quinta-feira, 28 de abril de 2016

O pomo de Adão

A mitologia cristã conta que o homem tem gogó porque Adão ficou engasgado depois de ter comido o “fruto proibido”. Pela própria mística cristã, o fruto foi identificado com uma maçã, embora alguns sábios digam que seja um figo e as escolas de mistério digam que era uma romã.
Refraseando o trecho de um texto meu, a identidade e a personalidade de uma entidade ou Deus não depende do que acreditamos.
John Hastead tem apresentado uma variante curiosa e interessante de seu discurso, tentando convencer o público que “existem diferentes níveis com os quais nós podemos falar de assuntos espirituais e religiosos. Algumas palavras têm significados diferentes dependendo do nível no qual ela está inserida”.
O interessante deste discurso é que ele é uma sequência de outro texto onde John reclama da adoração ao dicionário, mas na verdade ele está é querendo sustentar seu monólogo.
Anteriormente eu refutei esse discurso falacioso apontando que “infelizmente, uma vez que usamos a linguagem para nos comunicar, as palavras têm significados e é sobre isso que é o dicionário. Engraçado é ver você usando os múltiplos significados das palavras que têm em um dicionário para sustentar sua verdade e certeza...”, no que eu resumo pela analogia de que uma pessoa pode chamar uma maçã de laranja que ela continuará a ser vermelha.
John comentou: “o professor perguntou para as crianças de que cor é a maçã. A maioria disse vermelha, os espertos disseram verde ou amarelo. Então ele pegou uma faca, cortou a maçã e perguntou de que cor era e responderam branca. Há sempre mais de uma maneira de olhar para algo.”
A minha resposta foi: “quando você altera o objeto de estudo, você muda o que está sendo observado, não sua natureza. Não é a vermelhidão da maçã que a faz ser uma maçã, portanto não é sua brancura interna que a torna outra coisa senão uma maçã. Quando você altera a perspectiva do observador, você altera o ponto de vista, não a natureza do que é observado, do contrário não haveria como comparar, categorizar ou diferenciar. Mesmo que você corte uma maçã, ela continuará a ser uma maçã, não uma laranja...”
John tem usado desse novo discurso principalmente porque ele insiste em sustentar sua visão como pagão e ateu, um argumento que se invalida por si mesmo. Ele insiste na falácia de que uma palavra tem múltiplos significados porque as definições dadas por ele são criticadas e como ex-fundamentalista mórmon, ele tem a necessidade de mostrar que as definições dele são as certas e a dos outros são erradas.
Evidente que John não é capaz de discernir as palavras, seus conceitos e significados, uma vez que ele entrou nesse conceito pós-moderno onde as palavras podem ser qualquer coisa e, no caso de John, elas significam exatamente o que ele quer, muito embora elas não signifiquem o que ele acredita que elas signifiquem. Ele persiste na metafísica das palavras para tentar expor seu sofisma teológico, estendendo sua análise sobre maçãs:
"Mas e se a maçã está conectada com uma árvore? Ainda é uma maçã distinta e individual ou é uma extensão da árvore? Se a maçã é parte da árvore, não está conectada com a terra, as outras árvores e todo o ecossistema?
Se pegarmos a maçã, a maçã não permanence conectada à árvore em milhares de formas através do ecossistema compartilhado? A maçã não carrega dentro dela as sementes da árvore? Essas conexões tornam a maçã menos real?
Se mordermos um pedaço de maçã, ainda é uma maçã? Ainda é a mesma maçã? Quantos pedaços de maçã podemos comer antes de deixar de ser uma maçã e se tornar parte de nós?
Nós não precisamos sequer comer a maçã para que esse intercâmbio aconteça. A maçã está espalhando suas moléculas na brisa a todo momento. Se respirarmos o perfume da maçã, algumas de suas moléculas são capturadas pelos nossos nervos olfativos. Não teria a maçã se tornado parte de nós de alguma maneira?"
John passou da analogia para instâncias biológicas e botânicas, como se fossem as mesmas coisas, mas vamos seguir o argumento para refutá-lo.
Uma maçã é parte de uma macieira e de nenhuma outra árvore. Ainda assim, sua conexão com a árvore não a torna parte da árvore, senão um gato que subisse em uma macieira se tornaria uma maçã, pela lógica do John. Uma maçã é exatamente igual a todas as maçãs que estão naquela macieira porque são seus frutos, ainda que possam aparentar diferenças superficiais ou estarem em estágios diferentes de desenvolvimento. Um bom exemplo está em nós mesmos, nós somos filhos de nossos pais, nós carregamos em nós o mesmo DNA de nossos antecessores, mas nós não somos meras somas de nossos ancestrais, podemos nos comparar e equiparar em diversos sentidos, mas continuaremos a ser únicos e distintos.
Da árvore, da macieira, partem os ramos, o botão, a flor e então o fruto, como dizemos em nossas celebrações, então é possível estabelecer um elo, uma conexão, uma raiz e uma origem, partindo do fruto para a árvore e além. Mas essa é uma relação real, orgânica, biológica, você não consegue estabelecer qualquer conexão ou procurar a origem, a raiz de uma maçã quando ela é apenas um arquétipo, uma imagem mental, que existe apenas em nossa psiquê.
Quando retiramos a maçã da macieira, esta deixa de ser parte, extensão e fruto gerado pela árvore para se tornar fruto, objeto individualizado, muito embora que, por suas características, propriedades e natureza, ainda seja possível identificar este fruto como maçã e não qualquer outro fruto. Quando mordemos um pedaço da maçã, ali tem uma fração, a fração é parte da maçã, mas deixou de ser parte integrante dela e, depois de digerida, a fração é dissolvida em moléculas que evidentemente deixaram de ser o fruto, mas para o John a maçã tornou-se parte de nós, algo que é discutível em termos filosóficos e espirituais, pois é exatamente nisto que se vale os argumentos do vegetarianismo.
A maçã carrega em si a semente, não porque ela a desenvolveu, mas porque a árvore desenvolveu uma flor, que foi fertilizada, para então desenvolver o fruto, dentro do qual fica a semente que, caindo ao solo, pode dar origem a outra macieira, mas isso é biologia e botânica, o que é totalmente distinto de analogias e figuras metafóricas. A maçã apenas porta a semente porque era parte da macieira, a semente é uma macieira em potencial, mas não é a maçã nem a mesma macieira.
Esse é o problema quando não nos atemos ao significado, conceito e uso das palavras. Ainda que levemos em consideração que existam formas diferentes de observar algo, mudando o foco, o alcance ou a correlação entre o objeto, o ambiente e o observador, não se pode mudar a natureza daquilo que se observa. Tal como nos quadros de Magritte, a imagem de um chapéu não é um chapéu, a imagem [arquétipo] de uma maçã não é uma maçã. Nós não podemos alterar a essência das coisas com mera retórica, como bem explicita Geoffrey Chaucer: "A casa é pequena, mas, como vocês estudaram filosofia, devem estar acostumados, com seus argumentos sutis, a transformar lugarzinhos de vinte pés em recintos com uma milha de largura. Se o que ofereço não bastar, criem espaço com o palavreado, como de hábito".

Quando tratamos de assuntos espirituais e religiosos, palavras e definições precisam ser claras e concisas, fazer alegações sem fundamento ou base nos conduz a afirmações esdrúxulas como “a Wicca é uma filosofia de vida” ou de que os Deuses são meros arquétipos. Isto esvazia o próprio sentido de qualquer forma de espiritualidade e religiosidade, isto esvaziaria o próprio sentido de estarmos dialogando sobre os Deuses, nossas práticas e crenças.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A senhora do jardim

Digite no oráculo virtual [Google] o nome de Semíramis e o leitor encontrará diversas páginas cheias de neurose e paranoia fundamentalista cristã, especialmente por parte do ramo Protestante e Neopentecostal que ainda se escandaliza com e nega as raízes pagãs do Cristianismo.
A enciclopédia virtual [Wikipedia] é bem suscinta quanto a esta rainha mítica:
Semíramis, também conhecida como Shammurāmat foi uma rainha mitológica que segundo as lendas gregas e lendas persas reinou sobre a Pérsia, Assíria[1] , Armênia, Arábia, Egito e toda a Ásia, durante mais de 42 anos, foi fundadora da Babilônia e de seus jardins suspensos.
A página do Edukavita comenta a mitologia de forma mais abrangente:
Sammu-Ramat (reinou 806-811 A.C.) foi a rainha regente do Império Assírio, que ocupou o trono para seu filho Adad Nirari III até que ele atingiu a maturidade. Ela também é conhecida como Shammuramat, Sammuramat e, principalmente, como Semiramis. Esta última designação, "Semiramis", tem sido a fonte de controvérsia considerável para mais de um século, como estudiosos e historiadores discutem se Sammu-Ramat foi a inspiração para os mitos relativos a Semiramis, se Sammu-Ramat governou até a Assíria e se Semiramis existiu como uma personagem histórica real. O debate vem acontecendo há algum tempo e não susceptível de ser conclui uma maneira ou outra num futuro próximo mas, ainda assim, parece possível que sugerem a possibilidade que as lendas de Semiramis eram, na verdade, inspirado o reinado da rainha Sammu-Ramat e tem sua base, se não em seus atos reais, então pelo menos na impressão ela fez sobre o povo de seu tempo.
Semiramis, recebendo a palavra da revolta da Babilônia
Souza-Ramat foi esposa de Shamshi-Adad V (reinou 823-811 A.C.) e, quando ele morreu, ela assumiu a regra até Adad Nirari III atingiu a maioridade – momento em que ela passou o trono para ele. De acordo com o historiador Gwendolyn Leick, "esta mulher alcançado notável fama e poder em sua vida e além. De acordo com relatos contemporâneos, ela teve uma influência considerável na corte Assíria"(155). Isso explicaria como ela foi capaz de manter o trono após a morte do marido. As mulheres não foram admitidas para posições de autoridade no Império Assírio e para ter uma mulher governante teria sido impensável a menos que essa mulher em particular tinha poder suficiente para alcançá-lo.
Reinado do Sammu-Ramat pode ter sido tão impressionante que lendas cresceram maior e maior até que os eventos reais foram esquecidos.
Tão impressionante foi o seu reinado que, se um aceita-la como o modelo de Semiramis, ela mais tarde iria ser lembrada pelos gregos, assírios, armênios e outros como um semi divino sendo que nasceu dos deuses e foi criado por pombas. A fonte primária para os contos sobre Semiramis vem do historiador grego Diodorus Siculus (c. 90-30 A.C.) que citou um trabalho anterior por Ctésias (c. 400 A.C.) que é agora perdida, embora ela também é referida por Heródoto e Estrabão, e muitas lendas sobre ela tem sido preservado por outros escritores tais como Polyaenus, Plutarco, Justinus e Eusébio, entre outros. Uma famosa passagem de Plutarch refere-se: "Semiramis construiu um monumento para si mesma, com a seguinte inscrição: O Rei quer tesouro, se ele abrir o túmulo, ele pode ser satisfeito. Darius, abrindo-o, portanto, encontrado nenhum tesouro, mas uma outra inscrição desta importação: se você não era uma pessoa má e da avareza insaciável, não incomodaria as mansões dos mortos ". Eusébio faz referência o escritor babilônio Berossus, queixando-se de que os gregos atribuído a Semiramis projetos de edifício grande, ela não tinha mão, enquanto Polyaenus referências inscrições dela testemunhando suas façanhas e a construção das "paredes inexpugnáveis" de suas cidades.
Mesmo antes da época em que Diodoro escreveu, Semiramis foi associado com Inanna/Ishtar, Astarte e divindade em geral. Ela era reverenciada pelos assírios e vilipendiada pelos armênios (possivelmente por causa de uma campanha militar bem sucedida liderou contra eles), mas era geralmente tido em alta consideração até a vinda do Cristianismo quando ela, como Ishtar, Astarte, Afrodite e outros deuses antigos caiu fora do favor com a nova fé. Tornou-se famoso no século XIX CE pelo livro de propaganda anti-católica, O dois Babylons, pelo ministro cristão Alexander Hislop que ela ligado a prostituta da Babilônia no livro de Apocalipse 17 (embora ela nunca é mencionada pelo nome no Apocalipse, e nenhuma variação possível sobre o seu nome é mencionada na Bíblia negativamente). Embora tudo isso possa ser verdade, a identificação do Sammu-Ramat com Semiramis tem sido desafiada várias vezes desde o final do século XIX CE. Os historiadores dividem-se em se Sammu-Ramat já governou Assíria, se seu reinado deu à luz a figura de Semiramis, e se ela realmente cumpriu qualquer coisa em tudo; devido a isto e sua identificação com a narrativa bíblica em Apocalipse, ela continua sendo uma das figuras mais controversas da história antiga.
O reinado histórico do Sammu-Ramat
Shamshi-Adad V era filho do rei Shalmaneser III e neto de Asurbanipal II. Seus reinados bem sucedidos e campanhas militares que forneceram Shamshi-Adad V com a estabilidade e recursos para começar seu próprio reinado bem sucedido se não fosse pela rebelião de seu irmão mais velho. O filho mais velho de Shalmaneser III, Ashur-danin-pal, aparentemente cansou de esperar que o trono e lançou uma revolta contra Shalmaneser III a.c. 826. Shamshi-Adad V ficou do lado do seu pai e esmagou a rebelião, mas isso levou seis anos para realizar. Quando o que Ashur-danin-pal foi derrotado, grande parte dos recursos que tinha à sua disposição Shamshi-Adad V tinham desaparecido, e o Império Assírio foi enfraquecido e instável.
Estela do rei Shamshi-Adad V
É neste momento que Sammu-Ramat aparece dentro do registro histórico. Não se sabe em que ano ela casou com o rei, mas, quando o marido morreu e ela assumiu o trono, ela foi capaz de fornecer a nação com a estabilidade de que precisava. Os historiadores têm especulado que, desde os tempos pareciam tão incertos ao povo da Assíria, o bem-sucedido reinado de uma mulher iria ter engendrado uma espécie de Estupefação maior do que a de um rei porque então sem precedentes. Ela foi forte o suficiente para ter seu próprio obelisco inscrito e colocado em destaque na cidade de Ashur. Ele lê:
Estela de Sammuramat, rainha de Shamshi-Adad, rei do universo, rei da Assíria, mãe de Adad Nirari, rei do universo, rei da Assíria, Nora de Salmanasar, rei das quatro regiões do mundo.
O que exatamente Sammu-Ramat fez durante o seu reinado é desconhecida, mas parece que ela deu início a uma série de projetos de construção e pode ter levado pessoalmente as campanhas militares. De acordo com o historiador Stephen Bertman, antes da morte de Shamshi-Adad, Sammu-Ramat "tomou a extraordinária de que acompanha o marido pelo menos uma campanha militar, e ela é mencionada com destaque em inscrições reais" (102). Após sua morte, ela parece ter continuado a liderar tais campanhas de si mesma, embora, como muito mais em seu reinado, tem sido questionada. Tudo que ela fez, estabilizou o Império depois da guerra civil e desde que o filho com uma nação considerável e segura quando ele subiu ao trono. É conhecido que ela derrotou os medos e anexou a seu território, pode ter conquistado os arménios e, de acordo com Heródoto, pode ter construído os aterros na Babilônia, no Rio Eufrates, que foram ainda famosos em sua época. O que ela fez, no entanto, fundiu-se com o mito nos anos após seu reinado. Os historiador Susan Wise Bauer comentários sobre isto, escrevendo:
A princesa da Babilônia Sammu-Ramat entrou no lugar de poder. Uma mulher no trono Assírio: isso nunca tinha sido feito antes, e Sammu-Ramat sabia disso. A estela que ela construiu para si mesma é em algumas dores para ligá-la ao todo rei assírio disponível. Ela chama-se não só a rainha de Shamshi-Adad e mãe de Adad-Nirari, mas também "Nora de Salmanasar, rei das quatro regiões". Preensão do Sammu-Ramat no poder foi tão marcante que é ecoado na distante memória histórica de um povo que acabava de chegar na cena. Os gregos se lembrou dela, dando-lhe o nome grego Semiramis. O historiador grego Ctésias diz que ela era a filha de uma deusa-peixe, gerada por esses pombos, que se casou com o rei da Assíria e deu à luz um filho chamado Ninyas. Quando o marido morreu, Semiramis traiçoeiramente reivindicou o trono. A história antiga preserva um eco do nome de Adad-Nirari em Ninyas, o filho da lendária rainha; e não é a única história de dica que Sammu-Ramat tomou o poder em uma forma não exatamente bem transparente. Outro historiador grego Diodoro, conta-nos que Semiramis convenceu seu marido a dar o seu poder só por cinco dias, para ver o quanto ela pode gerenciá-lo. Quando ele concordou, ela teve de executá-lo e tomou a coroa para o bem (349).
Suas campanhas militares e construção de projetos, bem como sua administração capaz do governo, fez essa impressão sobre as pessoas da época que ela cresceu em estatura tornar-se maior que a vida. O historiador Estrabão escreveu que, "as obras de Semiramis são apontadas ao longo de quase todo o continente, terraplanagem, tendo seu nome, paredes e fortalezas, aquedutos e estradas da escada, como sobre montanhas, canais, estradas e pontes" (xvi.1.2). Comentários de Heródoto a respeito de ela tem o mesmo tom de voz, e Diodoro, claro, alegou que ela estava divina. Tudo que isto está documentado pelos antigos, apesar de historiadores modernos afirmam que ela pode não ter feito nada em tudo, não pode ter existido, ou aquele Sammu-Ramat não tem nada a ver com o mítico Semiramis. Escreve o historiador Wolfram von Soden, "que Sammu-Ramat, o Semiramis da literatura grega, foi temporariamente regente após 810 A.C. não pode, no entanto, ser provado" (67). Von Soden não está sozinho neste parecer, mas outros historiadores, como Bauer, são tão inflexível em suas reivindicações para o oposto. Parece claro, no entanto, devido às semelhanças e identificações nas antigas histórias entre uma rainha assíria que conquistou os medos e os armênios e Semiramis como uma guerreiro-rainha assíria, que o mito de Semiramis cresceu das realizações de uma mulher de verdade histórica, e aquela mulher era Sammu-Ramat.
O reino mítico de Semiramis
De acordo com Diodoro, Semiramis foi concebido quando Afrodite tornou-se irritado com a deusa peixe Derceto da cidade de Ascalon (na Síria) e "inspirou em uma paixão violenta por uma certa juventude bonita entre seus devotos; e Derceto entregou-se para o sírio e teve uma filha, mas depois, cheio de vergonha seu ato pecaminoso, ela matou a juventude e expostos a criança em uma região de deserto rochosa, enquanto quanto a mesma, de vergonha e tristeza, ela se jogou no lago e foi mudada da forma do seu corpo em um peixe"(4.2). A criança teria morrido, mas um bando de pombas veio em seu auxílio e alimentados com seu leite de seus bicos, que eles tiraram de assentamentos nas proximidades e, mais tarde, eles também alimentados com o queijo. Se aquecer o bebê envolvendo-se em torno dela. Os agricultores, percebendo a perda de seu queijo e leite, eventualmente foram procurar a causa e encontraram a um ano de idade no lago rodeado de pombas. Ela foi levada para casa por um fazendeiro chamado Simmas, que chamou seu Semiramis que, de acordo com Diodoro, significa "pombas".
Ela se transformou em uma bela jovem que foi tão amplamente conhecida por sua inteligência e graça quanto a sua aparência. Um dia, o governador da Síria, um homem chamado Onnes, visitou a fazenda, a viu e se apaixonou com ela. Ele pediu a mão em casamento Simmas e foi concedido. Diodoro escreve, "E desde que as outras qualidades de Semiramis estavam em consonância com a beleza do seu semblante, descobriu-se que seu marido tornou-se escravizado por ela, e desde que ele não faria nada sem seus conselhos ele prosperou em tudo" (5.2). Onnes avançado sua carreira e a posição na corte através de seguir o Conselho de sua esposa, até que ele estava entre os mais confiáveis conselheiros do rei.
Neste momento o rei, Ninus, iniciou uma campanha militar contra a Bactriana e tomou todas as cidades pela tempestade, exceto o que ele mais queria: Bactra. Ele sitiou a cidade, mas as defesas foram tão fortes que ele não poderia prevalecer contra ela. Após o cerco tinha ido por algum tempo, Onnes pensado para consultar com Semiramis sobre o problema e ver se ela poderia encontrar uma solução. Diodoro escreve:
Mas quando o cerco estava provando um caso do marido de Semiramis, que estava enamorado de sua esposa e estava fazendo a campanha com o rei, enviou para a mulher. E ela, dotado como ela era com compreensão, ousadia e todas as outras qualidades que contribuem para a distinção, aproveitou a oportunidade para exibir sua capacidade nativa. Em primeiro lugar, em seguida, uma vez que ela estava prestes a em uma jornada de muitos dias, ela criou uma vestimenta que o tornava impossível distinguir se o utente de era um homem ou uma mulher. Este vestido foi bem adaptado às suas necessidades, no que se refere a viajar no calor, para proteger a cor de sua pele e sua conveniência em fazer o que quer que ela queira fazer, uma vez que foi bastante flexível e adequado para uma pessoa jovem e, numa palavra, era tão atraente que em tempos mais tarde os medos, que eram então dominantes na Ásia, sempre usou o traje de Semiramis, assim como os persas atrás deles. Agora quando Semiramis chegou em Bactriana e observar o progresso do cerco, ela observou que era nas planícies e nas posições que foram facilmente assaltadas que ataques foram sendo feitas, mas que ninguém alguma vez agrediu a Acrópole por causa de sua posição forte e que seus defensores tinham deixado seus postos lá e estavam vindo de ajuda aqueles que eram difíceis pressionado nas paredes abaixo. Conseqüentemente, levando com ela tais soldados como estavam acostumados a escalando até alturas rochosas e inventando a caminho com eles através de uma ravina certas difícil, ela tomou parte da Acrópole e deu um sinal para aqueles que estavam sitiando a parede para baixo na planície. Então, os defensores da cidade, com terror para a apreensão da altura, deixaram as paredes e abandonaram toda a esperança de salvar a mesmos (6,5-8).
A cidade caiu para Ninus e ele pediu Onnes como tinha sido cumprida. Quando Onnes introduzida Semiramis ao Rei ele estava espantado com as habilidades dela e apresentado a ela e Onnes com muitos presentes e honrarias. Em breve, no entanto, ele caiu no amor com ela e, como Diodoro refere-se, Ninus "tentou convencer seu marido ceder-lhe a-lo de sua própria vontade, oferecendo em troca este favor para dar-lhe a sua própria filha Sosanê a mulher. Mas quando o homem levou a sua oferta com graça doente, Ninus ameaçou colocar para fora os olhos dele, a menos que ele vez aderir aos seus comandos. E Onnes, em parte por medo das ameaças do rei e em parte de sua paixão pela mulher dele, caiu em uma espécie de frenesi e loucura, colocar uma corda em seu pescoço e enforcou-se. Tais, em seguida, foram as circunstâncias em que Semiramis alcançou a posição de rainha"(6,9-10).
Uma vez que ela se tornou rainha, ela constantemente adquiriu maior poder através da conquista militar e projetos de construção. Nino morreu, e Semiramis enterrá-lo debaixo de uma pilha grande, às margens do Rio Eufrates (um túmulo que Diodoro afirma que ainda pode ser visto em sua época). Então, ela fundou a cidade da Babilônia, construídos dois enormes palácios ligados por um túnel subterrâneo, aterros para segurar o rio da inundação da cidade e então prosseguiu de lá para as campanhas militares. Tem-se observado por muitos historiadores que conta dos Diodoro de sua campanha contra a Índia tem muitas semelhanças com as de Alexander o grande e a conquista dos medos da mesma forma. Não querendo ser dominado por outro homem, ela tomou uma série de amantes dos homens mais bonitos em seu exército. Ela dormiria com eles e eles têm executado na manhã seguinte ou, segundo outros relatos, enterrado vivo no dia seguinte. Em todas as suas excursões militares, ela mostrou-se brilhantemente engenhoso (como criar os falsos elefantes para sua campanha de Índia) e tão cruel como qualquer rei assírio. No final do seu reinado, ela governou todos da Anatólia, Mesopotâmia e Ásia Central. Ela morreu com a idade de 62, tendo governado durante 42 anos e virou uma pomba, que voou para o céu. Conta outra, que é aludida por Diodoro, é que, após sua morte, as pombas que tinham ajudado em sua juventude voltou e levaram ela para o céu.
A controvérsia

Se alguém crê que o mítico Semiramis teve algo a ver com o reinado de Sammu-Ramat depende inteiramente que o historiador e qual primário fontes um optar por aceitar. Depois de escrever sobre Semiramis de 20 capítulos, Diodoro conclui a história dela, afirmando, "Tal, então, são as contas conflitantes que podem ser encontradas nos historiadores sobre a carreira de Semiramis" (20,5). A mesma instrução poderia ser feita hoje sobre historiadores modernos. Sir Henry Rawlinson (CE 1810-1895), considerado "o pai da Assiriologia", começou a trabalhar para decifrar a inscrição de Behistun em 1835 CE. Esta inscrição, sobre uma alta falésia, havia sido mencionada por historiadores antigos tais como Ctésias (fonte primária dos Diodoro para a história de Semiramis) como tendo sido decretada por Semíramis da Babilônia (na verdade foi decretado mais tarde, por Dario, o grande, em c. 522 A.C.). Rawlinson, ao que parece, é o primeiro historiador moderno deve ter ligado Semiramis com Sammu-Ramat na tentativa de encontrar uma rainha assíria histórica sobre quem foi baseado no lendário Semiramis. Ele então vinculando 'Ctesias reclamar sobre a inscrição de Behistun com uma pessoa histórica real e foi a partir daí para as inscrições nos anais assírios da rainha regente, que governou 806-811 A.C. e liderou campanhas militares com a figura de Semiramis. Os historiadores depois Rawlinson têm também argumenta a favor ou contra sua pretensão, muitos citando precisamente as mesmas fontes antigas para seu argumento. Um componente complicador na controvérsia vem de passagens na Bíblia que, para alguns, link Semiramis com narrativas bíblicas.
Tem-se observado que o nome "Shemiramoth" aparece na Bíblia em I Crônicas 15:18, 15:20-24, 16:5 e II Crônicas 17:8. Em eu crônicas o nome aplica-se a um músico templo enquanto em II Crônicas de um professor da lei. Isto sugere que alguns historiadores que uma divindade semítica pelo nome de Shemiram (uma versão de Astarte) foi venerada na região de Ascalon na Síria (um site conhecido para a veneração de Astarte) Levant para Israel e transversalmente à Armênia e Pérsia e esta deusa, então, é referenciada na Bíblia. O nome na Bíblia, "Shemiramoth", seria traduzido, de acordo com esta teoria, como "imagens de Shemiram" ou "coisas de Shemiram", e certamente o direito (como mencionado acima) e a música foram pensados para ter sido dada à humanidade como presentes dos deuses. Semiramis, portanto, seria Astarte e o indivíduo – ou indivíduos – mencionados na Bíblia poderia estar ligados a ela. A teoria não explica, no entanto, por que uma deusa pagã seria referenciada tão neutra na Bíblia, quando todos os outro alusão a tais deidades é negativo. Também não explica por que o "Shemiramoth" nas passagens citadas alude a um levita que teria tido nada a ver com uma deusa mesopotâmica. Também não conta para a possibilidade de que o grego Semiramis não tem nada a ver com a Shemiramoth da Bíblia.
Astarte
Mais complicando a identificação do Sammu-Ramat com Semiramis (e apresentando-se, também, um excelente exemplo de propaganda-como-história) é o CE de 1858 para reservar O dois Babylons por Alexander Hislop (CE 1807-1865). Hislop foi um ministro da igreja livre da Escócia, que acreditava que a Igreja Católica era um culto satânico e escreveu seu livro para provar que esta "verdade". O livro alega que Semiramis era a esposa do rei bíblico Nimrod e mãe de Tammuz e a liga diretamente com a prostituta da Babilônia do livro de Apocalipse 17. A Bíblia nunca menciona Semiramis em qualquer conexão com Nimrod. Leituras de Gênesis 10:8, "e Cush gerou Nimrod" mas não faz menção da mãe do Nimrod em tudo. Embora deva ser claro para qualquer pessoa com o mesmo um conhecimento de passagem da Bíblia e da Mesopotâmia história que o trabalho não é nada mais do que a propaganda anti-católica, ainda é citado como uma autoridade em história antiga por determinados sites cristãos protestantes e em versão impressa (como, por exemplo, na anti-católica ataque na Páscoa no site A verdade sobre a Páscoaencontrado na bibliografia abaixo). A insistência por estes escritores cristãos sobre Semiramis como a prostituta da Babilônia e arqui-inimigo do bem mais distancia-la uma conexão inicial com uma rainha assíria real..--uma distância já referido nos escritos anteriores que mantêm a divindade Semiramis.
As histórias de apetite sexual Semiramis e o triste destino de seus muitos amantes está muito perto de contos sobre Ishtar/Inanna/Astarte, e sua associação com pombas e Ascalon identifica-la definitivamente com Astarte. Isto sugere que alguns historiadores que não há nenhuma necessidade de procurar qualquer figura histórica para a lenda de Semiramis e que "a procurar um protótipo histórico para ela é tão tolo a ponto de buscar tal um protótipo para Hércules ou Romulus" (R. Bedrosian, 3). Outros historiadores discordam, alegando que, "temos que ver a importância da rainha Sammu-Ramat, que foi a inspiração para o lendário Semiramis... ela permaneceu tão influente no reinado de seu filho de Adad-Nirari III que inscrições oficiais mencionados os dois como agindo juntos" (Van De Mieroop, 244-245). Mesmo que Sammu-Ramat nunca pode ter envolvidos em qualquer das façanhas atribuídas a Semiramis, é possível que o reinado da rainha histórica foi tão impressionante que deu a luz a lendas que cresceu maior e maior, como eles foram disse e re-disse até que, finalmente, que os eventos reais foram esquecidos em favor a figura maior do que a vida do mítico Semiramis. Este padrão na história da Mesopotâmia já é conhecido através do gênero literário conhecido como "naru literatura", que parece ter se originado por volta de 2000 A.C.. Na literatura de naru, um escritor leva a uma figura histórica bem conhecida e re-imagina ele ou ela em situações que nunca existiam a fim de criar uma história envolvente que seriam entreter e iluminar uma audiência. Este mesmo padrão é visto em outras culturas antigas e mesmo os mais recentes. Um exemplo comparável, embora em escala menor, pode ser visto na história de Estados Unidos do século XIX D.C., onde a figura histórica real de David Crockett (1786-1836 CE) foi transformada pelo escritor CE de 1831 de James Kirke Paulding, O leão do oeste, no jogo Davy Crockett o herói popular. David Crockett não poderia executar os tipos de proezas incríveis Davy Crockett era capaz de, mas o último foi baseado na vida do antigo. Desta mesma forma, os mitos do Semiramis semi divino eram provavelmente inspirados na vida da rainha Sammu-Ramat da Assíria.
Autor:  Joshua J. Mark, no artigo "Sammu-Ramat e Semiramis – a Inspiração e o Mito", publicado no Edukavita.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Os quatro teóricos modernos

Quando alguém desperta a curiosidade e tem interesse no Ofício, esta pessoa certamente deve ler e estudar ao menos quatro teóricos da Era Moderna. Francis Barrett, Eliphas Levi, Papus [Gérard Anaclet Vincent Encausse] e sir James Frazer.
Da enciclopédia virtual, o Wikipédia:

Francis Barrett (Londres, 1770 - 1780) foi um ocultista inglês. Barrett segue as tradições medievais que chegaram a ele, através de outras regiões da Europa e Oriente, muitas delas de forma oral. Tomam como base de suas práticas as instruções e manuscritos do Abade Tritemo e Cornelio Agripa. No ano 1825 aproximadamente forma um seleto grupo de discípulos ou aprendizes de magos em Londres (Inglaterra) para estudar, ampliar e preservar esta tradição.

Éliphas Lévi, (8 de fevereiro de 1810 - 31 de Maio de 1875) - pseudómino de Alphonse Louis Constant - foi um escritor, ocultista e mago cerimonialista francês.
O seu pseudónimo "Éliphas Lévi," sob o qual ele publicava seus livros, resultou de pretender ter neles um nome de origem hebraica associando-o mais facilmente a outros cabalistas famosos.
O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho de um modesto sapateiro. Tinha uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha que ele. Desde sua infância demonstrava um grande caráter de seu talento para o desenho; seus pais introduziram-no ao ensinamento religioso.
Depois disso, aos dez anos de idade ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em Lille, onde aprendeu o catecismo com o seu primeiro mestre, o abade Hubault, que fazia seleções dos garotos mais inteligentes. Eliphas Levi foi encaminhado por Hubault ao seminário de Saint-Nicolas Du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios. A vida familiar para ele havia acabado neste momento. No seminário, teve a oportunidade de aprofundar-se nos estudos da filologia, e quando completara seus dezoito anos já era apto para ler a Bíblia no seu contexto original.
No ano de 1830, foi transferido para o seminário de Issy para estudar filosofia. Dois anos depois, ingressou em Saint-Sulpice para estudar teologia. Foi nesse tempo que esteve em Issy que escreveu seu primeiro drama bíblico, Nemrod. No seminário de Saint-Sulpice criou seus primeiros poemas religiosos, considerados de demasiada beleza.
Eliphas Levi foi ordenado diácono em 19 de dezembro de 1835. Em maio de 1836, teria sido ordenado sacerdote, se não tivesse confessado ao seu superior o amor por Adelle Allenbach, cuja primeira comunhão com ele havia realizado. Suas convicções receberam um choque tão grande, que Levi sentiu-se jogado fora da carreira eclesiástica.

Gérard Anaclet Vincent Encausse (Corunha, Espanha, 13 de Julho de 1865 — Paris, França, 25 de Outubro de 1916), mais conhecido pelo pseudônimo de Papus, foi um médico, escritor, ocultista, rosacrucianista, cabalista, maçom e fundador do martinismo moderno.
Discípulo de Joseph Saint-Yves d’Alveydre (1842-1910), um iniciado da Igreja Gnóstica e frequente investigador de muitos grupos ocultos de seu tempo. Um dos mais famosos ocultistas da virada do século, ele foi o fundador da Escola Hermética em Paris, que atraiu muitos estudantes russos e dirigiu revista francesa de ocultismo, L’Initiation. Papus também foi o cabeça de duas sociedades esotéricas, a L’Ordre du Martinisme e a L’Ordre Kabbalistique de la Rose-Croix.
Papus, juntamente com Oswald Wirthe Stanilas de Guaita,sonharam em unir os ocultistas de todo lugar numa fraternidade Rosacruniana reavivadade, uma ordem oculta internacional em que eles esperavam que o Império Russo desempenharia um papel de líder como ponte entre o Leste e o Oeste.
Filho de pai francês, o químico Louis Encausse, e de mãe espanhola, de origem cigana, a senhora Irene Perez, desde 1869 passou a viver com a família no bairro de Montmartre, em Paris. Estudou primeiramente no colégio Rollin e, depois, com 17 anos, começou a freqüentar a Faculdade de Medicina de Paris, onde se graduou com sua tese de doutorado sobre moléstias nervosas, um verdadeiro tratado sobre o assunto.
Teve sua crise de materialismo ainda nos tempos de faculdade, e o contato mantido com alguns membros de diversas ordens ocultistas, dentre eles Stanislas de Guaita, transformou a mera curiosidade em legítimo e profundo interesse pelos assuntos do Ocultismo. Teve como seu iniciador o Marquês Saint-Yves d'Alveydre, que herdou os documentos de um dos principais fundadores do ocultismo francês, Antoine Fabre d'Olivet.
Ainda jovem, começou a estudar os segredos ocultistas, passando horas na Biblioteca Nacional de Paris ou na Biblioteca do Arsenal, analisando os segredos da Alquimia e da Cabala. O nome "Papus" (nome do gênio da medicina no "Nuctemeron", de Apolonio de Tiana) foi adotado por influência de Eliphas Levi, e identifica uma entidade espiritual dedicada à terapia. Em 1882 foi iniciado por Henri Delaage na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, ordem que teria sido fundada por Louis Claude de Saint-Martin, no século XVIII, na França.
Em 1888, Encausse, Saint-Yves e de Guaita juntaram-se com Joséphin Péladan e Oswald Wirth para fundar a Ordem Cabalística da Rosacruz. Encausse foi ainda o fundador do Grupo de Estudos Esotéricos e o editor das revistas L'Initiation e Le Voile d'Isis.
En 1891, Encausse afirmou estar na posse dos documentos originais de Martinez de Pasqually, e com eles fundou uma ordem maçônica de martinistas denominada Ordem dos Superiores Desconhecidos ou, simplesmente, Ordem Martinista. Assegurava que tinha sido iniciado no Rito de San Martín pelo seu amigo Henri Delaage, o Visconde de Laage (que afirmava que o seu avô materno tinha sido iniciado na ordem pelo próprio Saint-Martín). A Ordem Martinista converteu-se no principal feito de Encausse, e continua vigente na atualidade como um dos seus legados mais perduráveis. Em 1893, Encausse foi consagrado bispo da Igreja Gnóstica de França por Jules Doinel, o qual tinha fundado esta Igreja em 1890 com a intenção de fazer reviver a religião dos cátaros. Em 1895, Doinel abdicou como Primado da Igreja Gnóstica francesa, deixando o controle da mesma a um sínodo de três bispos, um dos quais era Encausse. Durante este período (1894, 1895), Encausse esteve filiado na Sociedade Teosófica. Em Março de 1895, filiou-se ao Templo da Golden Dawn Ahathoor de Paris, e em 1897 fundou a Sociedade Alquímica de França, juntamente com Saint-Yves d'Alveydre, Jollivet Castelot, de Guaita e outros.

James George Frazer (1 de Janeiro de 1854, Glasgow, Escócia — 7 de Maio de 1941, Cambridge), foi um influente antropólogo nos primeiros estágios dos estudos modernos de mitologia e religião comparada.
Frazer estudou na Universidade de Glasgow e no Trinity College, da Universidade de Cambridge. Foi nesta última instituição que ele escreveu sua obra mais importante, The Golden Bough; a Study in Magic and Religion ("O ramo de ouro", 1890).
"O ramo de ouro" é uma obra alentada (12 volumes na edição final, concluída em 1915), onde o autor faz um estudo comparativo dos mitos e do folclore de várias sociedades, e levanta a tese de que o pensamento humano evoluiu de um estágio mágico para outro religioso, e daí para um nível científico. Esta tese foi logo refutada por outros antropólogos, mas a distinção feita por Frazer entre magia e religião, ainda é aceita: na magia, o utilizador tenta controlar através de "técnicas" o mundo e os acontecimentos, enquanto que na religião, ele requisita o auxílio a espíritos e divindades.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A fera que grita

Maldito seja o Porquê e todos seus semelhantes.
Quando a Vontade cessa e evoca Por Que, a Vontade se detém e nada faz.
Quando o Poder pergunta Por que, diminui o Poder.
Há na razão uma mentira, pois há um fator infinito e desconhecido, todas as palavras deles são sábios desvios.
Basta de Por Que, seja ele condenado!
Por Que é um cão, juntando-se, faz tanto barulho quanto uma alcateia.
Ouça a Vontade, que coisa alguma o detenha.
Faça a Vontade, ali não há dúvida.
Onde não há dúvida, reside o Poder.
O Poder executa a Vontade, sem perguntar.
Questões são como animais de estimação.
O homem as cria e apega-se a elas.
Subserviente, a questão cativa o cuidado de seu mestre e traz aos pés de seu senhor o corpo morto da presa da questão.
O homem vê o cadáver entregue e acredita ali haver uma resposta, mas o que jaz é o Conhecimento.
Basta! Deixe o Conhecimento viver, não mande suas dúvidas cercarem e mata-lo.
O Conhecimento está naquilo que pulsa, não no objeto inanimado.
Homem, levante o véu da matéria que este é o disfarce de Maya, enfrente o labirinto com o fio da Vontade e encontre o corpo da Verdade montada sobre o Touro.
A Verdade está nua e copula com o Touro, aqui não há lugar para Por Que.
O lugar do Por Que é no cemitério, pilhando os ossos dos antigos sábios mortos.
Não há coisa alguma no deserto, exceto esterilidade.
Naquilo que não tem vida, habita a mentira.
Homem, se queres entrar na Verdade, torna-te Dionísio, seja a Besta e deixe Babalon consumir suas dúvidas.
[Recriação livre a partir de um trecho do Liber Al Vel legis]

terça-feira, 19 de abril de 2016

O homem mais perverso

O Paganismo Moderno está querendo reabilitar Satan, mas eu não vejo qualquer tentativa de, primeiro, reabilitar aquele cujo gênio tornou possível o reaparecimento da Magia, do Esoterismo e do Ocultismo na Era Moderna: Aleister Crowley.
Recorrendo ao oráculo virtual [Google] eu obtive textos que falam melhor do que eu sobre ele que nós devemos considerar o “tio” da Wicca.

Legado do 666
Por Marcos Torrigo
Todos já ouviram falar da Besta 666, o Anticristo, Lúcifer, o Demônio, e todo o mal vinculado a estas figuras. O que poucos pessoas sabem é que um homem se intitulou "A Besta 666". A primeira idéia que pode nos vir à mente é tratar-se de um louco, um facínora, um celerado da pior espécie.
Só que este homem se diz o maior amigo da humanidade, herdou uma imensa fortuna gasta em editar livros que divulgavam sua filosofia libertária, Thelema (que ele dizia vir diretamente dos dirigentes invisíveis da Terra, a Grande Fraternidade Branca), enquanto outra parte foi gasta na criação de um centro de estudos de Magia, na ensolarada Sicília.
O nome deste homem era Edward Alexander Crowley ou Aleister Crowley, como ficou mundialmente conhecido, nascido na Inglaterra, no seio de uma família de abastados cervejeiros. Teve uma educação esmerada em Cambridge e pretendia seguir a carreira diplomática por influência de seu tio. Todos os elementos para uma vida prosaica, tranqüila e feliz se faziam presentes. Mas Crowley, ou talvez a deusa Destino, sonhou algo totalmente diferente. Seus interesses dirigiram-se para o alpinismo e xadrez, mas acima de tudo para a Magia, que se tornou o grande objetivo de sua vida.
Aleister Crowley se dedicou de corpo e alma em desvendar os seus mistérios e segredos, indo a fundo na sua busca, não se limitando por nada, derrubando todas as barreiras, experimentando todas as facetas da alma humana, de todas as formas.
Crowley vivia na Inglaterra Vitoriana, repleta de hipocrisias e falso moralismo (não muito diferente do mundo de hoje em dia), e era natural que todo o empenho, força e dedicação de Crowley a sua meta acabaria por chocar-se com a sociedade da época. Ele foi taxado de pornográfico, depravado, drogado, satanista e mais uma infinidade de rótulos. E, o mais
fantástico de tudo, estes rótulos ilustravam inúmeras atividades que de fato Crowley estava envolvido. Poderíamos encerrar o caso aqui, juntando nos as legiões que detratam a sua memória, mas antes disto cabe abrir um parêntese e falar sobre o que levou este homem a assumir este papel no mundo.
O ano de 1904 foi capital para Crowley, o mistério que iria persegui-lo por toda a vida estava por se revelar, como dádiva e maldição. Ele já era um Magista competente, iniciado na Aurora Dourada, uma das mais importantes Ordens mágicas de todos os tempos.
Nesta época, Crowley estava viajando o mundo. Em março e abril ele estava no Cairo, Egito, em companhia de sua esposa, Rose Kelly. O casal se entregava às alegrias da viagem de núpcias, mas nem por isso Crowley deixava de ser um Mago. Ele faz uma invocação de elementais do ar para sua jovem esposa, e qual não foi a sua surpresa, ao invés dos silfos a mulher começa a balbuciar: Hórus falava através dela. O deus prescreve então uma série de detalhes para um ritual de invocação, o resultado deste Ritual se da nos dias 8, 9 e 10 de abril, nos quais Crowley recebe o Livro da Lei, um poderoso Grimório de instruções mágicas, a Lei da era de Aquário. Crowley se choca com o conteúdo do Livro, mas a força das revelações lá contidas, influenciando eventos históricos de magnitude gigantesca (Primeira e Segunda guerras mundiais, por exemplo), deixou fora de dúvida a veracidade, beleza e poder do Livro da Lei.
Ditado por uma entidade de nome Aiwaz (que mais tarde Crowley associou a seu Eu superior). Nele, a Lei da nova era é sintetizada na frase Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei, e tem como contraponto e complemento Amor é a lei, amor sob Vontade.
Sua filosofia mágica é sempre pautada pelo autoconhecimento, e fica claro que para nos tornarmos senhores de algo precisamos conhecê-lo, vivenciá-lo. O ser humano como divino é outro postulado Thelêmico, Todo homem e toda Mulher é uma estrela, ou seja, tem sua órbita e papel no universo e deve ser respeitado pelo simples ato de existir, mas não entendamos este respeito como piedade, mas sim como um ecossistema, onde cada parte cumpre a sua função.
Crowley, ao se colocar como a Besta do Apocalipse, está trazendo novamente a era dos homens deuses, onde a alegria a força se contrapõe à dor e fraqueza, Não seguimos ou adoramos um deus sofredor e morto numa cruz mais sim um homem deus que venceu a morte. O 666 é associado a Lúcifer e este, por sua vez, a Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para que os seres humanos pudessem se tornar deuses.
Uma das definições de Crowley sobre o mal é esta: Primeiramente, por Mal queremos significar o que está em oposição com nossas próprias vontades; é então um termo relativo, e não absoluto. Pois tudo o que é o grande mal de um é o maior bem de outrem, assim como a dureza da madeira, que estafa o lenhador, é a segurança daquele que se aventura no mar num barco construído com aquela madeira.
Crowley criou uma série de potentes Rituais para se autoconhecer e travar contato com inúmeras entidades, Deuses, Anjos e Demônios, sem falar em uma gama de símbolos de Poder e palavras de passe. Através destes Rituais, as pessoas entram em um novo universo (na verdade os abismos e alturas de seu próprio ser). Um bom exemplo é um Ritual chamado a Marca da Besta, uma alusão à marca recebida por Caim. Este ritual traz as energias do Novo Aeon ao praticante, quebrando uma série de condicionamentos e preenchendo-o com a energia dos quatro elementos encimados pelo Espírito. Um portal é aberto, um portal para a vida.
Os Rituais sexuais aprendidos na O. T. O. (Ordem dos Templários Orientais) muito influenciaram Crowley, (sem esquecer das contribuições de To Mega Therion a estes Rituais) e grande parte da Magia Thelêmica usa o sexo direta ou indiretamente.
O uso de práticas homossexuais também é licito e para tal remetemos o leitor ao trabalho de Karl Gustav Jung, onde a Anima (Animus) aparece em sonhos no sexo oposto ao da pessoa e o self justamente surge como uma representação do mesmo sexo.
A união sexual como uma forma de união ao divino, dois que se tornam um. Que ele retorne ao centro, o centro de tudo. O sexo como elemento e pórtico para a transcendência. Então que repita os sinais de L.V.X., mas não os de N.O.X.: pela epifania que ocorreu como resultado dos sinais da Rosa Cruz. Ou seja, o orgasmo magicamente dirigido.
Este ensaio é pequeno demais para abranger o meio século de Crowley dedicado à magia, mas espero ter esclarecido um pouco sobre a sua vida e obra.
[Achado no blog A Casa do bruxo]

O pior homem do mundo
Aleister Crowley
Artista, Poeta, Alpinista e Magista
The London Sunday Dispatch, 18 de Junho de 1933
Se há um assunto que eu deteste é Aleister Crowley. Por outro lado, não há nenhum mistério nisso. Então, se alguém estiver interessado, aqui segue!
Eu tenho sido atingido com longas flechas. Eles têm me chamado de o “pior homem do mundo”. Eles têm me acusado de fazer de tudo, desde assassinar mulheres e atirar seus corpos no rio Sena, até traficar drogas.
Alguns jornalistas famosos tem se deleitado em me atacar na imprensa. James Douglas me descreveu como “um monstro de perversidade”. Horatio Bottomley me condena como um canibal “sujo e degenerado” — tudo que ele pudesse pensar.
ASSASSINANDO MEU SECRETÁRIO
Alguns foram mais precisos.
Em um livro que eu peguei recentemente o autor contou uma fábula de como eu assassinava gatos com terríveis rituais na Sicília.
Alguns jornais irresponsáveis me acusaram de ter assassinado meu secretário!
O valor de todo este absurdo é de certa forma descontado pelo fato de que estou de volta à Inglaterra depois de vagar pela maior parte do mundo, e sigo meu caminho sem interferências.
Nenhuma acusação judicial de qualquer tipo jamais foi feita contra mim.
A lenda diz que o meu dossiê na Scotland Yard ocupa uma sala inteira. Há uma estória de que o Senhor Byng, quando assumiu o comando, viu uma ala do edifício especialmente grande e protegida de maneira bastante incomum.
“O que é isso?”
“Os arquivos sobre Aleister Crowley”.
“Meu Deus do céu!”
“É claro, ainda não guardamos as coisas do último mês. Está um pouquinho congestionado”.
“Veja, isso tem que parar! Não podemos erguer novos edifícios a cada poucas semanas. Feche o registro!”
Ninguém para pra prestar atenção em mim na rua. Minha aparência é, suponho eu, a de um simples senhorio na cidade para um fim de semana.
Toda a minha notoriedade decorre do fato de que eu sou um magista.
EU SOU O MESTRE THERION.
Praticamente toda a minha vida foi gasta no estudo da magia.
DISCUSSÃO TOLA SOBRE MISSA NEGRA
Pessoas tolas dizem que eu sou um Mago Negro, que eu tenho o hábito de celebrar a Missa Negra e o Sabá das Bruxas, que eu como bebês recém-nascidos e exploro o céu montado em um cabo de vassoura.
Eles dizem que Satanás é meu mestre e que eu sou seu fiel agente.
Mas eu sou um mago branco, não um negro. Eu pertenço a uma ordem secreta que tem representantes em todo o mundo; estamos todos trabalhando para o bem da humanidade, não para a sua queda.
Deixe-me acrescentar que para um magista é impossível ser um homem de mau caráter. Ele não se importa com convenções, mas ele precisa das mais austeras virtudes. Seus poderes são limitados por ele próprio.
O homem que, tendo praticado ritos estranhos, torna-se um bêbado ou um drogado, evidentemente é um fracasso como magista. Ele perdeu o controle.
Isso me leva a o que é a magia. O homem comum é inclinado a rir da palavra. Ele diz que é um fantasma das mentes mórbidas e ignorantes das Idades Antiga e Média.
Embora seja supersticioso o suficiente para acreditar em sinais e presságios, em astrólogos e quiromantes, que afirmam ler o destino nas estrelas e nas mãos.
Se pudesse ser mostrada a um inglês de uma ou duas gerações atrás uma pequena caixa preta e fosse dito que, se ele virasse um botão, o Presidente dos Estados Unidos falaria com ele, ele teria rido da ideia.
MAGIA HOJE – CIÊNCIA AMANHÃ
Se alguém pudesse tê-lo convencido de que a voz realmente era a do Presidente, esse inglês teria sido forçado à conclusão de que a caixa preta era mágica.
E, no entanto, sabemos agora que a façanha é bem possível, e que a caixa é apenas um tipo de magia agora revelada ao profano como o “rádio”.
O que é magia hoje será ciência amanhã. Os hinduístas “adoram ídolos”. Sim? Mas o que exatamente eles querem dizer com isso? Como eu mesmo observei: eles obtém resultados muito interessantes de sua “adoração”.
Nós, do ocidente esclarecido, dizemos que a sua adoração é superstição ignorante e os resultados coincidências. Mas nós não estamos na posição do nosso mítico inglês ouvindo o barulho da caixa preta?
SUÁSTICA SOBRE MEU CORAÇÃO
Em meu livro, Teoria e Prática da Magick, será encontrada a definição da palavra magia, ou magick, como prefiro escrevê-la, para distinguir o verdadeiro do falso.
É “a ciência e a arte de fazer com que mudanças ocorram de acordo com a vontade”.
Nós magistas somos homens da ciência que, pela prática de nossa arte, nos mantemos logo à frente do entendimento popular. O resultado é que somos mal compreendidos e injuriados por toda nossa vida.
Depois de estamos mortos — às vezes séculos depois — o mundo se atualiza, e descobre que éramos benfeitores e não vilões.
Estou escrevendo estes artigos como uma explicação da magia. Infelizmente, meu nome é universalmente identificado com o assunto, então eu temo que devo me arrastar para o palco. Deixe-me condensar a minha história pessoal em alguns parágrafos.
Eu nasci em Leamington, Warwickshire, em 12 de outubro de 1875, filho de Edward Crowley, que era um colega de John Nelson Darby, o fundador dos Irmãos de Plymouth.
Ao nascer, eu tinha três dos sinais distintivos de um Buda. Eu tinha a língua presa, eu tinha uma membrana característica que necessitava de uma operação, e sobre o centro do meu coração eu tinha quatro pelos enrolados da esquerda para a direita sob a forma exata de uma suástica.
Antes que Hitler existisse, eu existo.
Na escola eu era apaixonado pela poesia e pela química. Eu tinha um instinto para o xadrez; a experiência provou rapidamente a minha capacidade. Eu nunca perdi para ninguém até que — em Cambridge — eu conheci H. E. Atkins, campeão amador da Grã-Bretanha por sete anos consecutivos.
Foi em Cambridge que eu percebi a futilidade das ambições mundanas. Eu queria ser um poeta e alcançar o maior sucesso possível no serviço diplomático, para o qual o falecido Lorde Salisbury me preparava.
COMUNIDADE SECRETA DE SANTOS
De repente, todas as ambições comuns da vida pareciam vazias e sem valor. O tempo esfarela tudo; devo encontrar material resistente para a construção. Procurei desesperadamente por ajuda, por luz. Eu invadi cada biblioteca e livraria da Universidade.
Um livro me contou de uma comunidade secreta de santos na posse de toda a graça espiritual, das chaves do tesouro da Natureza. Os membros desta igreja viveram a sua vida secreta de santuário no mundo, irradiando luz e amor a todos aqueles que estiveram em seu escopo.
A sublimidade da ideia me encantou; ela satisfez minha paixão pelo romance e pela poesia. Eu determinei com todo o meu coração que me tornaria digno de chamar a atenção dessa misteriosa irmandade.
Então um dos primeiros princípios da magia foi revelado a mim.
Basta querer com toda a sua vontade aquilo que se quer. Você que lê isto — o que quer que você queira, você pode fazer. É apenas uma questão de controlar os meios.
A primeira prova que eu tive dessa capacidade de operar milagres que está latente em todos os homens foi esta: mesmo antes de eu ter emitido o pedido de orientação havia um homem ao meu lado para respondê-lo.
Mas o primeiro chamado: 1896. Em um bar sob a sombra da montanha Matterhorn eu encontrei um alquimista.
Ele é um dos químicos técnicos mais famosos de Londres. Uma de suas façanhas científicas foi a “fixação” do mercúrio (ou seja, torná-lo sólido em temperaturas comuns) e ele fez isso pelos desprezados processos alquímicos da Idade Média.
£ 100.000 PELA MINHA PASSAGEM SÓ DE IDA
Ele era um membro da Ordem Hermética da Golden Dawn, da qual algumas imitações fraudulentas criaram tanto escândalo nos anos posteriores. Através de sua ajuda eu fui iniciado na Ordem, em novembro de 1898.
Eu percebi que eu havia encontrado a chave para o conhecimento e poder ilimitados, que eu havia começado o caminho que possibilitaria ao homem transcender todas as aflições e decepções da vida.
O Caminho! Eu não achava que ele me levaria por todas as terras mais obscuras e perigosas sobre este planeta, e me custaria £ 100.000 por uma passagem só de ida.
O Caminho! Um dos segredos finais — ouça! — é este: nem mesmo a glória inefável e o êxtase do objetivo, mas o Caminho em si, com todos os seus perigos, dificuldades e sofrimento, é a valiosa recompensa.
A cerimônia de iniciação foi impressionante. Eu fui deixado pelos meus padrinhos na porta de um templo secreto (até hoje eu não devo revelar o seu paradeiro) pelo Kerux ou Mensageiro; um homem com um manto dourado com uma espada desembainhada.
Ele me conduziu através do primeiro dos Grandes Pilões. Depois de ser vendado e amarrado, purificado sendo aspergido com água e consagrado pelo fogo, fui levado no escuro com a fumaça do incenso.
Fizeram com que eu me ajoelhasse diante de um altar e repetisse um juramento formidável de fidelidade, de sigilo, e de abstinência de qualquer tipo de conduta que pudesse prejudicar o meu poder de autocontrole.
A venda foi removida de meus olhos diante de um trono posto na escuridão no oeste. Aqui fui confrontado por um oficial de capuz negro representante do deus Hórus.
Ele me deu minha primeira injunção: “O medo é o fracasso e o precursor do fracasso. Sê, portanto, sem medo, pois no coração do covarde não habita a virtude. Tu me conheceste. Prossigas”.
A venda também foi retirada quando cheguei ao trono no leste, onde o oficial representando o deus Osíris me deu outra injunção — que o caminho da consecução repousa no conhecimento e uso de perfeito equilíbrio, justiça, retidão e verdade.
Finalmente eu fui desamarrado e convidado a tomar o meu lugar no norte, o lugar de maior escuridão, para mostrar que eu tinha dado apenas o primeiro passo em uma estrada longa e difícil.
VIAJANDO NO PLANO ASTRAL
Todo esse ritual pode impressionar o leitor como sendo desnecessário. Mas seu propósito é estampar indelevelmente as injunções na memória, mais sobre as partes mais profundas do ser espiritual do homem do que nas camadas superficiais da mente consciente.
Estou proibido de mencionar os nomes dos que me iniciaram, mas dentre eles estavam alguns dos homens e mulheres do Império mais ilustres em literatura, arte, política, teatro, diplomacia e exército.
Então eu era um neófito — um novo ser nascido em um novo mundo. Eu nunca retornei para o velho mundo dos grosseiros enganos e ilusões da matéria conforme os sentidos o descrevem.
Aqueles que se tornam magistas podem viajar no plano astral, visitando lugares distantes enquanto o corpo ainda permanece em casa. Eles prepararam e comprovaram um elixir da vida; eles são vistos frequentemente rodeados de uma aura de luz.
Eu mesmo testei todas essas reivindicações e descobri que são verdadeiras. Não há limite para as possibilidades de uma realização.
Mas estas só são coisas superficiais. A magia transcende o espaço e o tempo. Tudo é possível para um adepto, mas a virtude de seu conhecimento e poder desertariam se ele os usasse para fins egoístas ou lucro pessoal.
Na verdade, estas palavras “egoísta” e “pessoal” deixam de significar qualquer coisa para o iniciado. Ele se desenvolve, e encontra-se por perder o seu antigo self limitado em tudo o que é: pois “tudo o que vive é santo”.
Na próxima semana descreverei minha peregrinação pelo mundo em busca de realização mágica.
[Original no Espaço Novo Aeon, defunto, recuperado pelo Wayback]

Ele e muitos foram excomungados e banidos até dentre aqueles que se consideravam magistas. considerando a minha péssima reputação na Comunidade Pagã, eu devo pressupor que devo estar fazendo algo...certo.

sábado, 16 de abril de 2016

Doutor Fausto: lenda e história

Eu vou aproveitar o impulso dado pelos textos anteriores, motivados pela tentativa de alguns pagãos modernos de reabilitar Satan e pelo tropeço de outros em insistir em identificar ou assemelhar o Deus Cornífero com o Diabo. Não por que eu esteja preocupado com a satanização do Paganismo Moderno e de nossos Deuses, eu estou é mais preocupado com a sanitização da Bruxaria e da Wicca. Graças ao Cristianismo, Satan, Diabo, ficou irremediavelmente parte das heresias, ordens secretas e práticas religiosas heterodoxas. A Bruxaria Tradicional considera a Wicca Tradicional uma prática caiada. A Wicca Tradicional considera a Neo-Wicca uma prática com mais alvejante ainda. O que é compreensível, visto que a cultura ocidental ainda é fortemente marcada e influenciada por essa herança judaico-cristã, o que tornou indesejável para os grupos ecléticos contemporâneos ter qualquer identificação ou vínculo com essa concepção cristã de que Bruxaria e a Wicca são coisas... satânicas.
Em minha jornada eu percebi com certo espanto como assuntos e práticas da Bruxaria são proibidas, censuradas, omitidas e negadas por pessoas que se intitulam bruxos e sacerdotes. Para o desespero do cristão fundamentalista e para nosso infortúnio, o mundo contemporâneo e as expressões artísticas usa Satan, a Bruxaria e outras religiões não-abraãmicas como se fossem uma única e a mesma coisa. Por sarcasmo, ironia ou estratégia, muitos de nós aceita tal pecha exatamente para se manter isento dos apelos da massificação e popularização.
A Sétima Arte é uma excelente fonte para perceber essa “identificação”, são vários os filmes que descrevem a bruxa e a bruxaria como algo próprio do Diabo e isso tem muito a ver com a visão doutrinária da Igreja e do Santo Ofício durante a Idade Média. Como eu havia dito nos textos anteriores, os pagãos modernos precisam estudar e interpretar melhor os eventos históricos que aconteceram durante a Baixa Idade Média, porque tanto por parte dos padres como por parte das bruxas existe um padrão cultural do qual se pode extrair a existência da Bruxaria e do Mestre do Sabat.
Mas mesmo o cinema tem suas fontes, vinda dos clássicos da literatura e até da mitologia. Se o livro “O Mestre e Margarida” é um “anti-fausto”, quem ou o que seria o “Doutor Fausto”? usando a enciclopédia virtual [Wikipédia] eis o que eu obtive:
Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio, baseada no médico, mago e alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540). O nome Fausto tem sido usado como base de diversos textos literários, o mais famoso deles a peça teatral do autor Goethe, produzido em duas partes, escrita e reescrita ao longo de quase sessenta anos. A primeira parte - mais famosa - foi publicada em 1806 e a segunda, em 1832 - às vésperas da morte do autor.
Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que o enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso.
O Fausto histórico
Johann Georg Faust (c. 1480 – c. 1540), ou Georg Faust, foi um alquimista, astrólogo e mago da época do Renascimento alemão.
Vida
Georg Faust nasceu por volta de 1480 em Knittlingen (Vurtemberga), no sul da Alemanha [1] Pouco se sabe sobre sua formação acadêmica, mas parece haver estado associado às universidades de Heidelberg e Wittenberg. Levava uma vida itinerante como astrólogo, médico e filósofo natural e, apesar de haver sido perseguido por autoridades de várias cidades como Ingolstadt, Wittenberg e Nuremberga, também foi contratado como astrólogo por personalidades da nobreza e até da Igreja. Os humanistas e teólogos da época, porém, consideravam-no um charlatão.
Faust aparentemente foi vítima de uma morte não natural no sul da Alemanha por volta de 1540. O reformador Philipp Melanchthon menciona que "Johannn Faust" morreu de maneira violenta e que seu corpo parecia haver sido mutilado pelo demônio. Em escritos publicados em 1566, Martinho Lutero assinalava-o como um instrumento do demônio, algo que deve ter contribuído na criação de lendas sobre ele. O próprio Faust pode haver estimulado as histórias de bruxaria durante sua vida com fins propagandísticos.
O Fausto apócrifo
Em 1507 foi nomeado mestre-escola em Kreuznach "um homem muito douto e místico", chamado Georgius Sabellicus Faust Junior, que, conforme uma carta achada na abadia de Sponheim, "abusou dos alunos e fugiu". Em 15 de janeiro de 1509 colou grau de bacharel em teologia, na universidade de Heidelberg, um certo Johannes Faust. Conrad Mutianus Rufus, da paróquia de St. Marien em Gota, conta que um tal Georg Faust blasfemava soberbamente em Erfurt, em setembro de 1513. O bispo de Bamberg declarou ter pago a um Faust, em 10 de fevereiro de 1520, dez moedas de ouro, para que ele lhe lesse o horóscopo. Documentos rezam que um doutor Georg Faust foi banido de Ingolstadt, em 15 de junho de 1528, como charlatão. Um doutor Faust teve negado salvo-conduto, em Nuremberg, a 10 de maio de 1532. Em Münster o doutor Faust, em 25 de junho de 1535, predisse a capitulação da cidade pelo bispo, como depois aconteceu.
Em pouco tempo outros mitos e lendas que envolviam personagens como Simão Mago, Cipriano e Teófilo, episódios bíblicos e medievais, burlas e fábulas começaram a compor uma tão considerável tradição oral e apócrifa acerca desse Fausto, que ele acabou por tornar-se figura literária.
O Fausto literário
No intuito de compilar tudo quanto se acreditava e dizia acerca de Fausto, Johann Spiess, livreiro e escritor de Frankfurt, compôs no ano de 1587 a primeira narrativa literária dessa personagem. Era um volume de 227 páginas, intitulado como a Historia von dr. Johann Fausten, cujo enredo contava como ele se vendeu ao diabo a prazo estipulado, as extraordinárias aventuras que viveu nesse ínterim, a magia que praticava, e por fim sua morte e danação. Tudo isso publicado para servir de advertência sincera contra os que levavam a curiosidade intelectual além do limite estabelecido pelas igrejas.
Enredo da lenda
No afã de superar os conhecimentos de sua época, Fausto evoca espíritos e, por fim, Mefistófeles, o demônio (palavra que significaria, etimologicamente, inimigo da luz) - com o qual negocia viver por vinte e quatro anos sem envelhecer.
Durante este tempo, conforme o contrato assinado com seu próprio sangue, o diabo serviria a Fausto, em troca da sua alma. Entregue aos prazeres durante este tempo, é finalmente ao término deles levado para o Inferno.
Tendo, porém, encontrado o amor de Margarida, dela tenta obter a salvação, mas foi inevitável o destino a que se comprometera.
Doutor Fausto é um personagem meio mítico e meio histórico, no entanto existiram e existem muitos ocultistas, magos e bruxos que fazem parte da história da Bruxaria, muito embora alguns ditos pagãos, bruxos e sacerdotes tenham decretado a “excomunhão” deles, tudo para supostamente melhorar a “imagem pública” da Bruxaria e da Wicca, torna-las mais aceitáveis, mais inclusivas, menos ameaçadoras, no que eu singelamente chamo de sanitização, mas eu sei que isso é para atingir objetivos e agendas pessoais.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A antiguidade do Deus Cornífero

Jason Mankey em sua coluna Raise the Horns, na seção de Paganismo do Patheos, publicou um texto interessante e provocante intitulado “O Deus Cornífero não é tão velho quanto você pensa”. O artigo de Jason merece ser mais bem explorado e esclarecido, porque ele comete muitos enganos e equívocos.
Jason diz que o Deus Cornífero é uma construção moderna, não antiga e embora tenha em seu DNA algo do Diabo, isto é um conceito moderno. Segundo Jason, os antigos não tinham um Deus Cornífero Universal, mas sim diversos Deuses que portavam chifres em suas cabeças. Deuses que serviam a diferentes necessidades e possuem identidades próprias que apenas tinham os chifres em comum.
Eu devo adiantar que discordo da ideia teosófica que “todos/as os/as Deuse/as são o/a Deus/as”, mas é a nossa crença no Deus Cornífero que é uma construção moderna. A definição do Deus Cornífero ser uma construção moderna entra em contradição ao colocarmos sua identificação com o Diabo, um conceito que surgiu durante a Idade Média. Quando comparamos o Deus Cornífero com os demais Deuses antigos que eram descritos ou representados com chifres, a comparação precisa ser devidamente contextualizada com a mitologia, do contrário estamos fazendo uma comparação conforme nossa visão provinciana.
Jason cita alguns dos Deuses antigos que costumam ser usados como referência ou como modelos, arquétipos, do Deus Cornífero e é precisamente em seus exemplos que ele comete alguns erros de interpretação.
Dois exemplos típicos são Cernunnos e Pan, Deuses que, Segundo Jason, são completamente diferentes. Embora eu concorde com ele, o argumento que ele apresenta não convence. Jason define Pan como o Deus do espaço selvagem, separado da civilização, tendo conexões com bodes e pastoreio, é um Deus da natureza, fertilidade, fecundidade, luxúria e sexualidade. Segundo Jason, Cernunnos jamais foi representado com um falo ereto [como Pan] e é um Deus da caça e da abundância. Jason chega a comparar e diferenciar os tipos de chifres que Pan e Cernunnos portam e isto é crucial, afinal isto tem muito a ver com a divindade, poder e majestade destes Deuses, mas não é porque possuem diferentes tipos de chifres que eles sejam Deuses diferentes, as diferenças entre os deuses tem mais a ver com sua origem e mitologia. Eu irei explicar Pan e Cernunnos, conforme o argumento exposto no artigo, para que o leitor possa perceber o equivoco cometido por Jason.
Segundo ele, Pan era um Deus de segunda categoria fora de Arcádia e um Deus, favorecido por alguns, mas que não tinha um culto massivo que o colocaria junto com as demais religiões majoritárias no Império Romano. Isso não é inteiramente verdade, quando colocamos Lupércio, Fauno e Silvano, as versões Romana de Pan, divindade indispensável nas celebrações da Lupercália, ou mesmo quando levamos em consideração a importância de Pan no Orfismo.
Quanto a Cernunnos, Jason alega que seu culto era menos ainda conhecido, tanto que seu nome aparece apenas em um registro arqueológico. O que é um contrasenso, pois Cernunnos está vinculado à cultura e religião do povo Celta, que praticamente dominou toda a Europa antes dos Romanos. Jason se equivoca quanto a seu registro arqueológico, que ele deve se referir ao Pilar dos Barqueiros, supostamente o único lugar onde aparece o nome Cernunnos, no entanto a imagem pode ser encontrada também no Caldeirão de Gundestrup, imagem que é a que é usada com mais frequência pelos Pagãos Modernos e mesmo assim estas não são as únicas ocorrências da presença de Cernunnos por toda a Europa Celta. Para arrematar, Jason não tem como afirmar que Pan e Cernunnos são totalmente diferentes pelas evidencias que ele apresentou levando em consideração a afirmação dele que seus cultos eram escassos, não é possível sequer diferenciar os atributos desses Deuses levando em consideração apenas um único registro arqueológico.
Jason comete um equivoco ainda maior quando inclui o Deus Dionísio na lista e apontar que este Deus não é o Deus Cornífero por ser raramente representado com chifres. Dionísio, assim como Pan e Cernunnos, é um Deus complexo de difícil compreensão e interpretação. Como eu havia escrito em meu texto “Simpatia pelo Diabo”, a identidade de uma entidade ou Deus não depende do que acreditamos, mas sim da mitologia dessa entidade ou Deus. A origem de Dionísio vem da península da Anatólia e antes de ser conhecido como Dionísio ele era conhecido como Zagreu, um Deus com chifres.
Jason tenta estabelecer uma origem pressuposta do Deus Cornífero com as origens culturais e religiosas da Europa e até nisto existe um enorme problema. Quando falamos em Celtas, existem poucos registros sobre essa civilização, mas os Celtas eram uma coletânea de povos que tinham em comum apenas aspectos de linguagem e espiritualidade. Mesmo estes são descendentes dos Indo-europeus, uma coletânea de povos antigos que surgiram na região do Vale do Indo, onde fica o atual Paquistão. Dos Indo-europeus nós sabemos ainda menos de sua cultura e religião, nós apenas pressupomos algumas características em comum, então é espantoso que Jason alegue que os Indo-Europeus não tinham um Deus Cornífero, esquecendo que esta é a mesma origem da religião Védica e da cultura Hindu, onde Pashupati [um Deus que é semelhante demais a Cernunnos, Pan, Fauno, Silvano e Herne] é uma das manifestações do Deus Shiva.
Jason pula muito da história e desenvolvimento do Paganismo antigo, de sua sobrevivência na folclorização do cristianismo e de seu ressurgimento na Europa da Idade Média juntamente com o aparecimento das heresias. E talvez isto constitua um dos maiores erros de Jason e muitos pagãos modernos: descartam totalmente a história da Europa durante a Idade Média, como se a religião e a cultura popular não fosse resultado da assimilação e sincretismo de crenças antigas e originais com o cristianismo, como se o discurso oficial e jurídico da Caça às Bruxas não pertencesse a esse conjunto cultural pitoresco.
Neste blog o leitor pode encontrar diversos textos explorando a questão do Santo Ofício, de como a guerra contra as heresias passou a ser uma caça às bruxas, de como missas negras realizadas por nobres tanto refletem quanto influenciaram o conceito das assembleias de bruxas e de como o Mestre do Sabat foi identificado como sendo o Diabo. Para entender isso, nós temos que mergulhar nos processos do Santo Ofício, onde muitos contêm testemunhos voluntários, obtidos sem tortura e de como, mesmo no discurso oficial do Estado [secular e clerical], podemos encontrar ali rastros de uma autentica, resistente e sobrevivente religião antiga, vinculado às nossas origens europeias e pagãs.
Concluindo, o Deus Cornífero não é Cernunnos, Pan, Herne, Fauno, Silvano ou Dionísio. O mais provável é que estes Deuses sejam tanto filhos como pais deste que é o Senhor dos Mistérios da Bruxaria e Wicca tradicionais, tal como dizemos em nossas cerimônias, na Carga do Deus: “Eu sou o Velho e o Novo, eu sou o Pai e o Filho, meus nomes são incontáveis e o universo é a minha coroa. Busquem-me com Amor e descobrirás o Mistério”.