no Épiro, a 22 km de distância da atual cidade de Ioanina. Os primeiros vestígios atribuíveis à atividade oracular remontam, no entanto, somente ao século -VIII. Em épocas remotas parece ter existido no local um santuário dedicado a Gaia, ali também conhecida por Dione, relegada a segundo plano bem antes do início do Período Arcaico, época de Homero e de Hesíodo.
O oráculo consistia, inicialmente, de um carvalho sagrado, possivelmente rodeado de trípodes de bronze; somente no fim do século -V foi erguido o primeiro templo de pedra dedicado a Zeus. No Período Helenístico foram acrescentados outros templos, um bouleuterion, umpritaneion (onde viviam os sacerdotes), uma acrópole, um estádio e um teatro de 18.000 lugares, seguramente um dos maiores da Grécia.
As perguntas ao oráculo, pelo menos no século -VI, eram geralmente submetidas por particulares em placas de chumbo; as respostas dependiam, basicamente, do som emitido pelas folhas do carvalho, agitadas pelo vento, e pelo ruído das aves que ali faziam ninho. A vontade do deus, é claro, era interpretada pelos sacerdotes locais. Segundo Heródoto, o santuário foi administrado por três sacerdotisas.
Fonte: Grécia Antiga.

Os habitantes de Dodona eram os primeiros que recebiam as oferendas hiperbóreas entre os gregos. Depois desciam desde Dodona até o golfo Malíaco e continuavam até Eubéia e Caríptia. Contam as velhas lendas que se perdem na noite dos séculos que as sacratíssimas oferendas nórdicas prosseguiam a sua viagem a partir de Caríptia, sem tocar em Andros, de onde os catecúmenos as passavam para Tenos e a seguir para Delos.
Os habitantes de Delos acrescentam sabiamente que os povos hiperbóreos tinham o belo e inocente costume de enviar as suas sagradas oferendas pelas mãos de duas deliciosas e inefáveis virgens. Hiperocha e Laodicéia eram os seus nomes.
Dizem as sagradas escrituras que, para cuidar dessas santas mulheres, tão deliciosas e sublimes, cinco Iniciados ou Perpheres as acompanhavam em sua perigosa e longa viagem, mas tudo foi inútil, porque aqueles santos varões e as duas sibilas foram assassinadas em Delos, quando cumpriam sua missão.
Muitas núbeis donzelas da cidade, delicadas e belas, cheias de dor cortaram o cabelo e depositaram os crespos bucles dentro de um fuso sobre o monumento alçado em honra daquelas vítimas que, se dizia, tinham vindo acompanhadas pelos Deuses Apolo e Ártemis.
Fonte: Esoterika.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O antigo culto ao Bisão.

Nós somos mal vistos por falarmos de Paganismo e Bruxaria. Nós somos mal vistos por defender abertamente a sacralidade da natureza, do corpo, do desejo, do prazer e do sexo. Nós somos mal vistos por nossas práticas e ferramentas e pelo nosso comércio com espíritos da natureza, gênios, entidades e Deuses. Isto também acontece dentro da Comunidade Pagã, quando celebridades pagãs afirmam, por exemplo, que não há sacrifício de animais na Bruxaria. Infelizmente pagãos modernos estão adquirindo o péssimo hábito provinciano, arrogante e prepotente em julgar certos ritos como atrasados, selvagens, incultos e impróprios de serem mantidos por pessoas supostamente mais cultas e civilizadas. Isso é um resquício de puritanismo e moralismo hipócrita da cultura judaico-cristã.
Este é um texto crítico, especialmente diante da popularização da “Religião da Deusa” e do Dianismo no Paganismo Moderno, na Wicca e Bruxaria tradicionais.
Eu não vou falar nem Dione Fortune com sua Teosofia, nem de Apuleio com sua obra escrita dentro de um contexto pós-helenização do oriente Médio e Egito. Eu vou desvendar a maior paganice e wiccanice em voga: a de creditar às esculturas das “Vênus” do Paleolítico e do Neolítico como “evidência” da existência de um “antigo culto à Deusa Mãe”.
Considere isto como uma resenha e crítica ao livro "Da Sedução e Outros Perigos", de Flávia Regina Marquetti - Editora Unesp.
Quando olhamos para um período da história humana, especialmente arte, pegar os itens que interessam para uma hipótese e desconsiderar outros itens ou contexto onde a arte foi produzida é preguiça e desonestidade intelectual.
Essas esculturas, como toda arte, não podem ser lidas ou interpretadas conforme nossas tendências, preferências ou necessidades. Esses artistas simplesmente representaram algo evidente: a mulher é a portadora da vida, mas ela não é a única responsável pela gestação. Por comparação e analogia, as esculturas simbolizam a semelhança entre a mulher e a natureza, enquanto portadoras da fecundidade e da fertilidade. Há uma nítida equiparação quando comparamos a modificação no corpo da mulher [das fêmeas em geral] e a modificação da flor para o fruto e é este princípio misterioso que está sendo figurado na escultura.
O dito popular conta-nos, com propriedade, que a mulher entra "em trabalho de parto" e que a mulher "dá a luz" e nisto esconde-se o mistério da gravidez, da fecundidade e da fertilidade. A flor e a fêmea recebem um material [polem/semen] e de sua parte, forma, trama, tece o fruto/feto. Por extensão, o feminino e a natureza [floresta e campo] ficaram associado à arvore, às abelhas, às aves e à serpente. Estas são as representações que configuram as diversas imagens de "Vênus" ao longo das eras.
A arte do Paleolítico e do Neolítico não está centrada apenas em figurar o princípio feminino com a natureza, nem tem a intenção de declarar a existência de um culto universal a uma única Deusa Mãe.
Existem esculturas também de cavalos e bisões. Se as esculturas das “Vênus” fossem uma evidência de um antigo culto a uma Deusa Mãe, então podemos considerar as esculturas e pinturas de algumas “Vênus” junto com bisões como evidências de um antigo culto ao Bisão.
Nas cavernas da França, em Pont d’Arc e Angles sur l’Anglin, baixos relevos mostram a “Deusa Vênus” acompanhada, cortejada ou até mesmo sugerindo uma relação sexual com um bisão. O bisão é um animal que mais está representado em pinturas rupestres em diversas cavernas.
Tal como as representações da mulher alteraram-se com o desenvolvimento da humanidade, a figura do bisão também teve alterações, resultando na representação do touro como a enigmática manifestação de um Deus regente e consorte de diversas Deusas.
O desdobramento mítico dessa Deusa e Deus primordiais podem ser vistos no mistério do Hiero Gamos, na Morte Sacrificial [do Deus da Vegetação ou do Touro] e no Renascimento Cíclico da vida e da natureza. Somente existe a vida e o renascimento com a morte e o sacrifício.
“Ninguém pode viver senão destruindo a vida, senão matando outros seres vivos. Nenhum ser pode subsistir sem devorar outras formas de vida, vegetal ou animal. Isso é um aspecto fundamental da natureza. Toda a vida do mundo, animal ou humana, é uma interminável matança. Existir significa comer e ser comido. Todo ser vivo alimenta-se de outros seres e irá se tornar o alimento de outros seres num ciclo interminável.”[Alain Danielou – Shiva e Dioniso].
Nossas origens, nossas raízes e nossa espiritualidade estiveram enterradas por séculos pela hipocrisia moral cristã. Muitos são os que se dizem pagãos e bruxos que trazem consigo esse puritanismo e não são capazes de seguir as Verdades Eternas que existem nos mitos, nas práticas e nas tradições. Esse é o Caminho pelos Bosques Sagrados. Este é um caminho que somente pode ser trilhado com terra, sementes, folhas, flores, raízes, penas, entranhas, sangue, ossos, sêmen. Esse é o caminho do bruxo e da bruxa.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O mistério de Dendera

O templo de Dendera é o mais preservado entre muitos templos egípcios. Foi construído no século I a.C pelo rei Ptolomeu VIII e a rainha Cleópatra II, porém outros monarcas da Época Greco-romana acrescentaram elementos arquitetônico e decorativos. O templo foi dedicado a Hathor, deusa do amor, música, maternidade e alegria. Conforme uns documentos , o primeiro templo de Hathor data do tempo do Antigo Reino sobretudo do reinado do rei Queops. Além disso, e conforme outros textos, havia outro templo construído no reinado de Pepi I da dinastia VI. O templo atual foi construído entre 125 e a.C e 60 d.C, no final da dinastia Ptolomaica, porém encontramos outros nomes como o de – Ptolomeu X, Ptolomeu VI, Cleópatra VII, Augustos, Tiperius, Cáligula e Nero.

O templo de Hathor:
  • 86 m de comprimento e 43 m de largura,
  • está rodeado de uma muralha circundante de barro que tem 290 m de comprimento e 280 m de largura,
  • o portal do templo situado no lado setentrional que projeta da muralha cricundante de barro, e que funciona como a entrada usada atualmente, data do tempo dos imperadores Domiciano, Nerva, e Trajano (século I d.C),
  • na face do portal encontra-se uma cena que ilustra o imperador Domiciano fazendo oferendas de vinho e pássaros perante Hathor, Hórus, Maet, Hor-wer, eIhy,
  • aparentemente o templo não tinha um pilono egípcio com duas torres,
  • o portal de Domiciano dirige a uma área aberta e espaçosa,
  • ao lado direito há ruínas de um Mamisi – casa do nascimento de Hórus – e uma basílica Copta. Ao passar pela área vasta chega-se ao pátio exterior que dirige à Colunata ( a sala hipostila ), a parede externa da colunata está decorada de diversas cenas que ilustram o imperador Tibério perante divindades diferentes, Claudio fazendo oferendas a Hathor e Ihy – o seu filho – e outra vez Tibério adiante de Hathor, 
  • a colunata tem 24 colunas divididas em 6 filas, 3 colunas em cada fila. Cada coluna tem capitel hatórico – capitel em forma da cabeça da deusa Hathor. Entre os relevos mais importantes sobressaem-se as do teto sobre tudo as que ilustram Nut – deusa do céu – em forma de uma mulher com corpo curvado e decorado de estrelas, constelações e signos, 
  • as paredes estão decoradas, geralmente, de cenas que demonstram os reis e imperadores fazendo oferendas ou preces perante Hathor e outras divindades, 
  • a colunata dirige a outra sala menor em tamanho com 6 colunas e contém 3 capelas em cada lado,
  • a primeira capela no lado direito chama-se " Casa da Prata", pois se acredita que os utensílios e equipamentos preciosos de prata e ouro foram armazenados ali, 
  • a primeira capela localizada no lado esquerdo foi conhecida como "o Laborátorio" devido à existência de relevos que representam drogas, medicamentos e receitas de remédios, e além disso neste quarto os perfumes e as essências foram fabricadas, 
  • a segunda capela no lado direito foi conhecida como quarto de oferendas, enquanto a segunda capela no lado esquerdo chama-se "quarto da Recolheita", provavelmente foi um quarto dedicado à armazenagem das recolheitas,
  • a terceira capela no lado direito tanto como a terceira capela no lado esquerdo tinham uma funcão incerta, provavelmente funcionavam como um certo porão do templo, 
  • a segunda Colunata dirige ao primeiro vestíbulo conhecido como a "Sala das Oferendas" o primeiro vestíbulo dirige ao Segundo Vestíbulo conhecido como " Sala das divindades" cujas paredes estão cobertas com cenas que representam o rei fazendo oferendas às divindades,
  • através do segundo vestíbulo chega-se ao santuário do templo, a parte mais sagrada e mais escura do templo. Um quarto quase escuro e pelos relevos das paredes sabemos que o santuário tinha originalmente um sacrário para guardar a imagem ou a estátua da divindade. Este é o lugar onde o alto sacerdote do templo exercia o ritual do serviço diário a deusa Hathor. Como o lugar mais santo do templo ninguém estava autorizado a entrar, menos o alto sacerdote,
  • o santuário está rodeado de 11 quartos dedicados a diversos deuses,
  • o templo tem 32 criptas, 11 apenas estão decoradas, 
  • de volta ao primeiro vestíbulo há um corredor que dirige ao telhado do templo por uma escada. No telhado encontra-se uma capela conhecida como a " Capela da União com o Disco Solar". É uma sala pequena situada no lado sudeste do telhado que tem 12 colunas com capitéis hatóricos e sem teto. Se acredita que com o primeiro dia do ano novo, os sacerdotes levavam as estáuas de Hathor, o seu esposo Hórus e o seu filho Ihy a está sala no telhado para receber os primeiros raios do sol e assim se realiza o processo da união com o sol.
– Dentro do recinto do templo há ruínas antigas de uma Basílica, um Sanatório, além do Lago Sagrado. A Basílica Copta é uma igreja muito destruída que provavelmente foi construída no século V. O teto da basílica caíu. É um edifício pequeno que tinha duas entradas. O átrio da igreja além do santuário estava decorado de estrelas e no fundo da basílica existe ruínas de uma capela.

– A cena mais famosa que estava representada com perfeição no lado ocidental do teto conhecida como o Zodíaco, foi transferida pelos franceses ao Museu do Louvre, agora existe uma réplica que mostra as doze figuras dos signos conhecidos: Leão, Cancer, Escorpião, Virgem, Libra, Capricórnio, Aquário, Peixes, Touro, Aries, Gêmeos e Sagitário.

– O Sanatório de Dendera é um hospício anexado ao templo. É um edifício importante que atraia os peregrinos e passageiros doentes para receberem tratamento médico. Este edifício de ladrilho tem 11 quartos que acomodavam os doentes.

– O Lago Sagrado é um dos elementos fundamentais dos templos egípcios. Situado no lado norte do recinto de Dendera. No Egito antigo todos os sacerdotes tinham que fazer ablução ou purificação com águas do lago sagrado antes de começarem o seu trabalho diário no templo. Além disso, o lago sagrado simboliza às águas ou aquele oceano de que o universo foi criado conforme as crenças egípcias antigas.

– Anualmente, há uma viagem de Hathor através do Nilo (em que o seu temperamento bravio era suavizado por músicas e bebidas) para consumar o seu divino casamento com o deus falcão Hórus, que a aguarda em Edfu (cidade situada a cerca de cento e sessenta quilometros). Esta diligência mítica, que mantinha Hathor afastada da sua morada durante cerca de três semanas, era celebrada pelos egípcios com um festival alegre e faustoso. Procurando reproduzir o trajeto executado pela deusa, a solene procissão seguia então pelo rio, rasgando com uma barca “A Bela de Amor" onde, uma estátua de Hathorse elevava. Os sacerdotes de Edfu preparam o encontro dos esposos, que ocorrerá no exterior do santuário, mais exatamente numa exígua capela localizada a norte da cidade. Este encontro deveria suceder num momento preciso, ou seja, à oitava hora do dia da lua nova do décimo primeiro mês do ano. Quando por fim Hathor abençoa Edfu com a sua magnífica presença e perfuma os lábios de seu esposo com o incenso de um beijo, iniciam-se então as festividades, no decorrer das quais a deusa é aclamada, saudada e inebriada com a música docemente tocada em sua honra.

Original: Um Mundo Distante.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Festival da Lua Cheia de Outono

Tsukimi (月见) ou Otsukimi (お 月見) é conhecido como Festival da Lua Cheia de Outono e é relacionado com as fases da lua. No calendário lunar chinês, o festival acontece na noite do dia 15 do mês 8. Já pelo calendário gregoriano, geralmente a data cai entre meados e final de setembro ou no início de outubro.

Neste ano de 2014, o Festival da Lua cheia de Outono, ocorreu no dia 8 de setembro. No ano que vem (2015) será no dia 27 de setembro. Seguindo a tradição, nesta noite são colocados Susuki ( grama de pampas japoneses) e flores de outono em um vaso, além de oferendas de tsukimi dango e sato-imo (batata inhame) colocados no exterior ou em locais onde a lua pode ser vista claramente.

O Festival é feito de forma tranquila, pois nada mais é do que apreciar a lua, que nesta data é considerada a mais linda e brilhante do ano. Tsukimi significa literalmente “Lua-Visão” e os japoneses aproveitam essa data para celebrar a beleza da lua, se reunindo em lugares onde podem apreciar a lua com todo seu esplendor.

História do Festival Tsukimi

Festivais dedicados à Lua têm uma longa história no Japão. Originária da China, esse festival é chamado de Festival do Meio de Outono (Zhongqiu Festival) e é um dos importantes da China até hoje. Foi adotado pelo Japão durante o período Heian (794-1192), onde a lua de outono é chamada de Chushu no Meigetsu (Lua da Colheita) e a noite de lua cheia é chamada de Jugoya.

Era realizado por pessoas da realeza e aristocratas, que se reuniam sob a lua cheia para recitar poesias e compor músicas dedicados à lua. Muitas vezes essas reuniões de “visualização da lua” aconteciam em alto mar, a bordo de embarcações, a fim de ver o reflexo da lua cheia sobre a superfície da água.

Hoje, O-tsukimi também é comemorado em templos e santuários, como o santuário Shimogamo em Kyoto, onde as roupas, danças e músicas remontam o Período Heian. Há também muitos lugares que reúnem pessoas para a “visualização da lua”, como locais de cerimônias do chá e Ryokans em montanhas.

A relação entre o coelho e a lua

O coelho (Usagi é com certeza o maior símbolo do Festival Tsukimi. Os bolinhos de arroz e variadas comidas tradicionais deste dia, lembram um coelho, o que faz a alegria da criançada e dos adultos também. Mas o que ele tem a ver com a lua?

A explicação está no desenho luminoso que aparece na lua nas noites de lua cheia do outono, semelhante a um coelho que soca um pilão para fazer mochi, que acabou fazendo parte do folclore japonês, chamado de “Lua Coelho“. Há também uma lenda muito antiga sobre a origem do Festival da lua cheia do outono.

A lenda do coelho Jade:

Conforme uma lenda budista, certo dia, um velho senhor pediu comida a um macaco, uma lontra, um chacal e um coelho. O macaco colheu frutas e ofereceu ao velho homem, a lontra trouxe-lhe um peixe e o chacal, um lagarto.

Porém, o coelho não havia levado nada, pois as ervas que estava acostumado a comer, não era boa para os humanos. Então, em um ato de sacrifício, o coelho decidiu oferecer o seu próprio corpo ao velho homem e pulou no fogo.

Mas, surpreendentemente, o seu corpo não se queimou, porque o velho era um Sakra, ou seja, uma divindade. E para as pessoas se lembrarem sempre do sacrifício do coelho, o velho senhor resolveu desenhar a imagem do coelho na lua.

Outra curiosidade interessante é que o processo de fazer mochi chama-se Mochitsuki (餅つき), que soa foneticamente semelhante à palavra japonesa que se refere à “lua cheia”, que é Mochizuki (望月).

Comidas tradicionais do Tsukimi

Além das decorações típicas do festival como flores de outono e Susuki, é comum as pessoas usarem também muitos alimentos como decoração ou oferendas para a lua, que é tratada como uma divindade. Os mais tradicionais são o Kabocha (abóbora japonesa), castanhas, satoimo (batata inhame), taro, edamame, tsukimi dango (pequenos bolinhos de arroz branco, empilhados em um bandeja) e saquê.

Os bolinhos de mochi são símbolos de felicidade e boa saúde, e servem não só para celebrar a beleza da lua, que nesta data é considerada a mais bela do ano, como também uma expressão de gratidão pelas colheitas de outono.

Estes pratos são conhecidos tradicionalmente como pratos Tsukimi ( 月见料理 tsukimi Ryori). Devido à onipresença de batata doce ou inhame, entre estes pratos, a tradição é conhecida como Imomeigetsu ( 芋名) ou “lua da colheita da batata” em algumas partes do Japão.

Também é comum vermos a presença da palavra tsukimi em outros pratos durante a estação do outono, como o tsukimi soba e o Tsukimi udon. Ambos são feitos com macarrão coberto com um ovo, cuja gema presume-se parecer com a lua e a clara, as nuvens que a cercam.

Original: Japão em Foco.

sábado, 11 de junho de 2016

Hounen Matsuri

Acham mesmo que o japonês celebra apenas o Kanamara Matsuri? Para celebrar a fertilidade o japonês celebra mais duas festas: Oagata Jinja Hounen e Tagata Jinja Hounen.

O Oagata Jinja Hounen Matsuri é realizado em Inuyama no dia 14 e o Hounen Matsuri é realizado em Nagoya no dia 15. As duas festividades são antigas e tradicionais, e podem parecer um tanto estranhas para pessoas da cultura ocidental, já que utilizam objetos em forma de genitálias masculina e feminina, símbolos que garantiriam uma colheita farta, felicidade, saúde e muitos nascimentos.

Durante a celebração do Oagata Jinja Hounen Matsuri, podemos ver vários participantes portando objetos que lembram uma vagina. O destaque do festival é o desfile dos carros alegóricos carregando um enorme “kagami mochi“, bolo feito com arroz glutinoso e símbolo da prosperidade no Japão. Há também um desfile com moças em trajes de vestidos de noiva, com roupa típica japonesa.

No Tagata Hounen Matsuri, milhares de japoneses participam da tradicional parada onde sacerdotes xintoístas entoam cantos e pessoas carregam uma escultura fálica de madeira até um templo, o Tagata Jinja. Durante o desfile, homens carregam uma estátua de um pênis com mais de 6 metros de comprimento.

Os rituais da fertilidade durante os meses de março e abril são também rituais da primavera. Marcam o “renascimento” e o “crescimento” e estão profundamente ligados ao folclore japonês. Começou como um apelo aos deuses para boa e bem sucedida colheita e também para as mulheres terem um bom parto.

o meio da multidão, podemos encontrar muitos casais que desejam ter filhos e pedem pela fertilidade. Outros vão em busca de ganhar sorte nos relacionamentos amorosos e assim desejam encontrar em breve sua alma gêmea.

Outros ainda vão em busca somente de sucesso profissional e boas colheitas. É um festival onde todos se divertem, desde crianças ao mais velhos e os turistas se deslumbram com essa cerimônia pra lá de inusitada.

Durante esses festivais, muitas barraquinhas estão no local vendendo alimentos e souvenirs que lembram os órgãos sexuais femininos e masculinos como picolés, bananas com cobertura, salsichas, entre outros. Cerveja e saquê e animação também rolam soltos durante esses festivais.

Original: Japão em Foco.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Setsubun e um prato de soja


Nunca, jamais, sirva um prato de soja a um Oni. A razão disso está no mito que cerca o Festival de Setsubun, que ocorre na passagem do inverno para a primavera.

Setsubun ( 節分 ) – O Festival para espantar os maus espíritos
Setusbun (节分) significa literalmente “separar uma estação da outra”, uma forma de se despedir do inverno e comemorar a entrada da primavera ( Risshun ). O Setsubun é comemorado no dia 3 de fevereiro e nesse dia, cada família segue um ritual especial chamado Mamemaki ( jogar gãos de soja ).

O mamemaki, geralmente é conduzido pelo toshiotoko (alguem da família que tenha o signo chinês correspondente ao ano vigente) , ou então pelo chefe ou cabeça da família. Outro membro familiar é escolhido para desempenhar o papel de Oni (ogro ou demônio), que vestindo uma máscara característica, joga grãos de soja torrados, para fora da residência.

Ao mesmo tempo, os outros membros da família cantam repetidamente “Oni wa soto! Fuku wa uchi! (鬼は外!福は内!) Demônio e má sorte para fora! Sorte na casa!. Mas você deve estar se perguntando, mas por que a soja?

Bom, os japoneses acreditam que os grãos de soja são um símbolo para purificar a casa e expulsar todos os maus espíritos e má sorte. Outra superstição feita nesse dia é que a pessoa coma a quantidade de grãos de soja torradas correspondente a idade.

Por exemplo, se a pessoa tem 20 anos, então ela deve comer 20 grãos, após o mamemaki. Isso é uma superstição para trazer sorte à pessoa. As pessoas se divertem muito nesse dia e é muito interessante pois é uma festa bem foclórica japonesa.

Além dos grãos, as pessoas comem um sushi especial chamado Ehoomaki. Esse sushi não pode ser fatiado, pois cortar significa rupturas, separação e com isso pode-se cortar a sorte.
Origem do ritual do Mamemaki e Oni

A origem desse ritual popular está na cerimônia chamada Tsuina ou Oniyarai que, era realizada no final de inverno (dezembro no Japão), na casa do imperador do período Heian (794 a 1185).

É comum vermos duas figuras representativas no ritual, o Oni e uma mulher. Segundo uma antiga lenda, uma velha senhora tenta roubar alguma coisa de um velho. Porém a figura do velho era um disfarce do Oni ( ogro ) que tem o poder de se disfarçar de ser humano.

Quando o velho viu o roubo, acabou revelando sua verdadeira natureza de ogro. Com o susto, a velha apanhou a primeira coisa que viu pela frente : grãos de soja e atirou-os nele. Foi assim que surgiu omamemaki, ou seja, jogar grãos de soja para expulsar o demônio, o mal e a má sorte.

Original: Japão em Foco.

sábado, 4 de junho de 2016

Tanabata Matsuri

Eu vi ao menos em dois animes uma referência a esse festival. Como pagão, otaku e admirador da cultura japonesa, eu consultei o oráculo virtual [Google] e obtive a seguinte informação:

Festival das Estrelas ou Festival da Sétima Noite

O Japão é palco de uma grande quantidade de festivais durante o verão, como o Bon Odori por exemplo. Outro festival bastante popular e esperado pelos japoneses é o Tanabata Matsuri, conhecido também por outros nomes como Festival do Tanabata, Festival das Estrelas, ou ainda Festival da Sétima Noite.

História do Tanabata Matsuri

O Tanabata Festival (たなばた / 七夕物語) tem origem na China e remonta uma lenda de mais de 2 mil anos atrás. Na China recebe o nome de Qixi Festival e é considerado o Dia dos Namorados chinês. No Japão é comemorado no dia 7 de julho ou 7 de agosto (que é em torno do sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar).

O festival foi importado pela imperatriz Koken no ano de 755, sendo adotado no Palácio Imperial de Kyoto a partir do período Heian. Porém se tornou realmente popular no início da Era Edo, se misturando aos tradicionais festivais Obon.

Pode-se dizer que o Tanabata seja uma das grandes influências chinesas trazida para o Japão. Na verdade existem outros festivais semelhantes em outros países do Oriente e até do Ocidente, inspiradas no folclore chinês da “Princesa e o Pastor” ou nas estrelas Vega e Altair, que veremos na lenda mais abaixo.

Como o Festival corresponde ao calendário lunar, a data das festividades podem variar conforme a região, porém começam sempre no dia 7 de julho do calendário gregoriano, se estendendo até agosto, de acordo com a região ou país.

Tradição do Tanabata Matsuri

Durante o Festival Tanabata, existe o costume tradicional de se escrever desejos em um pequeno pedaço de papel colorido (Tanzaku), que depois são pendurados em ramos de bambu, na esperança de que o desejo se torne realidade. Cada cor tem um significado: amarelo é dinheiro; rosa, amor; vermelho, paixão; azul, proteção e saúde; verde, esperança; branco, paz.


Grandes decorações coloridas também são vistas enfeitando as casas, assim como as praças e ruas principais de muitas cidades japonesas. Em outras regiões é comum também colocar lanternas de papel ou folhas de bambu no rio, para que sejam levadas pelas correntezas, sendo queimados após o festival.

Os maiores festivais Tanabata no Japão, ocorrem em Sendai (agosto) e Hiratsuka (julho). É comum também vermos o Tanabata sendo representado através de mangás, animes, dramas de TV japoneses, filmes e até canções!

A Lenda do Tanabata

A origem do Tanabata é baseado em um conto antigo chinês com mais de 2.000 anos atrás. Era uma vez uma Princesa Tecelã chamada Orihime, filha de Tenkou, o Rei Celestial e um Príncipe Pastor chamadoHikoboshi, que viviam na Via Láctea. Em certo momento se encontraram e se apaixonaram um pelo outro.

Os dois sempre foram muito trabalhadores e responsáveis com seu trabalho, porém desde que começaram a viver um fulminante romance, o jovem casal deixou de cumprir com as obrigações e tarefas diárias como de costume.

Isso provocou a ira no rei Tenkou, que resolveu separá-los em lados opostos do rio Amanogawa (Via Láctea). Orihime chorou e implorou muito a seu pai, que se comoveu e concordou em deixá-los se encontrar somente uma vez por ano, no dia 7 do mês 7 do calendário lunar, sendo representados pelas estrelas Vega e Altair.

Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos vindos da Terra, feitos em papéis coloridos (irogami) e pendurados em bambus (sassadake). Acredita-se que se nesse dia estiver chuvoso, Orihime eHikoboshi não podem ver um ao outro e o encontro só poderá ser novamente no ano seguinte.

Na mitologia japonesa, este casal é representada por duas estrelas situadas em lados opostos da galáxia, que realmente só são vistas juntas uma vez por ano: Vega (Orihime) e Altair (Kengyu).

Original: Japão em Foco.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Kulam, o Ofício nas Filipinas

Kulam é uma espécie de feitiçaria praticada nas Filipinas. Os feiticeiros que o usam são chamados mangkukulam e muitas vezes são temidos por seu uso de magia negra. Nos tempos modernos, no entanto, tem havido um movimento para renovar a imagem desta prática e apresentá-lo sob uma luz mais lisonjeira. Alguns livros publicados localmente, como o de Tony Perez Mga Panibagong Kulam, esperamos conseguir isso, trazendo o seu caso a um mercado mais jovem, mais aberta.


Seja como for, muitas pessoas ainda têm a visão tradicional de kulam como uma forma escuro, mal de feitiçaria. Filipinos supersticiosos íntimo que mangkukulam muitas vezes são das ilhas de Siquijor e Samar e da província de Sorsogon. Mesmo nos dias de hoje, os moradores destes lugares são muitas vezes vistos com desconfiança por parte das comunidades vizinhas. Aliás, essas áreas também são conhecidos por seus muitos "curandeiros".

Esta prática é fortemente influenciado pelo voodoo , e acima de tudo a imagem dele na imaginação do público envolve praticantes usando uma boneca de pano para ferir suas vítimas. Algo pertencentes à vítima, devem ser obtidos pelo médico para que a maldição para o trabalho, e muitas vezes é dito que quanto mais próximo o objeto é a vítima, mais forte será o feitiço vai ser. Como resultado, coisas como um fio de cabelo, saliva, ou gotas de sangue são altamente recomendados para o efeito máximo.

Kulam, no entanto, existe em um contexto mais amplo, e não se trata simplesmente de espetar agulhas em bonecos. A maioria das pessoas vê a mangkukulam como uma espécie de aldeia bruxa, e muitas vezes ir até ela para coisas tais como feitiços de amor, feitiços para pegar um marido traidor, etc. Às vezes, ela irá manter uma rivalidade com a arbularyo aldeia ou curandeiro. Outras vezes, o mangkukulam-se dobra como da aldeia feiticeiro , ou curandeiro, "curar" doenças infligidas a eles pelas versões locais de anões, ninfas de madeira, e outros espíritos.

Curiosamente, feitiçaria Filipina muitas vezes co-existir em harmonia com o catolicismo, especialmente nas áreas rurais do país. Boas bruxas invocam o nome de santos, sussurrar orações em latim, e até mesmo usar escapulários para afastar as maquinações de suas contrapartes do mal. Preto das bruxas, por outro lado, estão a ser dito na liga com o diabo.
Original: Mago Obscuro.

terça-feira, 31 de maio de 2016

A capital da magia no Brasil

Em Codó, onde se diz que o caboclo “Brada” mais alto, afirma-se que aquela categoria de encantado é comandada por Légua Buji Buá, que se intitula filho de Pedro Angaço e Rainha Rosa. Santa Bárbara tem sido proclamada protetora dos terreiros de Mina do Maranhão. Ela valoriza estes caboclos boiadeiros, comparando-os.

Seu Légua vem de uma região do Maranhão chamada Codó, município situado no cerrado maranhense e na bacia do rio Itaperucu. É uma localidade reconhecida por seus terreiros, por ser uma região quilombola ligado ao terecô, ao tambor da mata, relacionada mais com os caboclos e a prática da magia negra.
Entre os encantados mais importantes está ele, Légua Bogi Buá.
Codó, também conhecida como capital da magia negra. Falar desta entidade, de sua família e dos seus dois lados (“banda branca” e banda “preta” – bem/mal) como sempre é dito pelo caboclo Lauro Bogi Buá (da família de “Légua”) que e falar a seguinte frase:
“Eu sou Lauro Bogi Buá, uma banda branca e outra preta, metade de Deus e metade do diabo”. Há diversos mitos de como e quando Légua Bogi chegou a essa região, tanto quanto em relação a sua família e seu comportamento dentro dos terreiros.
(...) Na casa de Jorge, Légua Bogi é jovem, brincalhão meio rude e desbocado, tem numerosos amigos, gosta muito de bebida alcoólica e da brincadeira de Bumba-Boi. Em Codó, no salão de dona Antoninha, ouvimos falar dele como o encantado mais velho do mundo, como filho desobediente (Maria dos Santos) e como um preto velho angolano (dona Antoninha) (...) Em Viana (Maranhão), Légua Bogi é visto pelos médiuns (que tem vidência) como um preto-velho que usa chapéu, parecido com o falecido artista nordestino Luiz Gonzaga. Algumas pessoas o vêem caminhando na cidade; outras, andando sobre as águas do mar, sem afundar. Mas, conforme o curador e “mineiro” Rogério, Légua também aparece a eles como um boi preto, com uma estrela brilhante na testa, que ameaça “parti pra cima” do médium que não cumprir suas obrigações para com ele. Légua Bogi é um dos encantados mais antigos de Codó, mas a família de Légua entrou ali quando já havia acabado a euforia do algodão, e ele veio como um dos “filhos do gado”, daí porque aparece com chapéu de couro e rebenque. Segundo o mesmo informante, em São Luís, eles “aportaram” no início do século XX como uma família já constituída e foram trazidos por Maximiana e por migrantes do Mearim e Codó.
Quando o caboclo Légua Bogi está incorporado sempre se refere ao lugar de onde veio: Codó. A ligação com essa região é relacionada no momento do transe, onde a entidade faz uma ponte entre o Estado que se encontra no momento do transe e Codó.

Fonte: Mago Obscuro.

sábado, 28 de maio de 2016

Obeah, religião afro-caribenha

Obeah é, talvez, a mais antiga de todas as religiões afro-crioulos no Caribe. Seu nome é derivado das palavras Ashanti Obay-ifo ou Obeye, que significa mago ou bruxa. Os ashantis ou Koromantyn africanos eram da Costa do Ouro, e porque eles foram geralmente pensado para ser eliminados à rebelião e feitiçaria, o espanhol e francês evitou importá-los como escravos. Assim, a prática de Obeah está confinado à British West Indies, com variações de Guadalupe e Martinica. De acordo com Margarite Fernandez-Omos e Lizbeth Paravisini-Gerbert, Obeah "não é uma religião tanto como um sistema de crenças enraizadas em noções crioulas de espiritualidade, que reconhece a existência eo poder do mundo sobrenatural". Além disso, Obeah incorpora duas categorias básicas de prática: magias, tanto bons como maus, e práticas de cura baseadas na utilização de elementos do mundo natural. Obeah frequentemente desde um conforto para os africanos deslocados em que eles poderiam contar com um dos seus para a cura e proteção. No entanto, as contas britânicas de Obeah durante o período colonial descobrir isso tão ameaçador para proprietários de plantações de brancos, e sua prática foi proibida em muitas das colônias britânicas. Obeah, então, é principalmente uma relação cliente-profissional, com o assunto aflitos procurando a ajuda do homem ou a mulher Obeah numa base individual. 

Crenças e Práticas

Práticas Obeah demonstrar muitos dos aspectos da religiosidade afro-caribenha, como a veneração dos antepassados, possessão espiritual, o sacrifício de animais, e adivinhação, mas não tem um complexo sistema de liturgia organizada e ritual. Praticantes de Obeah são conhecidos como homem ou mulher Obeah e acredita-se ter nascido com o dom de poderes especiais que são passados ​​de geração em geração, ou então passar por uma conversão milagrosa que lhes confere com os poderes do Obeah. Uma vez que o dom de Obeah foi identificado, a pessoa geralmente passa o tempo como aprendiz de um homem Obeah praticado ou mulher, a fim de aprender os truques do comércio. Um praticante Obeah é geralmente procurado por alguém que pretenda fazer uma mudança em sua vida, e o sucesso do homem ou a mulher Obeah está "diretamente relacionada com a reputação que ele estabeleceu como um fitoterapeuta, suas habilidades como ouvinte, e sua capacidade de alcançar os resultados esperados ". 

Desde Obeah foi proibido por tanto tempo como uma prática no British West Indies, a sua prática é numa base individual e carece embora "um praticante Obeah pode cantar ou cantar ou entrar em transe no tratamento de um cliente individual," a prática "não tem qualquer semelhança com os complexos rituais de possessão e de invocação dos espíritos através da música e da dança característica de outras práticas crioulas de origem africana". O cliente pode procurar o praticante Obeah para feitiços ou encantamentos que auxiliam relacionamentos românticos, ou para as práticas tão variados como escapar de problemas legais ou sorte no jogo. O homem ou a mulher Obeah consulta com um cliente e, em seguida, recomenda uma solução para o seu problema. Por exemplo, "banhos, massagens, ou prescrições de cura pode ser aplicada a doenças físicas, enquanto bolsas ou garrafas feitas de várias substâncias-ervas, terra, animais ou matéria corpo humano (cabelo, manicure recorte, sangue e outros fluidos corporais) , artigos de vestuário (colocados em lugares estratégicos ou desgastadas sobre o corpo-são recomendados para outros problemas. Assim, a função social principal de um homem ou mulher Obeah é a de curador. 
Na sua qualidade de curador, homens e mulheres Obeah são muitas vezes chamados para fornecer proteção contra qualquer número dos espíritos que habitam o mundo dos vivos. Fetiches, por exemplo, são objetos inanimados que supostamente têm poderes especiais e são transportados para a proteção ou se destinem a ser reverenciado. Eles são muitas vezes feitas de partes do corpo humano ou de partes de um corpo animal, objetos de roupa e sujeira, com o cabelo de ser um material particularmente poderosa para um fetiche. Fetiches e outros materiais de proteção são usados ​​para afastar duppies , ou as sombras de homens e mulheres que são deixados para trás. Duppies não são a alma de uma pessoa, que passa para a vida após a morte, mas em vez disso são a sombra que podem habitar locais específicos. A fim de proteger contra duppies, o homem Obeah prescreve muitos rituais para que o duppy não vai causar mal ou travessuras. Por exemplo, "para evitar o retorno de um duppy, ervilhas vermelhas ou otários de banana foram plantadas no túmulo da pessoa falecida". Da mesma forma, o praticante Obeah podem ser chamados para proteger uma pessoa de Old Higue (Hige), uma velha figura que derrama sua pele e suga o ar dos bebês, que posteriormente morrer. Old Hige poderia ser destruída se alguém queimado ou danificado sua pele para que ela não poderia voltar a ele. Como Moore e Johnson afirmam, o homem Obeah protegido um de Old Hige, que também forneceu uma razão para as tragédias que ocorrem na vida todos os dias dos homens e mulheres do Caribe. 

Myal é uma variação de Obeah que é praticada na Jamaica. Suas semelhanças incluem: habilidades em fitoterapia, aspectos de cura, preparação de fetiches e outros objetos para influenciar comportamentos, garantindo proteção, e alcançando seus objetivos. No entanto, Myal tem um conjunto de rituais comunitários que Obeah, que muitas vezes envolvem canto, percussão, chamando aos espíritos, e de posse muito mais complexa. Além disso, os homens myal, ao contrário dos homens obeah, são líderes com adeptos e a possibilidade de realização de um transe de possessão em Myal está mais intimamente relacionado com Vodu haitiano, que permite uma conexão mais direta com o mundo espiritual. 

Myalism, por causa da influência de práticas católicas e Africano, pode "diminuir o abismo aparente entre Obeah por um lado e Santería e Vodoun do outro ". A dança em Myal é uma das práticas mais importantes da comunidade e liga os profissionais para o panteão dos deuses do Oeste Africano. Como Fernandez-Omos e Paravisini-Gerbert afirmar: "O ritual da dança Myal, uma dança hipnótica em círculos sob a direção do líder, envolvido também uma abertura de fascinação para a entrada do espírito no corpo do iniciado, fornecendo uma ponte entre a característica de posse espírito de práticas afro-crioulos eo enchimento com o Espírito Santo encontrado em algumas variantes do cristianismo Mundo Novo ". Danças Myal foram muitas vezes destinados a recuperar espíritos presos por duppies e maconha e outras drogas alucinógenas foram usadas para melhorar e permitir que o estado de transe. Porque Myal é muitas vezes considerada "boa" magia em oposição ao "mau magia" do Obeah porque Myal está associada a prática de cura, adoração em êxtase, e possessão espiritual, era mais suscetível a ser absorvida pelos evangélicos cristãos no século 19, e de fato os homens myal agarrado ao cristianismo durante o período Revivalist na Jamaica, porque as distanciou do Obeah e Obeah homens, e em muitos casos, o Espírito Santo substituiu o panteão de deuses do Oeste Africano.

Política do Movimento

Depois de 1760, tornou-se punível com a morte para os escravos de praticar Obeah na Jamaica, eo resto das colônias britânicas seguiram o exemplo. Este impulso para ilegalizar Obeah deveu-se ao foleiro Rebellion em 1760, quando um homem chamado foleiro liderou uma revolta de escravos Koromantyn. Foi dito que ele deu os escravos a "preparação mágica que deveria torná-los invulneráveis ​​às armas das autoridades" (Bisnauth 83). A aprovação da lei foi feita para proteger contra a prática de Obeah, que os colonizadores embora poderia levar a novas revoltas. No entanto, isso foi prejudicial para o sistema de crenças Africano porque qualquer prática de fé era susceptível de ser chamado de "obeah" pelas autoridades, e por isso muitas das tradições africanas neste momento se perderam ou foram tomadas metro (assim a natureza individual da prática Obeah ). O potencial de revolta e retaliações contra os colonizadores nunca foi muito longe das mentes dos britânicos, e para os povos africanos ", Obeah poderia ter sido ruim magia, mas para muitas pessoas, parecia capacitá-los a moldar sua própria existência através da manipulação os espíritos, tanto benevolentes e malévolos ". 

Como dito acima, myalism deu lugar a uma forma creole do cristianismo durante o período revivalista, como revivalistas "acreditar na eficácia de obeah, mas enquanto o pastor avivalista pode praticar a cura e fornecer encantos contra doenças e fantasmas (duppies), ele não pode ser descrito como Obeah homem ... Em um sentido real, o pastor é como o Okomfo Akan; ele é um padre, não um homem-obeah "(Bisnauth 96). O mais importante, no entanto, Obeah e Myal deu-africanos o acesso a uma espiritualidade que eles conectado com o passado e com o mundo espiritual, uma vez que, do ponto de vista Africano "os processos de vida foram envolvidos em um conflito perpétuo com os de morte" ( Bisnauth 96). Isto é o mais importante para o escravo cuja vida é muitas vezes dominado por morte, e sentir que pode afetar e controlar o mundo natural em oposição às crenças cristãs dos mestres é muito capacitar para os praticantes de Obeah. Como Moore e Johnson afirmam, a importância mais fundamental de Obeah é que "a preservação de seu sistema de crenças afro-crioula ainda serviu para confirmar a sua intenção de determinar por si mesmos o que era culturalmente apropriada eo que não era. Foi uma afirmação positiva da autodeterminação cultural em face da pressão hostil de cima".


Fonte: Mago Obscuro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Egungun, o culto aos ancestrais

Uma característica básica e fundamental de toda espiritualidade, crença e religião é a existência do culto aos ancestrais. Eu tive a oportunidade e a felicidade de encontrar um livro muito esclarecedor sobre o culto do Egungun, um culto desenvolvido pelas religiões da Diáspora Africana.
Com a autorização da editora, eu citarei apenas alguns trechos pertinentes para consolidar o conceito de que o culto ao ancestral é um culto familiar, fator imprescindível para que haja uma tradição, uma comunidade, uma coletividade e uma sociedade.

O culto aos ancestrais Egungun elabora a ancestralidade existencial, a convivência pautada e orientada por valores afro-brasileiros, ou seja, sua cosmogonia; entendendo este valor como o fazer, o sentir, o emocional lucidamente racional, o que torna possível a interação dos homens com a natureza do cosmo.
Este plantar e colher valores são justificados quando, nos festivais públicos Egungun, onde os terreiros, com seus calendários bem organizados, nos dias e meses específicos do ano, destinados aos patronos da religião afro-brasileira de culto a ancestralidade Egungun, vê-se os babá Egun com suas roupas coloridas, que todos chamam  de pai, protetor e ancestral.
Todo legado milenar civilizatório é revertido e hábitos e sistemas educativos, sejam eles institucionais, sejam eles de conduta e costumes domésticos, os quais, nas residências, são chamados de cultura de base.
A tradição e a educação afro-brasileira são também uma herança dos convívios, hábitos, costumes e recriações praticados por antigos moradores e seus familiares, na grane mistura étnica afro-brasileira.
Na essência, a tradição do culto tanto aos orixás quanto aos Egungun está diretamente vinculada à terra, a Onile, senhor do interior da terra que contem os ancestrais, bem como ao seu assentamento, sendo obrigatório em todo terreiro de Egungun.
Na casa de adoração aos antepassados falecidos, tem-se a certeza de que, com as oferendas aos mortos, terão vida longa, para todos os familiares e filhos do terreiro. Em dia de obrigação aos ancestrais, que é consagrado também a Oya Igbale, são feitas oferendas e festas aos Egungun.
Muitos dos povos de nações africanas que foram implantadas no Brasil, ainda hoje sobrevivem nas cidades e no interior, com um legado inconfundível desses antigos povos. Das nações que seus seguidores se fixaram na Bahia, entre o final do século XVIII e o inicio do século XIX, mesmo com a assimilação de nações afro-brasileiras, os nagô/yoruba foram os que mais conservaram a configuração africana original.
Isso significa dizer que sua ideologia, seus mitos, sua cosmogonia, rituais e éticas próprias são voltados, ainda hoje, dentro e fora dos terreiros, para os praticantes e iniciados com parentescos sanguíneos ou não dos dirigentes, os quais convergem e comungam dos mesmos valores. Estes acreditam nas mesmas divindades, sentenciam seu devir dentro da lógica hierárquica de cada terreiro e, portanto, constituem um fazer e acontecer pautado nessa herança, buscando sempre a vida grupal entre pessoas, pois agradar as entidades e viver entre irmãos só é possível reinventando.
Vários símbolos e signos relacionados às manifestações humanas estão estampados em todas as literaturas, orais, escritas, criadas e reinventadas por todas as sociedades, em todo mundo. Literaturas escritas, na sua maioria, definiriam fenômenos sobrenaturais, o sagrado, o divino e o transcendental, assim como o conjunto de rituais de éticas de convivência que derivam dessas crenças chamadas de religião.
O conceito básico e aceito sobre o fenômeno religião vem do latim religio, religare, que denomina um sentido de viver notadamente pela rigidez e pela precisão. Bem como ligar o ser humano a algo superior a si mesmo.
O termo religião, palavra aportuguesada durante séculos, foi usado na Europa pelos povos de língua latina. Termo desconhecido por outras civilizações; reeleger, ligar um Deus a humanidade, ou religar o homem a um só Deus.
O conceito etimológico de religião visto em vários autores, tendo suas concordâncias e discordâncias, faz crer, independentemente da origem, que, no conjunto da sociedade, a crença e a fé fazem a relação com o Deus. Criam-se dogmas de conduta, narrativas que legitimam a criação do mundo, dos seres vivos e da humanidade. Para cada sociedade, há uma forma especial de cultuar suas crenças e suas divindades, estabelecendo uma convivência com direitos e deveres e buscando a sobrevivência da humanidade nos seres humanos.
A experiência dos povos colonizados nas Américas, principalmente os escravizados africanos e seus descendentes, tem demonstrado que, do ponto de vista do crente, mesmo sem uma literatura específica, nem mesmo um código escrito, a tradição se mantem viva através da linguagem própria dos povos de matriz afro-brasileira. Este fenômeno de crer em algo sobrenatural, o mito como verdade, os símbolos, signos e os rituais representam a tradição e o legado cultural da ancestralidade como ancoragem primordial, em que existe a ética da convivência entre seres diferentes, respeitando a alteridade própria, cada um traz em si a sua origem ancestral, sejam, pelo menos amenizados pelo respeito aos ritos, aos Orixás, aos mais velhos da comunidade e aos antepassados Egungun. Os baba Egun dão sentido às nossas vidas, pais nossos que se foram para o mundo do além, orun, e que, quando são solicitados, chegam e respondem aos nossos pedidos e ansiedades humanas.
No entendimento da ancestralidade, a morte não representa simplesmente o fim da vida humana, mas sim que a vida terrestre se prolonga em direção à vida além-túmulo.
O que os resta entender, ou pelo menos divulgar com respeito às tradições, é que sem a ancestralidade não somos nada, não nasceríamos se nossos antepassados não permitissem, por isso, devemos a eles a nossa gratidão, venerando-os e cultuando-os.
O culto à ancestralidade masculina Egungun da religião de matriz afro-brasileira é a reconfiguração no Brasil do culto aos ancestrais africanos e afro-brasileiros. As similaridades e identificações são muitas. A começar pela linguagem. Tanto do lado do Brasil como na África Ocidental, a ancestralidade é um dos princípios da tradição, tradicionalmente central e básica, mesmo na contemporaneidade.
Obviamente, a base da tradição religiosa do afro-brasileiro é a iniciação e o renascer em um novo patamar de relações na cultura familiar comunitária. Seus antepassados ditam as normas da coexistência de uma existência de um poder viver relacionando o seu mundo com o universo.
A entidade Olorun baba Olodumare, que dá o sopro da vida, é o seu poder maior da existência humana. Olorun é o poder maior, junto às forças superiores de outros seres sobrenaturais. Sua vida e sua palavra são valores máximos, atrelados uma à outra. A palavra é a gênese de tudo o que relaciona a vida, o axé, o principio de força e poder, o vínculo de participação e a dinâmica do existir (força, ritual e mito). A palavra e a participação nos rituais comungam para todo o universo conspirar no sentido positivo ou negativo; as oferendas e o sacerdócio seguindo os caminhos designados pela tradição são sagrados e sua palavra é lei.
O afro-brasileiro tradicional que cultua o legado da tradição religiosa de matriz africana não figura apenas em sua memoria o seu conhecimento; ele participa, comuna e distribui esse saber, socializando-o e perpetuando-o para as atuais e futuras gerações, tanto no sentido físico, presencial e material, como no mito da sua comunidade, no sentido amplo, podendo ser visto e entendido, principalmente nos rituais. O sacerdote, portanto, é modelo de dignidade na sua comunidade.
Compreender a ancestralidade afro-brasileira relacionada aos cultos Egungun é tarefa complexa. É preciso participar, observar e vivenciar os ritos em um terreiro, onde os antepassados estão presentes e sua presença é a expressão máxima da crença e de perpetuação da fé. A presença de um ancestral é certeza de emoção a todos aqueles que estão participando do rito. Existe um elo entre o mundo dos vivos, ara-aiye, e o mundo dos mortos, ara-orun, e seus efeitos são imediatos. Tudo é pergunta e resposta ao mesmo tempo; o sagrado é designio de Olorun, pois Ele está presente em tudo que se faz. Atrás de todos os respiradouros do mundo, existe a presença de Olorun. Na energia cósmica que agrupa a fonte da vida, o cotidiano, o solitário e o totalitário no coletivo dos seres humanos está também a presença do Senhor que tudo vê. Essa visão totalizante, assimilada pelo individuo no grupo, é sua forma de ver e entender o mundo.
A tradição é um poder dinâmico que se perpetua através da repetição do ritual. Os mais velhos são auxiliados pelos mais jovens no culto e ambos conectam-se aos valores sociais e morais. O afro-brasileiro de traição não se satisfaz em viver apenas o cotidiano, e sim quer comungar e interpretar o que criou e o que foi criado historicamente para todos, pois o mundo, na sua lógica, é para ser vivido e servido por todos. É preciso vive-o intensamente, espiritual e materialmente, pois tudo foi feito para todos os seres humanos usufruírem.
A lógica desse pensamento é um aprendizado para toda vida, pela forte vivencia em comunidade-terreiro, experiência vivida desde criança, sempre junto aos rituais; o individuo torna-se coletivo em várias iniciações nos ritos. Os antepassados são guias, modelos, fazendo ter sentido o conceito de comunalidade, de sociedade, tornando-os mais atentos às mudanças, disciplinando-os e fazendo com que sigam o respeito aos mais velhos e à hierarquia, afinal o afro-brasileiro de tradição é, acima de tudo, um individuo consciente de sua ancestralidade e do que ela significa no seu dia a dia.

Fonte: Sobrinho, José Sant’Anna, “Terreiros de Egungun, um Culto Ancestral Afro-Brasileiro”, EDUFBA, 2015.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A Encantaria

Por que a referência aos mitos do Jurupari, de Tupã, da Grande Mãe, além dos relativos à Yara, à Cobra Grande, ao Curupira, ao Boto e aos Quatro Elementos Mágicos?
Nossa intenção foi a de torná-los conhecidos porque, de cada um deles, em maior ou menor proporção, foram sendo recolhidas partes que, hoje, por assim dizer, formam a Encantaria. 
A maioria das pessoas embora utilize e pratique essa forma de magia pouco ou nada sabe sobre suas origens. A origem está aí: a Encantaria é produto da fusão dos cultos amerabas e cristãos e dos elementos da Natureza: Ar, Fogo, Terra e Água. Posteriormente, essa arte foi enriquecida, também, por adição de elementos dos cultos afros que introduziram os ritos do fogo, desconhecidos pelos indígenas e esquecidos pelos portugueses que, desse elemento, só conservaram três das principais festas: o Natal, Pentecostes e a noite de São João. 
A Encantaria, portanto, não nasceu do índio, nem do português, tampouco do africano, mas da mistura das três raças, na pessoa de seus descendentes: os mestiços, por extensão, os caboclos e os mulatos. Foram estes que, juntando tradições, sabedoria e, enfim, a própria intuição chegaram, por assim dizer, a essa nova arte de magia. 
Na Encantaria, não há entidades principais nem mais importantes: todas são poderosas no meio em que atuam. Respeitam-se, entre si, valendo dizer que uma não se intromete no setor da outra, a não ser em uma forma indireta de ajuda, proteção e, também, de punição, quando necessário, no caso dos adeptos. 
Esse panteão é constituído por sereias, marinheiros, princesas e reis; "caboclos(as)" indígenas boiadeiros(as) - mestiços. Evidentemente, há, também, a falange dos seres de onde provém todo o mal: os "mayuas", os "gangujins" e os "quiumbas". Os primeiros citados, por exemplo, têm íntima ligação com o culto do Jurupari. Particularmente, podem atingir, com seus poderes maléficos, adolescentes e jovens que se encontram em vias de iniciação religiosa. Originaram-se das cinzas de UALRI (tamanduá), nome dado ao velho que não soube guardar o segredo do Legislador. Lembrar que as cinzas do velho foram misturadas às do fogo, que constituem os excrementos deste. Assim, esses espíritos provém de dejectos; por isso, em si, nada têm de bom e vivem para macular os puros. 
Os Caboclos, por exemplo, são os espíritos dos ancestrais que atingiram a imortalidade por terem, quando em vida, obedecido e dado cumprimento às leis do Herói-Civilizador. São tuxauas e comandam a sua tribo, de grandes guerreiros, igualmente imortalizados, por seus feitos. Protegem a mata e tudo o que ela contém, dando aos homens, de acordo com o mérito ou o desmérito, favores e castigos. 
As Caboclas são espíritos de jovens que, após terem sido defloradas pela Lua, mantiveram-se virgens e, assim, acumularam um grande poder para melhor beneficiarem os humanos. Raras agem tanto nas águas quanto na terra. Uma delas, cujo nome significa "Guerreira da Lua" (pelos fundamentos relacionados ao tabu do nome, não podemos revelar o verdadeiro, em Língua Geral) bate sete tambores na selva e sete, no mar. Pertencem à tribo, mas não são comandadas por ninguém. 
Os Boiadeiros(as) agem onde existe atividade pastoril. Protegem, além dos animais dos campos e das fazendas, os vaqueiros e a todos que habitam nesses lugares e exercem esse tipo de atividade. São mestiços. 
Marinheiros, sereias e outras entidades regentes das águas (príncipes, princesas e reis), governam as águas salgadas da Amazônia e misturam-se em um autêntico cadinho de culturas. Neste caso, prevalecem as lendas e tradições portuguesas mescladas às dos mouros que, durante um século, viveram em Portugal. São entidades brancas, louras, de olhos azuis. Uma das mais conhecidas é Dona Mariana (este é o seu nome de "guerra", por assim dizer), uma toya (princesa) turca que atua em águas amazônidas, e, também, no Brasil inteiro. Dona Mariana, arara cantadeira, rainha das curandeiras e patrona da Marinha Brasileira" (um dos "pontos" que se canta em seu louvor). 
Um detalhe importante que diferencia a atuação dessas princesas aquáticas da Yara: enquanto esta é a paixão desenfreada, a loucura rematada, a Morte, pura e simples, sem transformações; Morte, em si e Morte, em vida, que nenhum bem, dela, se espere; é a Ilusão, aquelas beneficiam, favorecem a sorte e a fortuna e, na linha de cura, concedem aos homens, o bem maior, a saúde. Tinhosas não deixam de ser; quando resolvem malinar, "peiar" alguém, não perguntam quem está de guarda, contudo, não são de matar pelo puro prazer do ato, em si, como a Yara. 
Na Encantaria, a Água é um elemento poderosíssimo. Primordial para a feitura de banhos, poções, beneragens; limpeza, em geral; mezinhas e chás. Águas de igarapé, da chuva, do mangue, dos rios, de poço e, um tabu na Encantaria: água de pote, dada a beber a pessoas seja para "amansá-las", "prendê-las", "maliná-las" e, o mais terrível, matá-las através de graves e irreversíveis enfermidades. 
Não existe, propriamente, uma entidade do ar. O Ar é o próprio poder. Há todo um tabu em torno do Ar, pois, segundo a crença é, ele, o causador de um sem número de moléstias. Assim como seca as plantas seca, igualmente, as pessoas. O vento, também, amedronta. Na Encantaria, há uma entidade muito requisitada, a quem chamaremos de "Ventania" 
A magia é feita no tempo e se esse "caboclo" não agir, prontamente, usa-se de um estratagema para fazê-lo "correr" o mais rápido possível e solucionar a questão. 
Importantíssimas, na Encantaria, são as magias realizadas utilizando-se partes de bichos considerados "de força", numinosos, totêmicos, sejam quadrúpedes, répteis, aves ou insetos. Das aves, a mais procurada, é o Uirapuru. Um Uirapuru "trabalhado" custa uma pequena fortuna. Contudo quem o trouxer consigo é considerado "marupiara" (sortudo, próspero) em qualquer aspecto de sua vida. De um modo geral, todos os animais da Amazônia tem um enredo com a Encantaria mas, a jibóia, o coré (uma espécie de passarinho), o camaleão, o boto (tanto o macho quanto a fêmea), o poraquê (peixe elétrico); araras, periquitos, papagaios e seus próximos; o urubu e outras aves de rapina; o sapo, os calangos, o morcego e, abrangentemente, os insetos, mormente os peçonhentos, são considerados especiais. 
O fogo, embora desconhecido pelo indígena, num aspecto ritualístico, ocupa lugar de destaque na Encantaria, em si e, nas chamas das velas. As magias do fogo, incluídas a fuligem e as cinzas, são pesadas, poderosas, eficazes e extremamente perigosas, principalmente para quem não sabe bem lidar com esse tipo de energia.
Fórmulas, "rezas bravas", orações, ensalmos são contribuições do europeu e do africano. Fortes; algumas, belíssimas, são indispensáveis e de maior eficácia quando pronunciadas nas costas do desafeto, tanto quanto nas dos entes queridos, para o mal e para o bem, respectivamente. Há "experientes" famosas que conseguem verdadeiros milagres com suas rezas e alguns galhos de arruda, pião roxo, pião pajé e outros, similares. 
Importante, também, na Encantaria, para favorecer e abrir a "visão" é comer-se a carne de determinados animais. Secreções do tipo chamada, popularmente, de ramela; fezes e urina; pó de ossos torrados e moídos; pena, cabeça e vísceras de pássaros e de outros animais ou o que elas segregam como, por exemplo, o fel, são, igualmente indispensáveis e fazem parte do cotidiano de qualquer "mandingueiro". 
Dos humores humanos, o suor, o sangue (principalmente, de mênstruo), o sêmen e a saliva são vitais na prática da magia ritualística, seja para favorecer ou prejudicar alguém, porque representam a própria pessoa. Cabelos, pelos pubianos e aparas de unhas ocupam, igualmente, um lugar de destaque. 
Mas, o grande manancial, o trunfo máximo são as ervas; as cascas e entrecascas de árvores e arbustos; os cipós e as aningas (tajás); os tubérculos e raízes, não esquecendo os frutos e as sementes. O assunto é tão vasto que abrangeria todo um livro com um número substancialíssimo de páginas. E, diga-se a bem da verdade: cerca de 90% desses elementos utilizados na Encantaria são tabu. A ciência e, por extensão, a medicina, desconhecem-nos. Como o segredo chegou aos iniciados, aos "experientes"? Através dos ancestrais, de geração em geração, boca a boca. E os ancestrais, aprenderam com quem? Com a "Mãe-do-Mato". Acreditem (ou não) se quiserem mas, ainda hoje, é possível alcançar o "conhecimento" desses mistérios com a "Mãe" (também chamada de Curupira). Basta saber "ouvi-la". Um detalhe importante: aquela aparência ter rível, apavorante é, digamos, a "oficial". Nem sempre é assim. A "Mãe-do-Mato" é linda. Quando quer. Quando acha que a pessoa merece "vê-la" na sua forma mais evoluída.
O comportamento de um(a) "experiente" ou iniciado nas artes da Encantaria, em relação à Natureza e à comunidade, de um modo geral, é a chave mágica que lhe abre todas as portas, todos os caminhos, sejam eles quais forem. 
Lembrar da infância, quando a sabedoria começou a nos ser repassada: "Minha filha, tudo tem Mãe!"... "Aonde fores, pede licença!"... "Faze o que tens de fazer, retira-te e não olhes para trás"... 
A primeira coisa que nos ensinaram foi, ao chegar a nossa ou à casa de alguém, saudar os quatro cantos da moradia; antes de entrar, louvar, ainda que em silêncio, a soleira da porta; reverenciar as ruas e todos os seus cruzamentos, fossem machos ou fêmeas; lavar, vinda da rua, incontinente, as mãos e até mesmo tomar um banho porque passávamos de um ambiente profano (rua) para um recinto sagrado (o lar). Ante a natureza, fosse mata, praia, água, campo, montanha, gruta, caminho, etc., pedir, sempre, licença às Mães de cada ambiente. Antes de atravessar um igarapé, razinho que fosse, acariciar as águas e solicitar passagem, contritamente. Não fazer necessidades fisiológicas no tempo, a não ser em casos extremos e, então, cobri-las com terra, "sepultando-as"; realizando-se um almoço ou outra refeição similar onde houvesse caça e peixe grande, convidar a parentela, os amigos e festejar (reminiscência dos Dabacuris, festas instituídas pelo Jurupari), agradecendo tão preciosas dádivas da natureza. As horas, respeitar o andar do tempo!, principalmente, as chamadas "grandes" quando os espíritos da Natureza e dos ancestrais "falam", manifestam-se, sejam estas os momentos em que não é dia e nem é noite (pouco antes do nascer do sol e, imediatamente, após o sol desaparecer no horizonte); quando o sol engole a nossa sombra (meio-dia) e quando o caçador do céu (a constelação de Órion), ocupa as duas metades do firmamento (a meia-noite). 
A lista é grande, mas, resumindo-se, estas são as leias dos ancestrais: Agradecer a tudo, no Universo, respeitando-o e reverenciando-o com Amor, pois o caminho do progresso é infinito e, vivendo com fidelidade em relação a este, que é uma representação da Vida, infinitas serão as nossas possibilidades de atingir, magicamente, o caminho da absoluta liberdade.

Original: Nosso Pará.